O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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21 abril 2016

A concepção elitista do eleitor mata-borrão

Na verdade, os hábitos e os fixismos são renitentes. E muitos e variados. Por exemplo, mesmo com verniz académico, sem pestanejar, sustentam muitos, nos mais variados fóruns, que - por exemplo - o norte do país é matrilinear e o sul, patrilinear. Quer dizer, é como se cada um, pela sua localização geográfica, fosse também geneticamente marcado, irremediavelmente estrangeiro à história e, portanto, à mudança. O mesmo se passa com a suposta geneticidade étnica. Se os votos na província de Gaza, por exemplo, vão especialmente para o partido X, é porque aí viveram dirigentes fundadores desse partido, é porque aí habita uma etnia etnicamente fiel a esse partido. Se os votos em Sofala vão especialmente para o partido Y, é porque aí viveram dirigentes fundadores desse partido, é porque aí habita uma etnia etnicamente fiel a esse partido. Então, perfumados com essa imputação causal, os resultados eleitorais são colocados em cima das substâncias étnicas desenhadas nos mapas, substâncias herdadas da epistemologia colonial. Por vezes sucede que, em lugar de dizermos "votos étnicos", dizemos pudicamente "votos regionais". Sugestão de leitura:

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