22 janeiro 2007

Por que urinamos e defecamos ao ar livre?


Perante tantos problemas que fazem as manchetes dos jornais, devíamos reflectir sobre aqueles temas modestos, sem glória, mas persistentes, que fazem o nosso dia-a-dia.
Por exemplo, sobre o fecalismo a céu aberto.
Alarguemos a amplitude do problema: por que razão ou por que razões urinamos e defecamos a céu aberto nas áreas urbanas e peri-urbanas? É, provavelmente, uma pergunta muito vasta. Mas fica feita.
Deixem-me avançar cinco hipóteses simples, provocadoras:

(1) Porque as pessoas não têm hábitos de higiene
(2) Porque não existem sanitários disponíveis
(3) Porque as pessoas possuem ainda hábitos rurais
(4) Porque não existe o sentido do pudor
(5) Porque se considera que o mar e os rios são sanitários naturais e ideais

E, já agora, entremos no campo normativo, no campo das medidas a tomar. Três hipóteses:

(1) Educação generalizada a todos os níveis, especialmente nas escolas
(2) Punições graduadas consoante a severidade das faltas
(3) Ambas as coisas

Deixo ficar aqui o desafio a ver se surge o debate.

"Quadros desqualificados"

Leia esta carta de Ruth Mahiquene publicada no "Notícias" de hoje.

As coisas essencialmente essenciais (1)


Deixem-me defender que, por hipótese, toda a nossa vida é um processo cognitivo que tenta fazer três coisas:
(1) Identificar fenómenos
(2) Saber quais as suas causas
(3) Actuar em conformidade
A questão fundamental nesse processo consiste em tornar o mundo uma coisa familiar, domesticada, tranquilizada. Rogamos a todo o momento às coisas para que sejam as nossas coisas, simples, claras, evidentes.
Por outras palavras, a questão fundamental consiste em criar essências, fundos permanentes de crenças.
Podemos, então, sustentar que a nossa vida é uma disputa em torno de essências. Os que julgam lutar contra elas mais não fazem do que terçar armas pelas suas. E matamo-nos frequentemente por causa das essências. As espingardas e os mísseis são, apenas, os veículos das essências.
É em torno das essências dos fenómenos que se desdobra um percurso que tem três componentes cognitivas:
(1) O que é
(2) O que podia ter sido
(3) O que devia ter sido
Aguardem o desenvolvimento do tema.

21 janeiro 2007

"Diário de um sociólogo 2" e "Almadiando as palavras"


No prelo, lançamentos previstos para Fevereiro.

Blogue

Vejam este blogue, feito em Nampula por um estudante de Direito.
E a entrada da qual extraí esta passagem: "No nosso entender, as leis eleitorais para os órgãos de soberania e provinciais, leis orgânicas dos órgãos de soberania, deveriam ser aprovadas por uma maioria qualificada dos deputados como acontece nos outros países."

Os rios nascem a jusante: punamo-los!


Existem ideias e medidas que têm o mérito de ser profundas.
Punir os defecadores a céu aberto para que aqueles que defecam a céu fechado durmam tranquilos, já nós vimos.
Agora é a vez do Ministério da Mulher e Coordenação da Acção Social desejar "atacar as causas da mendicidade" através de várias medidas, entre as quais a penalização das famílias produtoras de mendigos e daqueles que "actuam como agentes estimuladores da mendicidade", uma notícia que surge hoje no semanário "Domingo", conforme imagem anexa.
Este é um país cada vez mais povoado de medidas que têm por ideia fundadora a de que os rios nascem a jusante e que se transbordam a culpa é deles e não das margens que o comprimem.
Dessa maneira podem as margens dormir tranquilas à sombra da sua consciência neo-liberal.

20 janeiro 2007

Para teorizar os linchamentos

Os linchamentos regressaram à ribalta na periferia da cidade de Maputo após um aparente breve interregno de algumas semanas. A primeira notícia sobre eles data, neste diário, de 2 de Maio de 2006. Por isso é chegado de novo o momento de falarmos deles. Especialmente de tentar teorizá-los. Para abrir esse caminho, vou indicar aqui dois excelentes textos. No primeiro, o sociólogo José de Souza Martins coloca as condições do estudo sociológico dos linchamentos no Brasil. No segundo, três autores discutem homicídio, delinquência e violência em São Paulo. Fiz preceder cada um desses trabalhos de um extracto. Leiam, vale a pena.

