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19 Janeiro 2007

Medidas administrativas para os defecadores a céu aberto na Ilha de Moçambique


“Já chega de educação, porque o que compreendemos é que as pessoas sabem do perigo que o fecalismo, a céu aberto, constitui para a saúde pública e não só. Pelo esforço feito pelas entidades competentes há vários anos, dá para perceber que só com medidas administrativas é que podemos eliminar este mal.” - disse o governador de Nampula, Felismino Tocoli, a propósito da Ilha de Moçambique. Fazendo fé no "Notícias", o fecalismo a céu aberto contribuiu para reduzir o afluxo de turistas à histórica ilha (foto do "Notícias").
Indiscutivelmente um problema difícil e delicado.

11 Comments:

Blogger Esfinge said...

Acho muito bem que se tomem medidas duras para as nossas terras andarem limpas.

19/1/07 3:10 da tarde  
Blogger Carlos Serra said...

Infelizmente a sra tem o espírito apressado das medidas draconianas,à testa da sua emoção, xamuali Esfinge. Por acaso já se deu ao trabalho neuronal se falar com os "defecadores", de conhecer as suas condições de vida?

19/1/07 4:28 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Tinha comentado a gosto, com um texto corrido e completo... Mas esta coisa deu o berro e o texto desapareceu. Entao, desta vez, vou apenas deixar os pontos chave:

- Concordo e discordo com os 2.
- Medidas administrativas podem ser um desincentivo ao fecalismo, uma vez que outras coisas foram tentadas (nao comento sobre a eficiencia, porque nao participei de nenhum estudo que levou as conclusoes que as medidas tentadas eram as mais correctas). Agora, boa sorte a colectar essas multas e elas entrarem para os cofres devidos e nao bolsos indevidos.
- Mas e preciso conversar sim com os fecalistas, nao tanto sobre as suas condicoes de vida, mas mais sobre as suas percepcoes sobre as medidas que foram tomadas e porque e que estas nao os convencem a submeterem-se a elas (deixando de lado os cliches de cultura e habito, claro).
- Ha tambem que convencer as autoridades que nao basta investigar uma vez, que a solcao e eterna. A negociacao social e constante e requer constante manutencao e actualizacao do conhecimento.
- E por fim, e tao simplista da parte da Administracao da Ilha culpar o fecalismo pela sua incompetencia em promover a Ilha.

19/1/07 5:55 da tarde  
Blogger Carlos Serra said...

Problemas complexos, problemas complexos...

19/1/07 10:35 da tarde  
Blogger Fátima Ribeiro said...

Não posso agora entrar em grande argumentação do que vou dizer, mas não quero deixar de exprimir a minha opinião e fazer uma proposta.
Acho, sinceramente, que se tem de acelerar a resolução do problema da limpeza e higiene das nossas cidades e garantir soluções que venham a ser duradouras. Compreendendo as dificuldades da população e tentando resolvê-las, sim, mas sem qualquer tipo de paternalismo. Tenho a esperança de que, apesar de todas as deficiências que possamos apontar no sistema de ensino, o alargamento da educação escolar venha a contribuir para minorar o problema, mas isso levará o seu tempo. Entretanto, e num país com tão elevada taxa de desemprego, com tendência a crescer, e beneficiário de tanta ajuda externa, porque não se pensa na criação de uma rede de activistas (será esta a melhor designação?) que, a nível dos distritos urbanos, bairros e quarteirões se dedique a educar as pessoas e a fiscalizar a limpeza e higiene dos espaços públicos? Não seria difícil encontrar quem trabalhasse a troco do salário mínimo, e multas equivalentes ao preço do chapa seriam suficientes. Criar-se-iam muitos postos de trabalho que não exigiriam "grandes" qualificações académicas e melhoraria a qualidade de vida nas cidades, poupando-se custos de ordem diversa, embora infelizmente saibamos à partida que, apesar dos baixos valores envolvidos, seria necessário precaver o cabritismo.
Será que isto já foi pensado?

20/1/07 7:56 da manhã  
Blogger Fátima Ribeiro said...

