27 janeiro 2009

Blogosfera: podemos desparoquializar

Somos ainda um país muito paroquial em termos de aproveitamento das múltiplas vantagens que a internet - e em particular, a blogosfera - nos dá ou nos pode dar. Criamos blogues (talvez haja cerca de 200 no país), discutimos as nossas ideias, mas tudo ainda muito caseiro. Ou porque não queremos ou porque não sabemos como proceder (sem excluir outras razões), não colocamos os nossos produtos à prova em net-hospedeiros de renome, não procuramos internacionalizar a nossa moçambicanidade, o que escrevemos, os nossos blogues, sejam estes confessionais ou científicos. Veja-se, por exemplo, o que acontece no mais famoso hospedeiro, no mais extenso directório de blogues do continente: o afrigator, com 5483 blogues registados. Só a África do Sul tem aí, até ao momento em que escrevo, 2693 blogues, a Nigéria 721, o resto de África...575. Mas o Zimbabwe tem 48. Por conta do nosso país há 13 e nem todos são realmente moçambicanos. O segundo exemplo, este de natureza intercontinental, é o do BOBs, onde, com 14114 blogues registados até ao momento em que escrevo, creio não serem mais do que quatro os que lá estão registados. Deixem-me propor-vos uma coisa: inscrevam os vossos blogues nos dois hospedeiros indicados (ou em outros), internacionalizem-nos.

Partilha de poder no Zimbawe: acordo conseguido?

Através de um despacho do jornalista João de Brito Langa directamente de Pretória, a Rádio Moçambique reportou no seu noticiário das 9 horas que um acordo foi alcançado às 5 horas da manhã no tocante à partilha de poder no Zimbabwe. Como presidente ficará Robert Mugabe, como primeiro-ministro Morgan Tsvangirai e como vice-primeiro-ministro, Arthur Mutambara. A tomada de posse será a 11 de Fevereiro. Logo que puder, darei mais pormenores.
Adenda 1 às 11:06: entretanto, leia uma posição do MDC-T dada a conhecer logo a seguir ao comunicado do acordo. Aqui. Mais em concreto: o MDC-T afirmou que não houve acordo de partilha de poder. Leia aqui.
Adenda 2 às 12:07: parece mesmo que as coisas não são tão ridentes quanto a descrição de Brito Langa deu a entender. Confira aqui e aqui. Entretanto, não consigo abrir o The Herald do Zimbabwe.
Adenda 3 às 12:34: citado pela Rádio Moçambique, o presidente Armando Guebuza afirmou que a SADC conseguiu vencer o impasse, mas que estava consciente das dificuldades que poderiam surgir na implementação do acordo (noticiário das 12:30).

Nada de novo em Pretória

Não há ainda resultados da cimeira de Pretória concernente a um acordo sobre a partilha de poder no Zimbabwe. Mas o Botswana exige agora uma investigação sobre as reais questões que impedem o acordo. Enquanto isso, a polícia sul-africana fez uso de balas de borracha para travar uma manifestação de cerca de 600 pessoas do movimento Save Zimbabwe Now que se manifestavam junto ao edifício onde se realizava a cimeira. O jornal oficioso do Zimbabwe, The Herald, tem a manifestação como manchete, referindo serem cerca de mil as pessoas em protesto e atribuindo ao MDC-T a iniciativa. Os manifestantes queriam confrontar-se com Robert Mugabe. Finalmente, segundo o "Notícias", pode acontecer que, em caso de fracasso negocial, a SADC transfira o problema para a União Africana.

26 janeiro 2009

Mugabe formará governo com ou sem Tsvangirai


Haja ou não acordo, Robert Mugabe formará um governo depois da cimeira de Pretória com ou sem Tsvangirai, integrando 15 ministros e 8 vice-ministros da ZANU-PF - declarou o ministro da Informação Bright Matonga em entrevista à SA FM da África do Sul, citado pelo Zimbabwe Situation. Confira aqui.
Adenda 1: entretanto, saiba aqui o que a União Europeia tenciona fazer em relação às companhias controladas por John Bredenkamp, um furão no Zimbabwe. Sobre esse senhor, recordar postagens minhas aqui e aqui.
Adenda 2 às 23:34: no último jornal de hoje da Rádio Moçambique, o jornalista João de Brito Langa disse que no seu discurso de abertura o presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe, afirmou estar optimista no que concerne a um acordo para o impasse político no Zimbabwe. O encontro começou às 15 horas e terminará amanhã de madrugada.

