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21 dezembro 2016

Ataque da Renamo em Manica

Segundo um porta-voz da polícia citado pela "Agência de Informação de Moçambique", homens armados da Renamo atacaram na madrugada de segunda-feira a cadeia aberta de Inhazonia, situada no posto administrativo de Honde, distrito de Báruè, província central de Manica, tendo libertado 48 reclusos, vandalizado o centro de saúde, saqueado medicamentos e a farma da Companhia de Vanduzi. Nesta farma roubaram quatro motorizadas e vários instrumentos de trabalho. Finalmente, na cadeia levaram fardamento dos guardas prisionais, algemas e telemóveis. Aqui.
Adenda: na história castrense mais recente da Renamo - um partido à Jano que tem uma ala civil na Assembleia da República - constitui novidade atacar uma farma e libertar presos de uma cadeia.
Adenda 2 às 08:36: ataque a um comboio da Vale, leia aqui. Este é mais um ataque claramente visando paralisar o escoamento de carvão e, por esta via, ampliar as linhas de blocagem económica do país e forçar um acordo político imedato.

25 julho 2016

Renamo uma vez mais atacou comboio da Vale

Homens armados da Renamo atacaram hoje no distrito de Cheringoma, província de Sofala, cerca das 9:30, um comboio da mineradora "Vale", causando ferimentos graves nos dois maquinistas. O comboio fazia o trajecto Moatize/Beira, carregado de carvão mineral, encontrando-se neste momento imobilizado.- "Rádio Moçambique" no jornal da noite das 19:30, citando o director executivo da Empresa CFM Centro, que disse que as acções da Renamo têm feito diminuir drasticamente a circulação dos comboios da "Vale".
Adenda: este é o segundo ataque este ano, pois em Junho fizeram o mesmo, lembre aqui. O primeiro ataque data de Abril de 2014, recorde aqui.
Adenda 2 às 19:40: para um outro tipo de ataque, seguido de saque, desta feita na província do Niassa, leia aqui.

06 junho 2016

Mais dois ataques da Renamo

Segundo o portal da "Rádio Moçambique": "Homens armados da Renamo protagonizaram, este sábado, dois ataques contra igual número de camiões, tendo causado o ferimento de duas pessoas, uma com gravidade, na Estrada Nacional número sete (EN7), no posto administrativo de Honde, distrito de Báruè, província de Manica. [...] No segundo ataque, saquearam a mercadoria do camião e de seguida atearam fogo à viatura." Aqui.
Adenda às 19:01: a Renamo atacou hoje em Sofala um comboio da Vale que transportava carvão mineral para a cidade da Beira - manchete da "Rádio Moçambique" no noticiário das 19 horas, notícia a desenvolver pela estação às 19:30.
Adenda 2 às 19:34: o maquinista ficou com ferimentos graves, atingido por estilhaços de vidros partidos pelas balas, encontrando-se a receber cuidados médicos no hospital de Cheringoma. O comboio transportava carvão mineral de Moatize na província de Tete para a cidade de Beira na província de Sofala e foi atacado cerca das 09 horas na zona de Cheringoma - "Rádio Moçambique", jornal da noite das 19:30.
Adenda 3 às 04:13: segundo o "Notícias" digital de hoje, o comboio circulava no sentido inverso do referido acima, Beira/Moatize, com 42 vagões vazios. Aqui.

08 março 2016

Tete e o carvão desabençoado

O jornal "O País" digital apresenta hoje um texto sobre o que está a suceder na cidade de Tete devido ao carvão desabençoado, aqui.

17 fevereiro 2016

Greve na Vale em Tete

Segundo a "Agência de Informação de Moçambique", 1400 trabalhadores paralizaram a actividade laboral nos sectores de produção e processamento do carvão mineral da empresa brasileira Vale Moçambique, distrito de Moatize, província de Tete. Saiba por quê aqui.
Adenda às 18:04: posição da Vale aqui.

14 janeiro 2016

As mutações no uso das redes mosquiteiras

"[...] o uso indevido da rede mosquiteira, que muitas vezes é utilizada para a pesca, balizas para campo de futebol e sacos de venda de carvão, constituem um grande entrave aos esforços empreendidos pelo sector da saúde para a redução de casos de malária." Aqui.
Adenda: extracto de um texto postado em 2010 neste diário: "[...] crianças fabricam bolas de futebol com ráfia e preservativos usados ou fazem balões, pescadores usam redes mosquiteiras na pesca, pessoas usam reflectores de estradas para assar castanhas e movimentar bicicletas ou  cabos eléctricos, cantoneiras e parafusos de linhas férreas para a indústria domiciliária de potes, panelas e frigideiras e/ou para venda. [Há, enfim, todo um imenso mundo de fenómenos que urge estudar e relacionar, para além do perímetro vociferante e condenatório." Aqui.

