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29 abril 2007

Os caçadores locais das feiticeiras de Salém (5) (e os vendedores da pátria em troca de dólares ou de euros na lógica de Lázaro Mabunda) (continua)


I
Prossigo esta série, depois de, no número anterior, ter apresentado duas peças contraditórias de Jorge Rungo do semanário "Domingo", procurando situá-las no contexto da classificação que o seu colega Lázaro Mabunda do semanário "O País" fez dos vendedores da nossa pátria.
Em Fevereiro deste ano, o "Notícias" reportou a extraordinária odisseia de 50 contentores de madeira em toros apreendida no porto de Pemba graças a um telefonema anónimo para o governador de Cabo Delgado. Na altura, o jornalista Pedro Nacuo escreveu o seguinte: "Mas ficou algo muito intrigante: que resulta do facto de constatarmos que quem esteve envolvido na “operação” que desaconselhou a exportação ilegal da madeira, são as mesmas pessoas ou instituições que chefiam, que deviam ter evitado que nem sequer a madeira saísse do seu parque, no bairro de Muxara."
Em Março, o porto de Nacala foi descrito como "porta" de saída de diversas espécies de madeira retirada do país, com o aparente envolvimento dos líderes comunitários. Fontes que revelaram o facto a nossa Reportagem, apontaram os distritos de Meconta, Mogincual, Monapo, Eráti e Muecate, como regiões, cujos recursos florestais são explorados sem a observância de critérios plausíveis."
No mesmo mês, dezoito contentores, provenientes de Manica, com 250 metros cúblicos de madeira serrada e de outro tipo em toros, do tipo panga-panga, foram apreendidos no porto da Beira. A apreensão foi possível graças a um denúncia chegada ao ao gabinete do governador de Sofala.
Os leitores deste diário sabem que existem aqui dezenas de entradas concernentes ao saque da nossa madeira.

II
A denúncia do saque não começou com o relatório de Jacqueline Mackenzie, como Sr. Lázaro Mabunda escreveu.
Como a imagem desta entrada comprova, como centenas de entradas comprovam na imprensa escrita do nosso país há vários anos, como vários relatórios independentes comprovam, o saque da nossa floresta é real.
E são Moçambicanos quem tem escrito na nossa imprensa, reportando esse saque.
Ora, rigorosamente na lógica de pensamento de Macatai Mathendja (evidente pseudónimo) e de Lázaro Mabunda, os jornalistas que têm reportado o saque, o ex-governador Abdul Razac que se mostrou preocupado com a situação em 2004 (veja recorte da imagem desta entrada) e muitos outros Moçambicanos, entre os quais os ambientalistas, todos eles estão ao serviço da União Europeia (contra os Chineses na tese de Mabunda) para, como diz de forma grave o mesmo Mabunda, venderem "a nossa pátria em troca de migalhas de dólares ou de euros".
E, naturalmente, dentro da mesma lógica, também vende a pátria o procurador-geral da República, Joaquim Madeira, que há dias e pela primeira vez se referiu, no seu informe anual à Assembleia da República, ao tema "extracção e exportação de madeiras das nossas florestas", lamentando, por exemplo, que as ilegalidades tenham o beneplácito dos fiscais "ou até de agentes superiores do sector, que se comportam como se delas tirassem proveito pessoal" (no próximo número desta série reproduzirei a parte do relatório sobre florestas que aqui interessa).
Não há dúvida de que Lázaro Mabunda vai ter que justificar muitas coisas aos muitos Moçambicanos que acusou de venderem a Pátria.

30 abril 2007

Os caçadores locais das feiticeiras de Salém (8) (ou os cinco mosqueteiros) (continua)






"A chefe do posto administrativo de Covo, distrito de Nacala-a-Velha, na província de Nampula, Ana Sabonete, queixou-se ao governador Felismino Tocoli, de ser constantemente ameaçada de morte, por exploradores ilegais de madeira daquele ponto do país sob a sua jurisdição administrativa."

