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18 agosto 2008

Mais um cura-tudo


Eis novo exemplo de cura-tudismo, em foto uma vez mais tirada pelo Chagas Levene na Avenida Joaquim Chissano, em frente ao Posto de Saúde do Xipamanine, cidade de Maputo. Recorde o último exemplo de cura-tudismo aqui.
Adenda: emprego e recuperação de bens roubados são uma constante nos produtos oferecidos pelos cura-tudo. Um bom indicador do social da cidade de Maputo.

28 fevereiro 2009

Cura-tudismo nos bairros suburbanos de Maputo



O António Muchanga escreveu para o "Notícias" a propósito do cura-tudismo (tema frequente neste diário): "Em vários bairros suburbanos da cidade de Maputo passou a ser comum encontrar telas de publicidades improvisadas fixadas em lugares estratégicos, com escritos que mostram os dotes e especialidades dos doutores (!). A título de ilustração, reparemos no seguinte exemplo típico: DR CHINELO, Médico Tradicional Internacional, com 47 anos de experiência, tem maior êxito não só em África, mas também na Europa e EUA. Cura-tudo, e agora oferece medicamentos anti-retrovirais. Garante valia na cura de doenças como: SIDA, tuberculose, hemorragia, corrimentos, anemia, gonorreia, paralisia e outras. Soluciona vários problemas sociais relacionados com azar, emprego, divórcios; progressos na carreira profissional e na vida social."

11 julho 2012

Cura-tudismo

Anúncio publicitário inserto num jornal editado em Maputo. Confira, neste diário, algumas entradas sobre os cura-tudo e o cura-tudismo, aqui e aqui.

10 julho 2009

15 abril 2008

Congo: ministro proibiu publicidade dos "doutores" cura-tudo

O ministro congolês da Comunicação e Mídia proibiu a publicidade milagreira dos "doutores" do cura-tudo nos mídia locais, na tentativa de fazer face a um fenómeno que se tornou "inquietante" (sic). A notícia vem em francês no blogue do Cédric Kalonji (na versão inglesa ainda não consta), jornalista brilhante para quem várias vezes tenho aqui chamado a atenção, jornalista cujo blogue foi o ano passado classificado pelo BOBs como o melhor blogue internacional em língua francesa. Se quer ler em português, faça uso deste tradutor aqui.
Entretanto, como sabem os muitos leitores deste diário, aqui tenho sistematicamente dado conta da inflação de placas publicitárias um pouco por todo o país dos promotores do cura-tudo. Provavelmente o mais espantoso exemplo do cura-tudismo está aqui, por bandas do "canhonero" da Av.ª de Angola, cidade de Maputo, a cargo do "Dr" Taibo Hamad Abdulah.
Num dos "café da manhã" da Rádio Moçambique há dias dirigido pelo jornalista Emílio Manhique, vários leitores queixaram-se da publicidade crescente dos cura-tudo. Entretanto, sugiro que os leitores sigam a série que estou a escrever com o título Espíritos, curandeiros e mercado e que hoje deverei prosseguir.

01 maio 2008

Espíritos, curandeiros e mercado (6) (fim)