09 setembro 2015

"Avião" mágico "aterra" de novo em Moatize

Leia a reportagem no "Malacha", aqui.
Adenda: em 2012 também ocorreu uma "aterragem". A esse propósito escrevi em 2013 uma série neste diário, divulgada em 2014 em livro, cujo texto completo é este:
As três racionalidades
Em Moatize, pátria do carvão a cerca de 20 quilómetros da cidade de Tete, alvo das multinacionais, um havido avião mágico – prosaico boneco de trapos com ar estranho -, supostamente usado para transporte nocturno de feiticeiros, "aterrou" dia 31 de Dezembro de 2012 no quintal de um jovem casal. Momento de grande azar para o casal, pois o marido perdera o pai em Setembro e a carta de condução já em Dezembro, enquanto a esposa abortara em Agosto. Esta foi a terceira vez que um avião mágico aterrou na vila, os habitantes estão de novo preocupados.
Há que queimar o avião de 31 de Dezembro, sentenciou um ancião. Por sua vez, a polícia entendeu que não havia crime, o fenómeno não tinha enquadramento no código penal, o assunto devia ser tratado pelo “médicos tradicionais”, por outras palavras, pelos curandeiros. Enquanto isso, o secretário do bairro afectado apontou o dedo acusador aos curandeiros malawianos e prometeu que o seu executivo iria promover uma campanha em todos os quarteirões da vila de apelo à vigilância. O ancião mencionado é o veículo da racionalidade popular; a polícia exemplifica a racionalidade estatal; finalmente, o secretário do bairro é o porta-voz da racionalidade da mão estrangeira.
A racionalidade popular aqui em causa tem a ver com regras de inferência. O surgimento do avião nada tem a ver, localmente, com irracionalidade ou com ilógica. Trata-se de uma crença colectiva numa relação ao mesmo tempo de intencionalidade e de causalidade, relação que faz sentido para aqueles que nela acreditam. De nada servirá sustentar que estamos perante uma crença objectivamente falsa. Na verdade, a crença é subjectivamente sentida como legítima, como verdadeira, quer como intenção, quer como causa. Como intenção, na medida em que se acredita que o avião foi prepositada e mágicamente construído para provocar efeitos maléficos; como causa, na medida em que não importa que fenómeno desagradável ou dramático ocorra no período de aterragem do avião, será imediatamente havido como consequência natural da força maléfica.
Perante o avião invasor e atemorizante para certos círculos de Moatize, eis a posição do Estado veiculada através da polícia: "(...) as autoridades policiais consideram que a presença de “avião tradicional” não é crime, porque não tem enquadramento no código penal. Poderia ser crime se no interior houvesse um nado-morto ou algum membro do corpo humano, conforme avançaram, acrescentando que o fenómeno só pode ter interpretações a partir dos médicos tradicionais, por se tratar de factos meramente mágicos."
Através do porta-voz da polícia, o Estado colocou-se formalmente à margem do que chamou "fenómenos mágicos". Na verdade, perante esse tipo de fenómenos, aparelhos do Estado têem por regra encaminhá-los para a Ametramo.
Por outras palavras, através do seu representante, no caso vertente a polícia, o Estado colocou uma fronteira rígida entre visibilidade e comprovação material e crença nas forças do invisível. Sem dúvida que os polícias individualmente considerados podem acreditar (e acreditam, muitas vezes) nessas forças, mas o Estado formal exige que essa crença fique na penumbra.
Passo à terceira racionalidade.
Quem foram os obreiros de tão malévola acção? O secretário do bairro onde aterrou o misterioso avião não teve dúvidas: foram os curandeiros malawianos. Estes pérfidos seres merecem cuidado e por isso o secretário prometeu que iria desencadear uma campanha em todos os bairros da vila de Moatize para que as pessoas pudessem estar vigilantes. Esta, a racionalidade da mão estrangeira.
Qualquer das racionalidades fez e faz sentido para os seus defensores e, provavelmente, podem ter dado origem a combinações.
- Serra, Carlos, Observar, sentir, analisar. Lisboa: Escolar Editora, 2014, pp. 127-129.

