26 maio 2019

Desafio

Aprendemos desde pequenos a organizar a sociedade em círculos concêntricos de coisas e pessoas - espécie primária de gavetas cognitivas orientadoras - que decrescem de importância, esbatem-se e tornam-se incompreensíveis e sem importância à medida que saímos dos nossos pequenos grupos de referência (família, grupo laboral, grupo da igreja, grupo de vizinhos, etc.). Produzir a sociedade enquanto sistema, conflito e sentido para além e a partir dos pequenos círculos cognitivos domesticados do nosso dia-a-dia é, sem dúvida, um desafio enorme.

25 maio 2019

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1324, de 24/05/2019.
Nota: o acesso ao Savana digital tornou-se um exclusivo dos assinantes razão por que deixei de colocar a edição completa aqui e na "crónica semanal" que divulgo à segunda-feira.

24 maio 2019

Mesmo quando se isola

No há homens e mulheres em si, há homens e mulheres socialmente construídos e reproduzidos. Ninguém habita fora do social, mesmo quando se isola.

23 maio 2019

Nada é mais ingénuo

Nada é mais ingénuo do que supor que cada um de nós, com sua vontade, com o seu querer, de per si, é livre de mudar as relações sociais ou de as pôr ao seu serviço pela varinha mágica da vontade; do que supor que é com o esforço individualmente considerado que a vida muda em sua complexa teia relacional de recursos e de oportunidades desiguais. Semelhante tipo de suposições radica na crença de que o social é uma mera adição de indivíduos, uns melhores e outros piores, uns capazes e outros incapazes, uns regidos por Deus e outros, pelo Diabo.

22 maio 2019

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [126]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).
Número inaugural da série aqui. Número anterior aqui.
Prossigo a história do rumor do ferro de engomar, dos assaltos levados a cabo em 2013  por supostos engomadores.
O eclipse correspondia à percepção popular de haver uma crise. O ferro de engomar era a expressão, o símbolo da crise, a tradução fiel e dolorosa do assalto, do roubo, da violação, da punição absoluta, do agravamento insuportável das já precárias condições de vida.
Nota: os rumores que estou a apresentar não seguem uma ordem cronológica.

21 maio 2019

Interacção

Relações, regras e história moldam-nos, independentemente dos nossos desejos e dos nossos eus, relações que favorecem uns e desfavorecem outros. O fundamental a reter não é a concepção do social como adição de pessoas, mas como interacção de grupos, poderes e recursos de poder desigualmente distribuídos.

20 maio 2019

Uma crónica semanal

"Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre na página 19 com 148 palavras. Edição 1323 de 17/05/2019. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

19 maio 2019

Sem dúvida, mas...

Sem dúvida que podemos pensar sermos livres de pensar livremente, mas não somos livres de agir livremente fora da história. Para usar uma imagem extrema: só nos podemos isolar em sociedade, no banho da história.

18 maio 2019

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1323, de 17/05/2019.
Nota: o acesso ao Savana digital tornou-se um exclusivo dos assinantes razão por que deixei de colocar a edição completa aqui e na "crónica semanal" que divulgo à segunda-feira.

17 maio 2019

Jovens há

Com uma faca ou com uma arma de fogo, jovens há que se convencem de poder jogar o papel de heróis, determinando com crueldade - e quantas vezes com letalidade - o destino de pessoas, grupos e países.

16 maio 2019

Produção simbólica de poder político

Cerimónias propiciatórias oficiadas pelos curandeiros em memória dos espíritos, coros de pendor religioso e espectáculos musicais são alguns dos ingredientes usados na produção simbólica e massiva de poder político em dias de festa.

15 maio 2019

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [125]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).
Número inaugural da série aqui. Número anterior aqui.
Prossigo a história do rumor do ferro de engomar, dos assaltos levados a cabo em 2013  por supostos engomadores.
A criminalidade era, apenas, um dos lados do problema. O problema era, na verdade, poliédrico, incluia, ainda, ausência de água potável, de energia eléctrica, de postos policiais e de centros de saúde, pessoas vivendo em habitações precárias, défice alimentar para famílias numerosas e incerteza quanto ao futuro.
Nota: os rumores que estou a apresentar não seguem uma ordem cronológica.

14 maio 2019

Produtores "naturais" de heróis

Somos produtores “naturais” de heróis, de hiper-eus nas diversas socializações pelas quais atravessamos a vida e a história. Os mais pequenos agrupamentos dispõem de heróis, de guias, de modelos de conduta. Os heróis tanto podem habitar um lar, um grupo de famílias, uma rua, quanto uma prisão ou as matas da guerrilha, tanto podem estar mortos quanto vivos e, estando mortos, estarem vivos na memória e na invocação cultual.

