16 novembro 2006

Coisa má e coisa boa

Todos nós ou quase todos nós temos sempre à mão um termómetro normativo com o qual instintivamente avaliamos a temperatura moral dos fenómenos. À partida as coisas são invariavelmente boas ou más. À partida e à chegada.
O crime, por exemplo, é uma coisa má para nós, os que não somos criminosos. Mas se formos criminosos o crime é uma coisa boa.
Consoante o nosso grupo, a nossa prática social, o nosso ângulo de visão, assim rotulamos normativamente os fenómenos.

4 comentários:

Anónimo disse...

Ouvi crime e ocorreu-me prostituicao, que me parece anda sempre num limbo, entre o ser crime ou nao ser...

Socialmente e moralmente, creio que a prostituicao e constantemente atacada, como um mal. As sociedades escolhem, claro, se a condenam como crime ou nao.

Fica a minha duvida. Se a sociedade condena; muitas prostitutas tambem dizem que nao querem ficar nessa vida para sempre, portanto nao a veem como uma coisa boa; e nao oico muitos clientes falarem que seja bom, alias, na sua cobardia ate poderam ser os que mais condenam a practica e advoguem a sua criminalizacao... Sera possivel, entao, que em vez de as vezes se classificar algo como bom ou mau (a boa maneira estruturalista) se concorde no significado moral, mas dependendo dos grupos a que pertence os beneficios sejam diferentes e logo 'mais bom' ou 'menos bom', ou ainda 'mais mau' ou 'menos mau'?

Carlos Serra disse...

Os significados morais, a diferenciação entre o que é e não é moral, os símbolos de prestígio ou de estigma, as socializações por esses carris, etc., todo um mundo de imputação social vasto e difícil! A este propósito, o "Estigma" de Erving Goffman continua a ser, para mim, um clássico.

Fátima Ribeiro disse...

Boa também a peça "As filhas da Nora", do Mutumbela Gogo, para ilustrar a questão.

Carlos Serra disse...

Sim, tem razão!