Vou tentar periodizar esta já longa história da teoria do complô, da tenebrosa mão estrangeira surgida desde que se começou, de forma mais profunda, especialmente este ano, a mostrar o saque das nossas florestas, sem esquecer que faz anos que a nossa imprensa dele dá conta.
E, fazendo-o, terei prazenteiramente em conta os mosqueteiros de Alexandre Dumas. O nosso país tem mais do que três, melhor dito quatro (d´Artagnan também conta, claro) mosqueteiros em sua cruzada pelo rei contra o desmatamento do patriotismo e contra o complô, contra a tenebrosa mão estrangeira.
Aqui e hoje, apenas irei considerar cinco, a saber:
1
Depois da minha carta ao presidente da República a 30 de Janeiro deste ano, solicitando a nomeação de uma comissão de inquérito para analisar o que chamei saque das nossas florestas e dois dias depois da divulgação de uma carta aberta de Marcelo Mosse ao presidente da China (07/02/07), Rogério Sitoe do "Notícias" escreveu no dia 9 de Fevereiro uma crónica com o título "Conjecturas: Madeira, chineses e cooperação". O toque da mão estrangeira foi logo dado no primeiro parágrafo: "Não é nenhum exercício intelectual extraordinário excluir, à partida, a hipótese de simples coincidência. É uma ilação óbvia afirmar que, em torno de toda esta enérgica reivindicação, está no seu epicentro a presença de Hu Jintao em Moçambique, e certamente todo o seu périplo pela África. É uma forma directa de enviar uma mensagem de descontentamento a Hu Jintao sobre o que está a acontecer às floretas moçambicanas." Mas Sitoe teve a sensatez de escrever também o seguinte: "À semelhança da maioria das pessoas, preocupa-me, também, a exploração desenfreada de madeira e de forma insustentável, portanto, sem cumprimento de regras tal como está a ocorrer nas nossas florestas. Acrescento: seja ela praticada e estimulada por alemães, japoneses, ou por chineses e moçambicanos."
2
A 14 de Fevereiro veio a terreiro Adelino Buque, em artigo de opinião publicado no "Notícias" de 14 de Fevereiro. Contundente, conselheiro, apaziguador, Adelino Buque pediu ao presidente da República que ficasse calmo e continuasse "com a sua carregada agenda de combate à pobreza", pois a carta que lhe escreveram (a minha, claro) "não passa de um falso texto com cheiro a xenofonia". Fazendo uso de dados oficiais sobre o bem-estar florestal do país, Buque afirmou que tudo foi preparado de forma a "abalar as autoridades locais na cooperação" com a China e a propósito da visita do presidente chinês a Moçambique. A campanha anti-chinesa "usou" (sic) "pessoas com créditos firmados na praça em termos de análise dos assuntos da sociedade, pessoas do mundo da academia e também instituições de cooperação". Porque o plano exigia presteza "e o exercício tinha de ser feito muito rapidamente, não se deram tempo para análises muito mais cuidadas e desprezaram detalhes que definitivamente põem em causa as suas teorias sobre o perigo de desertificação." O Sr. Buque escreveu ainda que importava "pôr ordem na casa", impedir que se ponha "a sociedade de costas viradas contra o seu Governo" e "reequacionar o papel de algumas organizações que actuam em Moçambique". Finalmente, Buque recordou que, quando era criança, se falava do "perigo de chineses porque estes comiam pessoas, de preferência crianças, e as pessoas eram educadas pelo sistema colonial a olhar para os chineses com desconfiança".
3
A 25 de Fevereiro, na sua habitual e longa crónica semanal no semanário "Domingo" (na imagem), surgiu Sérgio Vieira a terrreiro terçar armas contra a etnicização das coisas, contra a corrosiva visão anti-chinesa que lhe parecia existir em Moçambique. Face a numerosos casos de saque relatados pela nossa imprensa (recorde-se o trabalho de 21 de Janeiro de Jorge Rungo, por exemplo, nesta série), Vieira achou por bem esgrimir o risco de estarmos a criar o "perigo amarelo". Zeloso, Vieira deixou na penumbra o saque real das nossas florestas. Não há saque algum, que se exporte a madeira. Para quê - agora a ideia que se segue é minha - existir na nossa bela pátria a preversa rabugice de um Samuel Huntington com o seu "choque de civilizações" e o seu ruidoso alerta contra o Islão e a China*? Nem pensar em termos Huntingtons aqui!
4
Um pequeno interregno e eis que em Abril foi a vez de Gabriel Muthisse. Numa enorme crónica a quatro colunas no "Meianoite" (03-09/04/2007, p. 22), escreveu o seguinte: " A maior preocupação em relação às florestas parece estar ligada a um presumível saque da nossa madeira por parte dos industriais chineses. Uma campanha contra esse saque foi lançada, tendo coincidido com a visita do Presidente da República Popular da China a Moçambique". Ora - sustentou Muthisse - não é verdadeira a história do saque no nível onde os conspiradores o pretendem, maldosamente, situar: exploração madeireira. Por quê? Porque é preciso saber onde está o eixo do saque. Ora, os maiores destruidores e saqueadores das nossas florestas têm dois nomes gloriosamente simples: os camponeses e o "Homem" (sic) (também o "homem de Maputo", sic).
5
Finalmente, veio à ribalta Lázaro Mabunda, o quinto mosqueteiro, com a sua classificação final e a sua severa teoria dos vendedores da pátria:
"(...) a aludida desmatação das florestas no país não passa de um falso alarme, senão um barulho financiado por interessados em negócios de madeira, mas que não encontram a “rede” para navegar. É bom que se diga isto: este é um conflito União Europeia vs China, ambos interessados nas nossas florestas. Nós apenas servimos, isso sim, de caixa de ressonância para desencadearmos um barulho sobre o que não existe. Somos usados pelos que têm dinheiro. Ou seja, vendemos a nossa pátria em troca de migalhas de dólares ou de euros."
Pobre chefe do posto administrativo de Covo, lá em Nacala-a-Velha, província de Nampula, pobre Ana Sabonete que, ignorando que tudo era e é um "falso alarme", um "barulho", se queixou ao governador de Nampula de ser ameaçada de morte por exploradores ilegais de madeira!
______________________________
*Huntington, Samuel P., Le choc des civilisations. Paris: Éditions Odile Jacob, 1997.

