06 agosto 2008

O que é o lobolo?

Tem havido uma interessante discussão a propósito do meu vaticínio brincalhão de que um dia o lobolo contemplará um 4x4. Ora, achei bom colocar aqui o tema, o tema do lobolo.
O que é o lobolo aqui em Maputo? Resposta do antropólogo Paulo Granjo num excelente livro: "Trata-se de uma cerimónia em que a linhagem de origem de uma mulher é cerimonial e economicamente compensada pela passagem dos direitos sobre os eventuais descendentes dessa mulher para a linhagem do marido, pelo que os filhos dela passarão a ter plenos direitos de pertença à linhagem paterna."
Aqui coloco, para eventual debate, duas questões:
1. Devemos perguntar-nos sobre o que é o lobolo ou sobre o que ele tem sido ou está a ser?
2. A compensação não opera sobre (1) a força de trabalho da mulher e sobre (2) a sua capacidade genésica?

37 comentários:

Sara disse...

Compensar parece-me muito púdico. Compensar da posse de direitos sobre a mulher, sobre o seu trabalho e filhos? É isso? É por isso que se dão dinheiro, baús e roupa?

Carlos Serra disse...

Bem aqui ficam as suas perguntas, vamos a ver se os leitores reagem.

Boaventura disse...

Acho que Paulo Granjo definiu bem o que é lobolo.

JCTivane disse...

Os nossos valores morais dependem muito da estabilidade do lobolo. Tenho dito.

Sara disse...

Ai é sr Tivane? Quer dizer então que os valores morais são regulados pelo mercado, pelo dinheiro?

Esfinge disse...

Sabe xamuáli Tivane quando casamento mete boi, cabrito, dinheiro, celular e outras coisas é casamento de mercado, tem cor de dinheiro. Por isso vc casa descasa e casa depois no informal. Amor fica debaixo da esteira Nós africanos temos mania de chamar tradicao o que é comércio.

João Areosa disse...

Peço desculpas antecipadas por este comentário irónico...
Mas aqui em Portugal existem muitos maridos que pagariam às famílias de origem das suas esposas para as receber de volta após algum tempo de casamento! Isto seria um lobolo inverso (pós-casamento)... sinceramente acho que esta moda pode “pegar”!
Fiquei contente por descobrir finalmente o que significa o lobolo (já há algum tempo que me intrigava qual seria o significado desta palavra). Obrigado pelo esclarecimento!

Jonathan McCharty disse...

Lobolo e' "business" pela forma como tem sido efectuado ultimamente! Reflecte a atitude "materialista" de algumas regioes! Nao se trata de um "simbolismo" cerimonial, mas de uma "troca" puramente comercial. E o perigo disso, e' que o homem passa a ter um sentimento de "alienacao" completa da sua parceira, como uma "commodity" mesmo! Esses sao aspectos que nunca ninguem se preocupa depois em analisar as suas consequencias numa relacao que iniciou supostamente por "amor", mas que pode criar outro tipo de sentimentos pos-lobolo! (Estou a falar daqueles casos em que o homem se sente profundamente "estorquido")

Matsinhe disse...

Tivane,

Plenamente de acordo consigo. Questionar o lobolo que, desde os imemoriais tempos dos nossos bisavôs envolveu sempre trocas entre a família do noivo (bois, enxadas, cabritos etc) e da noiva (a passagem da filha para outra família) é questionar a nós mesmos através da nossa cultura.

O Estado até reconhece o lobolo. Faz parte de nós, da nossa cultura.

Companheiros, podemos questionar como o lobolo é feito mas nunca o próprio instituto.

Já diziam os anciãos lá da minha terra que os valores envolvidos no lobolo (sejam eles quais forem) compensam a família da noiva que vê um membro produtivo partir razão porque a família receptora entrega bens susceptíveis de produzir para compensar tal perda.

Qual é o VERDADEIRO africano que se furte ao lobolo? Acredito que nenhum, pois todos gostamos e sentimos orgulho em pôr nos nossos filhos os nossos apelidos legitimamente. Onde se busca tal legitimidade? Não é no casamento civil ou religioso. Culturalmente é no lobolo.

A prática até que se amenizou porque, segundo os meus avôs, nos seus tempos nenhum homem punha nos filhos gerados sem lobolo, o seu apelido.