I
"No nosso caso, os linchamentos sugerem que há um arraigado sistema de valores subjacente ao comportamento coletivo violento. E, ao mesmo tempo, uma combinação difícil entre tal sistema e os valores racionais da lei e da justiça. Há uma dupla moral envolvida nessas ocorrências – a popular e a legal. Na verdade, esta última está sendo julgada por aquela. A legitimidade desta está em questão. Com seu ato, os linchadores indicam que há violações insuportáveis de normas e valores, mesmo para um delinqüente preso: no período recente há vários casos de presos que lincham companheiros de cela quando sobre eles pesa a acusação de estupro de crianças.
A questão central é esta: por que a população lincha? A partir do conhecimento que se tem de diferentes modalidades de linchamento em diferentes lugares do país, a hipótese mais provável é a de que a população lincha para punir, mas sobretudo para indicar seu desacordo com alternativas de mudança social que violam concepções, valores e normas de conduta tradicionais, relativas a uma certa concepção do humano. Uma hipótese decorrente é a de que o linchamento é uma forma incipiente de participação democrática na construção (ou reconstrução) da sociedade, de proclamação e afirmação de valores sociais, incipiente e contraditória porque afirma a soberania do povo, mas nega a racionalidade impessoal da justiça e do direito.
O linchamento não é uma manifestação de desordem, mas de questionamento da desordem. Ao mesmo tempo, é questionamento do poder e das instituições que, justamente em nome da impessoalidade da lei, deveriam assegurar a manutenção dos valores e dos códigos."

II
"Vários estudos brasileiros vêm, há mais de uma década, colocando sob suspeição uma tese clássica que sustenta a existência de relações de causalidade entre pobreza, delinqüência e violência. Em particular, os estudos de Zaluar (1994 e 1999), de Coelho (1988), de Beato (1998) e Sapori e Wanderley (2001) contestam profundamente essa associação. Observando o comportamento da criminalidade violenta, na região metropolitana do Rio de Janeiro, entre 1980 e 1983, período caracterizado pela crise econômica e por elevadas taxas de desemprego, Coelho constatou o declínio das taxas de homicídio, de estupro e de roubo. Estudando os determinantes da criminalidade no Estado de Minas Gerais, Beato concluiu que os municípios de menor incidência de crimes são justamente os mais pobres; ao contrário, a riqueza e a circulação de dinheiro estão mais associadas à maior incidência e prevalência de crimes, em especial os violentos. Beato e Reis (1999) não identificaram qualquer correlação positiva entre as taxas de desemprego urbano no município de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, e as taxas de criminalidade. Sapori e Wanderley, por sua vez, observando quatro regiões metropolitanas do Brasil - Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul - aplicaram testes estatísticos (medida de Granger e testes econométricos) não encontraram indícios significativos de que as variações nas taxas de desemprego implicassem variações, presentes ou futuras, nas taxas de criminalidade. Por fim, em seu estudo sobre as relações entre renda, desigualdade social e violência letal, Cano e Santos (2001) afirmam não ser possível identificar clara influência da renda sobre as taxas de homicídio."

19 janeiro 2007

Mais três pessoas linchadas


Três pessoas foram linchadas esta semana nos bairros Luís Cabral, Costa do Sol e Magoanine, na periferia da cidade de Maputo, acusadas de furtos em residências.
Nunca os linchamentos tiveram um ciclo tão prolongado de actuação (reveja as inúmeras entradas minhas sobre o fenómeno neste diário).

Sibindyadas


O "Notícias" de hoje dedica cinco colunas ao Sr. Yá-Qub Sibindy, presidente do partido PIMO e da chamada Oposição Construtiva, que tem o tom da vidência e já sabe que nas próximas eleições o povo irá votar apenas nos programas da Frelimo (com quem se coligou) e do "governo-sombra" daquela oposição. O Sr. Sibindy, que reafirmou o seu desejo de estreitar as relações com o governo, decidiu ainda comemorar o primeiro aniversário (hoje) do seu encontro com o presidente da República.

