Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
20 dezembro 2006
Direito alternativo: nasce blogue bi-nacional
Um novo blogue, bi-nacional, nasceu, com enfoque no direito alternativo, feito pela Yla e por mim. Veja aqui ou no link do lado direito.
19 dezembro 2006
Fenómeno novo: tiroteio "chinês" em Maputo

O interessante não é que, uma vez mais, tenha havido tiroteio na baixa de Maputo, a isso já nos tiroteioámos, o interessante é que o tiroteio tenha sido originado, segundo a lacónica notícia da versão online do "Notícias" de hoje, por uma rixa entre comerciantes chinesas desavindas em negócios de produtos vários. Porém, a versão impressa do diário é mais pormenorizada e afirma que uma das femininas partes desavindas chamou homens chineses que começaram "a distribuir tiros por todo o lado". Uma mulher chinesa morreu com estilhaços de vidro de uma montra ("Notícias" de hoje, 19/12/06, p. 19).
A foto, extraída do "Notícia", mostra a fachada principal do estabelecimento comercial no qual se registou a rixa, na Avenida Fernando Magalhães.
Palavras-pacemakers
Cada vez mais parece que certas palavras se encarregam de ter vida própria, como se fossem seres sobre-humanos, como se fossem gigantescas causas independentes de nós e de relações sociais concretas: pobreza absoluta, corrupção, burocratismo, sida, etc.
Por todo o lado, não importa o nível decisório e o emissor da palavra oficial, surgem esses seres espantosos sem rosto próprio, espíritos maus que importa expurgar simbolicamente não interessando saber exactamente o que são, quem são e por que são.
Transferimos para seres fantásticos, cómodos justamente por serem fantásticos, as consequências de certas práticas sociais cujos processos não interessa ter em conta. A pobreza absoluta, por exemplo, é um mal que podemos eliminar se "todos" nós assumirmos o combate contra ela. A crença politicamente interessada é a de que a pobreza absoluta nada tem a ver com o sistema social que a segrega em permanência, mas com a falta de trabalho e de apego.
É como se, esvaziado por completo o sentido social das coisas e das pessoas que fazem coisas em relações a propósito de coisas que uns têm e outros não, transformássemos essas palavras em eléctrodos politicamente úteis. Melhor, em pacemakers que reequilibram politicamente o ritmo cardíaco da nossa vida social com pequenos choques eléctricos simbólicos, convenientes, verbais, encantadores, silenciosos e anestesiantes.
Por todo o lado, não importa o nível decisório e o emissor da palavra oficial, surgem esses seres espantosos sem rosto próprio, espíritos maus que importa expurgar simbolicamente não interessando saber exactamente o que são, quem são e por que são.
Transferimos para seres fantásticos, cómodos justamente por serem fantásticos, as consequências de certas práticas sociais cujos processos não interessa ter em conta. A pobreza absoluta, por exemplo, é um mal que podemos eliminar se "todos" nós assumirmos o combate contra ela. A crença politicamente interessada é a de que a pobreza absoluta nada tem a ver com o sistema social que a segrega em permanência, mas com a falta de trabalho e de apego.
É como se, esvaziado por completo o sentido social das coisas e das pessoas que fazem coisas em relações a propósito de coisas que uns têm e outros não, transformássemos essas palavras em eléctrodos politicamente úteis. Melhor, em pacemakers que reequilibram politicamente o ritmo cardíaco da nossa vida social com pequenos choques eléctricos simbólicos, convenientes, verbais, encantadores, silenciosos e anestesiantes.
18 dezembro 2006
Leia sobre Moçambique em língua inglesa
Desportivo-me!
O Desportivo de Maputo ganhou o campeonato nacional e a Taça de Moçambique em futebol. Uma bela equipa, um excelente Dominguez, um notável trabalho do treinador Uzaras Mahomed. Desportivo-me!
Naturalmente que o Sr. Semedo, treinador do Ferroviário de Maputo, achou que o Desportivo apenas ganhou nos bastidores. Mas eu des-semedoizo-me de semelhante e incurável dor de cotovelo.
Apenas espero que no próximo ano, a minha equipa, o Chingale de Tete, faça melhor, para eu me chingalezar.
Naturalmente que o Sr. Semedo, treinador do Ferroviário de Maputo, achou que o Desportivo apenas ganhou nos bastidores. Mas eu des-semedoizo-me de semelhante e incurável dor de cotovelo.
Apenas espero que no próximo ano, a minha equipa, o Chingale de Tete, faça melhor, para eu me chingalezar.