13 maio 2019

Uma coluna semanal

"Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre na página 19 com 148 palavras. Edição 1322 de 10/05/2019. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

12 maio 2019

Participe e divulgue

Aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato. Resultados das edições de 2016 (aqui, aqui, aqui) e 2018 (aqui).

11 maio 2019

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1322, de 10/05/2019.
Nota: o acesso ao Savana digital tornou-se um exclusivo dos assinantes razão por que deixei de colocar a edição completa aqui e na "crónica semanal" que divulgo à segunda-feira.

10 maio 2019

Gestão político-cerimonial

A gestão político-cerimonial está intimamente associada a um certo tipo de relato jornalístico que acentua a presença de multidões felizes e faz passar a ideia forte de que o líder é amado por muitas pessoas. Capacidade de juntar muitas pessoas é vista como produto de legitimidade política.

09 maio 2019

Quanto mais gente

Quanto mais gente estiver presente no comício mais o líder se convence de que tem a seus pés a nação inteira em formato concentrado.

08 maio 2019

Indivíduo

O indivíduo será sempre o eixo fundamental e, frequentemente, único, de um certo tipo de análise psicológica. Preocupa-a mais  o indivíduo em si do que o tipo de sociedade que o habita e o rege em permanência.

07 maio 2019

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [124]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).
Número inaugural da série aqui. Número anterior aqui.
Prossigo a história do rumor do ferro de engomar, dos assaltos levados a cabo em 2013  por supostos engomadores.
O ferro de engomar é o símbolo da crença comunitária num generalizado eclipse do social e do cultural, da crença de que tudo se tornou insustentável e indiferenciador na sociedade, da convicção de que as instituições formais enfraqueceram, de que a vida tomou o rumo do caos absoluto.
Nota: os rumores que estou a apresentar não seguem uma ordem cronológica.

06 maio 2019

Uma coluna semanal

"Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre na página 19 com 148 palavras. Edição 1321 de 03/05/2019. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

05 maio 2019

Conhecimento

O conhecimento é a busca incessante de certezas socialmente úteis. Para dizer as coisas em modo de paradoxo: certezas mais socialmente úteis do que logicamente certas.

04 maio 2019

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1321, de 03/05/2019.
Nota: o acesso ao Savana digital tornou-se um exclusivo dos assinantes razão por que deixei de colocar a edição completa aqui e na "crónica semanal" que divulgo à segunda-feira.

03 maio 2019

Em segundos

Hoje, em segundos, do celular à televisão passando pelo computador, sabemos o que se passa no mundo dos riscos crescentes de todos os tipos, da violência, da precariedade e da exclusão sociais, dos atentados a trouxe-mouxe, das guerras a esmo, das carnificinas em cafés e escolas, da morte banalizada, dos medos que se espalham como que liquidamente, dos símbolos trágicos das rixas e das batalhas.

02 maio 2019

Resta saber

Resta saber como introduzir a razão nos instintos e evitar as múltiplas facas da vida. Talvez aqui residam, desde sempre na história da humanidade, o centro e a aposta de todos os círculos sociais que procuram a paz.

01 maio 2019

Um cenário entre outros

Vivemos, a nível mundial, um período de transição, entalados neste presente entre um passado que continua a ser o nosso guia cognitivo e um futuro que julgamos distante mas que já actua em nós. Neste mundo anfibológico, estamos ainda reféns das categorias analíticas de ontem e por isso não vemos os indícios do futuro. Mundo que se torna mais agreste, mais rapidamente propenso à turbulência social com a velocidade das novas técnicas de comunicação. À medida que o futuro se tornar pouco a pouco visível, a militarização dos países e das mentes gerará intranquilidade, medo e desespero. Procurar abrigo e paz algures poderá tornar-se uma regra no planeta. Esse é apenas um cenário. Há muitos outros a ter em conta.

30 abril 2019

Falácia de generalização

Uma pedra caiu do terraço de um prédio da Av.ª Eduardo Mondlane na cidade de Maputo? De imediato surgem jornais com títulos do género "Estão a cair pedras dos prédios da Av.ª Eduardo Mondlane" ou "Caem pedras dos prédios de Maputo". Esta é uma falácia de generalização por informação incompleta.

29 abril 2019

Uma coluna semanal

"Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre na página 19 com 148 palavras. Edição 1320 de 26/04/2019. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

28 abril 2019

O ser não é o dever ser

O ser não é o dever ser, o juízo de facto não é (ou não deve ser) o juízo de valor. Analisar não significa estar de acordo ou em desacordo com o que quer que seja. Este é, hoje ainda, um dos maiores desafios da história científica da humanidade.

27 abril 2019

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1320, de 26/04/2019.
Nota: o acesso ao Savana digital tornou-se um exclusivo dos assinantes razão por que deixei de colocar a edição completa aqui e na "crónica semanal" que divulgo à segunda-feira.