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28 julho 2019

Cura-tudo

As leis do mercado estimularam o florescimento em Moçambique de toda uma vasta gama de doutores "cura-tudo", que oferecem às pessoas curas e remédios para tudo, literalmente para tudo.

02 abril 2019

Soluções definitivas

Quanto mais recentes as nações, quanto mais jovens os Estados, quanto mais prementes os problemas, mais tendência têm as pessoas para procurar lenitivos e soluções no apelo a líderes do tipo messiânico-populista. Na verdade, confrontados com os problemas do dia-a-dia, as pessoas apelam à intervenção de uma espécie de messias instantâneo, imploram os milagres cura-tudo, as soluções decisivas, definitivas, convencidas de que os defeitos estruturais de sistema podem ser resolvidos com intervenções fortes e pessoais de ocasião.

31 outubro 2018

Cura-tudo

As leis do mercado e a pobreza estimularam o florescimento em Moçambique de toda uma vasta gama de "doutores cura-tudo", que oferecem às pessoas curas e milagres para tudo, literalmente para tudo.

25 janeiro 2018

Messias de primeiros socorros

Confrontados com os problemas do dia-a-dia, as pessoas apelam à intervenção de uma espécie de messias de primeiros socorros, imploram os milagres cura-tudo, as soluções decisivas, definitivas, convencidas de que os defeitos estruturais de um sistema social podem ser resolvidos com intervenções fortes e pessoais de ocasião.

04 janeiro 2018

Precariedade e crença

A condição social dos habitantes da sociedade civil precarizada torna-os prisioneiros de um duplo constrangimento: por um lado, a vulnerabilidade perante os fenómenos da natureza e a insegurança do modo de vida catapulta-os para a interpretação emocional e antropomórfica da vida; por outro, esta visão reforça a vulnerabilidade e a insegurança. É isso que permite o extraordinário florescimento de certo tipo de organizações milagreiras e de consultórios cura-tudo.

20 dezembro 2016

O apelo messiânico

Uma hipótese: quanto mais recentes as nações, quanto mais jovens os Estados, quanto mais prementes os problemas, mais tendência têm as pessoas para procurar lenitivos e soluções no apelo a líderes do tipo messiânico-populista.
Na verdade, confrontados com os problemas do dia-a-dia, as pessoas apelam à intervenção de uma espécie de messias de primeiros socorros, imploram os milagres cura-tudo, as soluções decisivas, definitivas, convencidas de que os defeitos estruturais de sistema podem ser resolvidos com intervenções fortes e pessoais de ocasião.
Assim, por exemplo, em certos círculos espera-se que o Presidente da nação consiga com a varinha mágica eliminar todos os males e implantar o bem total. Ele apenas, só por si. O que se deseja nesses círculos é o papel único do demiurgo e não o das instituições do Estado, é o indivíduo e não o colectivo. E se as instituições não funcionam ou funcionam mal, a cura é suposta depender infalivelmente da generosidade e da disposição do demiurgo.
Com a alma ajoelhada no altar da esperança, as pessoas buscam, afinal, um deus pessoalizado e permanente.

06 janeiro 2016

Intervenções fortes de ocasião

Confrontados com todo o género de problemas e de mazelas na vida do dia-a-dia, apelamos desesperadamente à intervenção imediata de messias redentores, de deuses profanos, imploramos os milagres cura-tudo, as soluções decisivas, definitivas, convencidos de que os defeitos estruturais de sistema podem ser resolvidos com intervenções fortes de ocasião.