Phandu Skelemani sobre Zimbabwe e Mugabe

Enquanto vamos aguardando pelos resultados da cimeira extraordinária da SADC sobre a partilha de poder no Zimbabwe, sugiro-vos que leiam aqui uma entrevista dada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Botswana, Phandu Skelemani (na imagem)- crítico do regime de Mugabe -, à SW Radio Africa. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência.

Linchado na Munhava/Beira (12 vítimas de linchamento este ano a nível nacional)


Segundo o jornalista Francisco Raiva do jornal "O País", um indivíduo, de nome Manuel Macucha, foi linchado na madrugada de ontem no populoso bairro da Munhava, periferia da cidade da Beira, quando tentava entrar numa casa. O jornalista escreveu que esse é o quinto caso registado este ano na cidade da Beira. E acrescentou: "No ano passado, 15 pessoas morreram, na Beira, vítimas de linchamentos, e outras 48 escaparam graças à rápida intervenção policial. Maior parte dos casos foi registado no bairro da Munhava."
Eu tinha apenas conhecimento de um linchamento na Beira. Agora o Francisco Raiva refere cinco. Pedi a Arune Valy, jornalista da Rádio Moçambique, mais detalhes. Esse jornalista foi à polícia, que confirmou o número avançado por Raiva.
Então, com a correcção a fazer ao que escrevi em postagem anterior - sete vítimas -, temos este ano, já, 11 vítimas por acusação de roubo, todas por espancamento e nos casos publicamente reportados. Um número alarmante. Recorde aqui. Entretanto, temos uma vítima por acusação de feitiçaria, que foi queimada. Recorde aqui. Leia o livro abaixo (clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar) a propósito dos linchamentos por acusação de roubo ou de estupro. Um segundo livro sairá este ano, dedicado aos linchamentos por acusação de feitiçaria.
Nota: nem o "Notícias" nem a Rádio Moçambique - ambos costumam estar atentos ao fenómeno - reportaram anteriormente a existência de cinco linchamentos na periferia da cidade da Beira.

Problemas eleitorais: CNE e AWEPA

Segundo o "O País", "A Comissão Nacional de Eleições (CNE) ficou onfendida com as críticas da organização dos parlamentares europeus para África (AWEPA), referentes aos diferentes erros cometidos pelos órgãos de administração eleitoral na organização das terceiras eleições autárquicas." Entretanto, leia aqui uma resposta de Joseph Hanlon com o título Moving from secrecy to transparency.

Começou novo ano chinês: e em Moçambique?

De ontem para hoje começou o novo ano chinês - 4074, creio -, um novo ano para um quinto da humanidade. Terminou o Ano do Rato e começou o Ano do Boi, estendendo-se o novo ano até 14 de Janeiro de 2010, a partir de quando começará o Ano do Tigre. Tivemos importantes comunidades chinesas (Beira e Maputo) em Moçambique. Elas parecem estar a reconstituir-se. Como assinalaram a efeméride? E por que razão a nossa imprensa não lhe fez referência? Parabéns aos Chineses! Entretanto, confira aqui, aqui e aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, que me lembrou a data.

O "The Herald" e a cimeira da SADC


O jornal oficioso zimbabweano The Herald tem hoje como manchete a cimeira extraordinária da SADC. Como habitualmente, na leitura do jornal, Robert Mugabe (na imagem) e ZANU-PF são razoáveis e Tsvangirai e o MDC-T são os eternos renitentes perniciosos que não querem aceitar propostas razoáveis por estarem ao serviço de interesses estrangeiros (dos hard-liners). Inclusivamente, o presidente do MDC-T surge dizendo a Robert Mugabe que estava sob pressão dos hard-liners. E, afinal, tudo é bastante fácil de resolver, segundo o jornal: basta assinar o acordo, Mugabe fica presidente, Tsvangirai primeiro-ministro e Mutambara vice-primeiro-ministro. Os gabinetes seriam designados depois.