Como dizia no outro lado, o lobolo como qualquer manifestação cultural, vem se adaptando aos dias que correm. Isso não me repugna.

Martin de Sousa disse...

Epa, Matsinhe bro, gostei desta sua doutro lado:

"É um facto que nessa área, como em muitas outras, há especulação e, não vamos negar, a prática tem se adaptado aos nossos dias. Não me espanta por isso que os bois sejam substituidos por celulares ou outras coisas. Mal de nós se o nosso modo de agir e pensar, isto é a nossa cultura, permanecesse estática, presa às prática ancestrais que caracterizavam o lobolo nos finais do século xix e início do século XX quando Junod tão bem as estudou.

A evolução pode mesmo nos levar a que no pacote de lobolo das nossas filhas e irmãs sejam inclusos 4x4. Alguém tem a ideia de como era a sociedade quando Junod estudou os usos e costumes dos bantu? Alguém tem ideia da evolução até aos nossos dias?

Mais, não podemos tomar as práticas urbanas do lobolo como universais/generalisáveis. Sem negar que mesmo no campo haja especulação lobolária, este acto continua imbuido de um simbolismo que muitos aqui não podem imaginar ou porque nunca assistiram a uma cerimónia dessas para além dos murros da cidade, ou porque o lobolo é aquela coisa distante que apenas tomamos conta dela como mero objecto de estudo."

Sobre as perguntas do professor

1. "não vamos negar, a prática tem se adaptado aos nossos dias. Não me espanta por isso que os bois sejam substituidos por celulares ou outras coisas." in Matsinhe comment transcrito acima

2. Opera em ambas. Trabalho da mulher e, também, "Qual é o VERDADEIRO africano que se furte ao lobolo?" "todos gostamos e sentimos orgulho em pôr nos nossos filhos os nossos apelidos legitimamente. Onde se busca tal legitimidade? Não é no casamento civil ou religioso. Culturalmente é no lobolo."

Anónimo disse...

O lobolo e' uma pratica inegavel em Africa no geral em Mocambique em Particular. E' no lobolo que ainda persiste a estabilidade familiar apois dois (homem e mulher) se juntarem. Sem lobolo nao haveria estabiliadade dentro da familia, pois haveria conflitos de intereses nos filhos gerados pelos dois. A quem perteciam os filhos? Que apelido levariam? E isso geraria conflitos interminaveis entre familias. E a construcao duma familia seria um mito sem este lobolo. E' verdade que as mudancas que ocorem hoje tb levam consigo as mudancas culturais envolvidos no lobolo. Nao e' de espantar que que se exijam essas quantias aos jovens ou a familias para ter a posse de uma filha. Quem tem uma filha ja crescida ja sabe o quanto custa educar uma crianca ate chegar a idade de casamento. Nao e' coisa facil! Penso que o lobolo e' uma forma de gratidao a familia da noiva. Nao vejo nenhum problema nisso.E' nossa cultura e devemos preservar.Pode ser uma forma comercial como outros analisam mas neste mundo nao ha nada facil, tudo envolve interesses. E o lobolo nao foge a regra tb sao interesses que se envolvem. A familia da noiva de algum modo tb quer ver compensada pelo esforco que fez de criar e educar a filha ate a idade de casamento ou lobolo. E assim se mantem a estabilidade entre familias

Júlio Mutisse disse...

Entrei para comentar mas, tudo o que poderia querer dizer já está dito nos comentários do Tivane, Matsinhe e, sobre tudo, do Anónimo que me precede.

Sara disse...

Vamos lá ver meus senhores (porque aqui não há senhoras a comentar pelos vistos): então mulher é como o boi, bem tratado antes do trespasse, herdado, pago? Mulher é mercadoria? Vocês estão a falar de tradição ou de engenhoso pensamento de banco com capital e juros? Para quê dinheiro e bens para salvaguardar uma relação? Indemnização??? Ora ora senhores!!!Que tem o lobolo a ver com oportunismo de reforma disfarçada dos pais ou de cobrança de juros das filhas que fizeram? E quem vos disse que lobolo é a única garantia do amor entre homem e mulher? Lobolo ou operação comercial descarada com a máscara da tradição???Vamos lá falar lol.

umBhalane disse...

Matsinhe disse...

