Verdadeiramente notável o veemente debate que se trava em certos círculos do país sobre feitos e virtudes, apaixonados uns por seus deuses profanos, sedentos outros de deuses diferentes. Todos, enfim, à procura de seus grandes homens e de suas grandes mulheres, num verdadeiro exercício de religiosidade profana.
Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
31 janeiro 2014
Postagens na forja
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* Séries pessoais: Ritos de iniciação/aldeia Assumane/Niassa/2013 (5); Culto aos presidentes (5); A guerra psicológica na possível guerra no país (4); Espírito do deixa-falar (10); Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (15); Propaganda eleitoral pelo vestuário (8); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (29); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (76); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
A "hora do fecho" do "Savana"
Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "Na hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto da peça inteira da edição 1047 que pode ser lida amanhã neste diário:
Compre e coleccione, muitos outros números virão
Estão à venda também na cidade de Maputo os livros com as capas abaixo, primeiro e segundo números da coleção "Cadernos de Ciências Sociais":
Brevemente também à venda o terceiro número, com a capa abaixo:
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A coleção "Cadernos de Ciências Sociais" pretende dar respostas a perguntas simples sobre temas complexos da vida social, com textos combinando simplicidade e rigor de autores de vários quadrantes do imenso mundo falante de português. Nela apresentarei alguns dos grandes cientistas e intelectuais de ramos diversos que escrevem nessa língua no planeta, inscritos num fórum da coleção que cresce dia após dia.
Renamo e fiscais eleitorais
Segundo o "Wamphula fax" de hoje, através do seu delegado em Nampula a Renamo reafirmou que vai participar nas eleições gerais previstas para Outubro, estando a preparar fiscais para o efeito. Entretanto, segundo um jornalista do "Diário da Zambézia", nada disso ocorre na Zambézia. As províncias de Nampula e Zambézia são as mais populosas do país.
Ritos de iniciação/aldeia Assumane/Niassa/2013 (4)
(continua)
30 janeiro 2014
Trabalho e necessariamente
Há termos sistemáticos nos discursos oficiais, do género: "Há um trabalho que está a ser feito" (algumas vezes com recurso ao gerúndio "está sendo feito"), "A solução passa necessariamente pela..."
Adenda às 20:02: uma análise de conteúdo poderia confirmar a frequência da palavra "trabalho" nas intervenções dos porta-vozes da polícia e a frequência da palavra "necessariamente" nas intervenções mais laudatórias de certos deputados da Assembleia da República.
Adenda às 20:02: uma análise de conteúdo poderia confirmar a frequência da palavra "trabalho" nas intervenções dos porta-vozes da polícia e a frequência da palavra "necessariamente" nas intervenções mais laudatórias de certos deputados da Assembleia da República.
Postagens na forja
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* Séries pessoais: Ritos de iniciação/aldeia Assumane/Niassa/2013 (4); Culto aos presidentes (5); A guerra psicológica na possível guerra no país (4); Espírito do deixa-falar (10); Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (15); Propaganda eleitoral pelo vestuário (8); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (29); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (76); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
Crise analítica das crises políticas
“Nenhuma sociedade progrediu sem fazer a sua própria crítica, sem que os seus criadores e pensadores se metessem contra a corrente dos bem-pensantes (…) África tem necessidade de imprecadores.” (Henri Lopès, Mes trois identités, in Kandé, Sylvie (dir), Discours sur le métissage, Identités métisses, En quête d´Ariel. Paris: L´Harmattan, 1999, pp. 141-142)
Há um debate sobre se o Comité Central da Frelimo pode ou não propôr outros nomes além dos três indicados (ao que parece de forma definitiva) pela Comissão Política. Há páginas no Facebook com nomes alternativos propostos por círculos anónimos de opinião do país.
O fenómeno tem provocado dois tipos de reacção: a reacção daqueles que defendem haver uma crise em gestação e, até, já, a possibilidade de uma fractura na Frelimo segundo uns, a possibilidade de uma Frelimo já em processo de dissolução segundo outros; e a reacção daqueles que, severamente uns, moderamente outros, criticam os críticos.