Ainda sobre a cabra detida na Nigéria

Ainda a propósito da cabra (na imagem) detida na Nigéria suspeita de ser um ladrão magicamente disfarçado - notícia neste blogue anteontem -, o ganense David Ajaio faz no seu blogue um retrato da polícia nigeriana. Escreve, por exemplo, o seguinte: "A polícia nigeriana não se preocupa com os direitos humanos. Ela é a lei". Confira aqui. E aqui no Vanguard.

Arthumas e Mpanda Nkwua

A empresa norueguesa Arthumas parece ter reduzido o seu interesse pela prospecção de petróleo em Moçambique e na Tanzania. Enquanto isso, há dificuldades para obter financiamento destinado à construção da barragem de Mpanda Nkwua.
Nota: ambas as coisas podem ter a ver com a crise financeira internacional. Recorde aqui, aqui e aqui.
Correcção: um leitor escreveu-me dizendo que a Arthumas é canadiana, ainda que registada na Noruega. Confira aqui. Obrigado ao TS.
Observação: o Ricardo, meu correspondente em Paris, foi ao google e verificou que a Arthumas tem escritório em Maputo: Moçambique Office, Artumas Moçambique Petróleo Limitada, Rua António José De Almeida - 227, Sommerschield Maputo, Moçambique, Telefone: (258) 21 484 005.

Cartoons (a propósito da cimeira da SADC hoje)



A propósito da cimeira extraordinária da SADC hoje em Pretória, confira esses e outros cartoons neste famoso portal sul-africano, aqui. Clique com o lado esquerdo do rato sobre as imagens para as ampliar.

Manhiça: assaltam esquadra e roubam armas

De acordo com o "Notícias" de hoje: "Um grupo de indivíduos ainda desconhecidos e em número não especificado assaltou, na noite de sábado, a esquadra da policial da Maragra, no distrito da Manhiça, província do Maputo, roubando armas de fogo e as respectivas munições."
Observação: o último assalto a uma esquadra policial registou-se a 14 de Dezembro de 2008, na Matola.

25 janeiro 2009

O que fará a SADC amanhã?

Amanhã há, na África do Sul, uma cimeira extraordinária da SADC para discutir o fracasso do acordo de partilha de poder no Zimbabwe. Estamos num momento da história em que já será um insulto ao povo do Zimbabwe ver a SADC pedir, uma vez mais, que as negociações prossigam até se atingir um entendimento. Por outras palavras: esperar que caiam frutos maduros da árvore diplomática de Thabo Mbeki. Nem Mugabe nem a ZANU-PF abdicarão do que quer que seja se a SADC não for, finalmente, firme. Enquanto isso, os países vizinhos do Zimbabwe vão recebendo todos os dias gente que emigra, trazendo para nós, sem qualquer culpa, as sementes de ventos que podem ser indesejáveis no futuro.
Entretanto, leia aqui um trabalho de Tanonoka Whande (na imagem), que fala em "acção real".

Patronagem e clientelismo políticos

Quando reflectimos sobre o Zimbabwe e, em particular, sobre a capacidade de Mugabe e da ZANU-PF gerirem frequentemente a seu favor certos tipos de apoios e certos tipos de concessões, temos tido pouco em conta a estrutura de patronagem e de clientelismo políticos eventualmente conseguida através de múltiplas redes. Por exemplo, leia este trabalho aqui, datado de Dezembro do ano passado.
Adenda: entretanto, reentremos um pouco no Zimbabwe. Mas, também, nas migrações provocadas pelos conflitos. Confira aqui.

