O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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31 outubro 2009

A "hora do fecho" no "Savana"

Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, um aperitivo:

(79) 31/10/09


Leia o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (29), com o rosto acima, aqui.
Adenda às 19:22: contagem provisória no Boletim sobre o Processo Político em Moçambique, 31 de Outubro de 2009, aqui.

Ele


Parece que tenho sorte com os pavões, deles aqui falo com regularidade (recorde aqui e aqui). Escrevia, bebendo um belo café, quando o jovem pavão da imagem se aproximou e, vaidoso, por mim passou. Tentei fotografá-lo bem, mas a foto saiu péssima. É um daqueles pavões da presidência da República.

(78) 31/10/09

No portal da estação televisiva TIM, a propósito de uma assembleia de voto que funcionou na Escola Primária Completa do Esturro, cidade da Beira: "Na cidade da Beira foram surpreendidos pela reportagem da TIM, na noite eleitoral do dia 28 a invalidarem os votos do candidato Daviz Simango com recurso a tinta indelével (...)."
Ponto de situação das respostas ao questionário ontem colocado neste diário (lado direito, junto ao local de recados). Aqui.

No mar?




Olhem lá, tenho o severo receio de ainda apanhar uma indigestão eleitoral. Permitam-me, então, mudar temporariamente de tema e, neste sábado algo nebulado, falar-vos em lagostas maputenses. Fotos tiradas no fundo do mar? Absolutamente não: tiradas anteontem à noite num aquário situado num restaurante do Jardim dos Namorados, Avenida Friedrich Engels. Lagostas comestíveis. Custa vê-la vivas agora, mortas logo.

Novo questionário

Novo questionário com o título “Sobre os resultados eleitorais 2009” disponível no lado direito deste diário, junto ao mural de recados.

30 outubro 2009

(77) 30/10/09


Novo Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (sem número), de 30 de Outubro de 2009, com actualização da contagem provisória de votos, Guebuza/Frelimo a grande distância de Dhlakama/Renamo (agora em segundo lugar) e de Simango/MDM. Aqui.

Questionário sobre resultados eleitorais

Dentro de algum tempo posto aqui mais um questionário, desta feita sobre resultados eleitorais. Aguarde, certamente vai interessar-lhe.

(76) 30/10/09


Títulos a consultar: contagem provisória, observadores elogiam STAE mas criticam CNE, a afluência em 2004 foi de 41% e não de 36% - Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (28), 30 de Outubro de 2009, aqui.

Adenda às 16:49: o antropólogo Paulo Granjo faz uma primeira avaliação dos resultados eleitorais, aqui.
Adenda 2 às 17:14: missão de observação eleitoral da União Europeia, portal aqui.
Adenda 3 às 17:24: haverá que explicar por que razão ou por que razões Deviz Simango, presidente de um recém-criado partido político, tem tantos votos para além do Chiveve e, em particular, na cidade de Maputo. Vão aguardando a continuidade da série "Quem Deviz representa?"
Adenda 4 às 17:53: no "O País" online, referindo 788 mesas de voto entre 791 na cidade de Maputo, aqui:
Adenda 5 às 18:51: dois vídeos no youtube da NTVKenya:

(75) 30/10/09


Já podeis acessar o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (sem número), de 29 de Outubro de 2009 (rosto logo abaixo), referente à contagem provisória dos votos das eleições, aqui:
Adenda às 13:03: sugiro-vos que leiais o "Wamphula Fax" de hoje, aqui.
Adenda 2 às 13:06: não, não me esqueci da série "Quem Deviz representa?"

O fardo das mulheres em busca de água

Da IPS Brasil recebi por email a referência de um texto da Zenaida Machado com o título em epígrafe e cujo cabeçalho é o seguinte: "A menos de cem quilômetros da segunda maior represa da África, várias mulheres caminham com seus bebês presos às costas e levando baldes de água sobre suas cabeças."

(74) 30/10/09


Adenda às 6:31: medido pelo sitemeter que uso e provavelmente devido à cobertura eleitoral, este diário teve ontem 1789 visitas. A média de visitas/dia oscila entre 650 e 950.
Adenda 2 às 6:43: além da avaliação da Renamo, aguardo com curiosidade a avaliação paralela dos resultados que - creio - Frelimo e MDM devem estar a fazer.
Adenda 3 às 6:45: com grande destaque, a STV mostrou ontem membros de um suposto e numeroso grupo de observadores nacionais das eleições baseado em Nampula que fazia uso de viaturas do Estado, exibidas pela estação televisiva. Entrevistada, uma porta-voz do grupo exibiu sem rebuços uma credencial passada por um órgão estatal.
Adenda 4 às 8:25: continua a fazer falta um estudo sobre os mecanismos que influenciam as direcções dos votos e que permita ir para além do facilismo dos pontos de vista.

