13 fevereiro 2009

De novo cheiros de São Paulo








A 12 de Maio do ano passado aqui vos falei dos cheiros de São Paulo.
Regressei hoje a esses cheiros.
Uma vez mais no Parque D. Pedro II. A azáfama habitual, eventualmente mais intensa por hoje ser sexta-feira. E apesar da chuva. Ali - Xiquelene paulista - tudo ou quase tudo se vende. Rápido, palavroso, informal, negociador mundo bugigandeiro, colado ao sector formal, corroendo-o, aparentemente sem contradições. Montes de lojas com produtos chineses visivelmente baratos e de duração duvidosa. Gente que palavra sem parar, anunciando, regateando, comentando, asneirando forte quando a vida se torna chata. Gente que pode comprar relógio com marcas sonantes e monitores vistosos por 4 reais num espantoso made in China por todo o lado. Mas regra geral gente para quem - creio - 50 reais é uma fortuna.
Depois, quando se entra no mercado municipal, termina o mundo dos 2/4 reais e começa um mundo classe média bem acima disso. Ali é o mundo dos cheiros, ali cheira fruta de todo o mundo, cheira queijo, cheira presunto, cheira bacalhau, cheira especiaria, o próprio cheiro se cheira a ele mesmo com prazer. Tudo limpo, organizado, cada um de nós pode provar quase tudo antes de comprar. Por isso há ali montes de gente em provação permanente. Uma santa trindade: ver, cheirar e provar.

6 comentários:

micas disse...

Hum....tanto presunto.

Aposto que provou(rsrsrrsrs) mas da próxima vez que passar por terras lusas, prove o de Chaves.

Ui!.... e que dizer desse cheiro das especiarias?

Um abraço

Carlos Serra disse...

Sempre que posso, presunto...

Anónimo disse...

Professor o Mercadão é um dos melhores lugares de São Paulo. Lá você acha muita coisa e conhece pessoas de diversas partes da cidade, de diversas culturas. Espero que aproveite sua estada aqui em São Paulo. Um abraço.

Carlos Serra disse...

Obrigado pelo informe, Guilherme! Abraço.

Unknown disse...

Conheço tão bem este mercado e estas ruas circundantes pejadas de " camelots ", de vendores ambulantes, que saltam como molas à passagem da polícia. Em segundos, arrumam a trouxa, para logo a seguir a voltar a armar, num jogo do gato e do rato, completamente ritualizado. É um sítio impressionante; um verdadeiro laboratório social.

Ainda hoje, curiosamente, estive a falar com Celma, uma socióloga do trabalho, da universidade de Campinas, que vive em São Paulo e abordámos esta complexa e obscura rede de relações "laborais" (se assim se podem chamar ...). Estes camelots, são o elo mais fraco de uma poderosa cadeia de tráfego, em que se inserem as lojas chinesas (prédios e prédios com várias lojas por piso). São milhatres de pessoas que deambulam nas ruas. O mercado antigo é fabuloso ! Aromático.


Carlos Serra, fiquei contente por rever aqui este estranho e sedutor lugar. Adorei as fotografias.


Obrigada



um beijo. boa estadia na grande metrópole Paulista e ... não perca: um shops e um pástel ... (nesse mercado até há o famoso pástel de bacalhau, tão português !)É um mundo ...


iv

Carlos Serra disse...

Lamentavelmente não tenho tempo para aprofundar o que chamei Xiquelene paulista. Entretanto, leia um comentário meu no seu blogue a propósito do congresso de Braga...