Hoje termino a série.
As leis do mercado vão estimular o florescimento de toda uma vasta gama de doutores cura-tudo, que oferecem às pessoas curas e remédios para tudo, literalmente para tudo. O cura-tudismo pertence, agora, ao reino das mercadorias, à competição, à inovação das receitas e dos campos de aplicação.
Tenho por hipótese que os verdadeiros médicos sociais, os herbanários (por mim referidos num dos números desta série), perderam terreno em favor dos adivinhos de todos os azimutes e crescentemente chegados de países estrangeiros, habitando em particular o mundo urbano e péri-urbano.
E creio que, ontem como hoje, vale a pena reflectir no que um dia Marx escreveu: “A angústia religiosa é, por um lado, a expressão da angústia real e, por outro, o protesto contra a angústia (…). Exigir que [o povo] renuncie às ilusões é exigir que ele renuncie a uma situação que precisa de ilusões."
Com tanta pobreza multilateral, lá onde a insegurança é permanente, onde cada amanhã é uma incerteza, não surpreende que as pessoas tenham tanta fé em forças que as transcendem. Os cura-tudo, mas também os pastores das inúmeras igrejas evangélico-salvacionistas que inundam o mercado da crença, tornaram-se os seus intelectuais orgânicos, aqueles que contribuem para a hegemonia do grupo social dominante através de um consenso plural (calibrado pelo medo, pelo amortecimento que a contra-sociedade representa e pela promessa de um além diferente), que pedem a quem deles carece diariamente que se conformem com as relações sociais existentes para que, um dia, espíritos e Deus os recebam e os redignifiquem.
Pretender que não tenham ilusões é exigir que renunciem a uma situação que delas carece.
A condição social daqueles para quem cada dia é um ponto de interrogação torna-os prisioneiros irremediáveis de um duplo constrangimento: por um lado, a vulnerabilidade perante os fenómenos da natureza e a insegurança do seu modo de vida catapulta-os para a interpretação emocional e antropomórfica da vida; por outro, esta visão reforça a vulnerabilidade e a insegurança.
Os milhares de pessoas, regra geral de origem humilde, que consultam adivinhos cura-tudo e/ou que acorrem aos cultos milagreiros esperando que espíritos e Deus os ajudem a libertarem-se dos flagelos que as perturbam, criam novos espaços identitários, encontram aí um sentido para a vida, neles recebem solidariedade, aí é-lhes assegurada uma recompensa extra-humana para os males terrenos caso creiam sem reservas na tutela espírita ou na justiça divina.
Mas no preciso momento em que isso acontece, ocorre a evicção completa do projecto de modificação real das condições de vida.
Com efeito, ao aceitarem que todos os males são obra dos "maus espíritos" (Igrejas Zione, adivinhos cura-tudo) ou do "diabo" (Igreja Universal do Reino de Deus), as pessoas acabam por ver transferida (com a sua adesão, afinal) para entidades sobre-humanas a responsabilidade social na génese da miséria e da violência. Perdido o sentido crítico, trocado que é pelo sentido das crenças, eles parecem evacuar o desafio humano de uma transformação social genuína.
Aqui temos, afinal, um exercício de despersonalização trágica.
Nota: claro que mesmo as classes médias não desdenham usar os serviços referidos. Mas isso será motivo de um futuro trabalho.

07 agosto 2011

O fantástico cura-tudo "Dr Samungue"

Anúncio colocado num dos jornais editados em Maputo. A propósito: há dezenas de entradas neste diário concernentes aos cura-tudo e ao cura-tudismo. Há, também, séries. Por exemplo, esta.
Questões: são os "doutores" do género Samungue possuidores de autorização para exercerem a sua actividade? São os produtos cura-tudo colocados na rua portadores de inspecção e de autorização sanitária? Quem controla as farmácias cura-tudo?

20 maio 2011

O fantástico cura-tudo em sua peculiar linguagem cura-tudista

Folheto distribuído na cidade de Maputo. Recordo que este diário está pejado de entradas sobre o cura-tudismo. Clique sobre a imagem com o lado esquerdo do rato para ampliá-la.

01 julho 2010

Um exemplar cura-tudo


Anúncio inserto num jornal editado em Maputo. Sabem os leitores assíduos que este diário está pejado de postagens sobre os cura-tudo e o cura-tudismo.
Adenda às 10:24: sugiro que o leitor recorde, por exemplo, as minhas séries com os títulos A utilidade política dos "médicos tradicionais" e Os vasos capilares do poder político, respectivamente aqui e aqui.

23 dezembro 2009

O fabuloso cura-tudo "Dr" Kapele e seus 31 milagres


Certamente que na Ilha de Zanbizar santos de casa não fazem milagres e por isso Moçambique é cada vez mais o destino seja do "Dr" Kapele, seja de montes de doutorais cura-tudo de países estrangeiros próximos do nosso. O mercado da credulidade deve ser amplo e profundo. O anúncio em epígrafe surge num jornal da praça. Deve dar uma bela pesquisa, esta história do cura-tudismo.
Nota: clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.

