25 novembro 2013

Dhlakama através de Bissopo

O secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, reapareceu e está em Maputo, tendo dito hoje, em conferência de imprensa, que foi enviado pelo presidente do partido, Afonso Dhlakama. Para fazer o quê? Leia, por agora, aqui, aqui e aqui.
Adenda às 14:24: também aqui.
Adenda 2 às 15:54: se for verdade que Dhlakama exige a presença de soldados da ONU em Maputo para se encontrar com o presidente da República, isso significa a admissão implícita de estarmos em guerra, isso significa exigir uma força de manutenção da paz. A parada é alta.
Adenda 3 às 17:30: confira igualmente aqui.
Adenda 4 às 17:22: pelo andar da carruagem, só falta alguém, em tom glorioso, fazer regressar o Aldo Ajello. Já agora, recorde aqui.
Adenda 5 às 19:34: o regresso de Bissopo e o que ele disse não constou das manchetes da "Rádio Moçambique" no seu jornal das 19:30.
Adenda 6 às 20:03: enquanto a estação televisiva "STV" abriu o seu jornal da noite com espaço demorado sobre a presença do secretário-geral da Renamo de novo em Maputo, a "TVM" abriu o seu jornal com a notícia de que o presidente da República inaugurou hoje o novo edifício do tribunal administrativo na cidade de Maputo. Segundo a "Rádio Moçambique" no seu jornal das 19:30, o edifício tem oito andares e custou mais de 14 milhões de dólares.
Adenda 7 às 21:52: o portal da Renamo foi hoje actualizado a propósito da intervenção de Bissopo, aqui.

Diário de campanha (13)

Décimo terceiro número da série. No meu livro "Eleitorado incapturável", publicado em 1999, tive em conta quatro tipos de votos, a saber: a taxa de participação é tão mais elevada quanto mais fortemente afectados forem os interesses dos votantes (voto de interesse); a taxa de participação é tão mais elevada quanto mais fortes forem as pressões sociais exercidas sobre os votantes no sentido da participação (voto de compromisso); a preferência expressa pelos eleitores exprime a influência da propaganda eleitoral (voto de persuasão); um quarto tipo é o voto omisso, decorrente de "influências contraditórias" (uns a convidar à votação, outros a convidar à abstenção). Neste último tipo de voto, os votos brancos e os votos nulos são especialmente significativos, não tanto porque as pessoas sejam tecnicamente ignorantes, mas porque escolhem deliberadamente ou deixar o voto em branco ou votar em dois ou mais partidos (imagem reproduzida daqui).
(continua)
Adenda: aguardo saber a taxa de abstenção e sua incidência regional, mais os votos brancos e nulos. Uma estimativa intermediária para a cidade da Beira, aqui.
Adenda 2 às 04:32: nove temas no Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (53), datado de ontem, aqui.
Adenda 3 às 04:46: sobre invalidação de votos, confira aqui.
Adenda 4 às 04:49: um candidato pediu a recontagem de votos em Maputo, aqui.

Universalizar politicamente interesses particulares

Recordando um texto: "(...) o facto de os pensamentos reinantes serem cada vez mais abstractos, adquirindo cada vez mais uma forma universal. Com efeito, cada nova classe no poder é obrigada, quanto mais não seja para atingir os seus fins, a representar o seu interesse como sendo o interesse comum a todos os membros da sociedade ou, exprimindo a coisa no plano das idéias, a dar aos seus pensamentos a forma da universalidade, a representá-los como sendo os únicos razoáveis, os únicos verdadeiramente válidos." - Karl Marx e Friedrich Engels, A ideologia alemã (1846, aqui e aqui). Recorde neste diário aqui.

Rápida digestão sensorial

Há milhões de blogues no mundo. Os blogues de ou sobre pequenos países da periferia do desenvolvimento só podem atrair leitores devido a duas razões: qualidade temática e sensacionalismo barato imitando os jornais digitais de títulos bombásticos. Os leitores deste último estilo são, regra geral, em bem maior número do que os do primeiro estilo. Num mundo de fugacidade, do consumo instantâneo do tipo Yahoo news, de massificação comportamental, de kitsch generalizado, a notícia bombástica é bem mais palatável e de rápida digestão sensorial: consome-se num ápice e deita-se fora para rapidamente dar lugar a outra e por aí fora. Recorde aqui.