Ainda que por caminhos diferentes, uns e outros vivem acantonados num mesmo princípio, o sacrossanto e substancialista princípio da identidade absoluta, da identidade monárquica, a saber: uma coisa só pode ser ela e não também outra, a lógica formal em sua cristalina pureza, o pitagorismo do Uno indivisível.
Uns pressagiam e desejam a crise, outros temem-na ou julgam-na impossível; uns gostariam de ver a Frelimo em crise definitiva, outros acham isso historicamente antinatural, historicamente impossível. Ambos as trincheiras fazem a defesa da realeza decisória, nadam no mesmo rio no qual a água é a crise doentia, a concepção epidemiológica de crise, a crise como doença a combater.
Por regra pensamos em crise enquanto fenómeno de regressão, enquanto doença, enquanto metástase. Não é a febre um exemplo de saúde afectada? Estar em crise significa, para todos ou quase todos nós, estar mal. Eis exemplos correntes em certos círculos: os valores morais estão em crise, a cultura está em crise, a economia está em crise, o futebol está em crise, a Renamo está em crise, etc.
Porém, crise pode, também, significar, saúde, evolução, vitalidade. No caso dos partidos políticos, quanto mais alternativas analíticas houver, quanto mais possibilidade de escolha de dirigentes houver, quanto mais pluralidade crítica houver, quanto mais debate sobre isso houver, interno e externo, mais rica e desejável é a "crise", maior é o potencial de genuína democracia em curso, maior é a qualidade do crescimento partidário.
Então, em lugar de vermos a crise nos partidos, vejamo-la nos analistas, pensemos, antes, numa real crise analítica, na necessidade de fazer cair a monarquia em favor da república analítica.
Há um debate sobre se o Comité Central da Frelimo pode ou não propôr outros nomes além dos três indicados (ao que parece de forma definitiva) pela Comissão Política. Há páginas no Facebook com nomes alternativos propostos por círculos anónimos de opinião do país.
O fenómeno tem provocado dois tipos de reacção: a reacção daqueles que defendem haver uma crise em gestação e, até, já, a possibilidade de uma fractura na Frelimo segundo uns, a possibilidade de uma Frelimo já em processo de dissolução segundo outros; e a reacção daqueles que, severamente uns, moderamente outros, criticam os críticos.
Ainda que por caminhos diferentes, uns e outros vivem acantonados num mesmo princípio, o sacrossanto e substancialista princípio da identidade absoluta, da identidade monárquica, a saber: uma coisa só pode ser ela e não também outra, a lógica formal em sua cristalina pureza, o pitagorismo do Uno indivisível.
Uns pressagiam e desejam a crise, outros temem-na ou julgam-na impossível; uns gostariam de ver a Frelimo em crise definitiva, outros acham isso historicamente antinatural, historicamente impossível. Ambos as trincheiras fazem a defesa da realeza decisória, nadam no mesmo rio no qual a água é a crise doentia, a concepção epidemiológica de crise, a crise como doença a combater.
Por regra pensamos em crise enquanto fenómeno de regressão, enquanto doença, enquanto metástase. Não é a febre um exemplo de saúde afectada? Estar em crise significa, para todos ou quase todos nós, estar mal. Eis exemplos correntes em certos círculos: os valores morais estão em crise, a cultura está em crise, a economia está em crise, o futebol está em crise, a Renamo está em crise, etc.
Porém, crise pode, também, significar, saúde, evolução, vitalidade. No caso dos partidos políticos, quanto mais alternativas analíticas houver, quanto mais possibilidade de escolha de dirigentes houver, quanto mais pluralidade crítica houver, quanto mais debate sobre isso houver, interno e externo, mais rica e desejável é a "crise", maior é o potencial de genuína democracia em curso, maior é a qualidade do crescimento partidário.
Então, em lugar de vermos a crise nos partidos, vejamo-la nos analistas, pensemos, antes, numa real crise analítica, na necessidade de fazer cair a monarquia em favor da república analítica.
