16 janeiro 2019

Notas sobre o lobolo [3]

Postagem inaugural aqui. Postagem anterior aqui. A mulher é o eixo de todo um conjunto de práticas. Mas trata-se da mulher em si? Da mulher enquanto ser biológico natural e reprodutor? Deixem-me avançar com esta hipótese: não é a mulher enquanto tal, a mulher natural, que está em causa, mas a mulher social enquanto repositório de três potenciais. Veremos quais no próximo número.

15 janeiro 2019

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [104]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).
Número inaugural da série aqui. Número anterior aqui.
Prossigo a história do rumor do ferro de engomar, dos assaltos levados a cabo em 2013  por supostos engomadores.
Continuando a introdução: o quadro torna-se dramático quando histórias consideradas objectiva e subjectivamente falsas por representantes do Estado foram, porém, objectiva e subjectivamente sentidas como verdadeiras por pessoas dos bairros periurbanos da Matola e de Maputo.
Nota: os rumores que estou a apresentar não seguem uma ordem cronológica.

14 janeiro 2019

Uma coluna semanal

"Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre na página 19 com 148 palavras. Edição 1305 de 11/01/2019. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

13 janeiro 2019

Notas sobre o lobolo [2]

Postagem inaugural aqui. Eis como o antropólogo Paulo Granjo definiu lobolo: "Trata-se de uma cerimónia em que a linhagem de origem de uma mulher é cerimonial e economicamente compensada pela passagem dos direitos sobre os eventuais descendentes dessa mulher para a linhagem do marido, pelo que os filhos dela passarão a ter plenos direitos de pertença à linhagem paterna."

12 janeiro 2019

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1305, de 11/01/2019.
Nota: o acesso ao Savana digital tornou-se um exclusivo dos assinantes razão por que deixei de colocar a edição completa aqui e na "crónica semanal" que divulgo à segunda-feira.

11 janeiro 2019

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [103]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).
Número inaugural da série aqui. Número anterior aqui.
Inicio hoje a história de um novo rumor, o sexto da série. Trata-se do rumor do ferro de engomar, dos assaltos levados a cabo em 2013  por supostos engomadores.
Uma introdução: é sempre muito difícil entendermos e aceitarmos a expressão do pensamento simbólico, especialmente quando nasce no interior da situações sociais de crise múltipla, situações cujos medos e cujos anseios aparecem traduzidos e ampliados em crenças, em rumores, boatos, lendas. 
Nota: os rumores que estou a apresentar não seguem uma ordem cronológica.

10 janeiro 2019

Notas sobre o lobolo [1]

Certamente devemos ver o lobolo, praticado no Sul do nosso país, como uma prática múltipla, atravessada por campos culturais que o tempo ao mesmo tempo estruturou, sedimentou e adaptou.

09 janeiro 2019

Sobre a produção intencional de terror [4]

Postagem anterior aqui. Os artífices da guerrilha assassina conseguem regra geral quatro coisas:
1. Despolitizar os cidadãos pela inoculação de um medo múltiplo e recorrente;
2. Desterritorializar os cidadãos levando-os à fuga e ao exílio;
3. Destatizar os cidadãos, destruindo a rede de infra-estruturas estatais de serviços e proteção e quebrando todos os vínculos com a cidadania e com o Estado;
4. Amorfizar o comportamento social, transformando os cidadãos em seres abúlicos.
Não poucas vezes, o exercício de despojamento total é levado a cabo por organizações que se reclamam de um deus, de uma civilização, de um suposto desagravo histórico ou, até, da democracia. 

08 janeiro 2019

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07 janeiro 2019

Uma coluna semanal

"Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre na página 19 com 148 palavras. Edição 1304 de 04/01/2019. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

06 janeiro 2019

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [102]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).
-"No terreno, a nossa equipa de reportagem interpelou muitos jovens sobre o assunto, no entanto, ninguém conseguiu apresentar prova desta informação, limitanto-se apenas a afirmar que circulava informação de que muitos jovens estavam a ser recrutados para tropa.” – in “O País” digital de 28/11/2013.
Número inaugural da série aqui. Número anterior aqui.
Este é o último número do rumor do tira-camisa.
Para concluir o percurso desse rumor, recorro a uma fórmula que uso amiúde: fenómenos objectivamente falsos tornam-se subjectivamente sentidos como verdadeiros.
No próximo número iniciarei a história de um outro rumor. 
Nota: os rumores que estou a apresentar não seguem uma ordem cronológica.