"Marginais" e "malfeitores"


O jornalista Celso Manguana do "Canal de Moçambique" escreveu que marginais habitam as ruínas da cidade de Maputo e que um porta-voz da polícia atribui a responsabilidade ao município, por não dar destino a essas ruínas.

São marginais e malfeitores aqueles que habitam as ruínas, segundo Manguana.
Mas são marginais em relação a quem e a quê? E se são malfeitores, por que estão em liberdade?
Não gosto de transformar as perguntas numa ciência sem fim da estética sem pesquisa. Mas, por vezes, não tendo eu investigado o fenómeno, só me resta fazer perguntas.

Medidas administrativas para os defecadores a céu aberto na Ilha de Moçambique


“Já chega de educação, porque o que compreendemos é que as pessoas sabem do perigo que o fecalismo, a céu aberto, constitui para a saúde pública e não só. Pelo esforço feito pelas entidades competentes há vários anos, dá para perceber que só com medidas administrativas é que podemos eliminar este mal.” - disse o governador de Nampula, Felismino Tocoli, a propósito da Ilha de Moçambique. Fazendo fé no "Notícias", o fecalismo a céu aberto contribuiu para reduzir o afluxo de turistas à histórica ilha (foto do "Notícias").
Indiscutivelmente um problema difícil e delicado.

BBC hoje: programa especial sobre formação de técnicos de obstetrícia em Moçambique


Hoje, às 20.30 GMT, numa série intitulada "Enfermeiros na linha da frente", a BBC World (atingindo 30 milhões de telespectadores em todo o mundo) apresentará um programa especial sobre a formação em Moçambique de técnicos de obstetrícia em cesarianas e cirurgia de fístulas, produto de um projecto sueco-moçambicano.
(o meu obrigado ao Professor Staffan Bergstrom pela informação)

Campo vital este, o da formação citada, num país, como o nosso, onde tantas mães e tantas crianças morrem devido a problemas pós-parto.

Como se formou a burguesia moçambicana


"Segundo analistas a ter em conta, a construção da burguesia moçambicana foi claramente baseada no saque de fundos públicos, através do crédito concedido com fundos do Tesouro, para financiar empresas sem recursos humanos e equipamentos adequados para que operassem com sucesso" - esse um extracto de um trabalho publicado hoje no "Savana", baseado no último relatório sobre a Conta Geral do Estado de 2005, a ser discutido em Março na Assembleia da República.
Os créditos, segundo o Savana, estão ainda longe de serem pagos e foram concedidos "na maioria para elites políticas ligadas ao partido FRELIMO" (edição de hoje, 19/01/07, pp.2-3).
Um clássico exemplo de acumulação primitiva de capital, para recordar o velho Marx.
O ex-Banco Austral foi um pivot nessa acumulação (15o milhões de dólares de fraudes e de créditos mal parados). Os assassinatos de Carlos Cardoso e de Siba Siba Macuacua não foram alheios a esse processo.
Entretanto, assinale-se o reaparecimento, através do "Savana" de hoje, na imprensa moçambicana, do termo "burguesia", fenómeno indiscutivelmente inédito após anos de esvaziamento do vocabulário digamos que revolucionário e da orgia dos termos almofadados e inócuos monitorados pela confortante "sociedade civil".

18 janeiro 2007

Recenseamento militar com corrupção?


Leia a notícia aqui.
O que é corrupção segundo a Wikipédia.

Apoiemos Barack Obama para as presidenciais americanas de 2008

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Filho de pai queniano e mãe americana, o senador democrata americano do Estado de Illinois, Barack Obama, anunciou que vai concorrer às presidenciais americanas de 2008.
Lutador pelos direitos sociais e anti-guerra no Iraque, o advogado Obama deve ser completamente apoiado.
Apoiemo-lo com o nosso carinho africano. Mas não apenas africano. Apoiemo-lo na nossa condição de cidadãos esperando um mundo mais solidário, menos injusto. Eu já o fiz. Vejam aqui. Oiçam uma mensagem dele em vídeo aqui.
Espalhem a palavra, obamanizemo-nos!

