Ó doce vida, ó meu doce chapa!
Aqui me tens fiel todos os dias
Aqui com pouco me fazes papa
Ó querido chapa, vê se te avias!
(A propósito desta carta de leitor)
Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
4 comentários:
Esta mensagem vem a propósito da postagem sobre Fajardo. Escreví ontem e esperva uma reacção. achei melhor transplantá-la para aqui.
Na periferia da cidade de Maputo, logo de manhã: Aaaaa magumba haaa leeeeno... Aaaaa magumba haaaa leeeeno... (vozes femeninas)
Sooo clin (sabão em pó de marca So Klin), caldo ni mafôfô haleeeeno... (vozes masculinas).
Assim vai o quotidiano maputense, no periférico maputo, dias de incertezas, não de fenómeno natural, tipo cheias ou Fávio, mas de algo a ingerir, incertezas alimentícias. Empreendedorismo? Desemprego?
Já agora professor: os trabalhadores da empresa de segurança Wheckenut, estão todos os dias em frente das instalações da empresa a tocar tambores, a cantar, a gritar, a vociferar impropérios contra a pessoa do director da empresa, a sujar o murro de vedação, a pintá-lo com frases próprias de litígio e, hoje colocaram uma fotografia ou imagem do americano Martin Luther King, rodeada de frases que inspiram simpatia e confiança naquela figura. Professor, um mês as pessoas a pagarem "chapa", levar comida de casa, mudar de roupa, engraxar sapatos, pentear, engomar aos fins de semana, despedir-se da família para manifestar, reclamar, fazer greve. Não consigo perceber, por que as pessoas estão mais motivadas (cada dia que passo do local parece o primeiro dia da greve, todos motivados a cantar e a tocar) a fazer greve, a reivindicar indeminização
ao invez de procurar um outro emprego ou procurar criá-lo. Terá isso uma explicação sociológica? Será isso uma síndrome de indeminização? Por que as pessoas insistem em ficar alí? que esperanças têm? Não consigo perceber nada. Estão todos os dias com tambores a cantar, até dá para pensar naquela frase de Senghor: Je dance. Donc je suis! Será a manifestação da emoção? Mas doutor por que é que as pessoas dançam quando estão aparentemente revoltadas? Ou, em que contexto social, emocional, ou seja lá o que for, nós dançamos? São perguntas confusas de quem vê uma manifestação de caos naquilo tudo. No último lançamento lançamento das suas obras, das muitas e importantes coisas que Rafael Conceição disse uma ficou grvada na minha cabeça: "A real socilogia é aquela que se interessa em coisas modestas" Beúla. Abraços.
Desculpe não ter respondido logo, só agora cheguei ao meu gabinete. O seu texto é tão vital em tudo, que daqui a algum tempo lhe vou dar um lugar de maio relevo. Até já!
Prof. o Elísio Macamo anuncia no seu blog a morte do sociólogo francês Jean Baudrillard. Foi no fim de semana passado que comecei a ler a obra: "À sombra das maiorias silenciosas". Um livro interessante onde discorre sobre aquilo a que chama "massas". Nunca imaginei que estisse vivo. É sempre bem vinda este tipo de informação. Beúla
Ok, Beúla, obrigado.
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