Ritos de iniciação/aldeia Assumane/Niassa/2013 (3)
(continua)
Ranking de fuga de capital ilícito
A África subsariana sofreu o maior fuga de capital ilícito (resultante de crime, corrupção, evasão fiscal e outras actividades) entre 2002 e 2011, segundo uma avaliação do Global Financial Integrity. Entretanto, numa classificação para 144 países na qual China e Rússia ocupam respectivamente o primeiro e segundo lugares, o nosso país foi colocado em 118º lugar. Aqui e aqui. (obrigado ao RC pelo envio da referência)
29 janeiro 2014
Matsinhe e o barulho
Ouvido pela estação televisiva STV para o jornal da noite das 20 horas, o veterano da Frelimo, Mariano Matsinhe, afirmou que pela primeira vez no país deverá haver um candidato presidencial do seu partido que não vem da luta armada de libertação nacional. E acrescentou: "daí este barulho".
Adenda: leia este texto meu aqui.
Adenda: leia este texto meu aqui.
Postagens na forja
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* Séries pessoais: Ritos de iniciação/aldeia Assumane/Niassa/2013 (3); Culto aos presidentes (5); A guerra psicológica na possível guerra no país (4); Espírito do deixa-falar (10); Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (15); Propaganda eleitoral pelo vestuário (8); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (29); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (76); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
Negociações e eleições: Joseph Hanlon comenta
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Ritos de iniciação/aldeia Assumane/Niassa/2013 (2)
Segundo número da série - fotos enviadas por A. Katawala, tiradas entre Outubro e Novembro do ano passado. Sugiro confira o debate neste diário a propósito de ritos de iniciação feminina no distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado, comentados por Nilsa Domingos, aqui.
(continua)
28 janeiro 2014
Linchados em Zóbuè/Moatize/Tete
Dois indivíduos foram linchados por populares no posto administrativo de Zóbuè, distrito de Moatize, província de Tete. Aqui. Há dias, também houve linchamentos na periferia da cidade de Maputo. Aqui e aqui. Tente ler os livros com as capas mostradas a seguir:
Postagens na forja
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* Séries pessoais: Ritos de iniciação/aldeia Assumane/Niassa/2013 (2); Culto aos presidentes (5); A guerra psicológica na possível guerra no país (4); Espírito do deixa-falar (10); Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (15); Propaganda eleitoral pelo vestuário (8); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (29); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (76); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
Ruaportagem em Luanda
"[...] lançaremos o EP Ruaportagem do grupo Artigo 9.0, um Ep que temos vindo a trabalhar há quase 3 anos e que só esse ano finalmente vamos poder metê-lo nas ruas e esperamos que seja bem recebido porque estamos a trabalhar muito nisto, estamos a depositar aqui nossas energias e nosso total empenho.
Fala-nos deste EP
O EP Ruaportagem é uma abordagem das ruas, os problemas da população, o modo de vida dos cidadãos, as diferentes maneiras de encarar e sobreviver a vida, os sacrifícios do dia-dia, é um olho das câmera nas ruas de Luanda, e toda sociedade envolvente." Aqui.
Fala-nos deste EP
O EP Ruaportagem é uma abordagem das ruas, os problemas da população, o modo de vida dos cidadãos, as diferentes maneiras de encarar e sobreviver a vida, os sacrifícios do dia-dia, é um olho das câmera nas ruas de Luanda, e toda sociedade envolvente." Aqui.
Consequência das relações
Atribuímos aos seres humanos um fundo inato de violência, de religiosidade, de amor filial, de respeito, etc. Depois, por simples processo dedutivo, limitamo-mos a enumerar a sua morfologia, as suas características. Se atacarmos estas características, podemos atenuar os males, podemos mesmo sonhar que um dia viveremos num mundo impoluto, estrangeiro à maldade - assim acreditam muitos. Por outras palavras, fazemos das consequências das relações sociais as suas causas. Bem mais complicado é estudar (e aceitar como dado de partida) as condições sociais que geram os comportamentos que transformamos em consequências, bem mais difícil é transformar a violência não num fundo inerente aos seres humanos, mas numa consequência das relações nas quais estamos inseridos, relações que simultaneamente construímos e nos constroem.