29 outubro 2009

(73) 29/10/09


Leia o "Diário da Zambézia" de hoje a propósito das eleições, aqui. Obrigado ao AZ pelo seu envio via email.
Adenda às 18:04: ainda a propósito das eleições, leia o "Wamphula Fax" de hoje, aqui. Obrigado ao CC pelo envio via email.
Adenda 2 às 19:25: creio que Frelimo, Renamo e MDM estão a fazer as suas próprias contagens de votos. Vamos aguardar possíveis resultados.
Adenda 3 às 19:35: já podeis ler (por agora em inglês) o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (27), de 29 de Outubro de 2009, aqui, com rosto logo abaixo:
Adenda 4 às 19:38: falando hoje a jornalistas no aeroporto de Nampula, onde se encontra, o candidato presidencial Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, afirmou que, caso houvesse irregularidades, a democracia teria acabado, o país poderia arder e o poder poderia ser tomado à força (Rádio Moçambique, noticiário das 19:30).
Adenda 5 às 20:53: confira o especial eleições Moçambique 2009 da Deutsche Well, aqui.
Adenda 6 às 21:13: a versão em português do boletim referido na adenda 3, aqui.

(72) 29/10/09


Já podeis ler o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (26), de 29 de Outubro de 2009, mas por agora em inglês, com rosto logo abaixo. Aqui:
Adenda às 13:35: estou francamente curioso em conhecer a distribuição votal na cidade de Maputo pelos três candidatos presidenciais.
Adenda 2 às 13:49: já tenho disponível a versão em português (com rosto logo abaixo), aqui:
Adenda 3 às 16:35: segundo o "Mediafax": MDM/Simango lideram na cidade da Beira; Dhlakama lidera nos subúrbios da cidade de Quelimane e em algumas mesas de Sofala e Nampula; a abstenção poderá rondar os 55/60%. Confira aqui.
Adenda 4 às 17:05: recorde o primeiro dos cinco cenários que propus na adenda 1 desta postagem aqui.
Adenda 5 às 17:17: preocupação com a abstenção em Morrumbene, província de Inhambane (Rádio Moçambique).
Adenda 6 às 17:45: Dhlakama/Renamo à frente em Chibabava, província de Sofala (Rádio Moçambique).

(71) 29/10/09


A Rádio Moçambique continua a fornecer os resultados parciais das eleições. Mas creio que eles esses resultados são, ainda, em grande parte, urbanos e de sedes distritais, teremos de aguardar pelos resultados das áreas rurais. Todavia, a dupla Dhlakama/Renamo começou a surgir com mais votos do que a dupla Simango/MDM, atrás da dupla Guebuza/Frelimo.
Adenda às 10:55: não sei se é boa a hipótese de que a Renamo terá os seus votos especialmente nas áreas rurais do Centro, enquanto o MDM tem os seus votos especialmente em áreas urbanas independentemente das regiões. O que pensam os leitores?
Adenda 2 às 10:58: vão surgindo referências a votos brancos e nulos. Houve uma referência a muita abstenção em Ancuabe (Rádio Moçambique).
Adenda 3 às 11:20: o Homo Sibindycus surgiu na Rádio Moçambique (RM) muito satisfeito a dizer que as eleições foram transparentes e justas e que Guebuza e Frelimo vão ganhar, razão por que os felicitava antecipadamente. Usou a expressão "democracia supra-partidária", fase que - afirmou - irá começar.
Adenda 4 às 11:57: em despacho do jornalista Sacur Laquibo da RM, soube-se que em três escolas da cidade da Beira (primária completa de Matacuane, Sansão Muthemba e Industrial), Simango/MDM estão à frente de Guebuza/Frelimo, com Dhlakama/Renamo muito atrás. O jornalista referiu ainda que por falta de cola os editais estavam a ser colados com pastilha elástica (chuinga, disse).
Adenda 5 às 12:16: cortes sucessivos na internet por parte do meu provedor estão a dificultar-me as postagens.
Adenda 6 às 12:54: os resultados provisórios continuam a ser fornecidos pela Rádio Moçambique. Por agora, vantagem generalizada de Guebuza/Frelimo. Mas em Nhamatanda, província de Sofala, os resultados mostram vantagem para Simango/MDM.
Adenda 7 às 12:55: no distrito urbano 5 na cidade de Maputo, Guebuza/Frelimo à frente. Simango/MDM a seguir.
Adenda 8 às 12:59: vão surgindo dados sobre abstenção aqui e acolá através da RM. Enquanto isso, na cidade de Quelimane, várias mesas dão vantagem a Guebuza, com Simango a seguir.