24 novembro 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Séries pessoais: Propaganda eleitoral pelo vestuário (4); Diário de campanha (13); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (28); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (69); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
Nota: a pouco e pouco tentarei abandonar a modalidade das séries, combinando textos/cabeçalhos curtos aqui e textos longos aqui, método que já comecei a ensaiar. 

O paradigma de Mondlane

Foi Eduardo Mondlane quem, melhor do que ninguém, enunciou no país os termos da troca política, da justiça social e, afinal, da democracia real: os cidadãos só participam num projecto político se o Estado for um parceiro redistribuidor. É por essa via que se adquire legitimidade, é por aí que verdadeiramente toma corpo o capital directivo. Na verdade, a Frelimo enfrentou nos anos 64/66, os dois primeiros da luta armada, o seguinte problema, narrado por Mondlane:
“O vazio deixado pela destruição da situação colonial pôs um problema prático que nunca tinha sido considerado pelos chefes: o desaparecimento duma série de serviços inerentes à dominação portuguesa, especialmente serviços comerciais, enquanto o povo continuava a existir e a necessitar deles. A incapacidade da administração colonial deixava também muitas necessidades insatisfeitas, que continuavam a ser fortemente sentidas pelas populações. Assim, desde as primeiras vitórias de guerra, recaíam sobre a FRELIMO muitas e variadas responsabilidades administrativas. Uma população de 800 000 habitantes tinha de ser servida. Primeiro e acima de tudo, havia que satisfazer as suas necessidades materiais, assegurar abastecimentos alimentares, e outros artigos, como vestuário, sabão e fósforos; serviços de saúde e educação, sistemas administrativos e judiciais. [Durante algum tempo, o problema foi agudo. Não estávamos preparados para o trabalho que tínhamos pela frente, e faltava-nos experiência na maioria dos campos em que necessitávamos dela. Nalgumas áreas, as carências eram muito sérias; e onde os camponeses não compreendiam as razões, retiravam o seu apoio à luta e, nalguns casos, partiam mesmo definitivamente.” [Mondlane, Eduardo, Lutar por Moçambique. Lisboa: Sá da Costa, 1977, 3a ed., p.185]

No "Savana" 1037 de 22/11/2013, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do semanário "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei. 
Adenda: também agora na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Aforismando

Aqui vão mais alguns aforismos:
1. Quando quiseres estudar uma sociedade, não comeces por aquilo que ela diz dos outros e dela-mesmo, mas por aquilo que faz e pelo como faz.
2. Sem dúvida que as ideias movem a história, os intelectuais são especialistas nessa convicção. Só há um pequeno problema: é saber onde e como nascem as ideias.
3. Os fiéis idealistas das ideias acham que elas, as ideias, são como o cérebro: moram na cabeça, que tudo cria e comanda. Mas a cabeça social só pensa se o corpo social for movido, se as pernas sociais andarem.
4. As ideias sociais não mudam quando achamos que devem mudar. Mudam quando mudam as condições nas quais nascem e se desenvolvem.
5. Mas a mudança não é mecânica. As velhas ideias podem manter-se por muito tempo apesar de terem desaparecido as condições sociais nas quais nasceram e se desenvolveram.

Sancho, o equilibrista

Hoje é o tempo das teorias almofadadas, dos conceitos amortecedores, dos diálogos "racionais", dos termos-aspirina (género "globalização"), dos mandarins do verbo nefelibata, dos intelectuais medíocres do nem-nem, dos seminaristas da razão nem-direita-nem-esquerda, dos comentadores iluminados e dos adoradores da neutralidade ostentória, etc. Por isso acho de bom tom recordar aquele que, hoje ainda, continua a provocar úlceras gástricas em vários quadrantes, falo de Marx. Vamos lá: “Sancho não quer que dois indivíduos estejam 'em contradição', um com o outro, como burguês e proletário […], ele desejaria vê-los entrar numa relação pessoal de indivíduo para indivíduo. Não considera que, no quadro de uma divisão de trabalho, as relações pessoais tornam-se necessariamente, inevitavelmente, relações de classes e se cristalizam como tais; assim, todo o seu palavreado reduz-se a um voto piedoso que pensa realizar exortando os indivíduos dessas classes a expulsar do seu espírito a ideia das suas 'contradições' e dos seus 'privilégios' particulares […] Para destruir a 'contradição' e o 'particular', bastaria mudar a 'opinião' e o 'querer'. […] - Marx, Karl, Idéologie allemande. Paris: A. Costes, 1947, Œuvres Philosophiques, tome IX, p. 94. Marx ataca Max Stirner (1806/1856), filósofo alemão.