Malacha [=carvão]: um jornal de Moatize

A 20 quilómetros da cidade de Tete, Moatize - terra do carvão - tem um jornal em A4 chamado Malacha, que significa carvão. Possui também uma versão digital aqui.
Adenda: dentro de mais algum tempo voltarei ao jornal a propósito da "aterragem" de mais um "avião" mágico na vila. Aqui.

21 julho 2015

Destruição de contentores de lixo na cidade da Beira

De acordo com o "Diário de Moçambique" digital, cerca de 300 trezentos contentores de lixo estão sem préstimo nas oficinas do Conselho Municipal da Beira, no bairro da Munhava, "com sinais de terem sido danificados por munícipes, através de fogo posto ou depósito de carvão ainda aceso quando deitam resíduos sólidos." O vereador para Área de Gestão Urbana e Meio Ambiente, José Domingos Manuel, é citado a dizer que "há prédios que vivem na imundície total, sem uma razão compreensível, pois [...] mesmo com a colocação de contentores, os munícipes não deitam o lixo em lugares apropriados." Aqui.
Observação: este é um fenómeno que, pela sua envergadura, é absolutamente merecedor de estudo aprofundado.

01 julho 2015

Riquezas cognitivas e transformadoras

Excepcional é o país onde se discute não o que é, mas o que podia/devia ser. É aí – nesse questionamento, nesse plebiscito diário, nessa vertigem do futuro - que pode habitar uma das dimensões da eterna juventude de uma nação e do seu pleno desenvolvimento, desenvolvimento medido não em termos de riquezas naturais, de carvão ou de praias, mas em termos de riquezas cognitivas e transformadoras.

04 junho 2015

Negócios: Maputo continua top, Tete estagna

A representante da Dana Agency afirmou que a cidade de Maputo é o principal destino de quem quer fazer negócios em Moçambique e que os principais hotéis da cidade mantêm "taxas de ocupação acima de 90%." Quanto à cidade de Tete: "Depois de ter conhecido uma “explosão” no número de unidades hoteleiras associada ao início de vários projectos de exploração de carvão, a cidade de Tete, na região centro, vive agora uma situação de “estagnação”, traduzida em “muita capacidade, mas pouca procura”, assinalou." Aqui.

02 junho 2015

Recordando a cidade de Tete em 2006

Em 2006 coloquei neste diário uma descrição da cidade de Tete. Recordo-a: "Tete, mitete. Regresso às origens. Chingodzi, desço do avião, apalpo com os olhos todo aquele imenso e calmo mar de embondeiros. Uma planície sem árvores rasteiras, o calor embrulha-me, Matundo. Localizo o velho rochedo onde habita Tsato, a gibóia mítica. O casario visto da ponte, abraçado ao Cuama dos livros, o Zambeze, cumprimento os espíritos manhungué do rio. A cidade, as ruas largas, um presente buliçoso preso à história dos mutapas do Chioco e dos muzungos de terras e de guerras do Zumbo e do Massangano. O passado regressado nos escombros do velho prédio do Carlettis, do casarão tombado de Vieira o "chicauira". Sonho as maçanicas enquanto como pende encostado ao Zambeze, lá onde na minha infância a velha canhoneira chegava resfolegando vinda do Chinde, carregada dos lanhos que eu sempre guardei nos sonhos. Miro a ilha de Canhimbe à esquerda. À direita, longe, orgulhoso, o pico da Caroeira. Quem se lembra que um dia ali houve um botequim onde um homem creio que careca servia galinha assada no carvão e cerveja gelada pela frescura da noite e onde nas fraldas de micaia, por madrugadas sem fim, os macacos-cães esperavam que o leopardo saísse da toca? Adormeço num quarto da Univendas." Aqui.

22 maio 2015

Pedalando: quadros de Gemuce (9)


Nono número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe Sem Título, Dimensões: 130x100 Cm, Técnica: Carvão s/tela, Ano: 2015Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

21 maio 2015

Pedalando: quadros de Gemuce (8)

Oitavo número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe Título: Imprevisto, Dimensões: 130x100 Cm, Técnica: Carvão s/tela
Ano: 2015
Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

16 março 2015

Mapa do Risco Político 2015

"Em entrevista à Lusa no seguimento da divulgação do Mapa de Risco Político 2015, Pedro Penalva afirma que Moçambique "era o quarto a contar do pior e passou [piorou] para o ponto médio muito por via do que tem a ver com a perspetiva de violência política, como os raptos e perturbações de cariz social e política, e depois pelos impactos económicos derivados dos atrasos na execução de projetos estruturantes, nomeadamente na área do carvão e do gás natural". Aqui e aqui.
Aqui. [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]
Em epígrafe, dados para 2014, aqui. [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