Sei que o “fecalismo a céu aberto” é já “visceral” na Ilha de Moçambique em bairros onde não há latrinas. Disseram-me que a solução passaria pela construção de latrinas com tratamento dos resíduos. Em alguns lugares, pode não ser tecnicamente fácil ou ser mesmo inviável a construção de latrinas familiares de baixo custo. Mas, mesmo existindo latrinas, seria fundamental haver educação e fiscalização para a sua correcta utilização e manutenção.

20/1/07 10:30 da manhã  
Anonymous Gabi Ninck said...

É simplesmente ridícula a maneira que o Felismino faz citações tipo "já chega de educação"...e outras que não preciso escrever aqui.È muito perigoso para mim emitir uma opinião estando em outro país, embora com realidades semelhantes.Mas, não consigo ser omissa diante tal fato que me apresenta.Concordo com os comentários da Strega e da Fátima.
"O povo defeca o que lhes foi oferecido", justifica minha afirmação à citação da Fatima quando diz que em alguns lugares não possui latrinas públicas; e em suas casas existe rede de esgôto e saneamento básico? Penso que este povo não possui uma devída orientação/educação cultural/ambiental/social, e não possuindo tambem as devidas condições de viverem com dignidade...dão este "recado" aos seus governantes.
Não quero fazer odes a este tipo de comportamento, mas é perfeitamente compreensível, pois este fato só parte de pessoas de classes sociais esmagadas pela carência do tudo.E em nome deste tudo que levanto minha bandeira e faço meu julgamento: "Os Felisminos são culpados"...enquanto uns praticam o fecalismo, a céu aberto, seus governantes praticam o fecalismo
sobre este mesmo céu.O resultado? Chuva de Merda sobre o povo.

20/1/07 5:15 da tarde  
Blogger Carlos Serra said...

Problemas complexos enfrentamos. Mas prossigamos o debate, se achardes necessário.

20/1/07 6:00 da tarde  
Blogger yolaguiar said...

E caso para perguntar quem precisa de ser educado, os “fecalistas a céu aberto”, ou os “felisminos”? De facto o problema é complexo.

Em STP, nalgumas comunidades rurais foram construidas latrinas e as pessoas continuam a preferir “ir para o mato” i.é defecar a céu aberto.
Em algumas zonas da cidade de Sao Tomé, para além dos muros das casas ja terem sido levantados ha mto tempo, nao se pode deixar o portao aberto, porque os fecalistas invadem os jardins. Um belo dia, um ministro viu um fecalista em pleno exercicio das suas funçoes em seu jardim. O ministro caminha a passos largos na direcçao do intruso. Este ao ver alguém avançar em sua direcçao e zeloso de seu espaço, vociferou: “você nao vê que eu ja estou aqui? Va para outro lado, chatice”.
Perto do mercado da “feira de ponto” existe uma casa de banho publica, inutil sera dizer que as pessoas preferem o “fecalismo a céu aberto”...
A construçao de latrinas sera uma das soluçoes? Porque nao ... sobretudo se existir a tal “educação e fiscalização para a sua correcta utilização e manutenção” preconizada pela Fatima. A questao que se poe agora é saber de que meios disponibilizamos para efectuar essa educaçao e fiscalizaçao, considerando que por vezes, as acçoes levadas a cabo para “educaçao das populaçoes” sao limitadas, i. é duram enqto existirem as verbas para os projetos...

21/1/07 1:29 da tarde  
Blogger Carlos Serra said...

Devo confessar que não sou competente em propor medidas como sociólogo. Tento apenas ter algum talento em identificar situações e, sempre que possível, analisá-las. Mas como cidadão, "chateia-me" muito ver, por exemplo, as belas acácias de Maputo regadas pela urina.

21/1/07 5:35 da tarde  
Blogger yolaguiar said...

E de facto desolador. Mas nao deixa de ser curioso, o facto do fecalismo a ceu aberto tomar proporçoes alarmantes e incomodativas, tanto na oceano Atlântico como no Indico...
Em STP, o problema do “fecalismo a céu aberto”, na cidade, nao se punha nos primordios da independencia. Hoje é o "pao nosso de cada dia". Arvores, postes, tudo é regado e adubado ao mm tempo

21/1/07 7:24 da tarde  

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