16 dezembro 2006
País da marrabenta

Ontem ouvi um dos cds do Sr. Mc Roger (num dos trabalhos desse cd o cantor diz a uma jovem que ele é especial e que entrará com ela no cinema pelo lado VIP), que desliza pelas ruas da cidade em seu carrão de luxo e faz questão de cantar um rap amorfo, "neo-liberal", laudatório, bajulatório ("Patrão!", recordai-vos), feito Michael Jackson de paróquia.
Hoje, curei por completo as minhas úlceras gástricas afectivas motivadas por esse rap, ouvindo o hip hop do Gpro Fam.
Proponho-vos, aos que ainda não ouviram, a escuta do "País da marrabenta".
Um notável documento sociológico que mostra a pobreza multilateral entre os carros de luxo deste país.
Nós, estudantes do social, temos de dedicar mais tempo ao estudo das letras das nossas canções.
N.B. Sabem, tenho saudades das canções de Jeremias Ngwenha, de letras do género "wodja pawa ra nwana (estão a comer o pão da criança). Constou-me que ele abandonou a canção e é agora pregador algures. Alguém me sabe dizer algo a propósito?
15 dezembro 2006
Xtaka Zero: uma extraordinária banda de intervenção social

Acabei de ouvir o último trabalho da banda Xtaka Zero.
Uma banda de excepcional valor, produto de imenso e visível trabalho, um ritmo belo e mestiço, forte e doce, filho do rap, da marrabenta e creio que também da música popular sul-africana(sinta-se a beleza de "Tsundzekela", do arranjo no clássico "Vou morrer assim" e de "Timaka ta chapa"); letras de uma aguda e atenta intervenção social.
Todo o país urbano, com a complexidade dos seus problemas sociais, da pobreza à corrupção a todos os níveis, é passado a pente fino. Oiça-se, em particular, "Skit..Oh...só Ministro", "Greve geral", "txunabeibes", "Topoliça", "Skit...Chapa 100" (absolutamente notável) e "Timaka ta chapa" (um ritmo vigoroso, que se sente bem na alma).
De facto, a vida está "Underground", para usar o título de um dos 19 excelentes trabalhos do Xtaka Zero.
Enfim, um exemplar trabalho...sociológico.
Visitar Maputo em Maputo
Há notícias surpreendentes: por exemplo, o "Notícias" de quarta-feira anunciou em primeira página que o procurador-geral da República iniciava nesse dia uma visita de três dias à Procuradoria da cidade de Maputo (edição de 13/12/06).
País mozalar
O país continua largamente dependente dos megaprojectos de capital estrangeiro, com o alumínio da Mozal bem à cabeça. Inexiste o capital moçambicano de investimento industrial sólido. Em 2005, a agricultura representou apenas "cerca" de 2% nos negócios das 100 maiores empresas do país (suplemento Economia & Negócios do "Notícias" de hoje, última página).
Somos um país exemplar, mozalar, estamos atrelados ao sector de serviços e vivemos felizes com o nosso capitalismo endógeno dumba-nengueiro.
Somos um país exemplar, mozalar, estamos atrelados ao sector de serviços e vivemos felizes com o nosso capitalismo endógeno dumba-nengueiro.
Nada a fazer
"Nasce-se e morre-se. Enriquece-se e empobrece-se. Vida é isto." - eis a decisão irremediável do cronista Paulo António no seu texto "Adversidades" no "Notícias" de hoje.
Os convergentes
Os títulos dos jornais são sempre, para mim, coisas fascinantes. Por exemplo, o "Notícias" online de hoje diz que as bancadas da Assembleia da República, designadamente Frelimo e Renamo-União Eleitoral, estão "divergentes" no tocante ao Plano Económico e Social e ao Orçamento de Estado para 2007.
O "Notícias" é pródigo em desejos nefelibatas desses tipo. Mas não apenas ele.
Creio que o ideal de muitos convergentes seria o de termos um país unisexo, absolutamente despedido (digo bem, despedido) de opiniões diferentes.
O "Notícias" é pródigo em desejos nefelibatas desses tipo. Mas não apenas ele.
Creio que o ideal de muitos convergentes seria o de termos um país unisexo, absolutamente despedido (digo bem, despedido) de opiniões diferentes.
13 dezembro 2006
Frelimo e operário-camponeses
Importe e leia um texto do sociólogo Honório Massuanganhe no portal da Unidade de Diagnóstico Social.
12 dezembro 2006
Papéis sociais (1)
O que são papéis sociais? Papéis sociais são actos físicos e verbais através dos quais mantemos ou desfazemos os laços que nos unem a outras pessoas na construção diária da nossa vida.
