O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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30 setembro 2014

Pesadelo

"Metade dos animais selvagens da Terra desapareceu em 40 anos" - confira resumo em português aqui e relatório em inglês aqui.

Taxa de lucro político

As igrejas, os curandeiros e os régulos representam três importantes vias no sentido do incremento da taxa de lucro político, permitindo a economia no uso dos aparelhos repressivos estritos. Os gestores do poder estatal têm todo o interesse em assegurar esse incremento, seja indirectamente no caso das igrejas e dos curandeiros, seja directamente no caso dos régulos. As duas primeiras instâncias transferem para entidades sobrenaturais (diabo, espíritos) as causas dos problemas sociais; a segunda, com auxílio dos curandeiros (mas também há régulos-curandeiros), ao mesmo tempo que é um braço do Estado na cobrança de impostos, procura assegurar o respeito pelas tradições e pela ordem costumeira, cumprindo o mesmo papel que o Estado colonial lhe atribuíra.

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (6)

Sexto número da série. Entro no terceiro ponto do sumário proposto aqui, a saber: 3. Multidões como laboratório do líder hipnotizador. A multidão à qual o candidato à dominação estatal se dirige forma-se de várias maneiras. Porém, esse não é ponto central aqui. O ponto central diz respeito à metamorfose sofrida nos comícios pelo candidato à dominação estatal, seja qual for o partido em causa. De pacato cidadão, o candidato passa a pessoa excitada, sobreexcitada, o seu discurso torna-se messiânico, a motricidade corporal não tem perímetro. Ele próprio acredita que é outro. Se não se importam, retomo o tema proximamente.

29 setembro 2014

Tropismo político

Há gente no país a mudar de partido político como quem muda de camisa. Resta saber o que mais pesa na balança do tropismo político: se a fidelidade aos ideais, se a fidelidade aos tachos.

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (5)

Quinto número da série. Entro no segundo ponto do sumário proposto aqui, a saber: 2. Multidões enquanto coleção e molde. O aspirante a líder estatal, o candidato à dominação estatal, tem especial apreço pelas multidões. Uma multidão é sempre uma entidade plural que tem a virtude de apagar as diferenças sociais, com as pessoas transformadas numa coleção amorfa de indivíduos. Perante a coleção imensa de indivíduos expectantes, ansiosos de novidade, o candidato a líder estatal tem um sonho poderoso, sem limites: fazer dela um molde obediente, um receptáculo no qual seja introduzido o conjunto das suas ideias e das suas promessas de tal forma que, no fim do processo, o candidato se convença de que a massa informe já lhe pertence, irá votar nele. Pode ser uma hipótese sensata a de que os candidatos à dominação estatal devem verdadeiramente sentir prazer no molde. No próximo número escreverei sobre o líder hipnotizador.

Para descolonizar e historicizar a "história natural" (6)

Sexto número da sérieOs ventos dos hábitos e dos fixismos epistemológicos continuam a soprar forte neste presente, vindos do passado recorrente, ampliados por circunstâncias actuais. Não poucos de nós, mesmo com verniz académico, sem pestanejar, sustentamos nos mais variados fóruns que - por exemplo - o norte do país é matrilinear e o sul, patrilinear. As entidades étnicas têm cada vez mais força e naturalidade. As pessoas são aí colocadas de forma definitiva, irremediável. Uma das mais admiráveis qualidades de muitos dos seres humanos é, sem dúvida, a de acharem que socialmente as coisas não mudam porque - admirável veneração proverbial - são como são. Descolonizar e historicizar a vida são duas tarefas difíceis.

No "Savana" 1081 de 26/09/2014, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Uma coleção mundial à venda em Maputo na "Escolar Editora"

Aqui aqui. Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato. Abaixo, os rostos dos seis primeiros números, também à venda na "Escolar Editora" em Maputo:

28 setembro 2014

Intacto

Nenhum dos partidos concorrentes, como nenhum dos candidatos presidenciais para as eleições 2014, questiona as estruturas sociais em curso no país. O modo de produção e distribuição manter-se-á intacto, bastando apenas corrigi-lo, melhorá-lo e moralizá-lo.