01 julho 2011

Sobre o saque da nossa madeira

"Senhor Presidente: a nossa terra já exportou escravos, ouro, marfim, madeira, tanta coisa! Como sabe, escrevi nos manuais de História de Moçambique, nos anos 80, como tudo isso se passou. Agora, Presidente, parece que estamos a regressar aos séculos da pilhagem.  As nossas florestas estão a ser delapidadas. E floresta, Presidente, é raíz, floresta é o conjunto das nossas raízes, desta terra amada, mas desta terra cada vez mais desmatada. Presidente: corremos o risco de perdermos as raízes. (Carta minha ao presidente da República datada de Janeiro de 2007)
Volto ao saque da madeira. Há vários anos que aqui alerto para o desapiedado abate e saque da nossa madeira, há aqui centenas de postagens alusivas. Houve quem tivesse achado que eu exagerava, surgiram montes de contratextos ditirâmbicos de cavaleiros andantes duvidando ou proclamando que tudo está bem e abaixo da cota oficial de abate. Nos últimos tempos o jornal "Notícias" tem estado a dar conta da gravidade do saque. Hoje até um editorial alusivo insere, aqui.
Nota: sobre o saque, escrevi aqui duas cartas ao presidente da República, em Janeiro e Dezembro de 2007. Aqui e aqui.

