O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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09 setembro 2007

Nosso coração matéria-primal

Esteve no Brasil uma importante delegação moçambicana encabeçada pelo presidente Guebuza. Novos horizontes abertos, o re-interesse brasileiro pelo carvão, agora pelo biocombustível, certamente por outras coisas mais. Feliz está o Jeremias Langa, de "O País", que andava triste com a penumbra portuguesa. E, assim, poderemos ampliar a nossa alma exportadora, o nosso coração matéria-primal. Exportamos e exportaremos (melhor: fazem-nos exportar), em parcerias assentes, do nosso lado, em réditos fiscais, mordomias redentoras e magros salários pagos aos trabalhadores. Não se vislumbra qualquer intenção de favorecer a burguesia nacional, de a estimular, de a levar à industrialização, de a proteger. Não, nós parecemos ser definitivamente recolectores, recolhemos impostos e mordomias, construímos as estradas e as pontes para o que vamos exportar. A mentalidade produtora e transformadora, essa fica com os outros. Os nossos genes são feitos de circulação, não de produção industrial endógena. Mas para não perdermos muito a nossa auto-estima, cá temos o capitalismo comercial do vai-ou-racha do chapa 100 e do dumba nengue. E os camarões e as amêijoas e os carangueijos e os leões e os búfalos para turistas que podem pagar pacotes de cinco mil dólares deliciados com o exótico africano. E no que ao conforto toca, sentamo-nos nos sofás que importamos depois de termos exportado a nossa rica madeira. E se não podemos sentar-nos nos sofás, sentamo-nos no senta-abaixo bebendo uma cerveja produzida por capitalistas estrangeiros orgulhosos do selo "made in Mozambique".
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Vá lá, critiquem isto, pode ser? Que pena o economista Gabriel Muthisse, antigo, elegante e assíduo comentarista deste diário, agora vice-ministo, não mais aqui surgir em letra-de-forma. Ministro nomeado, palavra informal vedada...

2 Comments:

Blogger mozinovador said...

Eh, o problema, mas digo problema mesmo, eh que quando eu andava na secundaria de ensinaram-me que Mocambique era um pais rico. E a lista de recursos minerais era infindavel.

Hoje crescido, aprendi que ter recursos minerais nao eh tudo. A capacidade de transformacao desses recursos eh fundamental. Infelizmente, diz-se por ai (espero que nao seja fofoca) que na cadeia de producao o custo da materia prima acab sendo infimo. Dai que, vendomos o Pau a 10, compramos a cadeira a 100. Engracado, com o pau de 10, alguem fara 10 cadeiras.

Por isso ainda hoje questiono, como se pode pensar que so exportando a materia prima vamos crescer? Claro, ha uns que realmente estao crescendo. Mas a grande maioria, vai ter que se contentar em dividir entre se 1% do que vem destes negocios. A menoria, essa vai formando parcerias.

Ha um fenomeno que surgiu neste pais e que parece fugir a muito. A clase Empresarial pos..e apos Chissano. No apos Chissano, sobressai um Grupo que tem tido um ascendente meteorico. Onde foi buscar os fundos, ninguem sabe, mas que ja ta em tudo toda gente sabe. Sera que..sera que existe um barril escondido em qualquer lugar, que ninguem me quer dizer?

9/9/07 3:45 da tarde  
Blogger Carlos Serra said...

Já houve tempo que exportávamos o marfim para depois comprarmos as bolas de bilhar. Um exemplo sem qualquer relevância, claro.

9/9/07 4:58 da tarde  

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