17 janeiro 2007

Dez mandamentos para candidatos ao prebendalismo


"Se és ambicioso aprende que para chegares depressa lá acima tens de andar devagar cá em baixo e que para teres tudo amanhã não deves comer três vezes ao dia hoje, mas apenas pequeno-almoçar." (filósofo vivendo algures no planeta)

Introdução
Vives numa flat em bairro popular, estás desagradado, o povo é bagunceiro e tu sentes-te fino. Andas de City Golf segunda-mão, o teu ideal é um Mercedes. O teu guarda-roupa é escasso e quere-lo diverso e fino. O teu emprego é modesto, almejas algo fundamental, que te dê pouco trabalho, seja vistoso e te assegure uma sinecura sólida. Queres prebendar. Estudaste, tens um PHd, mas PHdar não te basta. Tu és ambição pura, o teu alvo não é a terra mas o céu. Queres singrar. Os teus olhos traem todos os teus sonhos prebendais, és um vulcão no corpo magro ainda sem barriga.

Mandamentos
1. Precisas recauchutar: recauchuta-te por completo, engraxa bem a alma, não fales nem alto nem muito, domestica a ambição, veste um ar atento, respeitador, oceanicamente educado. Treina o andar, torna-lo lento, pensador. Não exaltes os gestos, dulcifica-os no porte, na postura de quem estuda, prevê e previne o acaso e o insólito. Abandona as barracas, não frequentes os dumba-nengues, não cultives o povo, faz-te ver com relevo numa igreja. Nada em ti pode trair exaltação ou alegria popular.
2. Precisas partidar: sabes onde é a sede do partido que amas. A primeira coisa que farás lá é tornar-te membro, preencheres a ficha. Não faças isso no local de trabalho: pequeno chefe é peixe sem auditório. Tens de ir pelo menos duas vezes por dia à sede do partido. Em cada primeira vez vais comprimentar os chefes, sempre cordato, estás preocupado com a saúde deles. Em cada segunda vez mostras que tudo corre bem no país, que nenhum plano está amarrotado, que a vitória é certa. Dirás tudo isso com convicção profunda, embondeiral, pausada.
3. Precisas prendar: ao fim de algum tempo, chegou a altura das prendas, tu tens o engenho suficiente para saberes prendar os chefes, com elegância, sem excesso. Mas também as esposas, os filhos, os parentes agregados. Pequenas coisas simbólicas, mas cheias da tua genuflexão insuspeita.
4. Precisas voluntariar: a pouco e pouco começas a oferecer-te para executares tarefas. As executas deligentemente, sempre citando o nome do chefe. Tudo é feito à tua custa por agora, todo o centavo gasto é rigorosamente teu. Mas fá-lo sabendo que na ponta do esforço está o futuro que almejas. Por isso te auto-estimarás.
5. Precisas desmaledicenciar: não fales mal dos outros, cada outro tem também os seus amigos, os seus grandes, as suas confrarias de influência. Não comprometas ninguém, tu estás acima do diz-que-diz. Mas quando em causa estiverem membros ou simpatizantes dos partidos da oposição e verificares que os chefes te miram, sê duro e definitivo, com abundante recurso às frases habitualmente por estes usadas.
6. Precisas palavra-de-ordemar: decora bem as palavras-de-ordem do teu partido. Nos momentos adequados, usa-las, com doçura ou com vigor, consoante o que fizer o chefe. Nada inventes, nada alteres: segue-as como os cães seguem os donos.
7. Precisas footingar: nas manhãs, cedo, nas artérias onde vivem os chefes, corre, footinga, devagar, modestamente, mas decidido. Não uses Adidas nem fato de ginástica caro: socorre-te de algo frugal. Se por acaso cruzares com um chefe, cumprimenta-lo sem excesso, mas com gratidão visível. Não olvides nunca que não és o dono do tapete, que apenas és o tapete.
8. Precisas eficientar: lá onde trabalhas serás cumpridor, zelador, chegador a horas, missionário sem falha. Não faltarás a nenhuma reunião, não deixarás de cumprir nenhuma tarefa, por mais penosa que seja. Serás o primeiro em tudo, mas atribuindo sempre ao pequeno chefe os méritos do que fizeste e farás.
9. Precisas comiciar: em tempo de comícios, tu lá estarás. A tua função consistirá apenas em seres visto no teu porte calmo, cumpridor. Mas seguirás obstinadamente os movimentos corporais e messiânicos dos chefes, aplaudindo ou vituperando com eles. Contudo, não te excedas nunca.
10. Precisas recusar-aceitando: quando, enfim, após todo um vasto tempo de coluna dobrada com elegância, te oferecerem um cargo de relevo, sonante, com direito às coisas boas e extra-reinado que bem conheces, mostrarás surpresa, dirás inicialmente que não, que não mereces, que apenas tens trabalhado pela pátria. Face à insistência do chefe, aceitarás então, com a tua promessa sólida de que cumprirás sem descanso as suas ordens. Ao saíres, não mostres nem soberba nem alegria: mostra apenas, com um belo ar de boletim-oficial, que saberás assumir nobremente o fardo. Quando estiveres livre de olhares, dá então largas à tua alegria finalmente prebendal. Venceste e por isso agora chegou a tua hora de repouso e rendimento. Terás um batalhão de pessoas para porem em acto os teus sonhos: ordens, palácio, séquito, viagens, férias, conta bancária especial, Mercedes, 4/4, reforma choruda. E já agora: agradece bem ao curandeiro e explica-lhe que ir ao curandeiro antes e depois da prebenda não deve nunca constar dos mandamentos visíveis.

