26 novembro 2007

Carta para o Sr. Presidente do Conselho Municipal da cidade da Beira, Eng.º Deviz Simango

Eng.º Deviz Simango
Presidente do Conselho Municipal da Beira
Presidente, permita-me escrever-lhe pela segunda vez uma carta. É meu costume escrever cartas, nem que seja ao Presidente da República.
De acordo com o semanário "domingo" na sua edição de ontem, camponesas na cidade da Beira estão furiosas depois que o Conselho Municipal decidiu expropriar as suas terras, onde cultivam arroz e batata-doce, nos bairros do Vaz, do aeroporto, da Manga e do Estoril. Fizeram já uma manifestação em frente ao edifício do Conselho.
Ainda segundo o mesmo semanário, o Eng.º Simango surge a declarar o seguinte : "Então, o desenvolvimento da cidade vai ficar "enterrado" porque queremos que as pessoas façam machambas, é assim? Eu penso que não, por isso achamos melhor priorizar os negócios que os empresários querem fazer e isso contribui bastante para o crescimento da nossa cidade (...) pena que as pessoas estejam a ver apenas machambas, mas nós estamos a ver o volume de negócios para o desenvolvimento da nossa cidade. Portanto, há muitas empresas que estão a aparecer. Esta a questão de fundo".
Ora, Eng.º Simango, partindo do princípio de que a informação do "domingo" não é falsa, a questão de fundo não é essa: a questão de fundo é que as camponesas são herdeiras de um longo passado de cultivo, nas suas terras habitam séculos de cultura, de história, nas suas terras estão enterrados os seus entes queridos, nas suas terras estão os sonhos de uma vida melhor. Este país é filho das machambas, Eng.º, é filho de cada palmo de terra adubada.
Por isso, Eng.º, tratar as camponesas como ervas daninhas que se podem remover desde que a árvore do mundo de negócios seja considerada vital, é matar a nossa cultura, é trocá-la pelo dinheiro, pelos interesses comerciais, pela ganância do lucro.
Presidente: tanto quanto julgo saber, o Senhor tem feito um excelente trabalho no município e isso já está internacionalmente reconhecido. Não estrague o que já fez com o que quer fazer, não deixe mandar embora as compatriotas, não deixe magoá-las. Plante os negócios, mas nunca destrua quem fecunda a terra.
Com os meus mais respeitosos cumprimentos.
Carlos Serra

25 comentários:

Anónimo disse...

Senhor Professor,

Com o devido respeito por si, que é muito, não posso concordar com esta sua carta aberta dirigida ao presidente do município da Beira.
Com efeito, e se bem percebi qual o problema aqui colocado, as "mamanas" pretendiam manter a sua actividade em plena cidade da Beira; em plena cidade de cimento; em plena companhia dos prédios e outros que tais pela cidade de cimento pululam.
Ora, parece-me descabido que se autorize o cultivo de terras no meio de um contexto urbano.
Imaginemos agora que o Comiche desatava a conceder terras para cultivo na cidade de Maputo. Qualquer terreno baldio seria tomado de assalto, e teríamos paradoxos do género de termos um Maputo Shopping a conviver com machambas que não mais servem do que somente para realizar agricultura de auto-subsistência.
Assim, parece-me legítima esta tomada de posição por parte do edil da Beira, sob pena de daqui a uns tempos termos políticos a considerar correcto que alguns munícipes arranquem o "parquet" do chão para lenha, arranquem a canalização para vender em sucatas, etc.
O senhor Professor indique alguma grande cidade (vou-me ficar aqui pelas Áfricas, já nem vou falar de cidades europeias) que possua machambas? As cidades a que eu já fui (JHB, Pretoria, Mbabane, Manzini, Harare) e que eu me lembre, não possuiam esta característica.
Claro que pode ser uma decisão penalizadora e nisso importa encontrar alternativas para as mamanas, mas nunca autorizar a sua permanência em plena selva urbana.
Até mesmo por uma questão de protecção da saúde de quem irá consumir os alimentos que virão destas machambas.
Comer couves e mandioca produzidos em plena cidade não é o mesmo que em pleno campo, ou é?

Abraço

Carlos Serra disse...