Documento

Adenda às 15:34: confira o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (48), com data de hoje, aqui.

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (4)

Quarto número da série. Concluo o primeiro ponto do sumário proposto aqui, a saber: 1. O sentido sinestésico da sedução. O que se tem passado com Nyusi da Frelimo, Dhlakama da Renamo e Simango do MDM é um conjunto de "banhos de multidão", é um conjunto de quantidades que os fotógrafos gostam de explorar e mostrar. É neste âmbito que cada candidato julga que as suas multidões significam aceitação, aderência imediata à sua candidatura, é neste sentido que cada candidato fica sensorialmente seduzido e convencido, é neste sentido que estamos perante um exemplar exercício de sinestesia (se há tanta gente aqui é porque me preferem), é neste sentido que se compreende o "já ganhei" dito - desta ou daquela forma, por essas ou outras palavras - pelos candidatos presidenciais, seus porta-vozes, seus admiradores e seus intelectuais orgânicos. Aguarde a continuidade desta série.

A mais difícil

Regras, interditos e punições instalam-se em nós desde que nascemos, tornam-se coisas naturais. Regras, interditos e punições significam medos de todos os tipos, subserviências múltiplas. É por isso que a democracia é a mais difícil das práticas sociais.

Mudanças sociais

As mudanças sociais não ocorrem apenas porque mudamos de ideias e de categorias analíticas, é preciso que as relações de produção e distribuição também mudem. Porém, temos de evitar a visão mecanicista das coisas e ter em conta que muitas vezes ideias e categorias analíticas permanecem apesar de as relações de produção e distribuição terem mudado.

27 setembro 2014

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (3)

Terceiro número da série. Entro no primeiro número do sumário proposto no número anterior, a saber: 1. O sentido sinestésico da sedução. Tomai como referência o parágrafo inicial de um texto inserto no "O País" digital, como segue: "Afonso Dhlakama aterrou no aeroporto de Lichinga, província de Niassa, por volta das 16h20 de ontem e foi recebido por um “banho de multidão” que mal o viu começou a gritar em coro contínuo: “já ganhou!”. Perante a emoção persistente da população, o candidato da Renamo rendeu-se e declarou de viva voz que “estou a ver que em Niassa já ganhei”. Aqui. O que Dhlakama da Renamo terá afirmado de acordo com o "O País", não difere, em substância - sejam quais forem as palavras e os sentidos de cada um -,  daquilo que Filipe Nyusi da Frelimo e Daviz Simango do MDM têm dito. Voltarei a este ponto proximamente.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1081, de 26/09/2014, disponível na íntegra aqui:
Notas: de vez em quando um leitor queixa-se de não conseguir baixar o semanário "Savana" neste diário. Só tem de executar os seguintes três passos: clicar no "Disponível na íntegra aqui" da postagem, a seguir no "Baixar" do programa 4Shared e, a terminar, no "Baixar grátis" também do programa. Por outro lado, de vez em quando também me perguntam por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.
Adenda às 10:50 de 29/09/2014: se não conseguir pelo 4shared, tente aqui.

26 setembro 2014

Sobre violência

Andam por aí pequenos tsunamis de violência política, os quais poderão aumentar de intensidade futuramente. Permitam-me recordar-vos o pequeno texto logo abaixo. Entretanto, em breve estará disponível no mercado mais um número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" com o título "O que é violência social?"

Amanhã neste diário

Estarão à venda hoje em Maputo na "Escolar Editora"

Aqui e aqui. Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato. Abaixo, os rostos dos seis primeiros números, também à venda na Escolar Editora em Maputo:

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (2)

Segundo número da série. Permitam-me organizar melhor as ideias propondo-vos o seguinte sumário com cinco pontos:
1. O sentido cinestésico da sedução
2. Multidões enquanto coleção e molde
3. Multidões como laboratório do líder hipnotizador
4. Crença na adesão votal
5. Espectáculo, euforia e compensação

Riscos de segurança 2014

Confira aqui. Se quiser ampliar as imagens clique sobre elas com o lado esquerdo do rato.