7/8/08 10:03 AM

“Companheiros, podemos questionar como o lobolo é feito mas nunca o próprio instituto.”
“Culturalmente é no lobolo.”
“o lobolo como qualquer manifestação cultural”

Assino por baixo, com selo, e assinatura reconhecida notarialmente.

(Paulo Granjo) disse...

Antes de mais, obrigado ao Carlos Serra pela honra de referir o meu despretencioso livro.

Aproveito para comentar algumas questões levantadas.

Como os moçambicanos bem saberão, o lobolo varia muito nos pormenores do ritual e acaba por variar, também, na interpretação dos direitos que ele dá às várias partes envolvidas.

É verdade que, como dizia uma camponesa à minha querida colega Maria José Arthur, «a mulher é o tractor do pobre». E é verdade também, como me dizia um experiente pastor prebiteriano, que «no campo, muitas mulheres e filhos são riqueza, mas na cidade são pobreza».
Quero com isto lembrar que a capacidade de trabalho da mulher é, pelo menos nalguns contextos, muitíssimo importante.

Quando isso se junta à monetarização do lobolo (possibilitada pela migração mineira, que já tinha começado há mais de 20 anos quando Ngunguyane foi derrotado pelas tropas coloniais portuguesas), tornaram-se possíveis diversos fenómenos negativos, quanto à visão da mulher como "propriedade".
Por um lado, porque o lobolo deixou de ser uma responsabilidade da família do noivo (de que o próprio noivo era excluído), para passar a ser o fruto do trabalho do noivo.
Por outro lado, porque houve uma sistemática "inflacção" do lobolo, que é bem visível se forem pesquisar o assunto, no fundo dos "Negócios Indígenas" do AHM.
(Quando ouvimos as quantidades de gado nos lobolos do séc. XIX, parece muito dinheiro, mas não é disso que se trata, porque os bois eram símbolos de riqueza e poder mas não tinham valor financeiro, porque não se vendiam; iam circulando pelas famílias através dos vários lobolos e, pontualmente, um deles era usado numa cerimónia mais importante.)

No entanto, não é do tabalho da mulher (ou da propriedade sobre ela) que se trata, e essa ideia é aliás atacada em histórias tradicionais como "Suquanhama" ("A Mulher e a Hiena", Ndgira, 2002), que também atacam a redução das filhas a fontes de riqueza, através do recebimento do lobolo.

Mas se, mais uma vez, há gente que toma essa posição de caça ao lucro, o valor do lobolo não é relevante para o significado da cerimónia e da instituição.
Por exemplo, nos tempos coloniais, havia um homem com várias filhas que "não aceitava" lobolo, por ser assimilado e temer perder esse estatuto. Mas exigia sempre ao noivo que lhe entregasse, perante toda a família, uma gravata. À noite, apresentava essa gravata em kuphalha aos seus antepassados, como lobolo da filha que ia sair de casa.

Por outro lado, é actualmente muito frequente, nas cidades, que o casal já viva junto e vá juntando, em conjunto e de forma organizada entre ambos, os bens necessários ao lobolo - que, muitas vezes, não chegariam para pagar a festa que a família da noiva dá nesse dia. Se fosse uma "compra da mulher", haveriam, então, muitas mulheres a "comprar-se" a si próprias, e seriam "vendidas" por valores inferiores às despesas inerentes à "venda"...

Existem duas características únicas no lobolo que, penso eu, são essenciais para o compreender:

Em primeiro lugar, o lobolo não é uma transacção entre indivíduos, ou sequer entre os seus familiares vivos, mas entre a totalidade das suas famílias, incluindo os antepassados. Por isso se diz que «os antepassados comem o lobolo» e por isso, também, se pede a sua concordância enquanto "mais velhos" e eles ficam obrigados a proteger, a partir daí, o casal e os filhos que venham a ter.
Ou seja, o lobolo insere as pessoas na sua genealogia social e é também, entre outra coisas, um instrumento de segurança dos noivos face às incertezas e perigos do mundo.

Em segundo lugar, os filhos "pertencem" à (fazem parte da) família da mulher, até que os seus parentes, vivos e mortos, sejam compensados da sua perda, para a família do homem - em contextos patrilineares como os do sul e grande parte do centro de Moçambique.
Uma vez mais, não é apenas uma questão de braços para trabalho. Quem não tem descendentes será esquecido, o que é particularmente dramático numa sociedade em que os espíritos dos mortos ficam por aqui, junto de nós. Sem descendentes, não têm quem cuidar, nem quem cuide deles e da sua memória.
Também por isso, não podem ser apenas os vivos a aceitar a nova situação decorrente do casamento.