01 maio 2008

Saque da madeira em Murrupula

Segundo o semanário "Savana" já na rua, pela pena do jornalista Nelson Carvalho, a madeira está a ser explorada ilegalmente em Murrupula, província de Nampula. De acordo com o jornal, "a maior parte dos casos referidos são protagonizados por indivíduos oriundos da China em colaboração com nacionais ligados à estruturas de decisão". O "Savana" refere que "a maior parte dos funcionários do sector florestal são sócios maioritários de empresas cujos trabalhos é a exploração e exportação da madeira." O semanário dedica ainda espaço a mostrar que a China institutiu em 1998 um embargo ao corte das suas florestas e por isso procura obter madeira em países estrangeiros (p. 21).
Nota: recordo que este diário está pejado de postagens sobre o saque da madeira. Quando aqui, em 2007, comecei a denunciar o saque, surgiram vários cavaleiros andantes a protestar, nervosos, indignados, em vários púlpitos da praça. Agora, o saque já não é novidade e nenhum cavaleiro andante se levanta para protestar.

11 novembro 2010

Sobre o saque da madeira em Nampula

Sobre o saque da madeira em Nampula, um trabalho do jornalista Aunício da Silva do  “Canal de Moçambique” aqui. Recorde o que constatou uma recente auditoria no sector madeireiro, nesta minha postagem aqui. Lembro que este diário possui centenas de entradas sobre o saque da madeira.

02 janeiro 2009

Prossegue saque da nossa madeira

O saque da nossa madeira prossegue em Cabo Delgado, como acaba de ser provado - reporta Pedro Nacuo no "Notícias" de hoje - através de uma "reverificação dos contentores de madeira pertença da operadora do ramo, Mofid, Lda, cuja exportação foi abortada por ordem das Alfândegas, depois duma denúncia indicando a violação da legislação que proíbe a saída de toros."
Sobre a empresa chinesa Mofid e sobre outros informes, leia aqui.
Já agora, recorde um trabalho sobre o saque da nossa madeira em Nampula da autoria de Aunicio da Silva, divulgado no "Canal de Moçambique" em Dezembro do ano passado. E uma postagem minha sobre Sofala.
Observação: este diário possui, já, centenas de entradas sobre o saque.

05 fevereiro 2016

Prossegue o saque da nossa madeira

No "Notícias" digital de hoje: "Camiões de grande tonelagem transportando umbila e pau-ferro, duas espécies de madeira protegidas por lei, são vistos todos os dias a sair da Reserva Nacional de Gilé, na província da Zambézia, para vários pontos do país, uma situação que ocorre depois de o Governo ter decretado uma moratória na exploração florestal. [A nossa Reportagem, que esteve recentemente na área da Reserva de Gilé, viu mais de 12 camiões transportando madeira recentemente cortada e os fiscais florestais colocados nos postos de fiscalização aparentemente nada fazem para impedir a saída daquele recurso florestal depois de o executivo anunciar a interdição do corte da madeira a partir de 1 de Janeiro último." Aqui.
Adendaeste diário tem, desde 2007, centenas de entradas sobre o desalmado saque da nossa madeira. Tempos houve em que abordar no país a desflorestação era considerado, por alguns cavaleiros andantes do tudo está bem, acto de lesa-pátria, exercício de macomunação com a estranja maquiavélica. Mas faz já alguns anos - especialmente desde 2011 - que se multiplicam os relatos pungentes e frontais sobre o desalmado saque florestal do país.

01 abril 2009

Zambézia: não há operadores florestais, mas ladrões de madeira

Não há operadores florestais, mas ladrões de madeira - afirmou o director provincial de Agricultura da Zambézia, Mahomed Valá, citado pelo "Magazine Independente" desta semana. O director reagia a críticas de vários sectores da sociedade zambeziana, preocupados com o saque da floresta e afirmou que os problemas eram vários, desde fiscais corruptos, a alianças com Chineses e a pessoas "incontroláveis". Mas por quê "incontroláveis"? Resposta-extracto do jornal: "Porquê, Valá não disse, mas supõe-se que, como sempre, ele se quis referir a figuras da praça e, mesmo, do governo de Guebuza, que têm na Zambézia, concessões de exploração florestal, as quais não pagam nenhuma contribuição ao estado e, muito menos ainda, beneficiar as populações daquelas zonas."(p. 10)
Adenda: quero crer que os leitores sabem quanto este diário tem, faz muito já, dado conta do saque da floresta nacional. Quero crer, ainda, que os leitores sabem quanto vários cavaleiros andantes têm tentado (agora menos, claro) escamotear a realidade cruel do saque, escudando-se em números e margens oficiais de corte. Agora é um director provincial a pegar o touro pelos cornos, coisa impensável meses atrás. Entretanto, data de Janeiro a última referência ao saque da madeira na Zambézia, recordem aqui.

