15 janeiro 2007

Desemprego em Maputo

A notícia que podereis ler a seguir tem muitas lacunas, está imprecisa, mas mesmo assim vale a pena lê-la enquanto indicador das dificuldades que muitos atravessam.

13 comentários:

Esfinge disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Esfinge disse...

Se não há emprego na cidade, trabalha-se no campo.

Anónimo disse...

Bom dia Professor
nao era minha intençao fixar aqui o meu mail, infelizmente nao consigo apagar o comentario, caso consiga apaga-lo agradeço-lhe antecipadamente.
Saudaçoes cordiais
Iolanda

Carlos Serra disse...

Apaguei.

Anónimo disse...

professor! aqui esta um caso interessante para uma abordagem sobre a relacoes sociais e ciencias de saude: http://www.opais.co.mz/noticias/index.php?id_noticias

Anónimo disse...

obrigdo Professor.

Em relaçao a afirmaçao que faz a "esfinge" gostaria de perguntar se é assim tao linear essa relaçao, i.é nao havendo trabalho na cidade tentar fixar-se as pessoas ao campo, sera isto possivel, sera viavel, sera uma soluçao?
tentou-se no caso saotomensse e nao se pode dizer que o resultado tenha sido glorioso...

Iolanda Aguiar

Anónimo disse...

No seguimento do comentario da Iolanda, ao comentario da Esfinge... nao me recorda muito bem, mas creio que a nossa 'operacao producao' tambem tinha o mesmo intuito, nao? Retransferir o excedente urbano para o campo... Do que sei tambem nao deu certo.

E caso para de recordar de nao se esquecer do tempo que passou. E continuar a batalhar para encontrar solucoes dentro e nao atirando para fora. As duas pequenas iniciativas mencionadas parecem interessantes. A formacao profissional tambem pode melhorar um pouco a situacao (afinal parece que estas pessoas sao mao de obra menos qualificada).

Provavelmente o que esta a acontecer e que o nosso mercado esta cada vez mais competitivo, na exigencia de formacao. Ha cada vez mais gente formada e formada a niveis mais altos. Mas tambem o proprio INFP esta mais visivel, nas suas accoes, angariando assim mais potencias candidatos a emprego. E a economia tambem nao deve estar facil para os empregadores, especialmente das pequenas e medias empresas. Esta combinacao e explosiva. Mas ha que continuar a batalhar. Desistir nao e opcao.

Assim nascem e crescem as economias do desenrrasca.

Carlos Serra disse...

O sempre jovem Hegel escreveu um dia que as pessoas não vinham para as cidades porque eram magneticamente "atraídas".

Anónimo disse...

o endereco electronico estava errado. qui vai o correcto: http://www.opais.co.mz/noticias/index.php?id_noticia=1933

e volto mais tarde com mais comentarios. desculpem pelo lapso.

Carlos Serra disse...

Obrigado pelo endereço, já li...

Iolanda Aguiar disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Iolanda Aguiar disse...

Bom dia Prof. apareceu no Le monde de 16 de Janeiro de 2007, um artigo de Antoine Reverchon, intitulado AU MOZAMBIQUE, LA TERRE PROPRIETE DE L’ETAT, SUSCITE LES CONVOITISES. Digitalizei-o, mas como tenho problemas com o comp. Nao consegui envia-lo. Ao que se junta a falta de tempo... mas como diz o velho ditado popular mais vale tarde do que nunca, assim, traduzirei alguns excertos.

ACHEI- O INTERESSANTE, E PERTINENTE NA MEDIDA EM QUE “ESFINGE” LEVANTOU A HYPOTESE NESTE RECANTO DA FIXAÇAO DOS DESEMPREGADOS No CAMPO.

“Johannes Van de Grip exprime-se com um sotaque que denota a sua origem afrikander: “o mais dificil é fazer trabalhar os moçambicanos” Seu patrao, branco também, mas de origem portuguesa, suspira “ A reacçao do meu interlocutor é exagerada, o problema é preferencialmente, que eles (os moçambicanos) nao sao bem formados. Antonio Gomes ficou em Moçambique depois da independencia em 1975, por convicçao politica. Ele fez mesmo carreira no exercito, chegando a oficial do estado-maior ao serviço do governo marxista –leninista, aquando da guerra civil , de 1978 a 1992, que opos-se o jovemEstado a uma guerrilha apoiada pelo regime de apartheid de Petroria.
Reintegrado na vida civil o Sr Gomes fez negocios com os inimigos de ontem para explorar Mafavuca, a uma centena de quilometros a norte de Maputo, a capital, um bananal de uma centena de hectares (...) foi necessario investir 1,5 milhoes de dolares para instalar 18 km de linha electrica, contruir uma pista praticavel, em todas as estaçoes, pelos camioes, repicar plantas e instalar ateliers para instalar os trabalhadores, em época alta, cerca de 400 camponeses de vilas vizinhas.
O capital da sociedade, Sapel é detido a 1/3por Antonio Gomes, associaos Moçambicanos e uma sociedade agro-industrial sul africana, a a principal débouhé de Sapel: “ Com 20 toneladas de banana por dia, nós saturamos o mercado de Maputo. Quando, para ser rentável um bananal deve produzir 500 toneladas por dia” explica o ex-militar.