São duas mais-valias únicas do lobolo, em comparação com as outras formas de casamento, e às quais atribuo a continuidade da instituição, ao longo de tantas mudanças históricas e sociais.

Claro que, como em qualquer prática social, há o potencial para abusos de poder, sobretudo numa sociedade de forte dominância masculina.
Mas, em abstracto, a dominância masculina não precisaria do lobolo para se reproduzir e o lobolo poderia continuar a existir se não houvesse dominância masculina.

Há também o potencial para mercantilização abusiva dessa forma de casamento. E valores absurdamente caros, com 4X4 ou sem eles, caem nessa situação, que pode ser vista, afinal, como um insulto ao lobolo.

Matsinhe disse...

Sara,

O lobolo e tudo o que o integra é a manifestação do modo como na nossa cultura a relação familiar é iniciada/constituida.

O lobolo não se resume no jovem e na jovem que se unem. É através dele que se estabelecem compromissos entre duas famílias que através de duas pessoas estabelecem compromissos para além da machamba que deixa de ser cultivada por aquela moça e, igualmente, para além dos bois que vão de um lado para o outro.

Pelo lobolo se legitima a linhagem, os filhos que da relação de Maria e João serão gerados.

Pelo lobolo se "apazigua" os espíritos dos nossos antepassados, principalmente aqueles de quem NÓS os africanos herdamos os nomes que aprovam a rectidão dos nossos passos por seguirmos a tradição.

Não compramos mulheres!

Perguntaria para que serve o dote noutros espaços culturais? Quanto é que, nesses espaços, se dá como DOTE?

Vamos questionar o instituto por causa de um 1100? O que é o 1100 ao lado dos bois que continuam, na santa paz de Deus, a ser entregues a título de lobolo para a constituição legítima de uma família tipicamente africana?

Questionem tudo por favor, os 4x4 etc, mas não questionem QUEM NÓS SOMOS.

Real africans.

Gonçalves Mandakisse Matsinhe (que o meu chará Mandakisse Matsinhe não se revire no túmulo por causa deste debate. Seria o fim da macacada)

(Paulo Granjo) disse...

PS: parece-me que argumentos sobre "quanto custa criar uma filha" (surgidos enquanto escrevia o meu comentário anterior) são também insultuosos para o lobolo, para além de insultuosos para com as mulheres.

umBhalane disse...

Vou transcrever um texto, conforme abaixo referido, adptado ao Português moderno, aferindo-se também assim da antiguidade destes costumes, em Moçambique.

"CASAMENTOS NORMAIS/VULGARES

Todos os Pais, e na falta destes os Tios Paternos tem obrigação de dar uma mulher a cada filho, ou sobrinho, quando tenham idade para isto, que é mais de 20 anos. Quando na mesma Povoação haja alguns mancebos nestas circunstâncias, juntam-se, e vestindo-se a seu modo com o possível asseio, vão pelas povoações onde houver Raparigas, ainda que pequenas; e participam ao Pai daquela família o intento deles. Este manda-os para uma casa, e manda cozinhar qualquer coisa para os hóspedes. E as Raparigas os vão servir, e àquela que lhe agrada, dá-lhe meio pano de missanga, ou qualquer prenda dizendo que a quer para sua mulher; e disto dá parte ao Pai da Rapariga. Estando certo nisto, dá parte a seus Pais, e estes principiarão a tratar do Casamento, que chamam de Curivora.

A primeira coisa, meio pano para conversar, que é Mussevúrue;
Segue-se um pano que é Marumo - isto é, segurar a mulher;
2 para Mazue, que é para ouvir;
Quatro para anel que é Pette para mulher e 8 para o Sogro;
8 de Mimbone que é lembrança;
2 peças ou 16 panos que é Mutoro;
Mais duas peças, ou 16 panos de Paica, que é aceitação da mulher;
Segue-se 3 peças ou 24 panos de Mamenheiro, ao Sogro, que é recompensa de lhe ter dado a sua filha.

Seguem-se vários episódios que passo adiante.