Órgãos autárquicos paralelos no Centro e Norte: garante Afonso Dhlakama

Em conferência de imprensa na cidade de Nampula, o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama - na imagem -, afirmou que o seu partido vai instalar órgãos autárquicos paralelos no centro e norte do país. O processo poderá começar em Nacala-Porto caso aí se registe fraude, asseverou, acrescentando que os resultados oficiais sobre os vencedores das eleições autárquicas de 19 de Novembro do ano passado foram "uma brincadeira" (sic). O presidente da Renamo, que vai apoiar a campanha política de Manuel dos Santos na segunda volta das presidenciais autárquicas de Nacala-Porto, afirmou ainda que estará em Nampula por um longo período para - garantiu - explicar aos habitante da província o estágio actual da democracia no país (Rádio Moçambique, noticiário das 12:30). Foto reproduzida daqui.
Adenda 1: é evidente que Dhlakama começou mais cedo e pessoalmente a pré-campanha política do seu partido para as presidenciais e legislativas deste ano. E começou justamente no maior círculo eleitoral do país. Presumo que vamos ter uma luta política aguerrida, bem aguerrida.
Adenda 2 às 19:07: vamos agora ver quem a Frelimo vai colocar em Nacala-Velha para apoiar Chale Ossufo. Certamente um dirigente-chave. Tenho a vaga sensação de que a história do nosso país terá coisas novas a partir do fim deste ano.
Adenda 3 às 20:40: a STV apresentou no seu noticiário das 20 horas imagens de uma multidão aguardando Afonso Dhlakama em Nampula.
Adenda 4 às 22:58: por que razão Dhlakama está em Nampula? Lembremos alguns resultados das presidenciais e legislativas de 2004: presidenciais - 49.8% dos votos para Guebuza, 44% para Dhlakama; legislativas - 27 assentos para a Frelimo, 23 para a Renamo. E porque prevejo que, depois, o presidente da Renamo irá ao segundo maior círculo eleitoral do país, Zambézia, recordo também aqui os resultados: 37.5% para Guebuza, 56.8% para Dhlakama; legislativas: 19 assentos para a Frelimo, 29 para a Renamo.

Amanhã: SADC analisa impasse no Zimbabwe

De acordo com a Rádio Moçambique, os membros da SADC reúnem-se amanhã em Pretória, África do Sul para, uma vez mais, em sessão extraordinária, analisarem um relatório sobre o impasse na implementação do acordo de partilha de poder no Zimbabwe. Presente estará o nosso presidente, Armando Guebuza (noticiário das 12:30).

Zimbabwe: anatomia da cólera

Continua grave a situação no Zimbabwe no concernente à epidemia de cólera, epidemia cujo surgimento o regime de Harare atribuiu ao Ocidente. Creio ser oportuno referir um trabalho que procura fazer a anatomia da doença e explicar como ela data, afinal, de 2006. Confira aqui.

24 janeiro 2009

Zimbabwe: duas bloguistas

Convido-vos a visitar duas bloguistas do Zimbabwe: Natasha Msonza (à esquerda) e Moreblessing Mbire (direita). Nenhuma delas encara a realidade política do seu país com ambiguidade.

Viajar na vida, vidar na viagem

Aperitive o blogue - com o título em epígrafe - que a Yla e eu estamos a tentar costurar a propósito de viagens, de fotos sensoriais, de empatia cultural. Aqui.

Nigéria: detida cabra suspeita de ser ladrão disfarçado

Uma cabra encontra-se sob custódia policial na Nigéria, acusada por um grupo de vigilantes de ser um ladrão magicamente disfarçado que tentara roubar uma viatura Madza 323. As autoridades policiais aguardam por comprovação científica. Obrigado ao Raúl Chambote pelo envio da referência através do mural de recados situado no lado direito deste diário.

No fio da navalha: Africanos à busca da Europa (3)







Eis o fim da série, com a foto do topo mostrando um imigrante africano seguindo com atenção um programa de televisão dedicado a Barack Obama, presidente dos Estados Unidos.
Abandonando as suas terras natais, dezenas de milhar de Africanos - homens, mulheres e crianças -, tentam todos os anos, em meio a múltiplos perigos, chegar à Europa à procura de refúgio, de asilo e de emprego. Muitos percorrem milhares de quilómetros para, depois, de candongueiro em cadongueiro, de malandro em malandro, serem colocados em barcos e atingirem as Ilhas Canárias ou a pequena Malta. Muitos não sobrevivem às viagens. Fotos reproduzidas com a devida vénia daqui. Obrigado ao Ricardo - meu abnegado correspondente em Paris - pelo envio da referência, Ricardo que me perguntou quando os fotógrafos moçambicanos fazem o mesmo trabalho em relação aos refugiados zimbabweanos.
(fim)