15 abril 2008

Nampula: "negócio da madeira ao rubro"

De acordo com A TribunaFax de hoje e com o título em epígrafe, "A comercialização de madeira, na proví-ncia de Nampula, está em crescimento, segundo dados recentemente divulgados pelo Fórum dos Recursos Naturais, FRN, uma coligação de advocacia, que revela que o volume de exportações cresceu em mais de 1000 porcento, nos últimos tempos. Em 2001, foram exportados quatro mil metros cúbicos de madeira em toro, número que, em 2006, subiu 43.628, representando uma variação de mais de 1000 por cento. A situação mostra o que se pode esperar em termos de desflorestamento, se o ritmo de exploração florestal não reduzir. (...) A Direcção Provincial de Agricultura, DPA, disse haver constrangimentos no funcionamento da Comissão Distrital de Florestas e Fauna Bravia em Nacala, que evidencia a incapacidade, no acompanhamento dos trabalhos de contentorização da madeira, devido ao aumento do volume de exportações e do número de estaleiros. (...) Em 2007, vários movimentos que trabalham em prol da protecção florestal escreveram ao Presidente da República, Armando Guebuza, uma carta aberta, pedindo a sua intervenção em relação ao excessivo saque dos recursos florestais. A recorrência a Guebuza deveu-se ao facto de as organizações não conseguirem obter uma resposta, em relação à matéria, junto dos governos provinciais e ministérios, para acabar com a anarquia."
Permitam recordar-vos que o saque da madeira tem constituído um tema contante neste diário e que aqui existem dezenas, senão mesmo, já, centenas de postagens a esse respeito. Recorde a útima aqui.

12 janeiro 2011

O saque da madeira continua

Segundo o "Notícias" de hoje, a seis colunas da primeira página, um navio de grande calado encontra-se retido no porto de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, por suspeita de transportar carga ilegal, constituída por 161 contentores de 20 pés de madeira em toro extraída na província. A madeira, propriedade de empresas (Mofid, Tienhe, Sinlian e Alphaben) pertencentes a cidadãos chineses, já tinha o aval das Alfândegas e destinava-se a países asiáticos. A retenção deveu-se à intervenção de entidades da Defesa e Segurança, estando implicados alguns funcionários da Agricultura e das Florestas. Acrescentou o notícia que não é a primeira vez que as citadas empresas desafiam a legalidade (a página online do jornal deve estar em manutenção no momento em que escrevo).
Nota: este diário está cheio de postagens alusivas ao saque da madeira no país. A última data de 12 de Dezembro, referente à província de Niassa, confira aqui. Sobre uma das empresas referidas pelo "Notícias", a Mofid, recorde neste diário aqui e aqui.
Adenda às 12:15: o portal do "Notícias" já está operacional, aqui.

17 julho 2011

Para reflexão

"Senhor Presidente: a nossa terra já exportou escravos, ouro, marfim, madeira, tanta coisa! Como sabe, escrevi nos manuais de História de Moçambique, nos anos 80, como tudo isso se passou. Agora, Presidente, parece que estamos a regressar aos séculos da pilhagem.  As nossas florestas estão a ser delapidadas. E floresta, Presidente, é raíz, floresta é o conjunto das nossas raízes, desta terra amada, mas desta terra cada vez mais desmatada. Presidente: corremos o risco de perdermos as raízes. (Carta minha ao presidente da República datada de Janeiro de 2007)
Recorde aqui. Clique com o lado esquerdo do rato na imagem acima para a ampliar.
Adenda às 19:02: Sobre a Zambézia, sugiro leiam um trabalho intitulado "Líderes coniventes no saque da madeira", da autoria de Estacio Valoi, inicialmente divulgado este mês no número 0 do "Diário da Zambézia" (versão em papel, pp. 1-2, informação de uma fonte do jornal) e depois reproduzido no blogue do autor aqui.
Adenda 2 às 19:44: ainda sobre o saque da madeira na Zambézia, leia um trabalho do jornalista Raul Senda do semanário "Savana" intitulado "Ninguém quer ficar atrás" e publicado na edição de 08/07/2011, aqui.
Adenda 3 às 9:39 de 18/07/2011: no "O País" digital, aqui.

