03 maio 2011

Poder e representação: teatrocracia em Moçambique (11)

O décimo primeiro número da série, que no seu título usa um termo de Georges Balandier, teatrocracia.
Termino o ponto cinco do sumário que vos propus, refiro-me ao poder pela heroicidade.
A questão central neste ponto não reside na produção de heróis em si, mas no seu monopólio. Monopolizar a produção nacional de heróis costuma ser uma das características dos países nos quais a gestão estatal é inseparável da gestão política. O monopólio na definição e na produção de heróis é um importante trunfo político, dotando formalmente de características gerais, universais, nacionais, aqueles que são definidos no interior de um grupo político hegemónico como obreiros de feitos excepcionais, como possuindo qualidades sobre-humanas. Produzidos os heróis, eles são, então, motivo de celebração periódica, alimentando vários tipos de poderes conexos e, especialmente, o poder comemoracional-cerimonial.
Imagem: el poder, quadro do pintor e ceramista argentino Raúl Pietranera).
(continua)

Matar Ben Laden, ressuscitar a Al-Qaeda

De um trabalho de Santiago Alba Rico com o título em epígrafe: "Uma das grandes surpresas para os levantamentos populares no mundo árabe é que haviam deixado momentaneamente fora do jogo todas as forças islâmicas e em especial, claro, a mais suspeitosa e extremista, Al-Qaeda, marca comercial de obscuro conteúdo largamente instrumentalizada para sustentar ditadores, reprimir todo o tipo de dissidência e desviar a atenção para longe dos verdadeiros campos de batalha. Com indicações de amplo espectro, Ben Laden reaparecia cada vez que fazia falta atiçar a "guerra contra o terrorismo"" (tradução minha do espanhol, CS). Em espanhol aqui; para traduzir, aqui.
Adenda: sugiro também a leitura de um texto de Paul Graig Roberts intitulado "A segunda morte de bin Laden", aqui.

Regabofe

Analise o tipo de universidade descrito na manchete de hoje do "Wamphula fax", um jornal publicado em Nampula, aqui.

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (3)

Fotos de Carlos Serra Jr. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Todos os filhos da Rainha

O efeito infantilizante da monarquia - um texto de Ian Buruma com o título em epígrafe a propósito da casa real de Windsor, aqui. Para traduzir, aqui.

Reeditado

O livro com a capa em epígrafe, da autoria de João Feijó, foi reeditado pela Alcance Editores e lançado no dia 29 por ocasião da feira do Livro no Parque dos Continuadores, cidade de Maputo. Para ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Série Lago Niassa (8)

Fotos de Carlos Serra Jr, Lago Niassa (visto a partir de Metangula, distrito do Lago), lá na província do mesmo nome, a maior do país, mas também a menos habitada. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

02 maio 2011

Regabofe

A propósito de uma "universidade" em Nampula

Diário de um fotógrafo

Diário de um poeta

Aqui

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local: 
* Genéricos: Série Lago Niassa (8); Dossier "Savana" (3) (edição de 29/04/2011); Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (3)
* Séries pessoais: Poder e representação: teatrocracia política em Moçambique (11); Da cesta básica à cesta política (7); Os conhecidos que se desconhecem (11); Ditos (8); Dos megaprojectos às mega-ideias (11); Mal-estar na civilização (12); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (26); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Supremacia económica chinesa a partir de 2016/2020

Segundo o Fundo Monetário Internacional, a China deverá ser a maior economia mundial em 2016, ultrapassando a dos Estados Unidos. Um outro indicador aponta para 2020. Confira aqui, aqui, aqui e aqui. Para traduzir, aqui. Se quiser ampliar a imagem do topo, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

441.ª foto (Fénix, a petulante)

Poder e representação: teatrocracia em Moçambique (10)

O décimo número da série, que no seu título usa um termo de Georges Balandier, teatrocracia.
Passo agora ao ponto cinco do sumário que vos propus, refiro-me ao poder pela heroicidade.
Aqui está um outro campo vital da luta política: a produção de heróis.
O que é um herói? Um herói é alguém a quem, colectiva, inter-subjectivamente (excluo a análise dos heróis pessoais), atribuímos qualidades extraordinárias, fora do comum, alguém que perdeu digamos que as suas qualidades humanas e se transformou numa espécie de deus terreno, de deus profano. Para enunciar um truísmo, um herói nunca existe a montante, mas a juzante das nossas representações sociais. A morfologia da heroicidade é, naturalmente, vasta e variada. O herói não tem um centro temático ou uma linha de pureza ou de impureza. Os impuros de uns são os puros de outros e vice-versa. Os heróis são tantos quantas as nossas necessidades em guias, em referenciais, em modelos de conduta, em territórios políticos de combate. E, regra geral, consoante a intensidade e a extensão das lutas entre grupos sociais ou nacionais.
Ainda não acabei este ponto. Imagem: el poder, quadro do pintor e ceramista argentino Raúl Pietranera).
(continua)

