01 fevereiro 2008

Um Estado que se dimitiu

A propósito da subida do preço do pão e dos transportes públicos e privados, o semanário "Savana" tem na sua edição de hoje um editorial do qual extraí as seguintes passagens: "(...) Moçambique, onde os cidadãos elegem o Governo, mas a sua relação com este mesmo Governo termina no próprio dia das eleições. Em Moçambique, os cidadãos não gozam da protecção do Governo em todas as frentes, incluindo no que diz respeito à alimentação básica e ao transporte. Saímos de um extremo para o outro. Na época da pretensão socialista, os moçambicanos poderiam ter acesso a serviços e bens quase a custo zero. Na nova era capitalista, o Estado dimitiu-se totalmente das suas responsabilidades, e o povo não tem muitas alternativas de sobrevivência. (...) Um Governo que não tem capacidade de providenciar transporte seguro para os seus cidadãos e colocar-lhes na mesa pão a preço acessível precisa de repensar sobre a necessidade da sua própria existência" (p. 6).
Enquanto isso, no mesmo semanário, o jornalista Machado da Graça critica severamente a decisão tomada pelo Ministério da Mulher e da Acção Social de mandar evacuar os reformados da APOSEMO do antigo edifício do Velhos Colonos para ali se instalar. Obras por todo o lado, até o parque infantil anexo está ser destruído. Os burocratas de um Ministério enorme vão ocupar o lugar onde os reformados ainda podiam respirar, remetidos que foram, agora, para uma modesta creche, algures na cidade de Maputo (p. 6).
E ante este triste cenário de um Estado cada vez mais distante do seu povo, ao serviço frontal dos interesses capitalistas, encontramos no semanário "O País" quatro páginas de uma entrevista feita ao presidente da República, Armando Guebuza, na qual este se mostra muito optimista com o crescimento do país e traça um auto-retrato meritório da sua governação (pp. 2-5).

3 comentários:

Anónimo disse...

Caro Professor Carlos Serra,

é ppreciso entender que o sr PR não sabe o que é andar de transportes público desde 1975.

E nem deve saber onde se compra o pão...

Visto da Ponta Vermelha, o país deve mesmo ser uma maravilha.

E assim se vai combatendo a pobreza...tendo cada vez menos pobres. Como?

Diminuindo o numero de pobres...pior desaparecimento físico.

Depois as estatísticas farão o resto...

micas disse...

Dramático!

Quando um país não consegue respeitar os seus velhos, as suas crianças e nem sequer os seus mortos....que poderemos esperar?

Quando será que os mais altos responsáveis acordam para estes problemas?

Basta!este povo bom merece muito mais e melhor!

Anónimo disse...

Se tivessemos auto carros publicos na mesma porporçao que mercedes e four by fours na posse de ministros e outros quadros seniores, talvez o cenario seria diferente. teriamos pessoas a desistirem de utilizar chapas e prefirirem auto carros publicos.
O custo dos autocarros publicos e´ 5 meticais contra os 7.500 dois chapas, mas a frota dos TPM incluindo os autocarros de luxo (para o mundial de 2010 e turismo) nao cobre enm 20% das necessidades de transporte na grande Maputo.Uma autentica vergonha nacional. Precisamos urgentemente de um governo capaz de providenciar aos moçambicanos um serviço publico a altura das necessidades dos moçambicanos. Nao se pode colocar culpas nem nos chapas e muito menos no preço do petroleo. Governos capazes devem estar em condições de assumir seu papel de transportador publicos e prever os sefitos inevitaveis de choques externos, tais como o agravamento do preço de petroleo no mercado internacional. Nao sou economista, mas entendo a economia como parte da famila das ciencias sosicais e portanto ao serviço do social. Deve sim existir outras alternativas ao aumento do preço do petroleo que nao seja necessariamente aumentar o preços dos combustivel e restantes derivados. Senhores economistas,tem aqui mais uma oportunidade para mostrarem ao Governo o que pode ser feito para inverter esta tendencia galopante de aumento de custo de vida com efitos negativos na estabilida social de Moçambique. Digam alguma coisa e em portugues facil, talvez isto acalme o povo.