Não, não é em plena cidade de cimento, é em áreas de muito, muito antigo cultivo na periferia da cidade.

Anónimo disse...

Corroboro como esta ideia do Engenheiro Simango de redireccionar a actividade de cultivo na Cidade da Beira avanc;ada pelo primeiro comentarista.

Este e' um habito criado durante o regime todo da Frelimo com as ditas machambas do povo. Nao se trata aqui de "passagens" de uma geracao a outra de terras, nao.

Eu noto que o Professor Serra desta vez falhou o seu alvo, nao e' o Eng Simango. Porque e' a Frelimo na vanguarda destas situacoes, o que se pode aconselhar a ele e' que fac;a estudos adicionais da situacao para melhor fazer entender as pessoas a encontrarem outros terrenos para la' da precinta ou dentro da cidade, onde podem desenvolver agricultura quic;a em moldes mais comerciais.

O professores nao se lembra que as pessoas passaram a vida a pilar nos predios de Maputo e pelo pai's fora, mesmo com o Samora Machel a chamar atencao para o facto desses maus habitos nao serem civicos, como estao os predios agora? Se calhar o doutor vive noutro mundo, nao viu isto?

Por isso, vire os seus canos ao alvo certo. E gostaria que deixassemos tambem de ser advogados do diabo quando isso nos der pela cabec;a. Com todo o respeito, seu admirador.
Boa noite.

Carlos Serra disse...

Não, as zonas de cultivo são anteriores à independência nacional e, tal como referiu um leitor em outra postagem, "O parcelamento destas áreas suburbanas na Beira, para produção de arroz e hortícolas, vem do tempo em que todo o território entre os rios Zambeze e Save era administrado pela Companhia de Moçambique (1891): gerações fizeram desta actividade o seu modo de vida."

Anónimo disse...

Senhor Professor,

até posso conceder que possa estar errado e afinal os campos de cultivo não são em plena cidade mas nos seus arredores. Não conheço [infelizmente] a Beira para me poder pronunciar nesse sentido.
A ser verdade, o meu primeiro argumento vai por água abaixo.
No entanto, deixe-me dizer que o argumento de que esta actividade vem desde os tempos da Companhia de Moçambique e desde há gerações não colhe.
Tal como diz o ditado, as tradições foram feitas para serem quebradas, e tal pode ser o caso aqui.
Acredito que muitas das grandes cidades actuais ocupam aqgora espaços que em tempos foram usados por gerações para a prática de agricultura e outros fins.
Pergunto é qual a finalidade dessa agricultura e se os referidos campos de cultivo são férteis para a agricultura?
Se o Professor ou as mamanas me disserem que a agricultura que praticam ali é para o comércio [e não para auto-subsistência] e que aqueles terrenos são os mais férteis que podem encontrar para a prática da agricultura, então aí sim, darei razão a elas.
Agora, se me disserem que os terrenos não são nada de especial e que a maioria da agricultura ali praticada é só para fins pessoais [auto-subsistência] ou só para o pequeno comércio [para vender no dumba], então aí serei obrigado a concordar com a medida do Simango.
O mundo não pára. O mundo evolui.
Não podemos ficar presos a meras tradições que valem o que valem, impedindo o progresso sócio-económico do país.
Segundo li, a ideia é implantar indústrias e comércio na zona.
Ora, basta somente fazermos a comparação entre as duas.
Vale mais manter algumas machambas para auto-subsistência ou aproveitar o local e construir um parque industrial?
E atenção que o Simango parece-me ser um autarca com bastante cabeça e sensibilidade para as questões sociais.
Não acredito que esteja a fazer isto de ânimo leve ou movido por um qualquer sentimento de desenvolvimento a qualquer preço.

Abraço

Reflectindo disse...

Contacto com o edil da Beira é dos mais fáceis. É só ir para o portal do Município da Beira: http://www.municipiobeira.gov.mz/index1.htm

Eu penso que a questão é muito complexa e abrange a todas cidades e vilas. Não conheço a Cidade da Beira, mas dá para ver o problema a partir de qualquer cidade moçambicana onde estivermos. Em Nacala-Porto, por exemplo, muitas das novas infra-estruturas são construidas em áreas de residências e cultivos e cemitérios familiares, isto é, onde as pessoas viveram por geracões. Falo por exemplo do local onde foi construída a fabrica de cimentos. Não penso que o problema seja só das cidades , porque é difícil imaginar que Moma não se tenha tido o mesmo problema com a instalação daquele complexo de exploração de área pesada. Aliás, até ouso dizer que isto acontece em toda parte do mundo.

