25 novembro 2007

Joaquim Fumo - entrevista (4) (sociólogos e riscos) (continua)

Carlos Serra: ser sociólogo envolve riscos?
Joaquim Fumo: depende daquilo que consideramos de risco. Se estamos a falar de risco de vida, a localização no simbolismo binário — a que aludi já – certamente tem a sua influência. Os sociólogos de esquerda encontram-se geralmente mais expostos até porque intervêm nas lutas sociais ao lado daqueles que dispõem de menos recursos materiais e simbólicos. Dependendo da maturidade do regime democrático nem sempre o sociólogo que assume esta identidade é bem vindo.
Relativamente ao sociólogo de direita o cenário parece-me oposto.
Existem também outros riscos. Sabemos que a sociologia não propicia somente uma área de saber especializado. Lega-nos, também, uma consciência social. Nesta medida penso que os sociólogos de esquerda são mais felizes.
Há ainda um terceiro risco. Vivemos todos numa sociedade capitalista guiada pelo padrão de acumulação. Certamente que o sociólogo de esquerda terá que fazer um esforço tremendo para poder sobreviver. Provavelmente por isso proliferam os sociólogos mercenários desvinculados moralmente da luta política.
Enfim, na qualidade de sociólogo de esquerda acho que todos os riscos são comportáveis, por isso mesmo ser sociólogo é uma missão e exige vocação.

3 comentários:

Unknown disse...

Ah, pois ...

porque essa ficção da neutralidade nas ciências

já maus resultados !

A vida é um risco ... nem sempre calculado. Mas vale a pena !

Abraço

iv (uma socióloga, assumidamente em risco !)

Unknown disse...

Errata :

" Já deu maus resultados "

AGRY disse...

No actual quadro politico-ideológico, vozes como a do sociólogo Joaquim
Fumo, contribuem para credibilizar o País politico, descaracterizado pela capitulação de forças supostamente defensoras de um modelo de sociedade apostado no desenvolvimento harmonioso da sociedade moçambicana, o que sugeria a abolição das assimetrias alojadas no seu corpo social