23 novembro 2013

Pós-autárquicas

Para o pós-eleições autárquicas, confira três portais, aqui, aqui e aqui.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Séries pessoais: Propaganda eleitoral pelo vestuário (4); Diário de campanha (13); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (28); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (69); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
Nota: a pouco e pouco tentarei abandonar a modalidade das séries, combinando textos/cabeçalhos curtos aqui e textos longos aqui, método que já comecei a ensaiar. 

Diário de campanha (12)

Décimo segundo número da série. Ontem, o "Canal de Mozambique" colocou numa postagem a seguinte observação sobre os resultados parciais no município de Maputo: "A tendência ascendente do partido Frelimo e seu candidato continua a mesma, nas zonas periféricas. Na zona urbana e periurbana Venâncio Mondlane tem mais votos. Mas no cômputo geral, David Simango continua à frente." Aqui está uma área excelente para uma pesquisa. Aceitando-se que a observação esteja correcta, duas perguntas, entre outras, podem ser feitas, a saber: 1. Por que razão (ões) Mondlane obteve mais votos nas zonas urbana e periurbana?; 2. Por que razão (ões) a Frelimo obteve mais votos na periferia? (imagem reproduzida daqui)
(continua)
Adenda às 06:04: as perguntas que sugeri podem dar origem a teorias de fácil digestão do género: quem é mais classe média+mais instruído vota MDM e quem é mais povo+menos instruído vota Frelimo na cidade de Maputo. Por outras palavras: lá pensa-se, aqui segue-se; lá quere-se mudança, aqui quer-se hábito. Mas essas ideias-prontas-a-vestir precisam destoutras perguntas: o que significa "classe média", "mais instruído", "povo" e "menos instruído"? Que outros factores precisamos ter em conta? Como tornar as ideias mais sólidas, mais avaliáveis, mais medíveis, mais próximas das várias realidades que compõem a realidade social?
Adenda 2 às 07:33: se tivesse podido pesquisar as autárquicas deste ano, teria não só escolhido as seis autarquias nas quais trabalhei em 1998 (Manica, Chimoio, Beira, Dondo, Nampula e Angoche), como empregue o mesmo método e as mesmas técnicas dessa altura, designadamente - para avaliar a variação opinativa e comportamental - as entrevistas de painel. Teria, ainda, recorrido à aplicação analítica dos quatro tipos de votos que propus na altura: de interesse, de compromisso, de persuasão e omisso. A elevada abstenção verificada na altura foi explicada por uma chave muldimensional organizada em torno de oito factores.