Especialista de direitos humanos deportado do Zimbabwe

Segundo a Reuters, um especialista das Nações Unidas de direitos humanos, Manfred Nowak (na imagem), foi deportado do Zimbabwe após ter sido detido por forças de segurança à sua chegada ao aeroporto de Harare. Confira aqui. Leia, agora, como o The Herald, jornal oficial do Zimbabwe, reporta o caso, aqui.

(70) 29/10/09


Os jornalistas da Rádio Moçambique (RM) começaram logo às seis horas da manhã a divulgar resultados parciais afixados nos editais de locais de votação espalhados pelo país. O Emílio Manhique tem estado a dizer que os resultados apresentados são da inteira responsabilidade dessa rádio. De forma geral, Guebuza e Frelimo estão à frente, oscilando o segundo lugar entre Simango/MDM e Dhlakama/Renamo. Talvez ao fim do dia ou amanhã possamos ter rostos mais consolidados das tendências. Aguardo isso especialmente para Nampula, Zambézia e Sofala e cidade de Maputo. Aguardo também indicadores para a abstenção, eventualmente inferior à de 2004. Enquanto isso, um jornalista da RM acaba de afirmar que estão a ser arrancados os editais afixados em alguns locais de votação na província de Nampula.
Adenda às 6:41: aparentemente a distância entre Guebuza/Frelimo e os adversários parece ser maior a sul do paralelo 22. Dado a confirmar.
Adenda 2 às 6:43: de vez em quando um ou outro jornalista da RM refere os votos brancos e nulos.
Adenda 3 às 6:46: provavelmente a disputa entre Dhlakama/Renamo e Simango/MDM dispersou os votos e facilitou a dupla Guebuza/Frelimo. Certas lealdades podem mesmo ter sido transferidas para esta dupla.Tema (s) para aprofundar.
Adenda 4 às 7:38: provavelmente, a dupla Simango/MDM terá mais votos do que a dupla Dhlakama/Renamo a sul do paralelo 22.
Adenda 5 às 7:43: leia o "Canal de Moçambique" online de hoje aqui e aqui.
Adenda 6 às 7:47: aguardo a chegada do Boletim sobre o Processo Político em Moçambique.

28 outubro 2009

(69) 28/10/09


Eram 21:05 quando me pus a ver e a ouvir a STV. O Jeremias Langa (engordou, está agora mais físico) interrogava três ilustres personagens para um programa chamado "Eleições 2009". Dei-me, então, não a ouvir o que eles diziam, mas a prestar atenção à sua corporalidade, aos gestos que produziam, ao esforço que também faziam para se ouvirem, a eles-mesmos. Fascinante exercício de semiologia.
Adenda às 21:32: em inglês, já podeis consultar o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (25), 28 de Outubro de 2009, aqui. Ainda não recebi a versão em português.
Adenda 2 às 21:36: ainda há gente à espera de votar em Mucúbùri, província da Zambézia (Rádio Moçambique).
Adenda 3 às 21:38: um jornalista da Rádio Moçambique já começou a fornecer resultados parciais de algumas mesas em Chócuè, província de Gaza, com Guebuza (Frelimo) muito à frente de Simango (MDM, segundo lugar) e de Dhlakama (Renamo).
Adenda 4 às 21:44: a Rádio Moçambique está a fazer uma cobertura do processo de votação em todo o país.
Adenda 5 às 21:51: numa escola primária de Ribáuè, província da Zambézia, à frente Guebuza, depois Simango, Dhlakama em terceiro. Nada de números por agora (Rádio Moçambique).
Adenda 6 às 21:56: nas mesas do distrito urbano 2, Guebuza primeiro, Simango segundo (Rádio Moçambique).
Adenda 7 às 21:57: gostaria desde já de avançar com a hipótese de que Deviz Simango do MDM vai ser um produto votal escutado bem para além do Chiveve. Há quem tenha esperado ferverosamente que os seus votos fossem apenas chiveveanos.
Adenda 8 às 22:04: confiram a versão portuguesa do Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (referido na primeira adenda desta postagem), aqui.
Adenda 9 às 22:15: algumas surpresas podem ocorrer, muitas coisas estão ainda por conhecer.
Adenda 10 às 22:20: em seis mesas de uma escola secundária de Moatize, província de Tete, muitos votos inválidos; Guebuza à frente, Simango a seguir (Rádio Moçambique).
Adenda 11 às 22:25: os resultados globais de Zambézia, Nampula e Sofala talvez nos tragam grandes surpresas.
Adenda 12 às 22:32: numa mesa de Machanga, província de Sofala, com cerca de 100 votos, Guebuza/Frelimo em primeiro, Simango/MDM em segundo (Rádio Moçambique).
Adenda 13 às 22:44: província de Tete, 1200 mesas, 20 deputados a eleger para a Assembleia da República (Rádio Moçambique).
Adenda 14 às 22:49: não há ainda dados disponíveis sobre a abstenção.
Adenda 15 às 22:53: decorre ainda a votação numa mesa de uma escola secundária de Mutarara, província de Tete (Rádio Moçambique).
Adenda 16 às 22:59: pausa...