No fio da navalha: Africanos à busca da Europa (2)






Abandonando as suas terras natais, dezenas de milhar de Africanos - homens, mulheres e crianças -, tentam todos os anos, em meio a múltiplos perigos, chegar à Europa à procura de refúgio, de asilo e de emprego. Muitos percorrem milhares de quilómetros para, depois, de candongueiro em cadongueiro, de malandro em malandro, serem colocados em barcos e atingirem as Ilhas Canárias ou a pequena Malta. Muitos não sobrevivem às viagens. Esta é uma série a eles dedicada. Quando a terminar, revelo o portal de onde as fotos foram reproduzidas de um excepcional colecção de 34. Obrigado ao Ricardo - meu abnegado correspondente em Paris - pelo envio da referência, Ricardo que me perguntou quando os fotógrafos moçambicanos fazem o mesmo trabalho em relação aos refugiados zimbabweanos.
(continua)

No fio da navalha: Africanos à busca da Europa (1)





Abandonando as suas terras natais, dezenas de milhar de Africanos - homens, mulheres e crianças -, tentam todos os anos, em meio a múltiplos perigos, chegar à Europa à procura de refúgio, de asilo e de emprego. Muitos percorrem milhares de quilómetros para, depois, de candongueiro em cadongueiro, de malandro em malandro, serem colocados em barcos e atingirem as Ilhas Canárias ou a pequena Malta. Muitos não sobrevivem às viagens. Esta é uma série a eles dedicada. Quando a terminar, revelo o portal de onde as fotos foram reproduzidas de um excepcional colecção de 34. Obrigado ao Ricardo - meu abnegado correspondente em Paris - pelo envio da referência, Ricardo que me perguntou quando os fotógrafos moçambicanos fazem o mesmo trabalho em relação aos refugiados zimbabweanos.
(continua)

Coleccionismo de pacotes de açúcar

A Diana Bernardo e a Filipa Figueiredo escreveram-me dizendo que encontraram este diário na internet. Como estudantes finalistas do curso de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e no âmbito da disciplina de Atelier de Ciberjornalismo, leccionada pela jornalista Paula Sá, estão a realizar um trabalho sobre o coleccionismo de pacotes de açúcar. Colocaram-me então cinco perguntas: 1) Em que consiste o fenómeno do coleccionismo? 2) É um fenómeno antigo ou recente? 3) Como é que se desencadeia (causas)? 4) Qual o perfil-padrão do coleccionador? 5) Como é que a sociedade vê o fenómeno do coleccionismo? Não tenho qualquer dúvida sobre a importância do trabalho, mas acontece que a minha ignorância sobre o tema é absoluta. Perdoem-me. Todavia, fiquei a saber que existem na internet respeitável blogues dedicados ao coleccionismo de pacotinhos de açúcar, como aqui. Cumprimentos e sempre à disposição.

Harare: trabalhadores municipais exigem pagamento em moeda estrangeira





Os trabalhadores municipais estão em greve por tempo indeterminado desde ontem na capital do Zimbabwe, Harare, exigindo o pagamento de salários em dólares americanos ou em rands sul-africanos. Eles juntam-se, na mesma exigência, a professores, médicos, enfermeiros, taxistas, jornalistas da imprensa estatal e dirigentes da federação de futebol. Isto passa-se num país atacado pela cólera e com os mercados vazios, num país onde vale a pena recordar como Mugabe "ganhou" as eleições. Saiba da vida dos Zimbabweanos aqui, na diáspora aqui e em Moçambique aqui. Entretanto, União Europeia ampliou a sua rede de sanções a 23 indivíduos e 36 companhias com ligações com o regime de Harare, abrangendo pela primeira vez empresas registadas em 27 países europeus. As fotos são de 2007 e foram reproduzidas daqui.

Novo partido dirigido por Deviz Simango?

De fonte digna de crédito, soube que um "grupo de pressão" percorre o país tentando saber se há condições para se criar um novo partido dirigido pelo actual edil da Beira, Eng.° Deviz Simango.