No dia seguinte, pela manhão cedo, o Noivo entrega ao Sogro 8 panos, para ele e a Sogra;

Nesta ocasião o Noivo é obrigado a dar de Vestir à Sogra, que são 2 panos, e aos Cunhados 2 flechas ou valor equivalente, e às Cunhadas um rosário de missanga, ou qualquer outra prenda, etc

In Memórias de Sofala
p.131/134
João Julião da Silva
Anos 1790-1884

V.I disse...

Companheiros aqui da oficina,

Esta peça do "Motor" Social, o lobolo, ta com algumas inconsistencias serias, e precisa de algumas afinaçoes. Vamos la, mecanicos-socias:

A intervenção do Matsinhe me parece clara MAS, algures diz:

"Qual é o VERDADEIRO africano que se furte ao lobolo? Acredito que nenhum, pois todos gostamos e sentimos orgulho em pôr nos nossos filhos os nossos apelidos legitimamente. Onde se busca tal legitimidade? Não é no casamento civil ou religioso. Culturalmente é no lobolo."

... e aproveito citar o "anonimo", que me parece na mesma linha quando escreve:

"Sem lobolo nao haveria estabiliadade dentro da familia, pois haveria conflitos de intereses nos filhos gerados pelos dois. A quem perteciam os filhos? Que apelido levariam? E isso geraria conflitos interminaveis entre familias. "

Mas então e nas zonas onde Lobolo não faz parte da cultura ( se não estou errado, Norte de Moçambique e' um exemplo)...

-São ilegitimos os apelidos dos filhos de um casamento?

- Ha a tal falta de "estabilidade familiar" ou "conflitos interminaveis" a que se refere o "Anonimo"?

Não me parece mesmo nada razoavel!


V.I

Carlos Serra disse...

Tenho para mim que o debate está bem vivo e excelente.

umBhalane disse...

Caro Sr. V.I.

"Mas então e nas zonas onde Lobolo não faz parte da cultura (se não estou errado, Norte de Moçambique e' um exemplo)...

-São ilegitimos os apelidos dos filhos de um casamento?"

Tocou num ponto-chave que me parece ser tabu em Moçambique.

A resposta que penso ser séria e realista é esta:

- Moçambique contém várias culturas, vários Povos, várias Nações/Etnias.

Para mim, Caro Sr., é tão natural como beber um copo de água.

E não é drama nenhum!

Veja-se o caso da Namíbia, País com apenas 1,5 milhões de habitantes:

- South West Africa People's Organization (SWAPO)

Povos.

E não é caso único no mundo.

Desde que haja justiça, equilíbrio, e igualdade em todos os sentidos, qual é o problema?

Anónimo disse...

Lobolo é o inicio de se firmar o contrato entre os antepassados e a nova descendencia, no sentido de se pedir autorizacao para despozar a escolhida da sua descendencia.

Matsinhe disse...

Onde não há lobolo há outras formas de legitimação.

Moçambique não se resume à forma de estar e ser dos povos do sul (similares a de alguns países da região). O País se realiza na diversidade.

V.I como o Umbalane diz, é tão natural como beber um copo de água.

Sara disse...

Olá amigos. Nenhum de vcs conseguiu convencer-me com os vossos argumentos. Donde chegam esses argumentos? Das provas de fé.Qual o seu conteúdo? O do "bom" que sempre se manteve na história. O presidente Guebuza disse que a pobreza já existia desde os nossos antepassados. Logo o lobolo tb. Se tudo já existia nada mudou, com dinheiro ou sem ele com 4x4 ou não. As galinhas tb nunca tiveram dentes não é? Qual a razão porque os teriam agora? Mas prontos cada cabeça cada sentença. Mais uma coisa: nenhuma mulher se pronunciou aqui, salvo eu. Lol. Bjos.

Matsinhe disse...

Sara, está a equiparar a pobreza ao lobolo? Aocitar o PR no tocante à pobreza, que tem que ser combatida, está a estabelecer um paralelismo com o lobolo que, deve ser igualmente combatido?

Espero bem que não. O lobolo é parte de nós, da nossa cultura. Os argumentos minha cara, vem do que conhecemos da essência do lobolo e que quisemos transmitir (pelo menos eu) nos comentários acima.