Contudo, acho que o mais interessante, é saber de como se fazem as negociações entre as pessoas que têm interesse pelo espaço e as considerações pelas autoridades, sejam elas locais ou centrais.

No caso de Moçambique há que ter-se em conta que muita gente não faz machamba como um “hobby”, mas dela sobrevive. O mesmo é quanto ao valor de uma palhota que ao olho de quem vive numa casa construída com material convencional é algo sem valor.

Anónimo disse...

Prof Serra, para quem conhece a cidade da Beira nota que os bairros estao separados por pântanos. Nota-se que o espaco em referencia limita o próprio crescimento da cidade porque para se construir precisa-se de muito trabalho no aterro dos talhoes.

Conheco estoril. É um bairro, digamos, "somerchild" da Beira. Existem alí grandes construcoes (bem ao lado da praia do estoril,proximo do ex-hotel Dom Carlos. Mas bem proximo dessas zonas ha plantacoes de batata-doce e arroz. A área que parte da paraia em referencia até ao bairro do aeroporto é apenas machambas.

A UCM (Univ Catolic de Moc) fez um inquerito em 2002/2003 (no qual fiz parte)sobre a sensibilidade das pessoas no uso daqueles terrenos caso os mesmos fossem aterrados. Infelizmente não tive acesso ao relatório final.

Com isso quero dizer que, entre Estoril ao aeroporto, Vaz até a Manga constitui uma área que bem aproveitada pode dar outra imagem a cidade.

Para mim, o Eng. Devis Simango peca ao dizer que a área é somente para actividade comercial. É vasta área que, quanto a mim pode ser repartido em areas residenciais, comerciais entre outras.

Beira está sem talhoes. Só olhar como vivem as pessoas do Nhamudima, Goto...

Um abraco

Tavares

Esfinge disse...

Xi manos sim senhor sim senhor agora precisam dizer uma coisa: os manos já experimentaram ficar no lado das mamanas? e depois mano Deviz deu boa espingarda para Frelimo agora vão ver os resultados.

Júlio Mutisse disse...

Ilustre professor,

Não conheço bem a cidade da Beira se não pelas minhas idas no voo das 7 e regresso no das 16 (normalmente a trabalho).

Pergunto: a medida do ilustre Eng. Simango não terá como base o desenvolvimento/expansão da cidade da Beira tal como está acontecer com Maputo?

Haverá como travar esse crescimento?

Anónimo disse...

Espero que tal como muitas vezes acontece, o povo(mamanas) não esteja sendo usando aqui como cavalo de batalha e que seja realmente por se sentir por eles(elas....
Mais eu não disse...
nelsonleve

Anónimo disse...

Creio ser possível fazer um estudo comparativo entre os ganhos líquidos, económicos e sociais, das pequenas machambas e os ganhos líquidos, económicos e sociais, do projecto Eng. Deviz.

A decisão final sobre que projecto prosseguir não deveria depender do nosso sentimentalismo, mas sim do ganho de conjunto que a cidade da Beira vai ter.

É evidente que se, nessa comparação, o projecto empresarial das mamanas perder, haveria que negociar com elas e compensa-las adequadamente. De preferência, entre as compensações deveria incluir-se a cedência de espaços apropriados para a continuação das suas centenárias actividades.

Por exemplo, imaginemos grosseiramente que os campos de arroz alimentam, directa e indirectamente, 2,000 famílias com uma renda média de 5.000 meticais. Imaginemos por outro lado que o projecto do Eng. Deviz Simango propicia salários (digamos de 6,000meticais) para 10,000 famílias. Qual deveria prevalecer Professor?

No entanto, na luta política, este tipo de decisões não pode deixar de ser usado para os processos de mobilização e consequentes ganhos eleitorais. Depende da capacidade de argumentar de cada lado.