O Sr Gomes demorou 6 anos para instalar o seu projeto “Nós poderiamos ter feito em 3 anos, se tivessemos podido ter feito emprestimos, mas as taxas sao a 23% e os bancos exigem 100% de garantia” Ora, està fora de questao em Moçambique, de dar a terra como cauçao, pois esta é propriedade do Estado, excepçao feita à estratégia de privatizaçao engaijada pelo governo depois de 1990 para beneficiar de creditos od FMI e da BM; As autoridades só outorgam o uso da terra aqueles que a cultivam, e este direito so é transmisivel no seio das comunidades camponesas. “ Se eu paro de trabalhar perco o direito de concessão, ainda que eu venha a trabalhar toda a minha vida, a terra, nao pertencerá jamais à minha familia”

Isto nao é certo, pois o debate sobre a necessidade de se privatizar ( ou nao) as terras bat son plein entre os economistas, os bailleurs de fonds estrangeiros e o poder politico.
Embora tenha um crescimento de 8% a 13% por ano depois de 10 anos (excepçao feita a 2000, por causa de inundaçoes catastroficas) Moçambique continua um dos países mais pobres do mundo com 54% da populaçao essencialmente rural – que vive com menos de 1 dolar por dia. (...) “Le mantien, por ideologia, da propriedade publica da terra talvez seja positiva para os pequenos camponeses, mas ela dissuade a agro-industria de investir neste pais, de enormes potencialidaes. As famosas concessoes sao objecto de um trafico que so beneficia, as pessoas ligadas ao partido no poder”, constata um economista ocidental , colocado em Maputo numa representaçao diplomatica. “O problema nao é a propriedade da terra , diz CARLOS CASTEL-BRANCO, PROFESSOR DE ECONOMIA NA UNIVERSIDADE DE MAPUTO. A privatizaçao so beneficiara aà elite dirigente que tem meios de aquisiçao, e os bancos nao querem terras como garantia, eles nao tem vontade de ser propriétarios , em caso de falencia das pessoas a quem foi concedido o credito. E o risco de ver essas terras defenitivamente votadas ao abandono sera real”. Conceder a terra aos camponeses, nao é suficiente. “ é necessario, construir estradas, mercados locais, dar-lhes creditos, formaçao e as tecnologias que permitirao um aumento de produçao . E sobretudo, a possibilidades de os assegurar contra riscos climaticos. Antes de pensar em privatizar as terras, é necessario, organizar e facilitar o trabalho dos camponeses acrescenta o M. Castel-Branco.
Qto ao crecimento da agricultura de exportaçao, embora ela atraia investidores sul africanos, ela nao gera postos de trabalho (emprego), segundo HERNADO ZAACHECO, ECONOMISTA DO FORUM DA DIVIDA, uma coaliçao de uma centena de organizaçoes nao governamentais (ONG) “ Em Moçambique, o unico verdadeiro activo é a terra; mas ela nao so tem valor qdo alimenta quem a cultiva.””

Uf! Acabei.

DEPOIS DE LER ESTE ARTIGO, CHEIO DE REFEXOES É CASO PARA PERGUNTAR, COM TODO O RESPEITO PELOS ECONOMISTAS, ONDE ESTAO OS SOCIOLOGOS E OS AGRONOMOS?
En attendant, considerando que, 54% da populaçao é essencialmente rural, como é que os trabalhadores nao sao bem formados? Nao sao bem formados em quê ou para quê? Nao sao bem formados para serem “operarios agricolas” ? Nao sao bem formados para trabalhar em grandes exploraçoes agricolas? Nao sao bem preparados para trabalharem com culturas “cash croop”? Nao sao bem formados para trabalharem num bananal? Nao sabem como lidar com a terra? Porquê?Nao estao vocacionados para o tipo de organizaçao que a empresa deseja? Nao conhecem o trabalho do campo? Estranho! Pois segundo o Sr Gomes eles sao recrutados em vilas camponesas vizinhas!!! Assim, sera que esses trabalhadores sao verdadeiramente camponeses? Sera que eles vivem da agricultura em suas vilas? Nao serao pessoas que se cansaram das “praças de ocio” urbanas, dos “dumba n’dengues” e retornaram as suas vilas de origem? Quem sao, verdadeiramente, esses trabalhadores agricolas sazonais? Como aproveitar o conhecimento empirico dos camponeses para aumento de produtividade das empresas agricolas? Como aproveitar o savoir-faire campones para o desenvolvimento da agricultura? QUAL O PAPEL DA AGRICULTURA CAMPONESA NA DIMINUIÇAO DA TAXA DE DESEMPREGO?
Ja agora, o que é uma populaçao essencialmente rural?
The last but not de least, sabem os camponeses o que é um credito agricola? Desejam-no eles verdadeiramente?

Boa leitura

Carlos Serra disse...

Obrigado pelo que fez e que certamente fará reflectir os leitores deste diário!