25 setembro 2014

Pesadelo

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato. Agradeço ao PC o envio do texto.
Adenda às 10:08: "Ébola ou a falência moral do capitalismo", título de um trabalho a ler aqui.

O que se passou em Gaza?

De acordo com o "Boletim sobre o Processo Político em Moçambique", "a campanha eleitoral do candidato do MDM, Daviz Simango, foi atacada hoje em Chibuto e ontem em Chowké, Xai-Xai e Macia na província de Gaza." Aqui. Segundo o "Notícias", "o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) queixa-se da alegada tentativa de inviabilização da campanha do seu candidato à eleição presidencial, Daviz Simango, na terça-feira em Xai-Xai, Macia e Chókwè, na província de Gaza, e em Xinavane e Magude, na província de Maputo." Aqui.
Observação: repare-se que no primeiro texto escreveu-se, de forma categórica, que a campanha eleitoral do MDM foi duas vezes atacada na província de Gaza e que no segundo escreveu-se, com tom problemático, que o MDM se queixa de uma alegada tentativa de inviabilização da campanha. Enquanto isso, leia o que afirmou o chefe do gabinete eleitoral desse partido em Maputo, aqui. Finalmente, nas redes sociais, designadamente no Facebook, a violência sofrida pelo MDM tem sido largamente comentada e condenada.
Adenda às 05:15 de 26/07/2014: intervenção do presidente da Comissão Nacional de Eleições, aqui.

Cartazes 2014: a guerra das trincheiras políticas em Moçambique (7)

Sétimo número da série. Entro no sexto e último ponto do sumário proposto aqui6. Trincheiras políticas, conflito e Estado. Os cartazes são certamente muitas coisas, entre físicas e simbólicas, todas gerando determinados tipos de comportamentos. Mas são, especialmente, trincheiras políticas, destinadas a perturbar o acesso dos adversários. Adversários em que sentido? No sentido do conflito mais clássico, mais duro, mais implacável, o conflito pela posse do Estado. A cidade de Maputo, por exemplo, é, hoje, um imenso mar de cartazes, colocados em todo o lado, de forma massiva. Em cada cartaz viaja o desejo do controlo do Estado e de tudo o que ele possibilita em termos de recursos de vida, poder e prestígio.

24 setembro 2014

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (1)

As multidões são uma palavra querida e axiomática no vocabulário político dos candidatos presidenciais e seus partidos. Nenhum deles consegue vencer os adversários na veemência com que reclama a espessura, a densidade, a enormidade das suas multidões.

Não há tolerância na sexta

Leia um comunicado de imprensa do Ministério do Trabalho na página do jornalista António Zefanias no Facebookaqui.

Falsos medicamentos: 25 mais rentáveis do que o tráfico de droga

No "Notícias" de hoje: "A Organização Mundial das Alfândegas (OMA) anunciou esta semana a apreensão de 113 milhões de medicamentos falsificados, maioritariamente provenientes da Índia e China, numa mega-operação realizada este ano em 14 países africanos, incluindo Moçambique, noticiou a Agência Lusa." Aqui.
Adenda: "Os falsos medicamentos são 25 vezes mais rentáveis do que o tráfico de droga" - título de um trabalho em francês, reportando a mesma notícia, a conferir aqui. (agradeço ao RC o envio da referência)
Adenda 2 às 05:41: estude trabalhos sobre contrafacção de medicamentos aqui.

Negócios em Moçambique

Cabeçalhos das últimas notícias do Africa Intelligence sobre o mundo de negócios em Moçambique, aqui.

Brevemente à venda em Maputo

Aqui. Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato.