24 setembro 2007

Saque da madeira e ameaças de morte

Eis um despacho da BBC: "Na província de Nampula há indicações de que significativas quantidades de madeira, incluindo preciosa, estejam a ser ilegalmente exportadas (...). A acrescentar às ameaças de morte que regularmente são dirigidas a funcionários do estado há pessoas bem posicionadas que oferecem a capa de que os operadores ilegais necessitam para fazer passar a madeira por portos como o de Nacala."
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Acabo de saber desta notícia conferindo Bosses. Permitam-me recordar que este diário tem dezenas de postagens sobre o saque da madeira, incluindo uma carta para o presidente da República escrita a 30 de Janeiro.

24 julho 2015

O saque da madeira

Num despacho da "Lusa", citando um estudo da Universidade Eduardo Mondlane: "[...] a quantidade de madeira ilegal explorada no país e exportada para China de forma ilegal é 5,7 vezes maior do que o volume declarado oficialmente pela Direção Nacional de Terras e Florestas". Aqui.
Adenda: este diário tem centenas de entradas sobre o desalmado saque da nossa madeira. Tempos houve em que abordar no país a desflorestação era considerado, por alguns cavaleiros andantes do tudo está bem, acto de lesa-pátria, exercício de macomunação com a estranja maquiavélica. Mas faz já alguns anos - especialmente desde 2011 - que se multiplicam os relatos pungentes e frontais sobre o desalmado saque florestal do país. Neste diário há desde 2007 centenas de postagens sobre esse saque, a mais recente está aqui.

24 agosto 2007

E o saque da nossa madeira continua


"Um total de 1248 toros de madeira da primeira do tipo pau-ferro e mondzo foram exportados há dias a partir do Porto de Nacala, em Nampula, para China pela empresa China-HK Development Group L.da, operação que constitui mais uma flagrante afronta à legislação em vigor, que considera ilegal qualquer transacção para os mercados externos da madeira não processada."
Como se verifica, o saque prossegue, o desrespeito flagrante da lei mantém-se. O problema não está com os operadores chineses ou tanzanianos (por exemplo), o problema está connosco, na retaguarda penumbrosa que oferecemos.
E assim, dia após dia, mês após mês, ano após ano, enquanto a madeira é saqueada (este diário está repleto de postagens sobre o saque), oficialmente defende-se que tudo está bem, abaixo do nível de corte, é isso o que dizem as estatísticas.

13 maio 2010

Prossegue saque da madeira

Madeira da Zambézia continua a sair de forma ilegal com destino aos países asiáticos, com destaque para a China.
O jornalista Jocas Achar escreveu que "o desflorestamento é uma realidade muito triste."
Adenda: este diário está cheio de entradas sobre o saque da madeira do nosso país. Recorde
aqui.

26 março 2016

O luxuoso saque da madeira no Gilé

No matutino "Notícias" de ontem: "Vários camiões a cavalo transportando umbila e pau-ferro [...] são vistos todos os dias a saírem da Reserva Nacional do Gilé, na província da Zambézia. [...] "[...] esses carros têm gente grande por detrás." [...] os trabalhadores desses furtivos circulam por aquela zona com viaturas de luxo para controlar os camiões enquanto transportam madeira." Aqui.
Adendaeste diário tem desde 2007 centenas de entradas sobre o desalmado saque da nossa madeira. Tempos houve em que abordar no país a desflorestação era considerado, por alguns cavaleiros andantes do tudo está bem, acto de lesa-pátria, exercício de macomunação com a estranja maquiavélica. Mas faz já alguns anos - especialmente desde 2011 - que se multiplicam os relatos pungentes e frontais sobre o desalmado saque florestal do país.

24 novembro 2009

Prossegue saque da nossa madeira

Especialmente nos distritos de Mocuba e Lugela, província da Zambézia, sai madeira de forma ilegal, a "olho nu" como titula o "Diário da Zambézia" de hoje. Quem isso afirma é o director provincial de Agricultura, Mahomed Valá. Confira aqui.
Adendas: (1) como sabem os leitores mais regulares, este diário tem centenas de entradas sobre o saque da madeira; (2) a edição do jornal acima apresenta, ainda, um trabalho sobre um pretenso tráfico de órgãos humanos com "presumíveis autores" (incluindo o comandante distrital da polícia) no distrito de Mocuba. Creio estarmos diante de um rumor.

29 dezembro 2007

Zambézia: o impedioso abate da floresta

Toros de madeira preciosa ilegalmente abatida encontram-se abandonados e espalhados a 80 quilómetros da cidade de Mocuba e nos distritos de Maganja da Costa, Pebane, Gilé, Morrumbala, Mopeia, Guruè e Milange, província da Zambézia - eis o que o jornal "Notícias" constatou no terreno. Enquanto isso, o director provincial de Agricultura da Zambézia, Mahomed Valá, "reconheceu a anarquia que se instalou na área das florestas" (os nossos reconhecimentos a este nível são sempre interessantes).
Quando aqui, neste diário, pela primeira vez no país, dei o alerta do saque da madeira na Zambézia, multiplicando-me depois ao longo do ano em sucessivos alertas para a situação a nível nacional - incluindo uma carta para o presidente da República -, levantaram-se de imediato protestos um pouco por todo o lado, dizendo uns que isso não era verdade, que o corte de madeira estava abaixo do oficialmente estabelecido, dizendo outros que eu estava ao serviço de obscuros interesses estrangeiros, defendendo outros que o problema principal do desmatamento estava com os camponeses e com as suas queimadas descontroladas, fazendo outros, finalmente, doutas avaliações científicas para mostrar que era necessário não generalizar. Gloriosos seminários foram organizados para promover a imagem de um país florestalmente saudável. Em resumo: uma enorme cortina de fumo destinada a vedar a realidade de um impiedoso saque feito (e que prossegue, coisa que se vê logo a olho nu de avião) com a conivência de Moçambicanos dos mais variados extractos sociais, numa clima neo-liberal que dá origem à busca do negócio e enriquecimento a qualquer preço.
Mas hoje já não é possível ignorar o impedioso desmatamento a que o nosso país está votado e o "Notícias" tem sido, felizmente, a esse nível, um excelente vigilante.
Se não tivermos cuidado, se prosseguir esta busca desenfreada de lucro e de exploração selvagem das florestas (e nada indica que vá ser sustida no ambiente ruidoso e festivo gerado no país com a riqueza exportável dos nossos recursos naturais), dentro de 15/20 anos teremos o país desmatado de forma perigosa. Aqui, como em outros muitos campos, os nossos ambientalistas têm a obrigação de denunciar sem tréguas tudo o que visa perigar a biodiversidade de Moçambique.

23 fevereiro 2013

Importantização

Em texto divulgado hoje na versão digital do "Notícias", o jornalista Pedro Nacuo critica o relevo que se deu ao relatório da EIA sobre o saque da madeira em Cabo Delgado, quando sobre esse saque anda ele a escrever há 12 anos e ninguém se dignou investigar o fenómeno a sério. Eis a sua conclusão: "A importantização do que é de fora ficou, mais uma vez, patente, na reacção da sociedade e instituições moçambicanas." Aqui. Recorde neste diário aqui.
Adenda às 7:31: sobre o saque da nossa madeira escrevi em 2007 várias cartas digitais ao presidente da República (a primeira aqui, a segunda aqui). Sobre Cabo Delgado e no mesmo ano, recorde a terceira carta aqui.