27 janeiro 2014
Tecnologia militar italiana em Maputo
Navios de guerra italianos estão no porto de Maputo: "No grande pavilhão do porta-aviões, a exposição "Um país em movimento" promove, sobretudo, e através de grandes cartazes, a tecnologia militar italiana: mísseis, helicópteros, navios de guerra, armas ligeiras e pesadas, de grandes empresas, como Beretta, Finmecanica e Ficantieri. ["Andamos a mostrar as nossas capacidades. Quem as vir e estiver interessado pode dirigir-se a Itália, que bate na porta certa, e comprar, admitindo que sejam países que possam comprar [armamento] em Itália", concluiu Treu."
Comentário: num momento em que o país vive uma situação político-militar delicada, é evidente que não são as gôndolas de Veneza que estão expostas nos barcos italianos.
Adenda às 21:30: quero acreditar que nunca teremos no país algo parecido com Maputosatory.
Comentário: num momento em que o país vive uma situação político-militar delicada, é evidente que não são as gôndolas de Veneza que estão expostas nos barcos italianos.
Adenda às 21:30: quero acreditar que nunca teremos no país algo parecido com Maputosatory.
Ritos de iniciação/aldeia Assumane/Niassa/2013 (1)
Fotos enviadas por A. Katawala, tiradas entre Outubro e Novembro do ano passado. Sugiro confira o debate neste diário a propósito de ritos de iniciação feminina no distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado, comentados por Nilsa Domingos, aqui.
(continua)
Cibertsunamis
Correm interneticamente informações sobre os mais variados tipos de fenómenos no país. São cibertsunamis em bruto. A credulidade parece ser enorme. Mas quem assegura a credibilidade das informações? Jornais digitais do despacha-rápido e blogues do copia-cola-mexerica nada perdoam: tudo o que vem à rede é peixe.
Lá no Niassa
Amplie a imagem em epígrafe clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato. Em língua yaawo, kucela significa amanhecer. Sobre a província do Niassa, aqui.
Postagens na forja
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* Séries pessoais: Culto aos presidentes (5); A guerra psicológica na possível guerra no país (4); Espírito do deixa-falar (10); Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (15); Propaganda eleitoral pelo vestuário (8); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (29); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (76); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
Cesarismo
O cesarismo tem sempre a ver com decisões imediatas, arbitrárias, digamos que instintivas. O seu meio é, regra geral, exterior às instituições, à normalidade legal. Três hipóteses:
1. O cesarismo não requer caudilhos militares. O césar da actualidade, o neo-césar pode habitar o corpo de um líder vestido de democrata.
2. O cesarismo é tão mais forte e recorrente quanto mais fraca for a estrutura institucional de um país e mais reverentes, acríticas e temerosas forem as pessoas ante poderes e chefes.
3. Todos os partidos políticos têm doses mais ou menos fortes de cesarismo.
1. O cesarismo não requer caudilhos militares. O césar da actualidade, o neo-césar pode habitar o corpo de um líder vestido de democrata.
2. O cesarismo é tão mais forte e recorrente quanto mais fraca for a estrutura institucional de um país e mais reverentes, acríticas e temerosas forem as pessoas ante poderes e chefes.
3. Todos os partidos políticos têm doses mais ou menos fortes de cesarismo.
No "Savana" 1046 de 24/01/2014, p. 19
Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do semanário "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
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Primeira-dama da Costa do Marfim
Segundo o "Afrique Intelligence", a primeira-dama da Costa do Marfim, Dominique Ouattara, combina negócios e caridade. Leia aqui.