15 agosto 2014

Três racionalidades na terra do carvão

Extraído de: Serra, Carlos, Observar, sentir, analisar. Maputo: Escolar Editora, 2014, pp. 127-129
Em Moatize, pátria do carvão a cerca de 20 quilómetros da cidade de Tete, alvo das multinacionais, um havido avião mágico – prosaico boneco de trapos com ar estranho -, supostamente usado para transporte nocturno de feiticeiros, aterrou dia 31 de Dezembro de 2012 no quintal de um jovem casal. Momento de grande azar para o casal, pois o marido perdera o pai em Setembro e a carta de condução já em Dezembro, enquanto a esposa abortara em Agosto. Esta foi a terceira vez que um avião mágico aterrou na vila, os habitantes estão de novo preocupados.
Há que queimar o avião de 31 de Dezembro, sentenciou um ancião. Por sua vez, a polícia entendeu que não havia crime, o fenómeno não tinha enquadramento no código penal, o assunto devia ser tratado pelo “médicos tradicionais”, por outras palavras, pelos curandeiros. Enquanto isso, o secretário do bairro afectado apontou o dedo acusador aos curandeiros malawianos e prometeu que o seu executivo iria promover uma campanha em todos os quarteirões da vila de apelo à vigilância.
O ancião mencionado é o veículo da racionalidade popular; a polícia exemplifica a racionalidade estatal; finalmente, o secretário do bairro é o porta-voz da racionalidade da mão estrangeira.
A racionalidade popular aqui em causa tem a ver com regras de inferência. O surgimento do avião nada tem a ver, localmente, com irracionalidade ou com ilógica. Trata-se de uma crença colectiva numa relação ao mesmo tempo de intencionalidade e de causalidade, relação que faz sentido para aqueles que nela acreditam. De nada servirá sustentar que estamos perante uma crença objectivamente falsa. Na verdade, a crença é subjectivamente sentida como legítima, como verdadeira, quer como intenção, quer como causa. Como intenção, na medida em que se acredita que o avião foi prepositada e mágicamente construído para provocar efeitos maléficos; como causa, na medida em que não importa que fenómeno desagradável ou dramático ocorra no período de aterragem do avião, será imediatamente havido como consequência natural da força maléfica.
Perante o avião invasor e atemorizante para certos círculos de Moatize, eis a posição do Estado veiculada através da polícia: "(...) as autoridades policiais consideram que a presença de “avião tradicional” não é crime, porque não tem enquadramento no código penal. Poderia ser crime se no interior houvesse um nado-morto ou algum membro do corpo humano, conforme avançaram, acrescentando que o fenómeno só pode ter interpretações a partir dos médicos tradicionais, por se tratar de factos meramente mágicos."
Tal como exemplifiquei através do depoimento mostrado no número anterior pertencente ao porta-voz da polícia, o Estado colocou-se formalmente à margem do que chamou "fenómenos mágicos". Na verdade, perante esse tipo de fenómenos, aparelhos do Estado têem por regra encaminhá-los para a Ametramo.
Por outras palavras, através do seu representante, no caso vertente a polícia, o Estado colocou uma fronteira rígida entre visibilidade e comprovação material e crença nas forças do invisível. Sem dúvida que os polícias individualmente considerados podem acreditar (e acreditam, muitas vezes) nessas forças, mas o Estado formal exige que essa crença fique na penumbra.
Passo à terceira racionalidade.
Quem foram os obreiros de tão malévola acção? O secretário do bairro onde aterrou o misterioso avião não teve dúvidas: foram os curandeiros malawianos. Estes pérfidos seres merecem cuidado e por isso o secretário prometeu que iria desencadear uma campanha em todos os bairros da vila de Moatize para que as pessoas pudessem estar vigilantes. Esta, a racionalidade da mão estrangeira.
Qualquer das racionalidades fez e faz sentido para os seus defensores e, provavelmente, podem ter dado origem a combinações.