05 janeiro 2019

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1304, de 04/01/2019.
Nota: o acesso ao Savana digital tornou-se um exclusivo dos assinantes razão por que deixei de colocar a edição completa aqui e na "crónica semanal" que divulgo à segunda-feira.

04 janeiro 2019

Se admitirmos

Se admitimos que as pessoas são boas ou más em si, à partida, independentemente dos sistemas e das relações sociais, como que dependendo de um autogerado trajecto genético, então nenhum sistema social será mais do que a formulação redundante dessa crença.

03 janeiro 2019

Sobre a produção intencional de terror [3]

Postagem anterior aqui. A guerrilha assassina que mata indiscriminadamente, mutila corpos e destrói pertences, é um dos exercícios mais cruéis do despojamento total. Os artífices desse exercício conseguem regra geral quatro coisas, veremos quais no próximo número.

02 janeiro 2019

Sinistralidade rodoviária

A questão central consiste menos nos condutores em si e nas contravenções que criam do que em quem tem por missão controlar regras, estradas (sector regra geral marginalizado nos debates e nas críticas), condutores e estado técnico das viaturas.

01 janeiro 2019

Votos

Para cada uma e cada um de vós, para cada uma das vossas Famílias, votos de um 2019 habitado pela saúde.

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [101]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).
-"No terreno, a nossa equipa de reportagem interpelou muitos jovens sobre o assunto, no entanto, ninguém conseguiu apresentar prova desta informação, limitanto-se apenas a afirmar que circulava informação de que muitos jovens estavam a ser recrutados para tropa.” – in “O País” digital de 28/11/2013.
Número inaugural da série aqui. Número anterior aqui.
Penúltimo número do rumor do tira-camisa.
Escrevi no número anterior que nos bairros periféricos das cidades do país vivem muitos jovens desempregados, muito próximos uns dos outros. E acrescento agora: nesse meio social é fácil acreditar mimeticamente em algo e dotar certos fenómenos de um efeito libertador e catártico, é fácil irradiar rapidamente as mais diversas crenças. Queimar pneus, queimar carros talvez signifique também queimar o social presente e o medo do futuro. 
Nota: os rumores que estou a apresentar não seguem uma ordem cronológica.

31 dezembro 2018

Uma coluna semanal

"Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre na página 19 com 148 palavras. Edição 1303 de 28/12/2018. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

30 dezembro 2018

Sobre a produção intencional de terror [2]

Postagem inaugural aqui. O que aqui está em causa não é o terror colectivo provocado por exemplo por um furacão ou por um terramoto, mas o terror colectivo intencionalmente provocado por seres humanos, digamos que politicamente provocado. 

29 dezembro 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1303, de 28/12/2018.
Nota: o acesso ao Savana digital tornou-se um exclusivo dos assinantes razão por que deixei de colocar a edição completa aqui e na "crónica semanal" que divulgo à segunda-feira.

28 dezembro 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [100]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).
-"No terreno, a nossa equipa de reportagem interpelou muitos jovens sobre o assunto, no entanto, ninguém conseguiu apresentar prova desta informação, limitanto-se apenas a afirmar que circulava informação de que muitos jovens estavam a ser recrutados para tropa.” – in “O País” digital de 28/11/2013.
Número inaugural da série aqui. Número anterior aqui.
Prossigo a história do rumor do tira-camisa, que está quase no fim.
Escrevi no número anterior que o rumor nasceu em meio a uma grande e multifacetada inquietação social, que pagava uma grande factura ao desejo de uma vida estável e sem medos. E acrescento agora o seguinte: isso é especialmente importante lá onde, nos bairros periféricos das cidades do país, vivem muitos jovens desempregados, muito próximos uns dos outros. 
Nota: os rumores que estou a apresentar não seguem uma ordem cronológica.

27 dezembro 2018

Racismo institucional

O racismo institucional é uma variedade do racismo biológico, tomando a raça como critério para definir o acesso dos cidadãos a cargos do Estado e do Capital (conselhos de administração de empresas).