Fico-me por aqui hoje, nessa vaga definição.
Amanhã devo prosseguir.
Fico-me por aqui hoje, nessa vaga definição.
Amanhã devo prosseguir.
Mortalidade infantil em África

A África sub-sariana tem a mais elevada taxa de mortalidade infantil do mundo com 162 mortos em cada 1000. O nosso país tem uma taxa de 145/1000. Leia aqui.
______________
Com esta fotografia ilustrando a fome no Níger, o canadiano Finbarr O´Reilly, da agência de notícias Reuters, ganhou o prémio World Press Photo 2005.
11 dezembro 2006
Movimentos sociais e linchamentos: uma hipótese analítica
09 dezembro 2006
Aforismos
1. O interessante não é a dominação política, mas a interiorização dessa dominação, a dominação política naturalizada.
2. A isenção nas ciências sociais só tem sentido quando combinada com a militância política contra todas as formas de injustiça social.
3. A sociologia não é um receituário de problemas colocados aos fenómenos, mas uma arte de colocar problemas aos problemas.
4. Quanto mais falamos de problemas, menos tendência temos em estudá-los. O grande problema está em transformar a ciência num estética dos problemas sem o problema de os queremos realmente estudar.
5. O grande problema de muitos sociólogos é a sua presunção cardinalícia e iluminada de que existe algo como a "sociologia" estrangeira ao que ele, sociólogo, "dela" faz. Quando encontramos alguém que diga algo como "numa visão sociológica (...), as coisas vistas pelos prisma da sociologia (...), a sociologia ensina-nos que (...)", devemos imediatamente ser, vá lá, sociólogos.
6. Quanto mais flagrante é a desigualdade social, mais tendência têm os fast thinkers para exigir a neutralidade científica.
2. A isenção nas ciências sociais só tem sentido quando combinada com a militância política contra todas as formas de injustiça social.
3. A sociologia não é um receituário de problemas colocados aos fenómenos, mas uma arte de colocar problemas aos problemas.
4. Quanto mais falamos de problemas, menos tendência temos em estudá-los. O grande problema está em transformar a ciência num estética dos problemas sem o problema de os queremos realmente estudar.
5. O grande problema de muitos sociólogos é a sua presunção cardinalícia e iluminada de que existe algo como a "sociologia" estrangeira ao que ele, sociólogo, "dela" faz. Quando encontramos alguém que diga algo como "numa visão sociológica (...), as coisas vistas pelos prisma da sociologia (...), a sociologia ensina-nos que (...)", devemos imediatamente ser, vá lá, sociólogos.
6. Quanto mais flagrante é a desigualdade social, mais tendência têm os fast thinkers para exigir a neutralidade científica.
Linchamentos analisados por sociólogo brasileiro
O sociólogo brasileiro José de Souza Martins tem um texto interessante sobre linchamentos.
É o linchamento uma manifestação de desordem? Resposta dele: "O linchamento não é uma manifestação de desordem, mas de questionamento da desordem. Ao mesmo tempo, é questionamento do poder e das instituições que, justamente em nome da impessoalidade da lei, deveriam assegurar a manutenção dos valores e dos códigos."
É fácil encontrar dados para se analisarem os linchamentos? Resposta dele: "A principal fonte de dados (no Brasil, C.S.) para esse tipo de comportamento coletivo é o noticiário dos jornais (...), tal como se deu nos Estados Unidos. Ocorrência súbita, impensada, explosão passional determinada por fortuita combinação de circunstâncias, os linchamentos não se situam entre os acontecimentos previsíveis, que viabilizem a pesquisa sociológica planejada e a presença testemunhal do pesquisador."
Importe o texto aqui.
É o linchamento uma manifestação de desordem? Resposta dele: "O linchamento não é uma manifestação de desordem, mas de questionamento da desordem. Ao mesmo tempo, é questionamento do poder e das instituições que, justamente em nome da impessoalidade da lei, deveriam assegurar a manutenção dos valores e dos códigos."
É fácil encontrar dados para se analisarem os linchamentos? Resposta dele: "A principal fonte de dados (no Brasil, C.S.) para esse tipo de comportamento coletivo é o noticiário dos jornais (...), tal como se deu nos Estados Unidos. Ocorrência súbita, impensada, explosão passional determinada por fortuita combinação de circunstâncias, os linchamentos não se situam entre os acontecimentos previsíveis, que viabilizem a pesquisa sociológica planejada e a presença testemunhal do pesquisador."
Importe o texto aqui.