Mediocridade da blogosfera/síndrome do Ctrl-c/Ctrl-v

Confrange ver a morte da blogosfera moçambicana, daquela que teve alguma qualidade, seja porque blogues foram abandonados, seja porque blogues foram transformados em caixas de ressonância, em meros parasitas de jornais digitais. No estrangeiro, a tónica nos blogues que têm Moçambique como eixo informativo, é, também e frequentemente, a do copia/cola/mexerica. As redes sociais, especialmente o Facebook, são ímans-sucedâneos: não é preciso criatividade para escrever português telegráfico e manter acesa a chama medíocre do copia/cola/mexerica. Agrestes ares estes da síndrome do Ctrl-c/Ctrl-v.
Adenda às 05:06: a técnica corrente da síndrome (bulimia parasitária decorrente da rarefação da criatividade) consiste na cópia literal e ávida do que se encontra (em particular do género sensacional e dramático) nos jornais digitais e em certos blogues, incluindo as fontes. Se textos e fotos estão protegidos com marcas de água, os parasitas dão-se ao trabalho de copiar para o Word o que lhes interessa e postar depois as transcrições como se fossem originais. Os mais criadores tentam disfarçar a cópia com títulos e postagens adaptadas. Ou criar textos a partir de ideias furtadas aqui e acolá. Talvez num destes dias eu dê a conhecer uma lista de descarados especialistas de Ctrl-c/Ctrl-v, locais e estrangeiros.
Adenda 2 às 06:27: o uso sistemático que tenho feito de marcas de águas em textos e fotos destina-se a impedir a colheita que alguns costumam fazer neste diário. Um exemplo do que sucedia: baixar o "Savana" neste diário e colocá-lo num determinado blogue com a indicação "Fonte: Savana edição tal...de tantos de tal...", omitindo a fonte original.
Adenda 3 às 18:54: nos últimos tempos, a conjunção dos ataques na Estrada Nacional n.º 1 com as eleições autárquicas, levou certos jornais digitais a criar o "última hora". De imediato, os blogues do copia/cola/mexerica, ansiosos de audiência emotiva, imitaram a técnica, trazendo aos seus espaços o imediatismo acrítico das campainhas de alarme.
Adenda 4 às 08:15 de 24/11/2013: um jornal publica como "Última hora" uma notícia do género "O búfalo caiu no céu" e logo de seguida os bloqueiros do parasitismo bulímico empurram-se uns aos outros para a copiarem na íntegra e postarem.

Edição 1037

Baixe aqui

Na Suazilândia a Coca-Cola reina com o Rei

22 novembro 2013

Novo ataque em Marínguè

Dois mortos e um ferido é o resultado de um ataque levado a cabo esta tarde por homens armados a viaturas em Marínguè, província de Sofala - despacho do jornalista Francisco Raiva para a estação televisiva STV no seu jornal da noite das 20 horas.

60% de abstenção em Inhambane

Segundo a "Rádio Moçambique" no seu noticiário das 19:30, o índice de abstenção nas eleições autárquicas realizadas em Inhambane foi estimado em "60% num universo de 131.600 potenciais eleitores inscritos" [sic].
Adenda: por outras palavras, só votaram 57.040 eleitores.
Adenda 2 às 19:48: o locutor da rádio afirmou que se gorou a mobilização cívica destinada a assegurar a participação na votação.
Adenda 3 às 19:50: continuo à espera dos dados globais referentes à abstenção.

As contas do edital 02000501

De um texto do jornalista Pedro Nacuo dando conta de um protesto apresentado ontem em conferência de imprensa dirigida na cidade nortenha de Pemba por Cornélio Quivale, presidente do PAHUMO: "(...) o edital 02000501, duma das mesas que esteve localizada na escola primária de Natite, assinado por todos os membros de mesa de voto, atribui ao PAHUMO 435 votos, uma cifra superior ao total dos anunciados na véspera, como sendo o que aquele partido conseguiu reunir, 418 votos. Ora, "queremos saber se só nesta mesa tivemos 435 votos, como é que a comissão eleitoral da cidade diz que tivemos em todas as 117 mesas apenas 418?" - questiona o presidente do PAHUMO." E acrescentou Pedro Nacuo: "Nesta mesa de assembleia, entretanto, foram registados 11 votos nulos e sete em branco, sendo que o número de eleitores era de 791, o que aumenta as contradições do apuramento anunciado pela comissão de eleições da cidade." Erro artimético, concluiu o jornalista.
Adenda às 17:32: recorde a exclusão da candidata Filomena Mudoropa dos boletins de votos em Nampula, aqui.

Amanhã edição 1037 neste diário

Mentes armadas

Estamos a viver um momento difícil e sinto que deveremos evitar armar as mentes. Mentes armadas com intolerância podem resultar em consequências bem mais graves do que pensamos.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Séries pessoais: Propaganda eleitoral pelo vestuário (4); Diário de campanha (12); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (28); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (69); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
Nota: a pouco e pouco tentarei abandonar a modalidade das séries, combinando textos/cabeçalhos curtos aqui e textos longos aqui, método que já comecei a ensaiar. 