27 abril 2014

Gulosa de deuses profanos e de arbítrios

Confrontados com todo o género de problemas e de mazelas na vida do dia-a-dia, apelamos desesperadamente à intervenção imediata de messias redentores, de deuses profanos, imploramos os milagres cura-tudo, as soluções decisivas, definitivas, convencidos de que os defeitos estruturais de sistema podem ser resolvidos com intervenções fortes de ocasião. O que está em causa não é o problema X na área da saúde, o problema Y na actuação policial ou o problema Z no rendimento laboral. O que está em causa é um conjunto de sérios problemas de governação que se estende da ostentação despesista ao cultivo da heroicidade de recurso. Não poucas vezes, certa imprensa salienta o esforço heróico do dirigente A ou B na resolução de problemas locais, como se assim o sistema ficasse curado de suas mazelas estruturais. Não poucas vezes publicita-se em parangonas quanto o dirigente A ou B fica pesaroso com os problemas que encontrou em suas visitas, tomando de imediato medidas profilácticas. A nível popular, não poucas vezes aparece a exigência imediata do herói A ou B para resolver problemas. Hipótese a testar: quanto mais uma sociedade estiver penetrada pelas redes parentais ou étnicas, pelo clientelismo político e pela cultura do fala como homem, mais ela está à mercê do apelo à emergência e ao herói providencial. Uma sociedade sem instituições consolidadas é uma sociedade gulosa de deuses profanos e de arbítrios.

22 julho 2013

O curandeiro do sorriso, do racha e de mais coisas

O cartaz em epígrafe encontra-se num poste em pleno coração do Bairro Polana Cimento A, cidade de Maputo, Avenida Julius Nyerere, em frente ao prédio do "Polana Center". Foto minha ontem tirada.
Nota: neste diário há dezenas de postagens alusivas aos cura-tudo e ao cura-tudismo.

26 abril 2013

A cova não está em Muxúnguè (9)

Nono número da série, tendo como guia a Paz de Aristófanes, nesta série aqui e aqui, com base neste sumário. Prossigo no primeiro número: 1. Introdução: o jogo dos lugares-comuns. No número anterior escrevi que entre as imagens, entre os clichés, entre os estereótipos correntes, está este tipo de formulação: a Frelimo não conhece a democracia porque é comunista; a Renamo não conhece a democracia porque só pensa na guerra. É certamente possível encontrar múltiplas variações desta formulação. Por outro lado, temos as boas e recorrentes vontades expressas na sugestão permanente de diálogo. A ideia é esta: dialoguemos e tudo acabará bem. O diálogo surge como contendo em si, só por si, as virtudes terapêuticas da desejada cura da mútua intolerância.
(continua)
Adenda às 6:49: distribuição - melhor dito, redistribuição - de recursos de poder, eis um tema frequente nas análises políticas que faço neste diário. Entretanto, leia este trabalho da "Rádio Moçambique" aqui.
Adenda 2 às 12:26: sobre o nosso país e a propósito do que se passou em Muxúnguè, importe um trabalho com o título "Recursos naturais e um desafio à ordem política estabelecida", no Stratfor, Global Intelligence, aqui. Agradeço ao RC o envio da referência.
Adenda 3 às 6:39 de 26/04/2013: novo encontro Governo/Renamo previsto para segunda-feira, mas com um aparente impasse no tocante ao local. Aqui.

03 abril 2013

Precariedade e crença

A condição social dos habitantes da sociedade civil precarizada torna-os prisioneiros de um duplo constrangimento: por um lado, a vulnerabilidade perante os fenómenos da natureza e a insegurança do modo de vida catapulta-os para a interpretação emocional e antropomórfica da vida; por outro, esta visão reforça a vulnerabilidade e a insegurança. É isso que permite o extraordinário florescimento de certo tipo de organizações milagreiras e de consultórios cura-tudo.
Milhares de pessoas, regra geral de origem humilde, que acorrem aos cultos milagreiros e aos consultórios dos curandeiros cura-tudo, esperando que Deus e os bons espíritos ajudem a libertarem-se dos flagelos, criam novos espaços identitários, encontram um sentido para a vida, recebem solidariedade, é-lhes prometida uma recompensa celestial para os males terrenos ou o apoio revigorado dos espíritos propiciados e acalmados.
Mas no preciso momento em que isso acontece, ocorre a expulsão completa do projecto de modificação real das condições de vida.
Com efeito, ao aceitarem que todos os males são obra de entidades consideradas maléficas como os maus espíritos e o diabo, as pessoas acabam por ver transferida - com plena crença e adesão - para entidades sobre-humanas invisíveis a responsabilidade social na génese da miséria e da violência. Perdido o sentido crítico, trocado que é pelo sentido das crenças, evacuam o desafio humano de uma transformação social genuína. Aqui temos, afinal, um exercício de despersonalização trágica.

