O pensamento circular faz a história do nosso dia-a-dia cognitivo. E nem sempre os cientistas sociais a ela escapam.
A sua estrutura é basicamente a seguinte:
- A mandioca secou.
- Por que razão a mandioca secou?
- Porque ela foi atacada por uma praga.
- Que prova tem de que foi uma praga?
- Não vê que a mandioca secou?
Ou:
- O Ferroviário perdeu.
- E por que perdeu o Ferroviário?
- Porque o seu treinador não presta.
- E que provas tem de que o treinador não presta?
- Porque o Ferroviário perdeu.
Por outras palavras, a ideia confortante é a de que o fenómeno xis remete para si próprio a explicação causal. Provas independentes inexistem.
Encontramos belos tratamentos do pensamento circular em Georg Simmel, Karl Popper e Raymond Boudon.
Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
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