Mais um linchamento

Após um interregno de algumas semanas, mais um cidadão foi linchado com pneu incendiado na madrugada de quinta-feira, na Machava Socimol -15, Matola, uma notícia que não surgiu no "Notícias", diário que, porém, cobriu os anteriores linchamentos.
Entretanto e a propósito, releia do jovem sociólogo Honório Massuanganhe, membro da Unidade de Diagnóstico Social do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, o texto que pode baixar aqui.
Recordo que este diário contém numerosas entradas sobre linchamentos.
Sociedade "e" indivíduo

O indivíduo que depende do social
Julgo que todos sabemos quanto amamos distinguir as "pessoas" da "sociedade", o eu do nós. Regra geral achamos que a sociedade é um todo indiviso do qual, porém, nos podemos destacar sempre que quisermos. Parece tudo uma questão de entrar ou de sair de casa, tudo parece resumir-se a uma simples operação de adição ou de subtracção, desde que assumamos, como assumimos, que estamos diante de duas coisas: a sociedade e (copulativa de fronteira) o indivíduo.
Quando vou para o meu quarto e fecho a porta, acredito que me isolei realmente da sociedade. Toda a minha estrutura mental e físico-espacial me diz que, realmente, sensorialmente, eu me isolei. Estou dentro do meu quarto, em paz, em silêncio, e lá fora está a sociedade, estão os outros. Sinto-me orgulhosamente apenas eu-mesmo. Os deuses criaram indivíduos irredutíveis, assim penso.
Todavia, eu apenas me posso isolar socialmente, na sociedade. Mesmo quando julgo estar isolado, continuo totalmente mergulhado na sociedade da qual julgo ter-me afastado. Todas as minhas referências, tudo o que manipulo, tudo o que sou pertence a essa sociedade. Nenhum tijolo de uma casa se compreende fora da constituição da casa.
Por outras palavras, apenas posso ser indivíduo se for sociedade. O Sr. Julai do Bairro Polana Caniço A é, intrinsecamente, um dos "moradores" desse bairro, uma das partes integrais do todo de moradores.
O social que depende do indivíduo
Mas, por outro lado, acreditamos muitos de nós que a sociedade é um saco cheio de batatas literalmente iguais, que os indivíduos são aí, apenas, um epifenómeno do social.
Termos como população, sociedade, sociedade civil, multidão, moradores, populares, etc., são, a esse respeito, exemplares. Estes termos reenviam para um comportamento zoológico, igual, mimético, unívoco, sem vírgulas, apenas com um ponto final.
A sociologia de questionário, a quantofrenia, a estatística que evacua o pensamento, constituem a formulação científica (ou assim suposta) da crença de uma sociedade sem indivíduos. Na sua busca de disciplina do diferente, eles remetem para uma entidade igual o que não é, de facto, igual. Nem podia ser. Os deuses não têm essa palavra no seu dicionário.
Ora, perdoem o truísmo, não há nenhuma sociedade que não seja composta por indivíduos diferentes. Nenhuma casa faz sentido se não for percebida pelo esforço "individual" de cada tijolo.
Não é possível uma sociedade se, intersubjectivamente, os indivíduos não se sentirem sociais, seja qual for o tipo de sociedade ou de grupo que tivermos em vista.
Não importam a densidade, a extensão, a simetria de estilos de vida, o padrão de privações do Bairro Polana Caniço A: este bairro só tem sentido enquanto entidade plural, social, se o Sr. Julai, o Sr. Massamba, a Sra. Albertina e tantos outros se sentirem moradores diferentes, "eles-mesmo".
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Fotografia extraída daqui.
N.B. Em próximo trabalho, escreverei sobre os papéis sociais.
08 dezembro 2006
Corrupção no Ministério do Interior
De acordo com o semanário "O País", o Ministério do Interior devolveu ao Ministério das Finanças cinco biliões de meticais, remanescente de um esquema de corrupção que envolveu o desfalque de 260 biliões de meticais em pagamentos feitos a funcionários fantasmas.
O esquema, montado na vigência do anterior ministro, foi descoberto numa auditoria interna solicitada pelo actual, José Pacheco ("O País" de 08/12/2006, p. 5).
O esquema, montado na vigência do anterior ministro, foi descoberto numa auditoria interna solicitada pelo actual, José Pacheco ("O País" de 08/12/2006, p. 5).
Harare: a cidade mais cara do mundo

Destronando Oslo e Tóquio, Harare, capital do Zimbábuè, tornou-se a cidade mais cara do mundo, num país onde a inflacção é suposta rondar os 1.700%, prevendo-se que possa atingir os 4.000% no próximo ano. Leia aqui.
