09 fevereiro 2007

Os caçadores de bruxas


Existem indícios do regresso dos caçadores de bruxas.
As ideias matrizes do governo de Guebuza - em especial o combate contra a pobreza absoluta - deram origem a dois tipos de fenómenos, o primeiro já em curso, o segundo apresentando indícios de visibilidade crescente:

(1) O fenómeno do papagaísmo, com muita gente a repetir por todos os lados os slogans a propósito de não importa o quê;

(2) O fenómeno do caçadorismo às bruxas, com militantes acirrados do pensamento adequado, do politicamente correcto, a monitorar e a atacar imediatamente quem critica. Existe, então, o risco de os críticos serem acusados de estar contra o combate à pobreza absoluta, contra a unidade nacional, contra a paz, etc. Os vigilantes mais policiais e mais afectados pelas úlceras gástricas nacionalistas invocam as línguas natais, a raça, os costumes, etc.

Vamos a ver como as coisas se vão desenrolar nos próximos tempos.
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Cartoon reproduzido daqui.

5 comentários:

Anónimo disse...

Realmente, a caça às bruxas faz parte da propaganda política do actual governo. O que estraga os dirigentes é tomar decisões, entendendo os outros na perspectiva de manunteção e busca de confiança nos seus cargos. Há uma tendencia de optimizar td o que é a decisão das estruturas superiores do governo. será que está td certo? Ninguem responderá enquanto reprimirem politicamente as nossas vozes. Vejamos para onde vamos, mas não vamos parar de questionar, pois estaremas a matar a consciência e o bom senso! Observatorio01@yahoo.com.br

Anónimo disse...

Para o futuro do blog vejo duas opções diametralmente opostas. A primeira consistiria no reforço da linha dos elogios mútuos. Do género: “que inteligentinhos somos nós. Nossas constatações são imbatíveis e quem critica-las só pode ser um agente dos poderosos”.

A outra opção, aquela que para mim é a desejável, tomaria forma no interrogar irreverente das nossas próprias conclusões, na exigência insistente de que elas fossem enformadas por critérios e argumentos cada vez mais apurados. Naquilo que Cogitando (Paula Lemos?) referiu como “Acordar importância ao efeito organizador das discórdias”.

Um abraço Professor. Gabriel Muthisse

PL disse...

Dispensa comentários!

Os factos parecem falarem por si. Retirei-os do mediafax de hoje.
“400 fiscais que garantem o controlo territorial e 57 postos fixos”, para alem de 1
(uma) brigada móvel de fiscalização”. “Não se tem bem clara a norma para estabelecer o número ideal de fiscais”! Interessante, sem comentários. Só falta dizer que esta falta de clareza é orquestrada por alguém. “ Mas dados disponíveis, até ao ano 1995, sugeriram que um fiscal deveria patrulhar a pé cerca de 13 km por dia, e, controlar eficazmente 5000 ha”. Deste modo, para o caso concreto da província da Zambézia, com cerra de três milhões de hectares (ha) de floresta produtiva, seriam necessários cerca de 600 (o total mais metade do que existe para todo o território) contra os pouco mais de trinta que existem actualmente ( ....)”.
Qualquer pirata da China ou da cochinchina, sul-africano, zimbabueano ou até Moçambicano pode lançar-se desenfreadamente na caça ao bem precioso que é a madeira. Não entendo porque é que tem que ser, necessariamente, gente politicamente bem posicionada?
P.L
Vou me referir, mais alongadamente, aos dois posts mais recentes deste blog.Na mesma linha do G.M. e para o bem do debate vou discordar de C.S sem ataques pessoais e sem desqualificar ninguem como parece ser a tendencia.

Carlos Serra disse...

Com prazer, PL.

Anónimo disse...

PL, não entendi em que quer chegar a com a sua história. Será que o senhor acredita mesmo que para controlarmos a nossa floresta é preciso assim esse número de fiscais? Pensa o senhor PL que os chineses e outros transportam a madeira à cabeca? Então o mais difícil não teria sido o control dos diamantes de sangue (Angola, Serra leoa)?

António