Sérgio Vieira e o candidato presidencial da Frelimo
"[Savana] A Frelimo anunciou os seus três pré-candidatos para as eleições presidenciais de 15 de Outubro. Dias depois, o Secretário-Geral veio dizer que não haveria outros candidatos para além dos três, o que veio criar divergências no seio da Frelimo e não só. Numa situação em que o Comité Central (CC) é o órgão de decisão nesta matéria, o que tem a comentar sobre isso.
[Sérgio Vieira] Penso que a CP estatutariamente tem o direito de propor candidatos. Assim aconteceu por exemplo antes do 8º Congresso, quando o CC se reuniu e disse que vamos designar o nosso candidato agora. [...] A CP tem o direito de fazer propostas. Agora, não pode, nem a CP, nem sequer o CC, retirar o direito estatutário dos membros de propor candidaturas. Isso é que não pode, não existe. Se é isso o que quis dizer o Secretário-Geral, de alguma maneira cometeu pelo menos lapso de não ter revisto os estatutos." Aqui.
[Sérgio Vieira] Penso que a CP estatutariamente tem o direito de propor candidatos. Assim aconteceu por exemplo antes do 8º Congresso, quando o CC se reuniu e disse que vamos designar o nosso candidato agora. [...] A CP tem o direito de fazer propostas. Agora, não pode, nem a CP, nem sequer o CC, retirar o direito estatutário dos membros de propor candidaturas. Isso é que não pode, não existe. Se é isso o que quis dizer o Secretário-Geral, de alguma maneira cometeu pelo menos lapso de não ter revisto os estatutos." Aqui.
Sinais premonitórios
Quando vivemos problemas, há quem pense que a melhor solução consiste em esconder a cabeça como fazem as avestruzes em momento de perigo. Ou consiste em produzirmos discursos morais condenatórios. Mas também há outra maneira de proceder: consiste em estarmos atentos aos sinais premonitórios, em evitarmos que esses sinais se tornem realidade, em darmos ao futuro a moldura de uma sociedade mais justa, menos propensa à violência social.
26 janeiro 2014
Postagens na forja
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* Séries pessoais: Culto aos presidentes (5); A guerra psicológica na possível guerra no país (4); Espírito do deixa-falar (10); Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (15); Propaganda eleitoral pelo vestuário (8); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (29); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (76); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
Ritos de iniciação feminina: o protesto de Nilsa
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Adenda: confira os resultados de uma pesquisa sobre ritos de iniciação no país, aqui.
Culto aos presidentes (4)
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- Democracias hipercapitalistas, nas quais a figura do presidente é tão vital como mercadoria multinegociável quanto Messi, a nova estrela de Hollywood ou o último modelo da Ferrari.
- Sistemas monopartidários de figurino socialista, nos quais os líderes de topo surgem como garantes inquestionáveis de uma prometida parúsia profana.
- Democracias autoritárias de forte concentração nos poderes decisórios presidenciais.
- Quebras de legitimidade política acompanhadas da proliferação de frentes críticas das medidas governamentais.
- Instabilidade social propícia à criação emergencial de líderes cesaristas e à produção de epopeias pessoais politicamente trabalhadas.
Se não se importam, prosseguirei mais tarde.
25 janeiro 2014
Postagens na forja
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* Séries pessoais: Culto aos presidentes (4); A guerra psicológica na possível guerra no país (4); Espírito do deixa-falar (10); Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (15); Propaganda eleitoral pelo vestuário (8); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (29); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (76); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
Índice Global de Escravidão 2013
Confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui (agradeço ao RC o envio da referência). Clique sobre as imagens com o lado esquerdo do rato para as ampliar.
Observação: infelizmente não consegui saber onde e como foi obtida a informação sobre o nosso país. A moderna escravidão tem várias modalidades e o nosso país ainda não é forte na estatística dessas modalidades. Exemplos de problemas: quantas prostitutas tem o país? Quantas pessoas foram sujeitas a trabalho forçado? Quantas pessoas foram traficadas? Quantas pessoas foram alvo de remoção de órgãos? Quantos casos de casamento forçado houve? Etc.
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