26 dezembro 2018

25 dezembro 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [99]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).
-"No terreno, a nossa equipa de reportagem interpelou muitos jovens sobre o assunto, no entanto, ninguém conseguiu apresentar prova desta informação, limitanto-se apenas a afirmar que circulava informação de que muitos jovens estavam a ser recrutados para tropa.” – in “O País” digital de 28/11/2013.
Número inaugural da série aqui. Número anterior aqui.
Prossigo a história do rumor do tira-camisa.
O rumor foi produto dos factores sugeridos. Mas foi, sobretudo, fermentado e nascido em meio a uma grande e multifacetada inquietação social, que paga uma grande factura ao desejo de uma vida estável e sem medos.
Nota: os rumores que estou a apresentar não seguem uma ordem cronológica.

24 dezembro 2018

Uma coluna semanal

"Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre na página 19 com 148 palavras. Edição 1302 de 21/12/2018. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

23 dezembro 2018

A pasta da conferência

Nesta Maputo de cerimónias, conferências e adornos, o que seriam do boné, da camisete e do dístico, desses gloriosos tótemes, sem a elegante pasta de conferência? Por todo o lado, todos os dias, as salas de conferências estão em workshop. A workshopização encontra na pasta de conferência o sinete de respeitabilidade que o boné e a camisete subvertem e que o dístico barulhiza em excesso. Poucos escrevem no bloco de apontamentos da pasta o que quer que seja. Mas isso não importa, o que importa é ser respeitável, passar por alguém que segue atentamente o que foi cerimonializado e está a ser dito ou discutido.

22 dezembro 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1302, de 21/12/2018
Nota: o acesso ao Savana digital tornou-se um exclusivo dos assinantes razão por que deixei de colocar a edição completa aqui e na "crónica semanal" que divulgo à segunda-feira.

21 dezembro 2018

A camisete cerimonial

O boné cerimonial tem uma prima não menos cerimonial em Maputo: a camisete. A camisete está em todo o lado, é igualmente a-todo-o-terreno como o 4/4, desde as campanhas de propaganda política às inaugurações de fábricas, passando pelos desfiles (mesmo os operários dela são ciosos) e pelas salas dos hotéis luxuosos. O jet set nacional orgulha-se de usar boné e camisete, ele sente-se assim desportista, informal, cidadão da rua, ligeiro e jovem no passe e no repouso.

20 dezembro 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [98]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).
-"No terreno, a nossa equipa de reportagem interpelou muitos jovens sobre o assunto, no entanto, ninguém conseguiu apresentar prova desta informação, limitanto-se apenas a afirmar que circulava informação de que muitos jovens estavam a ser recrutados para tropa.” – in “O País” digital de 28/11/2013.
Número inaugural da série aqui. Número anterior aqui.
Prossigo a história do rumor do tira-camisa.
Observei já que era necessário considerar mais dois fenómenos. Após a apresentação do primeiro no número anterior, segue-se o segundo: a presença massiva e musculada da FIR na Estrada Nacional n.º1, nas cidades e em intervenções em comícios e manifestações. A forma como trajavam e agiam devia surgir aos olhos populares como o exercício fantástico e punitivo de seres exteriores ao comum do social.
Nota: os rumores que estou a apresentar não seguem uma ordem cronológica.

19 dezembro 2018

Partidos e luta pelos cargos

Max Weber/1919
Em 1919 o sociólogo alemão Max Weber escreveu o seguinte: "O que os chefes de partido dão hoje como pagamento de serviços leais são cargos de todo o tipo em partidos, jornais, confrarias, Caixas de Segurança Social e organismos municipais ou estatais. Toda e qualquer luta entre partidos visa, não só um fim objectivo, mas ainda e acima de tudo o controlo pela distribuição de cargos. (...) Com o incremento do número de cargos, consequência da burocratização geral e o crescente apetite por esses cargos como modo específico de assegurar o futuro, essa tendência aumenta em todos os partidos, cada vez mais encarados pelos seus seguidores como o meio de alcançar o fim: a obtenção de um cargo." - [Max Weber, A política como vocação, trabalho publicado em 1919]

ANC/África do Sul/2018
Entretanto, eis o que se passa no ANC sul-africano a propósito do adiamento da conferência electiva do partido prevista para o passado fim de semana: "Há problemas no ANC. Os membros do ANC estão a lutar porque todos querem ser deputados nacionais e deputados provinciais. Eles veem uma conferência de nomeação como de criação de emprego (...) em vez de implementar as políticas do partido. É sobre os seus estômagos (...)" - afirmação de um parlamentar do ANC citado pelo "Notícias" de ontem, última página, internacional [notícia por enquanto não disponível na versão digital].