23 setembro 2014

Três partidos convivendo no Goto

Bandeiras e imagens dos candidatos da Frelimo, da Renamo e do MDM convivendo nas bancas do mercado informal do Tchungamoyo do Goto na cidade da Beira, foto inserta no Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (46), editado por Joseph Hanlon, com data de hoje. O primeiro parágrafo do boletim é este: "Este ano, a campanha eleitoral tem sido pacífica e com menos casos de ilícitos eleitorais se comparado com os outros processos eleitorais, segundo relatos de 110 dos nossos correspondentes em todo o país. Prevalece a tolerância política. O cruzamento entre as caravanas tem sido marcado pela ausência de violência. Há registo de menos casos de uso de bens de Estado e vandalização de material propagandístico. Os partidos políticos têm estado a mostrar uma certa maturidade no que concerne ao cumprimento dos ditames da lei eleitoral. Apesar disso, tem-se reportado alguns incidentes de atropelo a lei eleitoral que de certa forma deixam uma pequena nódoa".

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões

Cartazes 2014: a guerra das trincheiras políticas em Moçambique (6)

Sexto número da série. Entro no quinto ponto do sumário proposto aqui5. Jovens, crianças e jogo. Os cartazes são produto de cálculo, programação e marketing. Um cartaz destina-se a seduzir eleitores potenciais. Os afixadores de cartazes tudo farão para que eles ocupem o máximo de visibilidade. Mas ao que é programado junta-se o aleatório e o lúdico a cargo de jovens e crianças. Este devem jogar um papel importante por exemplo no jogo do arranca o dele e cola o nosso. À seriedade dos propósitos políticos dos adultos adicionam jovens e crianças a brincadeira e o vence das pugnas de rua. As suas regras de jogo são outras.

22 setembro 2014

Eleições 2014 em Moçambique: das promessas à autopromoção

Este é um pequeno trabalho que versa sobre as promessas e sobre a autopromoção dos candidatos presidenciais e seus partidos na campanha eleitoral em curso no país.
As promessas oferecem aos eleitores potenciais o perfume das possibilidades, a subversão das rotinas, grandiosos sonhos tão mais apetecidos quão mais pequenas, pobres e distantes das modernidades urbanas forem as terras.
As autopromoções políticas dão às promessas o selo de uma garantia gnómica, dotando os seus autores da característica fantástica dos obreiros das parúsias.
Se estivermos atentos às descrições do que têm dito líderes e porta-vozes partidários, veremos que tudo se promete, desde água e energia a empregos, desde empregos a hospitais e escolas de boa qualidade, de hospitais e escolas de boa qualidade ao funcionamento racional do Estado, do funcionamento racional do Estado à redistribuição da riqueza.
Aqui e acolá, os adversários são duramente atacados e acusados de prometer o que não podem cumprir. Mas as promessas desfilam, em todos os partidos, como rios impetuosos que saltaram fora das margens e penetram sem freios nos ouvidos e nas almas das multidões.
Desses rios impetuosos faz também parte, a todos os níveis, a autopromoção política. Os candidatos vão asseverando às multidões sequiosas de novidade e mudança que são os únicos conhecedores do desenvolvimento, os únicos que dispõem de maturidade, das chaves da boa governação, dos segredos do futuro, os únicos capazes de fazer a gestão transparente do Estado, de gerir a unidade nacional, os únicos, enfim, preparados para tornar o povo feliz e acabar com a malevolência, a miséria e a intranquilidade.
Promessas e autopromoções que, nestas quintas eleições gerais de Moçambique, talvez sejam bem mais constantes, profusas e partilhadas por todos os partidos do que nas eleições anteriores, num forte ambiente de propaganda e captação de crença que vai do porta-a-porta aos cultos religiosos, procurando abarcar todos os poros sociais do país.

No "Savana" 1080 de 19/09/2014, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Lei do grupo

Num dos seus livros, Michel de Certeau escreveu que o conflito é inerente à vida social e que toda a sociedade se define pelo que exclui, que toda a sociedade se forma diferenciando-se. Formar um grupo é criar, ao mesmo tempo, estrangeiros. Uma estrutura bipolar, essencial a toda a sociedade, cria um "fora" para que exista um "entre nós"; fronteiras, para que possa existir um país interior; "outros" para que o "nós" possa tomar forma. Temos assim uma lei, a lei do grupo - asseverou Michel - que é, também, um princípio de eliminação e de intolerância. União e diferenciação crescem e marcham a par.