Se fores africana acredito que só faças essas perguntas, ou não te convenças com a essência estruturante do lobolo academicamente e para alargar os horizontes porque, na verdade, deve querer tanto (ou ter querido) que lhe lobolassem como todas as demais querem por tudo o que foi dito acima (excluindo, pois é, as alienadas).

Anónimo disse...

Nos primordios da nossa independencia, uma lideranca sem ligacao e sem raizes africanas decretou o fim do lobolo. Esta secular tradicao africana sobreviveu esses lideres.

O lobolo, jaa foi dito, ee uma importante instituicao. Ee atravees dele que familias, no sul de Mocambique, se unem atravess do casamento.

Nao conheco nenhuma mocambicana do sul (africana) que recuse o lobolo. Atee doutoras se submetem a esta pratica secular.

Anónimo disse...

Os que nao conhecem esta prática do lobolo, por vivencia ou por estudo, deveriam abster-se de condena-la sem se informar.

É um acto elementar de respeito conhecer antes de ditar sentencas. Parabéns ao Paulo Granjo por isso

Anónimo disse...

A Europa teve o dote até há alguns anos atrás. Uma mulher que nao conseguisse reunir um dote poderia ver a sua pretensao de formar um lar gorar-se.

Essa prática nao terminou assim há muito tempo. Nós os africanos, antes de condenarmos os europeus por essa prática, temos que conhecer o contexto econónmico e social que lhe deu origem.

V.I disse...

Umbalane e Matsinhe,

"Moçambique contém várias culturas, vários Povos, várias Nações/Etnias"

Plenamente de acordo com este e alguns pontos das vossas contribuiçoes!

"Onde não há lobolo há outras formas de legitimação."

Quando coloquei a pergunta relacionada com a "legitimação", queria perceber se os argumentos que tem sido usados para a explicar, são baseados numa logica que se perceba de forma "tão natural" como é "beber um copo de água" , ou se são baseados em crenças... Começo a achar que se trata da segunda hipotese...E crenças, somos capazes de as discutir sem nos convencermos uns aos outros ... (nem que surja uma eventual dentião nas galinhas, pra nos mostrar que afinal as coisas podem mudar)

... é que se por exemplo me explicar que, se eu não pagar, em forma de imposto, 30% do que ganhe num negocio, meus rendimentos são ilegitimos, ja que não contribuo para melhoria da sociedade (da qual tiro proveito), pq o dinheiro iria ajudar a melhorar a educação dos nossos miudos, etc, etc ....é facil de perceber (ainda que seja dificil pagar)!

Mas, se me explicar que o dinheiro que ganho é ilegitimo se não entregar 10% lá na minha seita, pq o pastor diz que tem que ser assim! Assim só?! ......... (Respeito as crenças e 10% até é menos que 30%, mas não lhe vou perceber com tanta naturalidade)

... dai que não entenda como é que, ao não entregar a cesta de Tihaka (que me parece bem simpatico até), um ou tres bovinos, ou então o Nokia 3610 com o pacote inicial, torno "ilegitimo" o apelido das crianças do casamento!!!

Mas acho o debate interessante, e tenho estado a aprender. Não acho que seja intenção de nenhum companheiro aqui da oficina combater o lobolo . Acho sim que pretendemos apenas perceber, porque gera tanto ruido esta peça do nosso "motor" ....

V.I

P.S: Ao anonimo:

"Nao conheco nenhuma mocambicana do sul (africana) que recuse o lobolo."

Diz muito bem, não conhece! (E é até normal...a região Sul não é tao pequena assim!)

"Atee doutoras se submetem a esta pratica secular."

O que faz delas pessoas especiais dignas de tal referencia?

Anónimo disse...

Existe, no norte, a tradiçao de dar aos filhos o apelido do pai? Os dados que tenho dizem que nao! Esta minha afirmacao nao quer dizer que nao existam, mais recentemente, moçambicanos do norte que dao os seus apelidos aos filhos.

Mas se isso está agora a acontecer, nao quer dizer que corresponda à sua tradiçao secular. O seu regime matrilinear dita outras regras para o casamento e para a gestao dos filhos.

Portanto, julgo que as duas realidades, do norte e do sul, nao devem ser comparadas, por serem manifestamente diferentes.

Anónimo disse...

Caro VI, conhece muitas mulheres do sul, educadas no âmbito da cultura bantu, que nao desejem ser loboladas? Nao digo que nao existam em absoluto, mas seu número bem pode ser considerado marginal.