Sobre o Master para Lourenço do Rosário

De acordo com o "Notícias", Lourenço do Rosário, reitor da Universidade Politécnica, "foi ontem anunciado como vencedor do Prémio Empreendedor do Ano na categoria de Master, o mais prestigiado galardão atribuído pela empresa Ernst e Young, que pretende deste modo criar uma janela de oportunidades de negócios e intercâmbio social da classe empresarial, celebrando a criatividade e o empreendedorismo das pessoas líderes de empresas."
Eu teria gostado de ver Lourenço do Rosário premiado a outro nível, por outra instância, não como empresário da Politécnica, não como homem de negócios, mas como académico ou como reitor. Certamente os tempos de gestão universtária são outros e eu fiquei no passado. Paciência. Parabéns, Lourenço do Rosário.

O que Siyanda Mhlongo disse do ANC

Depois de mais de 20 anos no ANC, Siyanda Mhlongo, importante figura desse partido no poder na África do Sul, afirmou o seguinte de acordo com o "Notícias", que cita a agência portuguesa LUSA: "Prefiro que me apelidem de barata, cobra, cão, babuíno, tudo, do que apoiar um partido e um líder cujos valores morais declinaram mais do que o dólar zimbabweano”. E acrescentou: “Em política não existem casamentos permanentes. Não posso fazer campanha por um partido que abandonou a luta contra a corrupção desde a prisão de Schabir Shaik (o antigo assessor financeiro do actual presidente do ANC condenado por corrupção a 15 anos)”. Confira aqui.

A quem Custódio Pinto quer acusar? Quem está por trás de Samito?

Vamos lá ver uma coisa publicamente nova na geografia dos fenómenos de natureza criminal em Moçambique. Que coisa? Um criminoso acusa um alto oficial da polícia de ser o responsável da libertação de três perigosos cadastrados.
Comecemos pelo "Notícias" de hoje: "Nas suas primeiras declarações à Imprensa na última quinta-feira, ao desembarcar em Maputo, 24 horas depois de ter sido recapturado em Caia, Sofala, após a evasão de 7 de Dezembro na companhia de Anibalzinho e do finado Todinho, Samito disse, falando às câmaras da TVM, que quem “ordenou a soltura do trio foi o ex-comandante-geral da Polícia Custódio Pinto”. No referido dia, acrescentou Samito, “fomos escoltados, por ordens dele, por quatro agentes da Polícia e levados a uma residência em Malhampsene. Aqui recebi dinheiro de Anibalzinho com instruções de fugir para Quelimane. Tiraram com o propósito de proteger Anibalzinho. Não fugimos, tiraram-nos da porta principal e fomos escoltados até Malhampsene” – disse Samito."
Ouvido o ex-comandante Custódio Pinto (na imagem), este disse que as afirmações de Samito eram falsas. Mas o problema é que Custódio Pinto parece não atacar directamente Samito, mas outrem:
(...) É mais uma manobra com vista a desgastar a minha imagem na praça pública, como tentaram fazer algumas pessoas que nunca me desejaram bem. (...) Mantenho a minha consciência tranquila e mais cedo ou mais tarde ficará provado que tudo isto não passa de uma manipulação daqueles que nunca me quiseram na chefia da PRM."
E aqui está o grosso problema. O grosso problema aparentemente não tem a ver com Samito, o problema aparentemente tem a ver com a polícia. A quem, concretamente, Pinto se refere ou se queria referir? Resposta parcial no "Notícias":
"Custódio Pinto não se referiu a nomes de pessoas que estariam apostadas a manchar a sua imagem, mas disse serem pessoas que nunca se simpatizaram com a sua direcção. Porém, deixou claro, tratar-se de alguns quadros da própria corporação."
Por outras palavras: pelo relato do jornal e pelas palavras de Pinto, parece que Samito é, apenas, um peão num tabuleiro complexo, muito complexo, cujo funcionamento não nos é revelado. Se nos ativermos ao que o "Notícias" reporta, as perguntas que surgem são as seguintes:
1. A quem Custódio quer acusar?
2. Quem está por trás de Samito?
Hipótese: há um mesmo fio condutor para as respostas. É o fio de Ariadne.
Enquanto isso, o ministro do Interior procedeu a uma reorganização das chefias no ministério. Confira aqui.