22 maio 2008

Brasil (25) : Pelotas

Vindo de São Paulo, onde o impessoal me marcou fortemente, Pelotas - que a brasileira Juraci já neste diário gentil e belamente descreveu - ofereceu-me a tactilidade da história, o denso trajecto das coisas passadas-mantidas em quase cada esquina. Filha da arquitectura colonial portuguesa, a cidade encosta o futuro à elegância de percursos múltiplos, o passado de uma agropecuária famosa, o chamado forte dos cavalos e dos cavaleiros.
Cidade pequena embora, é fortemente habitada pelo comércio e por um imenso mundo de venda de quinquilharia. Com alguma atenção, sentimos o apelo ao interior, às casas, ao mobiliário, ao privado, no preciso momento em que coabita com o exterior. Mas cidade universitária também, cheia de estudantes. Cidade, ainda, turística.
E cidade de coisas para mim bem curiosas. Por exemplo, nunca tinha visto tanta farmácia e drogaria em cada esquina, lado a lado. Bem tentei saber a razão do fenómeno, mas debalde. E dizendo farmácia, drogaria, digo também óptica.
Mas o que mais me fascina nesta pequena mas intensa e variada cidade onde o futuro beija o passado nas mãos do presente e onde não vejo gente a dormir nos passeios como em São Paulo? São as carretas puxadas por cavalos, gente do frete e gente da catação de lixo. Cada dia, a cada manhã, os cascos rítmicos dos cavalos entram e ancoram no meu prazer.
E, já agora, cidade das sapatilhas. Acho que nunca vi tanta gente sapatilhar, sapatilhas de todos os tipos, não importa o traje e o período do dia. Por isso as sapatarias-sapatilharias por todo o lado são uma outra característica de Pelotas, a Pelotas famosa pelos seus doces. E Pelotas de um povo gentil, cordial, falador.

3 comentários:

micas disse...

Maravilhosa a imagem que nos deixa dessa cidade

Juraci Vieira Gutierres disse...

Professor boa noite!

O Brasil tem características regionais muito peculiares. O Rio Grande do Sul tem sua raízes culturais com forte influência dos índios Guaranís entre outros, posteriormente mezclada com espanhóis e portugueses.

Certamente o senhor viu além das sapatilhas a bombacha (calça do gaúcho) e o chimarrão costumes, estes comuns aos países da América do Sul.

Um pouco sobre a sapatilha que tanto lhe chamou a atenção.

Sapatilha, alpargatas ou alpercatas - São sapatos feito com lona e solado de corda, sem salto, tipo chileno. As alpargatas eram utilizadas no trabalho rural, nos veraneios e nas casas, como substituto dos chinelos. Hoje são usadas para qualquer ocasião pelos tradicionalistas e pela população urbana em geral.
Como escreveu o pesquisador Fernando Assunção, professor uruguaio, a alpargata, como a boina, foi trazida para a América pelos espanhóis e franceses.
Muitos produtos eram importados para a América do Sul, como ponchos, bombas de chimarrão, fazenda para os chiripás, chaleiras e uma grande lista que vinha da Inglaterra. Entre esses produtos, a alpargata também era importada e vendida por intermédio de representantes daqueles países.
Em 1870 em Buenos Aires o espanhol “Juan Etchegaray ” construiu a primeira fábrica de Alpargata na América.
A lona das Alpargatas vinha da Escócia de uma fábrica de velas para barco e a soga para as solas eram trazidas da Espanha.
O nome alpargata está relacionado com o vocábulo espanhol, “abarca” que quer dizer, pouco aperta. Alpargata também era chamada de “Alpercata”, que quer dizer sandália que se prende ao pé.

O gaúcho junta a poesia, a música, o folclore,a dança, o churrasco e o chimarrão e as pereniza em atividades numa organização que chama de CTG - Centro de Tradições Gaúcha.

Se, por acaso, juntar-se no mínimo tres gaúchos em Moçambique, fundarão um CTG.

Porto Alegre tem um espaço que merece ser visitado: a Casa da Cultura Mário Quintana.

Muito obrigada por visitar o Brasil. Será sempre bem vindo.

Continuarei visitando seu blog e desfrutando do seu conhecimento e sabedoria.

Boa viagem. Um abraço amigo.
Juraci

Carlos Serra disse...

Obrigado, Micas. Obrigado Juraci, pelo esclarecimento.