21 setembro 2014

Eleições 2014 em Moçambique: das promessas à autopromoção

Para descolonizar e historicizar a "história natural" (5)

Quinto número da série. No número anterior escrevi que quando chegámos à independência nacional em 1975 a visão, a concepção que existia era a de que Moçambique era um conjunto de tribos de costumes ancestrais, imutáveis. Por outras palavras: uma parte da natureza. No fundo, uma extensão da teoria de Hegel. O questionamento dessa visão colonial não evitou a herança e a manutenção de parte dela. Um exemplo claro é o colocação ao mesmo nível natural de búfalos e de máscaras de Mapiko. Um outro exemplo é, aos mais variados níveis, a naturalização zoologizante das entidades étnicas.

Cartazes 2014: a guerra das trincheiras políticas em Moçambique (5)

Quinto número da série. Entro no quarto ponto do sumário proposto aqui4. A luta pelos espaços vitais. A cidade de Maputo, por exemplo, transformou-se numa autêntica luta por espaços vitais partidários. Cada partido procura que uma acácia, um muro, um carro, um poste de iluminação, um posto de transformação da EDM - não importa afinal o quê - seja uma espécie de órgão respiratório privativo, habitado pelos seus cartazes de propaganda, visualmente apreensível de imediato. A luta que diariamente se trava para ocupar mais espaços vitais e/ou para destruir a visibilidade dos espaços adversários mostra a força da colonização política do espaço urbano de Maputo. É como se estivessemos perante uma adaptação local das teorias de Ratzel.

20 setembro 2014

Duas perguntas fundamentais

1. Que tipo de sociedade queremos?
2. Que tipo de ciências sociais precisamos?

Partidos e Facebook

Frelimo, Renamo e MDM continuam a tentar facebookar as suas mensagens. A página do primeiro partido está agora mais activa aqui, mais interveniente desde que há dias fiz o ponto de situação, aqui. A da Renamo está desactualizado e pobre, aqui. Activa permanece a página do MDM, com muita ilustração fotográfica, actualizada permanentemente, aqui.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1080, de 19/09/2014, disponível na íntegra aqui:
Notas: de vez em quando um leitor queixa-se de não conseguir baixar o semanário "Savana" neste diário. Só tem de executar os seguintes três passos: clicar no "Disponível na íntegra aqui" da postagem, a seguir no "Baixar" do programa 4Shared e, a terminar, no "Baixar grátis" também do programa. Por outro lado, de vez em quando também me perguntam por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

19 setembro 2014

Amanhã neste diário

Dois jornais de Nampula, dois prismas

Amplie as imagens clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

"O que é saúde mental?" foi lançado ontem

Com a presença do Magnífico Reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Prof. Doutor Orlando Quilambo, o número "O que é saúde mental?", da coleção "Cadernos de Ciências Sociais", da Escolar Editora, foi ontem lançado, ao fim da tarde, no Complexo Pedagógico da UEM, na cidade de Maputo, no âmbito da Conferência de Investigação daquela universidade e do II Congresso Nacional de Psicologia e Psicoterapia. Após uma breve apresentação da coleção pelo coordenador, o médico Eugénio Zacarias contextualizou a saúde mental, o psicólogo Bóia Júnior e o antropólogo Narciso Mahumana (co-autores do número, a psicóloga brasileira Jaqueline de Jesus não pôde estar presente) sintetizaram o que escreveram e, finalmente, a doutoranda brasileira Clélia Prestes comentou o tema e as intervenções. No tocante a membros do fórum de autores da coleção, além de Eugénio Zacarias, Bóia Júnior e Narciso Mahumana, estiveram também presentes Júlio Carrilho (arquitecto), Teresa Manjate (linguista), Bento Sitoe (linguista e escritor) e Almiro Lobo (docente de literatura). Seguem-se alguma imagens alusivas: