13 dezembro 2006

Frelimo e operário-camponeses

Importe e leia um texto do sociólogo Honório Massuanganhe no portal da Unidade de Diagnóstico Social.

4 comentários:

Anónimo disse...

1) «chegaram constatações segundo as quais o partido já não é mais dos operários–camponeses». Cosntatações? Por parte de quem? Como foram construídas? Como chegaram?

2) «Se hoje tivéssemos que tomar o conceito de classe operária tal qual Karl Marx o concebeu, isso nos levaria inevitavelmente ao erro, pois os valores da classe operária mudaram».
Que dizia mesmo Marx?! Que valores mudaram?

3) «Karl Marx não previu é que os valores que sustentavam a luta dos operários poderiam mudar. Como de facto mudaram. Nem todos os operários se identificam com a classe dos operários».
Leitura estranha de Marx. E Lénine (e Gramsci)sobre o papel do partido? E Fanon sobre o campesinato? E tantos outros...

4) «Ainda hoje existem homens de estranha sabedoria que continuam a acusar sem escrúpulos o partido Frelimo de ser o partido dos operários e dos camponeses e, pior ainda, de ser um partido comunista, marxista»
Estranha sabedoria? acusar? o que haverá por trás dessas «acusações»? o que estará efectivamente em causa?

5) «A abertura das portas do país às instituições de Bretton Woods (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional) retirou a centralidade ao operário e ao camponês como agentes do desenvolvimento. Em cena entrou um novo actor, que tem sido privilegiado como arquitecto indispensável e absoluto do desenvolvimento, o economista»
O que significará ser «agente de desenvolvimento»?

5) «Alguns camponeses foram transformados em comerciantes, devido à profunda monetarização da vida do campo».
Onde? Como? Porquê? Que significa para as suas vidas?

6) «O movimento operário-camponês, enquanto força político-revolucionária nunca foi endógeno, pelo menos em África»
Tanto se tem escrito sobre os movimetos de revolta de operários e camponeses em Moçambique, até sobre o seu contributo para a luta de libertação. Tantas lutas que se desenvolvem actualmente...
E o que significará ser «endógeno»

7) «que o desenvolvimento acelerado da indústria da cibernética e da agricultura maquinizada estão a pôr em risco a existência dos operários e do camponeses»
Falamos de Moçambique?

Carlos Serra disse...

Com a sua permissão, passarei os seus comentários para o portal da unidade, lá onde Honório lhe poderá responder.

honorio disse...

Antes de mais quero agradecer a pertinência e a clareza das questões que me foram colocadas. No entanto me sinto na obrigação de esclarecer as motivaçoões do texto. Tomei a decisão de escrever o texto, motivado pelos artigos publicados nos diversos jornais e na internet, que faziam comentarios sobre a presença insignificante dos operarios - camponeses no último congresso da Frelimo.
Devo admitir, que ao elaborar o texto não me preocupei demasiadamente com aspectos "cientificos" da minha argumentação, pretendi levantar alguns pontos de reflexão, com uma sustentação bibliografica basica, para que o convinte a reflexão não
fosse de senso comum. Em relação as questões de ordem conceitual, procurarei conferir lhes melhor precisão na proxima versão.
Não sou partidario do cientificismo, porém odeio as simplificações do senso comum.
Fujo dos adestramentos e agenciamentos do mundo "cientificista".
Para finalizar, prometo fazer as devidas alterações no texto original, por forma a responder as tuas inestimaveis contribuições.
Aguardo pelo seu comentario assim que o texto revisto estiver on line, obrigado.

Carlos Serra disse...

Honorio, tb passei a sua resposta para o portal da UDS.