Por mulher do sul nao quero dizer que tenha nascido em Maputo, Gaza ou Inhambane. Regiro-me àquelas cujos pais tenham sido educado no âmbito da cultura da regiao. No caso desta regiao os apelidos, mesmo quando nao registados, ajudam a definir o que eu chamo mulher do sul

Sara disse...

Alguns dos estimados varões que aqui comentam têm uma virtude em comum: tratam de regras como se fossem natureza. Assim, ser mulher do Sul é ser "naturalmente" mulher lobolada, ser mulher africana é ter essa regra ou parecida. Adoram a história sem história e apenas conhecem regras, nunca excepções. O seu ideal histórico é a natureza. Por eu ser africana e bem mais africana do que pensam, devo ser a vossa natureza? E os estimados varões não conseguem disfarçar até um bem pronunciado gosto pelo patriarcado e pelo conservadorismo. Lol, por favor meus senhores!

Esfinge disse...

Mana Sara vejo voce está sozinha. Eu casei com meu homem termos 3 filhos e nem um peixinho pende entrou para pagamento do que no sul chamam lobolo. E quando a gente fez festa de casamento foi festa e não cobrança ou factura.Vivemos felizes sem recibo. Nosso problema mana é que homem sempre nos quer a sua medida, mulher emancipada lhes provoca dores de barriga por isso inventam a tradicão para ser nossa gaiola.

V.I disse...

"Caro VI, conhece muitas mulheres do sul, educadas no âmbito da cultura bantu, que nao desejem ser loboladas?"

[...]

"Por mulher do sul nao quero dizer que tenha nascido em Maputo, Gaza ou Inhambane. Regiro-me àquelas cujos pais tenham sido educado no âmbito da cultura da regiao"

Companheiro Anonimo,

Está bem, agora percebo melhor ao que se refere. Se são muitas (ou não) as que conheco, abrangidas (ou não) pelo seu criterio, depende de quanto é que "muitas' significa.

Mas pronto, como diz, o "número bem pode ser considerado marginal"...!!!

Está bem! Concentremo-nos então no numero não considerado marginal (concluo eu, ja que o outro é que é) das que "desejam ser loboladas"....

A pergunta que faz é interessante. Não sei a resposta, mas lhe pergunto:

Do tal numero, das que "desejam ser loboladas", quantas é que:

1 - Percebem e concordam com os motivos?
2 - Percebem, não concordam, mas acham que devem seguir os costumes?
3 - Não percebem, mas aceitam que assim tenha que ser?

Sejam elas muitas ou poucas, se calhar não seja o numero que no ajudara' a perceber porque é que o lobolo tem de ser como é, ou como tem sido.

V.I

P.S: Ainda quanto a sua pergunta, deixe-me dar um exemplo um pouco la perto. Entao se me perguntar:

"Caro VI, conhece muitos extremistas religiosos, educados no âmbito da cultura terrorrista, que nao desejem ser martires?"

...é (ou deve parecer) obvio que não conheço terrorista algum, assim por dizer! Mas a minha resposta seria :

"Não devem ser muitos, caro anonimo"

Ainda assim, não é o numero que explica porque é que os actos que eles praticam (ou lhes fazem praticar) são como são. Pra quem foi educado numa determinada cultura, em que não haja muito espaco para se questionar o porque de A ou B, parece natural "tal como beber o copo de agua", que a siga, entenda ou não os verdadeiros motivos.

Mawe disse...

Parece me que todos concordam que o lobolo dá uma certa "legitimação".
Eu pensava que o lobolo era uma forma que a família (da noiva) têm de garantir que a sua filha foi entregue em boas mãos, isto é, não passará por necessidades na nova família, uma vez que o homen tem de apresentar uma prova material.
Depois de ter conversado com muita gente e com os vossos comentários fico na dúvida. se se trata de uma mera legitimação (em que não interessa o valor do lobolo, podendo ser uma cexta com thiaka) ou num garante de "estabilidade" da filha, sendo necessário provar por exemplo, com algumas cabeças de gado. Ou perdeu-se a lógica?

Gostaria de ouvir as vossas opiniões.

O senhor professor está de parabens,....este blog é maningue nice.

Carlos Serra disse...

Vamos a ver se alguém responde, Mawe...

Anónimo disse...

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