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (2)

Fotos de Carlos Serra Jr. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Dossier (2) (Edição de 29/04/2011)

Queira conferir a segunda parte de um dossier com peças do semanário "Savana" datado de 29/04/2011, aqui.
(continua)

Série Lago Niassa (7)

Fotos de Carlos Serra Jr, Lago Niassa, lá na província do mesmo nome, a maior do país, mas também a menos habitada. As fotos anteriores foram tiradas em Mponda, distrito de Lichinga. Passamos agora para Metangula, distrito do Lago. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Revoluções árabes acabam com a ideologia e o discurso da Al Qaeda

De um trabalho em árabe de Jáled Harub com o título em epígrafe: "O efeito mais importante das revoluções árabes pacíficas sobre a lógica e a ideologia da Al Qaeda consiste em ter acabado com o uso da violência total e em demonstrar a sua incapacidade para produzir uma mudança interna nos regimes cruéis. Os povos árabes e muçulmanos não precisam de organizações armadas ou violentos geradoras dos mais altos níveis de terrorismo para derrubar os regimes que não querem. A palavra-chave que as revoluções árabes trouxeram para o dicionário da mudança política e social é "efectividade"". Original em árabe aqui; em espanhol, aqui.

01 maio 2011

Hoje

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (1)

Fotos de Carlos Serra Jr. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011

Uma série com fotos de Carlos Serra Jr

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local: 
* Genéricos: Série Lago Niassa (7); Dossier "Savana" 29/04/2011 (2); Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (1)
* Séries pessoais: Poder e representação: teatrocracia política em Moçambique (10); Da cesta básica à cesta política (7); Os conhecidos que se desconhecem (11); Ditos (8); Dos megaprojectos às mega-ideias (11); Mal-estar na civilização (12); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (26); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Milhares na 25 de Setembro

Milhares de pessoas na Avenida 25 de Setembro, cidade de Maputo, neste Primeiro de Maio.

Necessidade de sagrado

Esta imensa necessidade de sagrado que as pessoas parecem sentir, esta enorme ânsia de curto-circuitar a rudeza e a pequenez da vida para lhe conferir, sentindo-a, uma dimensão de eternidade profana: beatificação do papa João Paulo II, casamento real entre William e Kate na Inglaterra, idolatria por Messi e Cristiano Ronaldo no futebol.

440.ª foto (uma senhora elegante)

Poder e representação: teatrocracia em Moçambique (9)

O nono número da série, que no seu título usa um termo de Georges Balandier, teatrocracia.
Passo agora ao ponto quatro do sumário que vos propus, refiro-me ao poder motorizado.
Este é um dos grandes pulmões do poder político, parte integrante do espectáculo do poder expondo-se através da viatura último modelo, do ruído marcante, do aparato policial.
Não me interessa aqui o poder motorizado particular do gestor do poder político, o uso privado de viaturas. Interessa-me, sim, a espectacularidade do poder motorizado oficial, desse espantoso poder a grande velocidade que abre caminho através do carro policial da sirene, acompanhado pelas luzes de aviso, protegido pelos agentes de segurança, servido pelas ordenanças. Quanto mais importante o cargo do chefe, mais aparatoso é o poder motorizado. Mas a alma do aparato ultrapassa, afinal, as regras da hierarquia. Mesmo se numa capital provincial de pouco tráfego, mesmo se na sede distrital, o chefe e o sistema tudo fazem para se anunciarem, a visibilidade é de regra. Quanto mais aparato, mais poder genuíno exposto. É imperativa a velocidade, há tenebrosos inimigos à espreita? Creio que o fundamental do poder a expor não reside nessa pergunta, mas nesta: como mostrar que estou em primeiro lugar, que sou elite, que sou puro poder, poder absolutamente não miscível, poder fundador, poder infinito?
Imagem: el poder, quadro do pintor e ceramista argentino Raúl Pietranera).
(continua)

Série Lago Niassa (6)

Fotos de Carlos Serra Jr, Lago Niassa, lá na província do mesmo nome, a maior do país, mas também a menos habitada. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Dossier (1) (Edição de 29/04/2011)

Queira conferir a primeira parte de um dossier com peças do semanário "Savana" datado de 29/04/2011, aqui.
(continua)

Costa do Marfim: mais um ano de sanções

O Conselho de Segurança da ONU ampliou por um ano o regime de sanções imposto à Costa do Marfim no referente ao embargo ao tráfico de armas e de diamantes. Em espanhol aqui; para traduzir, aqui.

Meios de produção intelectual