Bizarra localização

Bizarra localização nesta página do Facebook, que surge como sendo da "CNE&STAE Moçambique", aqui. Só pode ser um produto de hackers. Pelo sim pelo não, fotografei a página de vários ângulos.

Cidadão baleado em Mocuba

Despacho do jornalista António Zefanias do "Diário da Zambézia", sedeado em Quelimane, há momentos recebido: "Um dos manifestantes do MDM em Mocuba acaba de ser mortalmente baleado pela Força de Intervenção Rápida no decurso de um protesto contra a demora da divulgação dos resultados eleitorais, os quais, na óptica daquele partido, dão vantagem ao seu candidato Fernando Pequenino. Primeiro houve balas de borracha e gás lacrimogéneo, mas depois houve disparos de balas verdadeiras, o que culminou com a morte do simpatizante do MDM."

22 de Novembro de 2000

A 22 de Novembro de 2000 - faz hoje, portanto, 13 anos -, o jornalista Carlos Cardoso foi assassinado com cinco balas de AK-47 quando saía, tarde terminada, do seu jornal, o metical, na cidade de Maputo. Assim morreu, com 49 anos, um dos mais corajosos jornalistas moçambicanos na luta contra a corrupção. Ontem como hoje, a sigla de Cardoso mantém-se: é proibido pôr algemas nas palavras. Portal que lhe é dedicado, aqui.
Adenda às 07:27: "Soluções informais" - esse o título de um trabalho de Carlos Cardoso, escrito em 1996 a meu pedido e publicado num livro saído sob minha direção em 1998 (Serra, Carlos, Estigmatizar e desqualificar/Casos, análises, encontros. Maputo: Livraria Universitária, 1998, pp. 27-44), confira aqui.
Adenda 2 às 07:31: Logo abaixo, o rosto da edição 1073 de 2001 do "metical":

Brevemente à venda

Recorde abaixo a capa do primeiro número, já à venda:
A coleção "Cadernos de Ciências Sociais" pretende dar respostas a perguntas simples sobre temas complexos da vida social, com textos combinando simplicidade e rigor de autores de vários quadrantes do imenso mundo falante de português. Nela apresentarei alguns dos grandes cientistas e intelectuais de ramos diversos que escrevem nessa língua no planeta, inscritos num fórum da coleção que cresce dia após dia.