Em 91.° lugar no 2009 Legatum Prosperity Index

Estamos em 91.° lugar entre 104 países mapeados no The 2009 Legatum Prosperity Index (o Instituto Legatum é uma organização de advocacia e consultoria independente). Confira aqui e aqui.

(68) 28/10/09


Já podeis consultar (por agora em inglês) o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (24), de 28 de Outubro de 2009, aqui, com rosto logo abaixo:
Adenda às 17:46: agora a versão em português, acabada de receber, aqui, com rosto logo abaixo:
Adenda 2 às 17:58: por vezes a obsessão com a ordem chega ao ridículo, como no caso de se afirmar que a votação na Alemanha corre de forma "pacífica e ordeira".
Adenda 4 às 18:17: muitos postos já encerraram, outros continuam abertos (e a continuar com o registo de votantes, como em Quelimane), contagem parcial de votos iniciada aqui e acolá (Rádio Moçambique).

26.° lugar entre 134 países no Global Gender Gap Index 2009

Confira a perfomance do nosso país aqui e aqui (África do Sul em sexto lugar). Para 2008, confira aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência.

Ponto de situação


Questionário situado no lado direito deste diário, junto ao local de recados, confira aqui. Teor muito progressista no geral dos votos.

(67) 28/10/09


Escola Secundária Josina Machel, cidade de Maputo, Bairro Polana Cimento A, dia nebulado. Entro na minha bicha às 7:20, a minha sala de votação é ao lado de uma sala onde, em 1960 (Liceu Salazar, na altura), funcionava o 3.° ano D, aulas com a Professora Fernanda Estrada (não consigo recordar-me do nome do professor don juan com quem ela parecia namorar). Tudo ali me faz regressar atrás. Gente em quantidade razoável nas bichas que avançam lentamente, muitos observadores internacionais e nacionais, muita imprensa. Vejo políticos, Edson Macuácua da Frelimo (cumprimentamo-nos, ele está alegre), uma senhora do MDM que julgo ser Ivete Fernandes (ar apressado, ladeada por dois jovens), um senhor da Renamo que julgo ser Boavida. Passa por mim Alice Mabota, está como observadora, cumprimentamo-nos. Uma equipa da STV pára na bicha e entrevista-me. Passa um jovem com o meu livro "Combates pela mentalidade sociológica" nas mãos. Alguns protestos, alguma impaciência na bicha. Mas no geral tudo bem, gente alegre, conversadora. Às 8:50 entro na sala, depois de receber o meu número no escrutinador. Gente afável e eficiente a atender, despacho-me rápido, votei, saio feliz. Cá fora ligo o celular, há uma mensagem com número identificado, pedido para eu votar em Guebuza e na Frelimo. E lá regresso a casa, com o...dedo indelével.
Adenda às 10:43: um dos meus assistentes levou apenas meia-hora para votar na escola primária da Coop.
Adenda 2 às 11:45: vou aguardando os despachos da equipa de correspondentes de Joseph/Adriano/Tânia do Boletim sobre o Processo Político em Moçambique.
Adenda 3 às 12:38: em inglês, já podeis ler o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (23), de 28 de Outubro de 2009, aqui. Não recebi ainda a versão em português.
Adenda 4 às 13:16: a versão em português, aqui, com rosto logo abaixo:
Adenda 5 às 16:52: de um leitor via email: "Prof, boa tarde. Gostaria de fazer chegar esta informação ao país, que a STV está a emitir sinal para Quelimane, desde a altura em que o líder do MDM esteve a votar, segundo as imagens. Até à hora que lhe envio este email, nada se via nos televisores. Será que algum problema de vulto só para Quelimane? Um abraço, AZ - PS. Deixe salientar que há ainda longas bichas nas assembleias de voto, mas ao longo da manhã, encontrei eleitores com cartões, mas sem assembleia de voto. Outros tinham cartões mas não estavam inscritos nos respectivos cadernos. Nao havendo explicação do que devem fazer, estes abandoram os locais de votação."
Adenda 6 às 17:00: via sms: "Há assembleias de voto que não constam dos mapas fornecidos pela CPE: no Coalane EPC 0792 e EP1 Sangarivera 0035/009"