O espantoso dr. Abdulah que tudo sabe e tudo cura

O que se segue, enviado por mão amiga hoje, encontra-se numa tabuleta lá para os lados da Manga-Mascarenhas, à saída da cidade da Beira:

Dr Taibo Hamad Abdulah
Medico tradicional que acaba de xegar de nampula! veio pra ajudar voce:
cura tudo!
1. Faz scapar condenção de juz na tribunal;
2. Faz aquele que não da filho dar filho;
3. Faz devolver aquilo que roubaram ou fica maluco;
4. Tem remedio para homem que ja dexou de ser homem levantar e ser homem outra vez;
5. Tem remedio de separar casal para ficar com mulher ou marido dele;
6. Tem remedio pra quando dormir com mulher ou marido de dono não ser descoberto;
7. Tem remédio para homem ficar muto tempo dentro da mulher;
8. Faz meninas parecerem bonitas e ser gostado por todos os homens;
9. Cura doenças venerea que se apanha quando faz asnera de adultos;
10. Ajuda mulheres pra os marido lhe dar muito dinhero;
11. Cura doença dos pulmõs;
12. Faz passar de classe estudantes que no estuda;
13. Judar benfica ganhar
Ja esteve em muitos paises internacionales entre eles: Chimoio, gurue, niassa, tete, maxixe, zandamela, xocué e boane!
Recebe 50% no dia do tratamento os outros 50% recebe quando cliente ja estar bom;
Dr Taibo Hamad Abdulah
Manga mascarenhas ver placa amarela!

A lista de países "internacionais" visitados é eloquente.
E pobres, agora, dos juízes de Sofala!

16 janeiro 2007

Dez mandamentos para os candidatos ao prebendalismo


Nas próximas horas aqui postarei dez mandamentos para os candidatos (cada vez em maior número no país, claro) ao prebendalismo.

Mural da marginal com Naguib e sua equipa em homenagem a Samora Machel







O pintor Naguib e a sua jovem equipa prosseguem o trabalho de homenagem a Samora Machel (o falecido presidente que queria que os governantes vivessem modestamente) com o mural da marginal, cada vez mais belo.
Amplie as imagens clicando nelas com o lado esquerdo do rato e leia frases de Samora.

Primeira dirigente feminina de um clube de futebol

Chama-se Fernanda Fonseca e foi eleita presidente da direcção do Benfica de Quelimane sexta-feira passada em assembleia-geral ordinária do clube.
Tanto quanto a minha memória desportiva me diz, é a primeira vez que uma mulher assume semelhante tipo de cargo em Moçambique.
Atenção, falo de dirigentes de clubes. Porque podemos considerar casos de direcções femininas a outros níveis desportivos: Águeda de Sousa nos anos 90 em Nampula, à testa da federação provincial de futebol, e actualmente Palmira Francisco no que concerne ao futebol feminino.