21 novembro 2013

Quelimane: cidadão baleado

Acabo de receber a informação de que um cidadão foi baleado há momentos na cidade de Quelimane quando o MDM celebrava em caravana o que considera ser a sua vitória nas autárquicas naquela cidade. Um jornalista do "Diário da Zambézia" disse-me que o cidadão, que integrava a caravana, foi baleado pela polícia.
Adenda às 18:04: o jornalista referido disse-me em nova mensagem que o baleamento ocorreu quando a caravana passava em frente à residência do governador da província, tendo um tiro da segurança local atingido mortalmente um apoiante da Manuel Araújo que estava num camião. O atingido perdeu a vida há momentos no Hospital Provincial.
Adenda 2 às 18:32: segundo um jornalista do semanário "Savana", o assassinado é o músico Maxi Azevedo, informação confirmada por um jornalista do "Diário da Zambézia".
Adenda 3 às 18:39: deverei publicar aqui ainda hoje um trabalho de um jornalista do "Savana" que está em Quelimane.
Adenda 4 às 18:40: de um outro jornalista do "Savana" neste momento na cidade da Beira, a propósito de uma comemoração da vitória eleitoral esta tarde: "Mar de gente com Deviz Simango e esposa à frente. Andaram pelas ruas da cidade até ao Shoprite. Amanhã continua às 14 horas."
Adenda 5 às 19:05: um jornalista do "Diário da Zambézia" acaba de me informar que dois simpatizantes do MDM foram esta noite alvejados no Guruè.
Adenda 6 as 19:08: despacho do jornalista Fernando Lima do semanário "Savana", neste momento em Quelimane: "Músico morre na festa Araújo - A força policial afecta à protecção do governador provincial da Frelimo em Quelimane abateu a tiro o músico zambeziano Ed Azevedo quando a caravana festejando a reeleição do edil Manuel Araújo passava em frente ao palácio de Júlio Veríssimo. Segundo testemunhas oculares, o músico faleceu no hospital, depois de ter sido atingido na caixa do camião onde estavam vários artistas apoiando a “passeata da vitória” de Araújo. Esta é a segunda morte em menos de 24 horas em Quelimane e relacionada com os resultados eleitorais que favoreceram o MDM. Correspondentes locais reportaram tiros em Milange e Gurué depois de militantes locais do MDM se estarem a manifestar por causa da demora na publicação dos resultados. Em Mocuba, onde tardam também a serem divulgados os resultados, as instalações onde são contados os votos foram cercadas pela FIR para evitar tumultos na área."
Adenda 7 às 19:51: continuo na expectiva de conhecer a taxa de abstenção, a dimensão dos votos nulos, etc.
Adenda 8 às 20:35: do jornalista António Zefanias do "Diário da Zambézia", em despacho a meu pedido: "A Polícia da República de Moçambique na Zambézia, chamou esta noite a imprensa para explicar as circunstâncias que levaram à morte do jovem músico Maxi, no final desta tarde na cidade de Quelimane. Ernesto Serrote, porta-voz da PRM, disse que os simpatizantes do MDM queriam entrar no palácio governamental para deixar um suposto caixão que alegavam ser do candidato da Frelimo dado como derrotado. Nesta conformidade, segundo Serrote, a Polícia viu-se obrigada a disparar para o ar e daí, como a vítima encontrava-se no camião, a bala tê-lo-á atingido. Porém, Serrote descartou qualquer hipóotese da PRM assumir este acto, tendo dito que "apenas lamentamos a morte, mas não assumimos nada, porque a polícia estava em pleno exercício das suas actividades"- fim de citação. Recorde-se que a polícia disparou indiscriminadamente contra os manifestantes do MDM."

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Séries pessoais: Propaganda eleitoral pelo vestuário (4); Diário de campanha (12); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (28); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (69); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)
Nota: a pouco e pouco tentarei abandonar a modalidade das séries, combinando textos/cabeçalhos curtos aqui e textos longos aqui, método que já comecei a ensaiar. 

Diário de campanha (11)

