25 novembro 2006

Século XVI: os presentes para a rainha

Data de 1506 o que parece ter sido, na história colonial de Moçambique, a primeira notícia sistemática de presentes ou saguates dados a "uma rainha cafre mulher de um rei cafre que confina com a terra dos cafres (provavelmente Muenemutapua, C.S.), consistindo no seguinte: uma camisa branca de algodão, um ramal de corais, um de alamares, três ramais de estanho, uma "bacia de barbeiro" e uma "bacia de mijar" (sic).
Recorde-se que os Portugueses se fixaram no nosso País em 1505, construindo uma feitoria-fortaleza no litoral de Sofala.
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Anhaia, Pero de, Mandato de Pero de Anhaia, capitão-mor de Sofala aos contadores de El-Rei (1506), in Documentos sobre os Portugueses em Moçambique e na África Central, vol. I, 31 de Janeiro, p.384.

5 comentários:

Anónimo disse...

Ahhhhhhh! Bacia de mijar para rainha???

Anónimo disse...

Eh rainha nao tem direito de mijar?
JAR

Carlos Serra disse...

Infelizmente para a causa dos grandes enigmas históricos, não disponho de testemunhos para mostrar quer as razões dos Portugueses para oferecer semelhante presente, quer as reacções da rainha.

Fátima Ribeiro disse...

Quando estudante em Portugal, fiz parte de um pequeno grupo multidisciplinar constituído por alunos e professores da minha faculdade para estudar em diferentes perspectivas os séculos XVI e XVII da História da Expansão Portuguesa. Sendo eu de um curso de Línguas e Literaturas, coube-me o tema “A língua e o império”, rapidamente alterado para “Diferentes formas de comunicação entre portugueses e gentes outras”. Era tão vasto que, de redução em redução, acabou por se cingir a “O dom e a dádiva na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto”. Mesmo assim, a riqueza era tanta que não consegui ir além de uma primeira abordagem das fontes: quem oferece, o quê, a quem, em que circunstâncias, com que objectivo, quem transporta o presente, como é recebido, que efeito provoca, que merece em troca, enfim, todo um manancial de questões significativas a explorar e interpretar. Há algum estudo desses – do presente como forma e meio de comunicação – feito para o caso de Moçambique nos textos daquela época?

Carlos Serra disse...

Absolutamente não, Fátima. Textos do século XVI ao XVIII foram estudados por poucos aqui, no tempo do Alexande e da Manuela Lobato. E eu passei anos a estudá-los e amá-los. Obras como a de Pinto são excelentes para esse tipo de estudos.