13 agosto 2008

O grande cura-tudo "Dr" Mtimule


Já sabem que este diário está cheio de postagens sobre o cura-tudismo (veja a última aqui). Pois agora é a vez do grande cura-tudo "Dr" Mtimule, que, na sua "clínica de atendimento", é "especialista" no tratamento de um monte de coisas, seja desemprego, seja "tromboza", seja o que for de que você padeça. Foi, uma vez mais, o poeta Chagas Levene quem fez a foto, ali na Avenida da Zâmbia, bairro do Alto Maé, ao lado de uma loja de roupas, a poucos metros da estátua de Eduardo Mondlane e da praça 21 de Outubro, cidade de Maputo. Clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.

07 agosto 2008

O fantástico cura-tudo "Dr" Magomamoto


Para a a galeria (já imensa) do cura-tudismo deste diário, só faltava este "Dr", com sua mensagem salvadora sem fim (e com curas feitas em alguns espantosos minutos) e ainda por cima habitando no que diz chamar-se Novo Mundo, Avenida do Trabalho, cidade de Maputo. Reparem, finalmente, como cresce dia após dia o número de doutorados deste tipo, firmes no mercado na credulidade.

10 julho 2010

Os 24 preceitos do extraordinário "Dr. Taibo Wotheque Abdulah"

Sabem os leitores assíduos deste blogue quantas dezenas de anúncios de cura-tudismo há neste blogue (sabem que este país está totalmente aberto à gestão mercantilista das crenças). Pois então, no tocante ao fabuloso e viajado doutor em epígrafe, gestor de "paises internacionales" como "Chimoio e Boane", esta é a terceira vez que surge neste blogue, graças a novidades cura-tudo concernentes às barrigas da mulher e, em particular, do "empresário de sucesso". Veja as versões anteriores do anúncio milagreiro de 2007 e 2008, respectivamente aqui e aqui. Obrigado ao TS por me ter enviado esta actualização.


22 julho 2013

O curandeiro do sorriso, do racha e de mais coisas

O cartaz em epígrafe encontra-se num poste em pleno coração do Bairro Polana Cimento A, cidade de Maputo, Avenida Julius Nyerere, em frente ao prédio do "Polana Center". Foto minha ontem tirada.
Nota: neste diário há dezenas de postagens alusivas aos cura-tudo e ao cura-tudismo.

11 maio 2009

Joalharia orgónica protege-tudo

Ainda a propósito dos curandeiros do orgone - acusados de pretensão de sabotagem por uns, de sabotagem por outros, da barragem de Cabora Bassa -, sugiro-vos consultem um portal dedicado a mostrar as virtudes protectoras (incluindo protecção banha-da-cobra contra a negatividade do stress, das micro-ondas negativas, da geopatia e da radiação electro-magnética) e os preços da joalharia orgónica, aqui. Se tiver tempo e paciência, persiga a paranóia do cura-tudismo orgónico aqui. E o negócio aqui.
Adenda1 às 16:37: tal como tenho mostrado sistematicamente neste diário, o nosso País é uma mina de crenças sem fim para igrejas e curandeiros salva-vence-tudo. Não me surpreende que um dia surja em Maputo uma seita orgónica, acompanhada de uma joalharia protege-tudo.
Adenda 2 às 16:38: os curandeiros orgónicos não fazem melhor nem pior do que - por exemplo - as nossas mamamas do senta-abaixo nos mercados ou do que os chapeiros no uso sistemático e cuidadoso de mezinhas protectoras, destinadas a impedir o mau olhado predador. São é mais sofisticados.
Adenda 3 às 17:14: continue a seguir os guerreiros etéricos em sua cruzada africana, aqui.
Adenda 4 às 17:17: o TheZimbabwean reporta a "Operação Paraíso" dos cruzados etéricos, aqui.
Adenda 5 às 17:54: siga, em inglês, uma espécie de revista de imprensa do warrior matrix, aqui.
Adenda 6 às 17:55: a esposa de um dos quatro membros (Georg Ritschl),do grupo afirmou que o seu marido já tinha estado detido no Zimbabwe no decorrer de uma operação do mesmo tipo que aquela que o trouxe a Moçambique. A conferir aqui.