15 janeiro 2007

A beleza das moçambicanas, a categoria da nossa alta costura










À beleza das mulheres moçambicanas junta-se a categoria da nossa alta costura.
Veja o Moçambique Fashion Week 2006, galeria de fotos, aqui.

Desemprego em Maputo

A notícia que podereis ler a seguir tem muitas lacunas, está imprecisa, mas mesmo assim vale a pena lê-la enquanto indicador das dificuldades que muitos atravessam.

14 janeiro 2007

E agora vão chegar os administradores

Li tardiamente, por vezes isso acontece-me.
Agora cada cidade, com excepção de Maputo, vai ter um administrador.
Em cada cidade está um governador. O governo provincial tem vários directores e chefes sediados nas cidades. Depois há o secretário permanente, o presidente da Câmara.
E agora vão chegar os administradores.
Um Estado tentacular, cada vez mais oneroso, mais extenso, que opta pela multiplicação de gestores em lugar de melhorar a qualidade dos que já tem, justamente quando o partido que o detém e o gere afirma que a pobreza absoluta é o eixo da sua luta.
Para explicar semelhante inflação, poder-se-ão considerar duas hipóteses eventualmente exequíveis:
(1) Acomodar a ansiedade das elites, em número crescente e lutando por um lugar no "poder";
(2) Cerrar a malha administrativa das cidades, que é sempre uma malha político-administrativa, por forma a controlar melhor o movimento dos partidos políticos em geral e o seu comportamento em particular face às próximas eleições.

13 janeiro 2007

Santo dolarismo

É muito difícil abrir um dos nossos jornais e não encontrar as necessidades e as despesas locais calculadas em dólares.
Mesmo os custos de reparação da mais modesta ponte (ponteca, saborosa palavra) são calculados em dólares pelo esforçado administrador distrital.
E queremos nós, vejam lá, pôr em prática o "made in Mozambique", expressão que também amamos colocar em língua inglesa.
Santo dolarismo!

Pangolim quer falar com o presidente da República



O pangolim que apareceu há dias em casa da família Chaúque no bairro Ferroviário da cidade de Maputo quer falar com o presidente da República. Leia a saborosa história aqui.

O lixamento do lixo por cidadãos lixados nos lixados bairros periféricos da lixada Maputo


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O lixo é tanto que “...devora mesmo os homens e despovoa as esperanças"
(hipotética frase de hipotéticos cidadãos dos reais bairros periféricos de Maputo
reflectindo sobre a Utopia de Thomas Morus em termos de lixo local e não de carneiros ingleses)
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"A onda de manifestações, sustentada em actos de vandalismo, promovida por residentes de alguns bairros da capital do país, alegadamente em protesto contra a não recolha e remoção do lixo, de nada valerá se não houver uma colaboração entre os munícipes e a edilidade no sentido de resolver o problema. Esta posição foi manifestada ontem pelos responsáveis das estruturas do sector no Conselho Municipal da cidade de Maputo, na sequência de mais uma manifestação havida ontem, desta vez ocorrida na Avenida das FPLM, próximo do Hospital Geral de Mavalane."