Angolagate

27 outubro 2009

(66) 27/10/09




Confira o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (22), de 27 de Outubro de 2009, de tarde, na íntegra aqui.
Pedido: leitores têm escrito dizendo em quem vão votar. Peço-vos que guardem para vós em quem vão votar amanhã. Obrigado pela compreensão.
Adenda às 15:37: em artigo de opinião publicado em caixa no "Notícias" online de hoje com o título "A linha verde do CIP/AWEPA (1)", o jornalista Gustavo Mavie, director-geral da Agência de Informação de Moçambique, põe em causa a credibilidade de denúncia de ilegalidades no processo eleitoral feita através de uma linha que diz ter sido aberta pelo Centro de Integridade Pública e pela AWEPA. Duvida que seja possível de forma honesta reverificar todas as denúncias (afirma serem mais de 500 em 45 dias, citando uma fonte não identificada) por duas razões: primeiro, porque há jornalistas mercenários - hooligans políticos (sic, "dado adquirido", assegura Mavie) - que forjam notícias a troco de dinheiro, fazendo isto "pensar e acreditar" (sic) o autor do artigo que o mesmo tipo de gente possa fazer parte dos correspondentes populares do CIP/AWEPA; segundo, porque "a experiência já mostrou e comprovou que em Moçambique há gente sem escrúpulos, e que não sente remorso em forjar factos que nem no imaginário do diabo existe" (sic), basta lembrar o Parlamento. Por essas duas razões, Gustavo Mavie duvida da seriedade da intenção do CIP/AWEPA. Formulação do eixo do pensamento do autor, segundo a ordem apresentada: a falta de honestidade nos "jornalistas mercenários" em particular e na "gente sem escrúpulos" de Moçambique em geral é de todos conhecida, eu também sei que isso é verdade, portanto os correspondentes populares do CIP/AWEPA estão dentro do todo, logo não são parte aparte, portanto não podemos tomar a sua honestidade como dado adquirido. Assim, com dois argumentos que não prova, Mavie quer fazer acreditar que prova a potencial falta de honestidade dos correspondentes do CIP/AWEPA. Uma petição de princípio exemplar, um argumento circular excelente.
Adenda 2 às 16:20: eleições 2009 do CIP/AWEPA em inglês aqui e em português aqui.
Adenda 3 às 17:06; atenção às falácias, à linguagem apelativa, ao ad populum, ao non sequitur, aos argumentos circulares, às petições de princípio, às homonímias subtis, aos argumentos de autoridade, aos juízos de valor disfarçados, etc. A coisas do género: "toda a gente sabe que...", "eles são sempre assim", "é evidente que...", "portanto, por causa disso...", etc.
Adenda 4 às 18:24: já podeis ler o editorial do "Magazine Independente" desta semana, da autoria de Salomão Moyana, com o título "O voto é livre e secreto", do qual extraí o seguinte: "Portanto, caro cidadão, esqueça a fanfarra da campanha eleitoral, esqueça as camisetes e capulanas coloridas, esqueça a agitação, o barulho, as agressões protagonizadas por determinados vândalos, verificadas na campanha e, caro eleitor, exerça o seu direito cívico de escolher, secreta e livremente, o futuro de Moçambique! Se, ao longo dos 45 dias, foram os políticos os principais oradores, em comícios populares, tempos de antena, entre vários outros pódios, agora é a vez do cidadão usar da palavra, na cabine de voto. É a vez de o cidadão eleitor falar bem alto, seleccionando, de acordo com a sua consciência, aqueles que os achar mais capazes de fazer a diferença na vida dos moçambicanos."