11 julho 2012

Cura-tudismo

Anúncio publicitário inserto num jornal editado em Maputo. Confira, neste diário, algumas entradas sobre os cura-tudo e o cura-tudismo, aqui e aqui.

17 outubro 2011

Segundo "O País": UEM acaba com modelo de Bolonha

Editorial do "Notícias" de 2009: "O reitor da UEM diz que isso é bom para o país e para os estudantes, mas em momento algum nos é dado a saber por que é que isso é bom para o país e para os estudantes. Não nos dizem se isso resulta, sobretudo, de uma conclusão estrutural sobre o modelo do Ensino Superior que, como país, queremos, ou é produto do seguidismo global, independente do contexto."
Com destaque, o jornal digital "O País" reporta hoje que a Universidade Eduardo Mondlane vai regressar no próximo ano às licenciaturas de quatro anos (sete para Medicina), eliminando o modelo de Bolonha de três anos introduzido há três anos. Aqui.
Observação: neste diário existem várias postagens sobre a mentalidade de Bolonha. Recorde aqui, aqui e aqui. Recorde duas séries minhas, uma inacabada, com o título Processo de Bolonha e cursos macdonald, aqui; outra intitulada O risco do ensino superior cura-tudo, aqui.
Observação 2 às 6:19: sejam quais forem os ângulos de análise e crítica que adoptarmos, tenho para mim que a decisão é acertada.
Observação 3 às 6:48: talvez não fosse má ideia fazer-se um estudo de percepções e resultados obtidos com o modelo de Bolonha.

07 agosto 2011

O fantástico cura-tudo "Dr Samungue"

Anúncio colocado num dos jornais editados em Maputo. A propósito: há dezenas de entradas neste diário concernentes aos cura-tudo e ao cura-tudismo. Há, também, séries. Por exemplo, esta.
Questões: são os "doutores" do género Samungue possuidores de autorização para exercerem a sua actividade? São os produtos cura-tudo colocados na rua portadores de inspecção e de autorização sanitária? Quem controla as farmácias cura-tudo?

06 agosto 2011

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Dossier "Savana" (5) (Edição de 29/07/2011); Famílias da nomenklatura e sociedades com empresas públicas; O fantástico cura-tudo "Dr Samungue"
* Séries pessoais: Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (8); Uns pensam melhor do que outros? (6); Por que brilha o capitalismo? (5); Mudar sem mudar (12); Sobre ritos de iniciação feminina à maturidade em Moçambique (22); Ditos (13); À mão a comida tem melhor gosto (11); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (58); África enquanto produção cognitiva (30); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

O fantástico cura-tudo "Dr Samungue"

27 julho 2011

Mais um milagreiro

O mercado da credulidade está em constante crescimento no nosso país, especialmente na cidade de Maputo. No "Notícias" um enorme e colorido anúncio dá conta da presença na cidade de mais um milagreiro, o Sr. Dilkumar, do Sri Lanka, dito pastor fundador da King's Revival Church, anunciando espectáculos milagreiros na Praça da Paz.
Nota: ao lado dos cura-tudo africanos (nossos e estrangeiros), temos os milagreiros estrangeiros do grande espectáculo de palco e das fés circences, ambos frequentemente referidos neste diário, uma galeria multifacetada atribuindo a demónios e maus espíritos as causas dos males e assegurando curas para tudo, mesmo para o nada. Os poderes podem dispensar polícias e soldados com semelhante tipo de soporíferos.

30 maio 2011

Histeria colectiva por causa de uma mezinha cura-tudo

Um velho pastor fez saber que tinha descoberto uma planta capaz de curar SIDA e outras doenças. O homem vive em Leliondo, a cerca de 400 quilómetros da capital tanzaniana, Arusha. Agora saiba o que sucedeu, aqui, aqui e aqui. Para traduzir, aqui. Agradeço ao Ricardo o envio da referência (creio já ter abordado o fenómeno neste diário, mas não me ocorre quando nem como).

20 maio 2011

O fantástico cura-tudo em sua peculiar linguagem cura-tudista

Folheto distribuído na cidade de Maputo. Recordo que este diário está pejado de entradas sobre o cura-tudismo. Clique sobre a imagem com o lado esquerdo do rato para ampliá-la.