07 dezembro 2006
2% têm mais de metade da riqueza mundial
Dois por cento dos mais ricos têm mais de metade da riqueza mundial. Metade da população mundial possui apenas um por cento do capital do planeta. Veja aqui.
Pensar diferente
Para conseguirmos ver no crime a simples violação do direito e da lei, importa que tenhamos a concepção de que o direito e a lei têm uma vontade geral autónoma.
Da mesma forma, para acreditarmos que depende da vontade das pessoas a modificação das condições existentes de vida importa que consideremos as ideias como estando separadas das condições reais nas quais nascem e se reproduzem.
Limitei-me a recordar Marx e Engels.
Da mesma forma, para acreditarmos que depende da vontade das pessoas a modificação das condições existentes de vida importa que consideremos as ideias como estando separadas das condições reais nas quais nascem e se reproduzem.
Limitei-me a recordar Marx e Engels.
05 dezembro 2006
Debate regressou ao deixa-falar
O debate regressou ao deixa-falar, após uma prolongada paragem motivada (ao que parece) pela ida ao curandeiro do Sr. Geraldo dos Santos, ex-coordenador do blogue. Veja aqui.
04 dezembro 2006
O poema ao mainato
Num dos portais que visitei hoje, alguém que aqui viveu há muitos anos dedicou em 2004 um poema sofrido a um mainato que encantou a sua infância na Beira. Eis, apenas, a primeira e última frases do poema:
Meu mainato era tão negro, negro como a noite escura
Mainato tu eras negro, mas tinhas muito valor.
Talvez um dia eu tente a sociologia desse tipo de recordações.
Meu mainato era tão negro, negro como a noite escura
Mainato tu eras negro, mas tinhas muito valor.
Talvez um dia eu tente a sociologia desse tipo de recordações.
Angola: crianças acusadas de feitiçaria são torturadas
Cresce em Angola o fenómeno de crianças acusadas de feitiçaria e depois torturadas por curandeiros e pastores. Leia aqui.
Liberdade de imprensa no mundo em 2006
75 jornalistas mortos (desde 01 de Janeiro de 2005), mais 32 colaboradores
135 encarcerados, mais 03 colaboradores e 59 ciberdissidentes
Veja aqui.
135 encarcerados, mais 03 colaboradores e 59 ciberdissidentes
Veja aqui.
03 dezembro 2006
Estado privado
Quando trabalhamos no Estado e nos casamos no fim-de-semana podemos ter à nossa disposição as carrinhas e os autocarros da instituição à qual estamos vinculados. Basta observar isso na Avª Friedrich Engels, Maputo, Jardim dos Namorados.
01 dezembro 2006
Maboazuda e os conectores de Zico
Negra, mulata, leva
europeia, chinesa, apanha
filipina, monhé, dá-lhe
até albina"
(da letra de maboazuda)
Maboazuda ganhou o prémio da canção mais popular do Top/Ngoma.
A propósito das críticas que a letra tem sofrido, veio a terreiro a professora de Português, Irene Mendes, explicar que Zico não agiu de má fé.
Num país onde, segundo Irene, "a maioria dos jovens, mesmo a nível superior, tem imensas dificuldades em diferenciar os valores das conjunções e locuções e, pior ainda, em utilizar correctamente esses conectores", o que se deve ter passado é que Zico escreveu "até albinas" quando pensou em "também albinas" (bem, admitamos que foi Zico quem escreveu a letra).
Para Irene tudo se tratou "de um problema de língua".
Entretanto, com até ou também, seja qual for a epiderme da mulher, ela leva e apanha, forma, claro, de pôr os verbos conectados.
E dancemos.
_____________________
"Notícias" de 30/11/06, p. 5.
europeia, chinesa, apanha
filipina, monhé, dá-lhe
até albina"
(da letra de maboazuda)
Maboazuda ganhou o prémio da canção mais popular do Top/Ngoma.
A propósito das críticas que a letra tem sofrido, veio a terreiro a professora de Português, Irene Mendes, explicar que Zico não agiu de má fé.
Num país onde, segundo Irene, "a maioria dos jovens, mesmo a nível superior, tem imensas dificuldades em diferenciar os valores das conjunções e locuções e, pior ainda, em utilizar correctamente esses conectores", o que se deve ter passado é que Zico escreveu "até albinas" quando pensou em "também albinas" (bem, admitamos que foi Zico quem escreveu a letra).
Para Irene tudo se tratou "de um problema de língua".
Entretanto, com até ou também, seja qual for a epiderme da mulher, ela leva e apanha, forma, claro, de pôr os verbos conectados.
E dancemos.
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"Notícias" de 30/11/06, p. 5.
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