Esse o cabeçalho de uma trabalho hoje publicado pelo "Notícias". Assinalei a vermelho frases que achei relevantes.
A fazer fé nos porta-vozes do Conselho Municipal (CM) da cidade de Maputo e no próprio "Notícias" (que não apresenta o ponto de vista dos munícipes), estamos perante munícipes arruaceiros, incapazes de comportamento cívico e de diálogo racional. O "alegadamente" do texto do "Notícias" tenta mostrar que os cidadãos podem ter outras intenções e que essas intenções apenas podem ser compreendidas no quadro de um instinto vandálico.
Ao longo de muitos anos e após gestões ruinosas, é visível hoje o esforço que o executivo de Eneas Comiche tem feito para tornar essa cidade mais saudável, respirável e transitável. Um esforço que se tem também pautado pelo diálogo com os cidadãos.
Mas quando pensamos que o Sr. António Máquina, secretário permanente da província de Sofala, comprou uma moradia por 325 mil dólares com dinheiro do Estado, torna-se impossível compreender o argumento de que o município tem parte da frota dos seus carros avariada (e quase sempre assim é). Ou que não tem recursos.
Podemos fazer críticas aos munícipes. E devemos fazê-las. Podemos tentar encontrar alternativas locais como o uso de burros, por exemplo. E devemos tentar. Podemos tentar muitas outras coisas. E devemos tentar.
Mas agora o problema central a ter em conta não é o vandalismo dos cidadãos, mas a incapacidade de solução de problemas (após o pico das festas de fim-de-ano) por parte de um CM inserido numa gestão nacional delapidarora dos recursos nacionais de que o Sr. Máquina é apenas um exemplo e provavelmente dos menores.
O "vandalismo" não é uma manifestação de desordem, mas de protesto conta a lixada desordem do lixo acumulado e da ausência de medidas por parte do CM.
Acresce que várias vezes a nossa imprensa, em particular a televisiva, já deu conta dos avisos feitos pelos munícipes no sentido de que procederiam como estão agora a proceder caso o CM não tomasse providências imediatas para remoção do lixo.

12 janeiro 2007

Ainda a propósito da casa de 325 mil dólares do secretário permanente de Sofala

A propósito ainda da casa de 325 mil dólares para o secretário permanente de Sofala, o "Savana" de hoje tem o editorial que se segue com o título "O despesismo e as sementes da revolução" (p. 6). Clique na imagem para a ampliar.

Na frente do combate contra a pobreza absoluta

Essa a grande manchete do "Savana" de hoje. O semanário revela ainda que, antes da compra, o secretário permanente da província de Sofala, Sr. António Máquina, vivia em casa arrendada a 47,7 mil Mtn/mês. Ambas as coisas com dinheiro do Estado.
A casa foi comprada em 2005 e situa-se na Ponta-Gêa, um dos bairros nobres da cidade da Beira (edição de 12/01/07, p. 2).
Na frente do combate contra a pobreza absoluta, estamos no bom caminho.

Amanhã abre época do canhú 2007

Abre amanhã, no posto administrativo da Machava, em Nwamatibjana, a época do canhú referente a 2007. Vai haver mpalho (evocação dos ancestrais) e certamente vai-se dançar a bela xingomana.

Estamos no bom caminho, mas atenção ao inimigo baixo-ventral!

Tudo está bem, o estado da Nação é bom, estamos no bom caminho em qualquer parte deste país. Relatório presidencial, relatórios de governadores, relatório não importa de quem nem sobre o quê: estamos no bom caminho. Na oposição, também estamos no bom caminho, com o Sr.YÁ-Qub Sibindy à testa. E para o Sr. João Massango, do Partido Ecologista, muitas coisas boas se fizeram, 2006 foi um ano "politicamente estável". O que é "bom caminho"? O que é "bom"? Não precisamos saber o que é: é bom caminho, é bom, basta.
Burocratismo, corrupção? Sim, problemas sérios, a Global Integrity acaba de o dizer, mas os venceremos, "decisão tomada, decisão cumprida".
Quem disser que nem tudo está bem das duas uma: ou é doente ou é da Renamo, o que dá no mesmo para os produtores oficiais do bom caminho.
Mas, afinal, não existe um real inimigo, não existe mesmo uma coisa que não esteja bem?
Sim, existe, esse inimigo chama-se HIV/SIDA. Um alto responsável do partido Frelimo afirmou ontem em reunião popular: "Irmãos estamos a acabar, isso preocupa a Frelimo e foi por esse motivo que o congresso decidiu pela intensificação do trabalho de sensibilização para o uso do preservativo e fidelidade para os adultos e abstenção para aqueles que ainda não tem idade para a actividade sexual".
O principal inimigo é obscuro, não tem classe, não tem rosto, não se vê, não está à superfície, não está em cima, está em baixo, é baixo-ventral. Impermeabilizemo-nos contra esse implacável inimigo sem ideologia! Protejamo-nos!