Décimo primeiro número da série. A versão digital do "Notícias" de hoje não apresenta ainda resultados parciais das eleições ontem realizadas e não refere a existência de anomalias. Confira por exemplo as secções "Política" e "Sociedade", aqui e aqui. Enquanto isso, o "@Verdade/Facebook" refere a morte de três pessoas em Quelimane, dois jovens e uma criança. Aqui. Por outro lado, o "Canal de Moçambique/Facebook" apresenta os resultados parciais de algumas mesas de votos, aqui, aqui e aqui. Portal da "Rádio Moçambique" está por agora desactualizado (mas fica frequentemente inoperacional). Aqui. Por fim, recebi esta madrugada do jornalista António Zefanias do "Diário da Zambézia" a seguinte primeira mensagem: "Na cidade de Quelimane, Manuel de Araújo avança com larga vantagem e os jovens estão na rua gritando". Há momentos recebi esta segunda: "Manuel de Araújo lidera em todas as mesas de voto. Jovens na rua gritando".  E numa terceira mensagem: "MDM com larga vantagem também" (imagem reproduzida daqui)
(continua)
Adenda às 05:35: não consigo obter resultados parciais de Sofala. O "Diário de Moçambique", sedeado na Beira, está permanentemente inoperacional.
Adenda 2 às 05:37: o portal do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral está desactualizado. Aqui.
Adenda 3 às 05:47: a actuação da Força de Intervenção Rápida aparece reportada com grande regularidade em vários órgãos de informação.
Adenda 4 às 05:54: resultados parciais de uma mesa de votação na Matola, aqui.
Adenda 5 às 06:18: fez hoje 30 dias que o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, não é visto em público.
Adenda 6 às 06:44: por hipótese, a Frelimo deverá ganhar a maioria das 53 autarquias, seja nos edis, seja nos partidos. Mas perderá Beira, Quelimane e, provavelmente, mais dois ou três municípios, entre quais Mocuba. Em Maputo e Matola, os candidatos a edis da Frelimo e do MDM deverão obter resultados muito próximos, mas a Frelimo poderá ficar bem mais no topo no tocante a partidos. O MDM deverá crescer e enraizar-se ano após ano. A Renamo poderá desaparecer como partido nos próximos dois anos se não renovar os seus membros e produzir candidatos para o futuro fora dos carris castrenses. Os resultados finais das presentes eleições provavelmente serão um prenúncio dos resultados das eleições gerais do próximo ano.
Adenda 7 às 06:48: disse-me alguém que estamos hoje diante de novas gerações, com outro tipo de aspirações, críticos da história e dos lugares-comuns, ansiosos por um futuro diferente. Pode ser uma boa hipótese. A este nível, provavelmente fará sentido analisar o perfil dos candidatos a edis, deverei escrever um pouco sobre isso na continuidade da minha série intitulada Propaganda eleitoral pelo vestuário.
Adenda 8 às 06:59: a intervenção sistemática da Força de Intervenção Rápida poderá fragilizar a Frelimo no tocante à legitimidade popular. Recordo esta minha postagem de 03 de Março de 2011: "Como explicar o forte grau de confiança e de legitimidade de que goza a polícia britânica? Dois sociólogos mostram que a capacidade da polícia de inspirar confiança é ao mesmo tempo prova da sua aceitação e da sua eficácia. Uma polícia que inspira medo priva-se da participação dos cidadãos na produção da ordem social."
Adenda 9 às 07:31: o clássico padrão da pesada propaganda política alicerçada nas vistosas comitivas motorizadas, nos panfletos e nos cartazes colados em todo o lado, nas capulanas e nos bonés de distribuição gratuita e nos espectáculos musicais está, em meu entender, ultrapassado.
Adenda 10 às 07:41: não está nada fácil saber dos resultados parciais na Beira.
Adenda 11 às 07:52: quanto mais demorar a divulgação oficial dos resultados parciais, mais forte será a desconfiança popular.
Adenda 12 às 08:10: segue logo abaixo a primeira página do "Wamphula Fax" de hoje (amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato):
Adenda 13 às 09:02: na cidade de Tete, com resultados parciais apurados de noite e graças ao informe que me foi dado por um jornalista, o candidato da Frelimo soma 19.593 votos, o do MDM soma 10.605. Partidos: Frelimo soma 19238 e o MDM, 9841. A cidade tem 39 mandatos.
Adenda 14 às 09:30: os resultados parciais poderão ser conhecidos ainda esta manhã.
Adenda 15 às 09:37: recebi a informação de que Deviz Simango e o MDM venceram folgadamente na cidade da Beira. Mas não tenho confirmação.
Adenda 16 às 09:55: os repórteres da "Rádio Moçambique" têm estado a transmitir resultados parciais.
Adenda 17 às 09:58: alguns resultados parciais aqui.
Adenda 18 às 11:47: despacho de um jornalista sedeado na cidade da Beira, a meu pedido: "O MDM e o seu candidato a presidente do município da Beira seguem em frente no apuramento parcial dos votos. Numa altura em que 75 por cento das mesas de voto já foram processados, dados disponíveis indicam que Daviz Simango arrecadou 49.672 votos, contra 21.143 do seu adversário, Jaime Neto, candidato da FRELIMO. No que diz respeito à Assembleia Municipal, a Rádio Moçambique apurou que o MDM tem 29.422 votos, a FRELIMO 14.216 e o PARENA 204 votos. Importa salientar que estes dados são preliminares, na medida em que prossegue o apuramento à boca das urnas. No total, foram instaladas na autarquia da Beira duzentas e noventa e uma mesas de voto."
Adenda 19 às 12:13: aguardo receber resultados parciais de Quelimane.
Adenda 20 às 13:07: confira resultados aqui.

Poder político

Ditos (69)

Sexagésimo nono dito. Nenhuma verdade, nenhum ponto de vista oficial pode furtar-se ao plebiscito popular. É a ágora do rés-do-chão governado que decide da legitimidade do primeiro andar governante.
(continua)