Obed L. Khan

Anónimo disse...

Alguem sabe de quem era a machamba no terreno onde hoje eh sua casa?? Maputo antes de ser Maputo..era so Land..., apesar da pouca vergonha na zona da costa-sol em ki se violentou a natura e hoje vemos os resultados.

Mas..come on, vamos la aceitar o desenvolvimento, urbanizemo-nos e deixemos de sentimentalismos desnecessarios.

Anónimo disse...

Nao, come on Doutor, 1891 e' uma data de referencia para discutirmos os problemas de hoje na Beira? Se fosse assim,entao cidades como Lilongwe (Malawi) nao podia ter a configuracao que tem hoje de urbanisticamente bela agradecendo a visao dos seus engenheiros, arquitectos e construtores.

Repare que, olhando para Beira como ponto de chegada e partida para muitos pontos do pais e fora dele, diga-se de passagem uma beleza adormecida, nao se justifica que estejamos presos aos tempos das companhias monopolistas (Campanhia de Mocambique) cujos fitos e mobis era afugentar as populacoes e explorar desenfreadamente as terras para alimentar as grandes metropoles coloniais la' no primeiro mundo. Vamos equacionar o problema doutra maneira, embora reconhec;amos da presenc;a dessas companhia barbara que o Doutor citou.

Para mim, ao inves de olhar o Eng Simango como um "problematico", deviamos e' sauda-lo, enaltecer o trabalhor por ele levado a cabo, e mais encoraja-lo a trabalhar afincadamente com as populacoes locais a fim de sanar possiveis diferendos advindos da sua transferencia para outros terrenos.E' natural que esses deferendos surjam, quando a terra e' o que esta' em questao.

Quero com isso dizer, por ultimo, que devemos deixar que o escantilhao de cerceas e nao o esquadro [tracado de LM/Maputo] continue a fazer o trac;ado ordeiro da Beira seja para que ele for, em prol do desenvolvimento e nao voltemos aos tempos dos imperios e primitivos.

Masu

Anónimo disse...

É o preço do desenvolvimento... Infelizmente não li o artigo do jornal Domingo e conhecendo as
" tendencias " deste semanário gostaria de saber se a resposta do Deviz Simango está devidamente contestualizada... De facto, o progresso é irreversível. Em qualquer parte do mundo a tendencia é de as cidades crescerem conquistando espaços a machambas, pastagens, arrebaldes desordenados, pantanos, mangais(?)etc. Talvez o que falte é um meio termo em tudo.Por isso gostaria de conhecer o real posicionamento do Municipio da Beira pois acredito que com a sensatez a que o D.Simango nos habituou, é possível que se tenham indicado outras zonas para as Sras continuarem a plantar o arroz, a batata doce e quejandos. Prevaleça o bom senso! Não travemos o desenvolvimento de uma cidade tão carente como a Beira. J.J

chapa100 disse...

nao tenho a possibilidade de ler o projecto economico do edil da beira, por isso nao posso estar aqui a questionar a viabilidade do tal projecto. mas fazendo uso da experiencia dos "negocios de desenvolvimento", que chamo de cogumelos, que aconteceram ¨no nosso grande maputo, sou obrigado a duvidar da intencao desenvolvimentista destes empreendimentos que tem como objectivo urbanizar as relacoes economicas e sociais nas cidade de cimento e sua periferia . O predio cimpor, o supermercado na costa do sol, o shoprite, os edificios multi-funcionais de chineses, shopping centers, e outros cogumelos que pululam por maputo, ate hoje ninguem veio convencer-nos que estes empreendimentos vieram urbanizar as nossas relacoes economicas e sociais desta cidade. muitos destes empreendimentos nao responderam a um plano de urbanizacao que acente no aumento da qualidade de vida dos citadinos de maputo e o plano arquetetonico de maputo - alguem num destes debate disse que nao ve nas nossas casas de madeirazinco uma contribuicao arquitectonica para a beleza do maputo. estes cogumelos nao trazem nenhuma mais valia no projecto para a expansao da cidade e nem funcionam como atracao para a expansao de infra-estruturas sociais e economicas para a periferia da cidade, ou espacos de expansao urbana. E fazem uso de infra-estruturas publicas (estradas, energia,etc) para sustentar o investimento realizado.
O mais triste muitos destes empreendimentos benificiam de isencoes fiscais e outros benesses de atracao de investimento externo. o edil esta a sair da estrada, quando pensa que pode mudar toda uma practica e organizacao economica e social dos citadinos da beira sem negociar e mostrar que estes projectos nao vem servir esta cultura de cogumelar nossas cidades. e nao sei se estamos perante este fenomeno de substituir as nossas ruinas historicas por novos edificios e espacos de negocio.