02 abril 2014

Se for verdade

Se for verdade que um comboio de carga da Vale Moçambique, transportando carvão mineral, vindo de Moatize, foi atacado na noite de segunda-feira no distrito de Muanza, província de Sofala, como noticia o "@Verdade" digital aqui e se se tiver em conta o que a "Rádio Moçambique" reportou aqui, pode dar-se a hipótese da consolidação de um processo cuja características sugeri no texto Cenários pós-Santungira (20) aqui (trabalho na íntegra aqui).
Adenda: se se confirmar o ataque ao comboio e caso seja a Renamo a autora, duas hipóteses podem ser consideradas: 1. Pressão militar da Renamo destinada a intensificar a pressão política sobre o governo no sentido de obter recursos de poder de forma acelerada e definitiva; 2. Dificuldade crescente para Afonso Dhlakama regressar à vida política civil, incólume e perdoado pelo exército governamental e, especialmente, pelos generais governamentais. Ao presidente da Renamo restam 27 dias para se recensear se quiser candidatar-se às presidenciais de Outubro.
Adenda 2 às 17:45: segundo a "Folha de Maputo", citando o vice-ministro do Interior, José Mandra, o ataque registou-se ontem à noite, confira aqui.
Adenda 3 às 18:49: ataque confirmado no portal da "Rádio Moçambique", que o atribui taxativamente à Renamo, aqui.

26 março 2014

Teria saído mais barato pagar à Renamo

Com o título em epígrafe, um comentário de Joseph Hanlon no Mozambique 247, com data de hoje: "O recrutamento de três mil pessoas indicadas pelos partidos para a máquina eleitoral vai custar 35 milhões de dólares, afirmou o diretor de Orçamento, Rogério Nkomo, ao programa "O país económico" da STV ("O País" de 24 Março). O maior interesse da Renamo também tem sido garantir emprego aos seus membros e os seus líderes deixaram claro que querem uma parte do dinheiro do gás e do carvão. Se há um ano o governo tivesse oferecido 35 milhões de dólares à Renamo, isso provavelmente teria gerado negociações e Afonso Dhlakama e os seus generais poderiam acomodar-se por 100 milhões de dólares. Isso teria sido barato. A mini-guerra e o reassentamento posterior certamente custarão mais do que isso (tradução minha do inglês, CS)." Recorde o "O País" aqui e ainda Hanlon aqui.

Partido dos Distritos para Todos

-Boa noite, Senhores Telespectadores. Temos hoje conosco o Sr. João Sebastião SaTengo, presidente do Partido dos Distritos para Todos. Muito obrigado por ter aceite o nosso convite. Sr. João SaTengo. Como nasceu o vosso partido?
-Boa noite, meus Amigos de todo o país! O nosso partido nasceu necessariamente da necessária vontade do povo carente da verdadeira luta contra a pobreza absoluta e contra a pandemia do século, o HIV/Sida. Como sentimos essa necessidade necessária, criámos o Partido, o PDPT.
-Mas por quê esse nome?
-É fácil, queremos que os distritos do país sejam de todos e não apenas de alguns. Os ambicionistas querem ficar com tudo e por isso nós nascemos para equilibrar o barco distrital. Temos de saber que o carvão, o petróleo, as areias pesadas e leves, o ferro, o ouro, as pedras preciosas, as madeiras e todas as outras coisas mais, são de todos nós, os distritos são nacionais e não distritais.
-E quando nasceu o vosso partido, Senhor SaTengo?
-Nasceu há dias, como sabe, pusemos anúncio nos jornais.
-E quantos membros esperam ter no futuro?
-No futuro? Mas nós já temos um milhão de membros e vamos abrir delegações em todos os distritos. Nós já existíamos antes de existirmos, somos a voz do povo distrital dos recursos minerais e naturais.
-E quais as vossas expectativas para as eleições de Outubro?
-Nós já ganhámos, vamos só carimbar o pleito. A vitória aguarda-se, a vitória aproxima-se. Viva o Partido dos Distritos para Todos! Vote no carvão, símbolo sagrado do nosso glorioso partido!
-E prontos, Senhores Telespectadores, assim terminamos o nosso programa distrital de hoje, até ao próximo programa. Boa sorte, Senhor João Sebastião SaTengo.

14 março 2014

Bom é

Bom é para o futuro de um país quando se discute não tanto que é, mas o que podia/devia ser. É aí – nesse questionamento, nesse plebiscito diário, nessa vertigem do futuro - que pode habitar uma das dimensões da eterna juventude de uma nação e do seu pleno desenvolvimento, desenvolvimento medido não em termos de riquezas naturais, de carvão ou de praias, mas em termos de riquezas cognitivas e transformadoras.