Navegação bancária em Moçambique
No "Diário Económico" de Portugal a seguinte notícia: "A venda de 10% do BIM está à beira de falhar. Graça Machel quer substituir o actual presidente do banco do BCP em Moçambique, Mário Machungo, pelo filho."
No "Diário Económico" de Portugal a seguinte notícia: "A venda de 10% do BIM está à beira de falhar. Graça Machel quer substituir o actual presidente do banco do BCP em Moçambique, Mário Machungo, pelo filho."
O mercado da fé em Moçambique é amplo para as igrejas neopentecostais, do tipo milagreiro. Assim, a IURD afirma ter inaugurado 20 novos templos no país no dia 26. Um exercício do que Walter Barbieri Junior chama "teologia da prosperidade", num mercado muito competitivo em termos de oferta de bens religiosos.
Hoje é o Dia Africano da Medicina Tradicional. A esse propósito, leia este trabalho: "A Associação de Ervanários de Moçambique tem sido a preferida pelos pacientes, que migram para a medicina tradicional. Dezenas de pacientes com todos os tipos de enfermidade procuram assistência diariamente na sede da associação, na cidade da Beira. O seu coordenador, Ricardo Thomo, afirma que a instituição não tem registo exacto de pacientes, mas diz que esse número está a aumentar significativamente. Na Associação são utilizadas raízes de várias plantas medicinais, principalmente a alga marinha, batata africana e mudange, além de peles de alguns animais mamíferos e aquáticos, como o cão e o peixe zamparina. “Receitamos ao doente e no período de dez dias ele restaura as suas energias e volta a levar a sua vida normal”, explicou Thomo."
No Zimbabwe, num trabalho de Ignatius Banda para o IPS/Brasil com o título em epígrafe: "Milhões de zimbabuenses já não têm acesso a uma atenção básica de saúde. Os centros que fornecem esses serviços estão em declínio há vários anos, e a greve que realizam os médicos há três semanas somente piorou a terrível situação. No último dia 21, o governo anunciou a demissão de todos os profissionais em greve, argumentando não ter como atender suas demandas salariais, por salários de até US$ 2 mil. A situação obrigou muitas famílias a tomarem decisões de vida ou morte em relação aos seus entes queridos."
O académico e empresário sul-africano Moeletsi Mbeki, director de várias companhias e autor do recentemente publicado Architects of Poverty, tem as seguintes ideias sobre os capitalistas africanos:
No aeroporto de Guarulhos e quando do meu regresso a Maputo, contei pelo menos seis Moçambicanas que despacharam no sector de bagagem em excesso enormes fardos e muitas malas de produtos comprados em São Paulo (creio que vestuário na maior parte) para os voos das SAA São Paulo/Joanesburgo e Joanesburgo/Maputo, fardos e malas trazidos para o aeroporto através de táxis/carrinhas. Havia também Angolanas, que fizeram o mesmo despacho, mas ignoro se iriam depois de Joanesburgo para Luanda. Verifiquei não existir diálogo entre umas e outras. Fascinante mundo este de comércio a longa distância - rotineiro nos voos para e de São Paulo, sempre palavroso, de uma alegria alta -, vincadamente feminino, que tentarei um dia estudar.

Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, dois aperitivos:
No "Savana" desta semana: "Um grupo de indivíduos supostamente militantes do partido no poder, a Frelimo, tentou inviabilizar a digressão do presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, na província de Gaza. Fontes identificadas do MDM disseram que os “arruaceiros” queimaram a sede do partido e vandalizaram os locais onde Simango tencionava manter encontros com a população."
No "Savana" desta semana: "O administrador do Parque Nacional das Quirimbas, José Dias, denunciou recentemente a existência de madeireiros ilegais que quando surpreendidos em flagrante a “pilhar” os recursos florestais do país, ameçam de morte os fiscais do parque. De acordo com Dias, trata-se de cidadãos de empresas cujos proprietários são indivíduos de nacionalidade chinesa. “Estes quando se pretende apreender as suas viaturas, ameaçam os fiscais com armas de fogo, baionetas e outros materiais contundentes”, indicou o administrador."
Uma vez mais vos sugiro a leitura de um texto do jurista José Baptista Castande, desta vez da parte final daquele para o qual vos chamei aqui a atenção ontem e do qual coloco aqui o seguinte extracto: "O que amiúde se questiona – e há reconhecidas razões de sobeja para tal – é, na verdade, o tempo que se leva, os meios usados e a forma pouco ou nada transparente como tais riquezas aparecem. E aqui nada justifica o facto de a pessoa questionada ter sido combatente disto e daquilo. Objectiva e claramente, estou a afirmar que nenhuma espécie de combate ou acto de heroísmo pode justificar a auto-premiação tão ilegítima como a que hoje está em voga."
Em entrevista ao "Notícias", o presidente do Movimento Democrático de Moçambique, Deviz Simango: “Estamos preocupados com a classe média, precisamos de ter uma classe média forte, precisamos que haja pequenas empresas a funcionarem (...)."
Sempre as encontro nas minhas viagens para e de São Paulo nas South African Airways: são Moçambicanas, vão a São Paulo comprar vestuário. Na segunda-feira contei nove no voo das SAA. No regresso, é só ver enormes caixotes na fila da bagagem em excesso, as nossas compatriotas vão e vêem em grupo. Talvez um dia eu arranje tempo para conversar com elas, com profundidade, por forma a conhecer este comércio de longa distância.
Ontem reportei sobre Tete, hoje é sobre Manica: de acordo com o "Canal de Moçambique", já foram demitidos este ano em Manica 21 quadros da Educação acusados de envolvimento em actos de corrupção. Confira aqui.
O jurista João Castande iniciou uma série com o título "Sobre a riqueza e seus questionamentos", aqui.
No meu ning Bricolando o social e a análise e a partir da cidade da Praia, Cabo Verde, Elsa Fontes escreveu e perguntou como segue: "Boa tarde! Gostaria de participar no seu blog, sobre análise social em Cabo Verde. Queria saber se o fenómeno caboverdiano de "cash & body" (vulgo caçu bodi) é extensivo a Moçambique?"

Segundo o "Canal de Moçambique" na sua edição online de hoje, desapareceram (...) mais de trinta milhões e trezentos setenta mil meticais, da nova moeda, na Direcção Provincial de Finanças, precisamente a instituição que é suposto guardar os dinheiros do Estado, designadamente os Impostos e outras receitas."

No distrito do Zumbo, província de Tete, a polícia encontrou uma senhora na posse de um morteiro de 80 mm, presumivelmente para venda na Zâmbia.
Aproveito uma pausa para escrever estas breves notas: na sessão de abertura do 15.º seminário internacional do IBCCRIM, o presidente da directoria executiva, Sérgio Martins, regressou aos temas do instituto: a necessidade de construir uma sociedade diferente, de jamais abandonar os sonhos, a preocupação com os marginalizados e excluídos, a reflexão sobre as derivas do Estado autoritário. Estão mais de mil pessoas presentes, muitos convidados estrangeiros oriundos de vários países, este seminário tornou-se uma referência brasileira e internacional nas ciências criminais, aqui cientistas discutem e permutam pesquisas e pontos de vista não importa em que campo, vários escritórios de advogados patrocinam a iniciativa.
Começa hoje em São Paulo o 15.º seminário internacional do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, no qual participo como convidado e conferencista.
De acordo com o "O País", "Traidor, intriguista, mentiroso, confuso, ladrão, cobarde, demente são alguns dos adjectivos feios atribuídos a Daviz Simango" por membros da Renamo. Enquanto isso e segundo o mesmo jornal, jovens tentaram inviabilizar o trabalho político de Simango em Gaza.



Um bilião de pessoas vive agora em África, a população do nosso continente cresce anualmente cerca de 24 milhões e em 2050 deverá atingir dois biliões. Confira aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência.
A propósito do recente aniversário da cidade da Beira, o eng.° Noé Nhantumbo escreveu uma crónica, a conferir aqui.