Anónimo disse...

Pois e, vamos coloniza-los, e como somos da mesma cor nao faz mal, as mamanas que se danem, nos estamos a trazer a civilizacao, que acaba com a fome, afinal essa e funcao dos Shoping Centers! Que alternativas para essas pessoas que exploram esses espacos? Nao e apenas espaco para machamba que perdem, e fonte de rendimento, para manter familias e garantir educacao de seus filhos.

Anónimo disse...

eh..depois dizemos ki Cape - Town eh uma loucura..tudo por causa das machambas ki estao no waterfront. Vamos ao rio de Janeiro..so machambas, para nao falar de Durban, Mbabane..Harare..etc. Tudo machambeiro. Eh mesmo maputo, to vendo a horta..e o pomar da minha avo, ali na Julius Neyere...dando boas hortalicas e Laranjas pra caramba.

Ha que comecar por algum lugar. ha que acabar com o primitivismo,amarrar-mo-nos as tradicoes. mas eh sempre assim, mudancas sao dificieis de aceitar..!!

Forca Deviz..faz la da Beira um exemplo...e nao prejudique as mamanas, arranja ai uma solucao.

pipas

Reflectindo disse...

Boa pergunta Júlio Mutisse

Boas sugestões Obed. Tb pensei que era necessário alguma compensacão e cedência de espaco alternativo...

As observacões dos demais, julgo-as de boas.

Penso que temos que admitir desenvolvimento, transformacões, projectos que geram emprego. embora não seja a coisa fácil.

A comparar está aqui os postos de emprego que os shoppings centers geram.

Penso que isto devia ser uma das discussões que todos os municípios deviam discutir quando se encontram, porque o problema é comum e ultrapassa as diferencas políticas.

Anónimo disse...

Chapa100,

Esse teu argumento desculpa lá mas é muito fraquinho.

Dizes que, aquilo que chamas de "cogumelos" da cidade de Maputo, não vieram urbanizar as nossas relacoes economicas e sociais.

Mas, afinal, o que é urbanizar para ti?

A definição que consta no dicionário é, de entre outras possíveis: "urbanizar" - embelezar uma cidade, dando-lhe todas as condições de uma cidade moderna (avenidas, rede de esgotos, parques, zonas comerciais, zonas industriais

Em face desta definição de urbanizar, como é que podes dizer que esses edifícios não vieram urbanizar a cidade? Podes dizer que não houve um plano director, que foram construidos sem qualquer enquadramento etc. etc. mas para os devidos efeitos, e conforme a definição acima diz, urbanizar é construir zonas comerciais, avenidas, parques industriais etc.

Portanto, construir esses prédios que relataste em Maputo e o que o Simango quer fazer na Beira é efectivamente urbanizar.

Mas é óbvio que isso por si só não é sinónimo de uma coisa boa né.

Mas também pergunto se manter machambas nesses locais é a opção correcta?

abraço

Carlos Serra disse...

Permitam-me excluir de mim o estudante do social e fazer intervir o cidadão: se eu fosse presidente do Município, jamais imporia as regras da minha concepção de desenvolvimento às pobres camponesas da periferia da Beira: negociaria com elas a convivência de diferentes concepções de gestão de vida, de espaço e de futuro, com vantagens mútuas, mesmo que isso fosse custoso, mesmo que isso fosse um eterno processo. O meu (o vosso) conceito de desenvolvimento não é necessariamente superior ao delas. Naturalmente que sei (e por isso sofro) quão crescentemente excludente é o "desenvolvimento". capitalista. E sei quão doloroso é aceitarmos isso como natural, como a lei magna da história. Mas a luta continua.