Zimbabwe: nenhum acordo

Ao fim de algumas horas de reunião ontem, nenhum acordo foi conseguido pelos três signatários do Acordo Político Global no Zimbabwe. Confiram aqui e aqui.

Amanhã


Amanhã vota-se em Moçambique para eleições presidenciais, legislativas e provinciais. Lá estarei no meu posto.
Sugestão: leia um texto em português inserto no Le Monde Diplomatique Brasil de Abril de 2002, da autoria de Alain Garrigou, com o título "Qual o sentido do voto?", aqui.

26 outubro 2009

Perfeitamente normal

Aforismos perversamente perversos

Que coisa esta de esquecer retomar os perversos aforismos, os últimos datam de 2 de Setembro, vejam lá a minha preguiça! Mas vamos lá:
1. Representar o mundo, concebê-lo, tanto pode ajudar a compreender as relações de poder como a encobri-las.
2. Se tu já lá estás, no poder, dirás que não o representas, que não o inventas, dirás que és naturalmente o poder. Os concorrentes, os adversários, obviamente que esses só podem ser ambiciosos, obviamente que esses apenas querem o poder. Tu não, tu nunca o quiseste, estás lá apenas por geração espontânea.
3. Tu nunca dirás que os teus interesses políticos são particulares: tu sempre dirás que os teus interesses particulares são absolutamente universais, que também são dos outros, que são completamente gerais.
4. Tu e os teus porta-vozes dirão, claro, com a maior firmeza, que os adversários políticos são sempre, por natureza, mal-intencionados, desorganizados, nada construtivos, sem cultura de Estado, oportunistas, marionetes de mãos externas.
5. Tu sabes uma coisa: tem poder quem domina os processos de produção de ocultação social, quem aprende a tornar naturais as coisas e as desigualdades sociais. O teu problema é quando outros descobrem os segredos disso.

Cartun do angolano Piçarra


Reproduzido daqui (clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar). Se quer saber um pouco do excelente cartunismo angolano, confira aqui.

(65) 26/10/09


Adenda às 15:48: já podeis ler o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (21), de 27 de Outubro de 2009, aqui.
Adenda 2 às 20:26: uma notícia que inclui os Madgermanes, aqui (a notícia, com data de hoje, deveria ter trazido, com clareza, a indicação de que os factos se passaram ontem, dia 25, dia do encerramento da campanha eleitoral).
Adenda 3 às 20:41: leia o "mediafax" aqui e aqui.
Adenda 4 às 6:07 de 27/10/09: a Rádio Moçambque abriu o seu noticiário das 6 horas de hoje com a notícia de que o MISA felicitou os órgãos de comunicação pelo trabalho realizado; por sua vez, o "Notícias" cita a Agência de Informação de Moçambique no sentido de que o "MISA exalta papel dos órgãos de comunicação social", deixando para um parágrafo posterior a informação de que o MISA criticou alguns órgãos de informação pela falta de rigor, citando textualmente o "Savana". Aguardo que o "Savana" me confirme esta referência.

Zine, o persistente

Observação: presidente há 22 anos, Zine Ali talvez ainda vá a tempo de aproximar-se, por exemplo, de Robert Mugabe do Zimbabwe, há 29 anos como presidente; de José Eduardo dos Santos de Angola, há 30; e do coronel Muammar Kadhaf da Líbia, há 40.

Humilhações políticas (2)

Disse que esta é uma série curtíssima. E é mesmo.
A humilhação política tem dois níveis: por um lado, a influência que um dado actor (individual ou colectivo) exerce, numa relação desigual, sobre um outro actor; por outro lado, o sofrimento que a humilhação provoca, desvalorizando outrem. Estes dois níveis pertencem à reflexão do historiador francês Pierre Ansart.
Ora, creio que teremos de fazer um dia a história das humilhações políticas no país, a história em seus diferentes níveis, do físico ao simbólico, do visível ao invisível, a história dos impactos, a história das consequências, a história dos ressentimentos, dos aguilhões que ficaram e ficam.
(fim)