Anónimo disse...

Tema apaixonante, Professor, e as discussões demonstram quão importantes são aquelas zonas (a cintura verde da Cidade da Beira). Efectivamente trata-se de zonas pantanosas cujo aproveitamento agrícola resume-se no cultivo de batata doce e arroz.
O importante nisso é que no final todos saiamos a ganhar, refiro-me as mamanas, os munícipes e os beirenses, nós amamos a nossa Cidade.
Não tive acesso ao jornal, no qual foi concedida a entrevista, mas a citação feita me parece muito violenta para ser dita pelo edíl.
Esta situação vai merecer um aproveitamento político e como disse um dos comentarista o Engº. não deve pôr a perder todas as realizações e ganhos por si conseguidos por causa dum conflito cujo desfecho pode ser do agrado de todos, dependendo da maneira como será conduzido.
É um facto que a nossa Beira deve desenvolver... assistimos com "mágoa" que os investimentos públicos passam pelo Chiveve com destino a outros municípios e não tardará... a Cidade de Nampula, Matola, Quelimane, etc... passarem à estatuto de 2ª cidade do País... sem querer ofender aos munícipes daquelas cidades.
NB. Temos que discutir assuntos que conhecemos, infelizmente alguns argumentos não colam porque os seus autores não conhecem o Chiveve. Visitem a Beira, ela é linda, mas precisa desenvolver.

Therere

Martin de Sousa disse...

Therere,

Retirei do seu post 4 coisas:

1. Parece-lhe que a citação feita é muito violenta para ser dita pelo edíl.

2. A defesa dos campos de arroz/batata doce pois no final todos saiem a ganhar: as mamanas, os munícipes e os beirensesque amam a sua cidade.

3. A necessidade de desenvolvimento da Beira; e

4. O facto de os investimentos públicos passarem pelo Chiveve com destino a outros municípios.

Quero centrar-me nestes dois últimos pontos (que estarão de alguma forma ligados ao segundo) e questionar:

1. Se o desenvolvimento da Cidade da Beira depender da requalificação da sua cintura verde, esse desiderato deve ficar secundarizado (consideradas as vantagens comparativas) ao plantio da batata e arroz nos termos descritos?

2. E se os tais investimentos públicos a que aludes passarem para outros municípios dependerem da requalificação INICIADA ou a INICIAR pelo Eng. Simango?

3. Saber-se-á por acaso os ganhos das mamana que cultivam esses campos e os ganhos (para toda a cidade) que podem advir, por exemplo, da implantação nesses locais de infra-estruturas públicas (escolas, hospitais, agua, saneamento etc), da atracção de investimentos (públicos ou privados) com a consequente implantação de shopings, condomínios (de luxo ou não) etc?

Penso que deviamos aproveitar esta oportunidade para nos informarmos (para melhor debater) dos ganhos que se perspectivam com esta acção, para não incorrermos no risco de defender as mamanas e as batatas em prejuízo de uma comunidade maior ou de lançar vivas a um pseudo-desenvolvimento que pode agravar as condições de vida de muitos em benefício de poucos.

Martin

Anónimo disse...

> O que se pede ao Edil Deviz é que sustente a sua decisão num Plano Director da Cidade, elaborado, ou actualizado por urbanistas e outros técnicos com competência na matéria.
> O que faz reagir de forma menos favorável é a argumentação: negócio.
Abtaço
JCC

Anónimo disse...

Meu caro Martin, em algum momento quis fazer transparecer a ideia de que o desenvolvimento da Cidade deve ser feito a todo custo e em detrimento daquelas mamanas, mas sim que a solução a ser encontrada deve ser em benefício de todos. Porém, que o Chiveve deve desenvolver, é um facto.
No mesmo diapasão, sustenta o JCC, é preciso desencadear-se estudos por especialistas na matéria por forma a termos um plano de desenvolvimento da cidade.
Concordo com ele também quanto ao argumento apresentado(negócio) não ser convincente e o desenvolvimento não se resume em Shopping ou condomínio de luxo, como pretende relacionar(omartins).
No que tange asquestões colocadas pelo Martins elas ficam para a reflexão.

Therere

Anónimo disse...

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