04 fevereiro 2010

No CN de hoje


Confira no "Canal de Moçambique" online de hoje, aqui.

Erosão galopante nas "barreiras" de Maputo



O "Notícias" de hoje escreve que o município de Maputo procura um consultor "para avaliar as obras de reabilitação e construção dos treze quilómetros da protecção costeira da cidade de Maputo, área destruída pelo nefasto fenómeno da erosão." Refere, depois, um outro problema, o dos "buracos que estão a abrir-se ao longo da “Marginal”, exactamente entre o Clube Naval e a Escola Superior de Ciências Náuticas". Porém, o problema da erosão na cidade de Maputo extravasa a orla marítima e os "buracos" (na realidade, são crateras perigosas, recorde uma postagem minha aqui)). Com efeito, existem graves sinais de erosão galopante nas barreiras de Maputo, em toda a faixa que, ao longo da Marginal, se estende, grosso modo, desde a Presidência da República até ao prédio da Mcel. Isso pode significar que as habitações da parte alta da cidade podem estar em risco, com a areia sendo progressivamente tragada. O "Savana" de 29 de Janeiro tem um editorial intitulado "O drama de uma urbanização caótica", conferível aqui. As fotos em epígrafe foram por mim tiradas ontem em dois locais distintos. Clique sobre elas com o lado esquerdo do rato para as ampliar e vê-las melhor, especialmente a segunda foto.
Adenda: um outro fenómeno diz respeito às dezenas de abrigos feitos a partir das árvores da zona baixa das barreiras por jovens que ali vivem.

Dois temas

O jornal com o título em epígrafe reporta, entre outros temas, que (1) o ex-governador da Zambézia, Carvalho Muária, deixou dívidas para com os jornalistas e (2) haverá carnaval no Catedral Velha de Quelimane por decisão do município local. A conferir aqui.

O transe nos Camarões (2)

Termino esta série.
O ano passado, o teólogo sociólogo camaronês Kamta criticou a proliferação das seitas salvacionistas no seu país.
A esse propósito, fez o seguinte enquadramento: desde 1980 que se vive em crise no país, há declínio económico devido a uma crise moral que, por sua vez, é resultado de uma crise espiritual que dá origem à crise económica, à crise financeira, à miséria e à pobreza. As pessoas procuram as soluções fáceis e imediatas, a cura, a segurança social, vão às igrejas, às seitas. Nos Camarões vive-se uma cultura de medo, medo da feitiçaria, medo dos maus espíritos, medo do mau olhado. Faz algum tempo que ocorre o fenómeno de transe nos estabelecimentos escolares, transe que é simplesmente a expressão do medo que as pessoas vivem todos os dias com a crise. A conferir no cameroun link, em francês, aqui. Caso queira ler em português, use este tradutor, aqui.
Adenda: seria interessante conhecer a opinião dos leitores.
(fim)

03 fevereiro 2010

O SAPE congolês (1)



Chama-se La Sape (Sociedade para o Avanço das Pessoas Elegantes), culto congolês da moda, cuja origem é afirmada como remontando ao regresso a Brazzaville dos soldados africanos que tinham combatido no exército francês durante a primeira guerra mundial. Pessoas desse clube consideram-se cavalheiros e pacifistas. Obrigado ao Ricardo de Paris por me ter chamado a atenção para o tema através deste portal, aqui (se quer ler em português, faça uso deste tradutor, aqui). No próximo e último número, fornecerei mais portais.
(continua)

Blogues actualizados


Pouco a pouco, tento actualizar outros blogues meus. De forma pequenina, isso aconteceu aqui, aqui e aqui. Cartun reproduzido daqui.

O transe nos Camarões (1)

Num estabelecimento escolar dos Camarões, maioritariamente frequentado por raparigas entre os 14 e os 16 anos, 24 estudantes entraram em transe colectivo no dia 29 do mês passado. Em estado histérico, foram encaminhadas para um hospital, estando em observação. Os médicos classificaram o fenómeno como "histeria colectiva com sinais de teatralização". Para os pais dos estudantes e para outros observadores, trata-se de um acto místico, de presença de maus espíritos que importa conjurar de forma plena, os autores devendo ser encontrados. A conferir num jornal online camaronês, o quotidienmutations.info, em francês, aqui. Se quiser ler em português, use este tradutor, aqui. Obrigado ao Ricardo de Paris pelo envio da referência.
Podemos avançar um pouco mais na análise do transe? Tentemos no próximo número, através do depoimento de um teólogo sociólogo camaronês, citado por um outro jornal online também dos Camarões.
(continua)

Zimbabwe


Morgan Tsvangirai (primeiro-ministro, à esquerda): Já reparou que o Governo de Unidade Nacional dá 120 passos em frente e outros tantos à retaguarda? Reposta de Robert Mugabe (presidente): Yeah! mas a boa coisa é que pelo menos os dá. Cartum reproduzido daqui.

Um texto de 2007



Um texto datado de 2007, da autoria do Prof. José Flávio Sombra Saraiva, da Universidade de Brasília, a conferir aqui.

Um blogue


O Vítor Lindegaard (tradutor e professor vivendo em Chimoio, província de Manica) tem um blogue (500 entradas até 22 de Janeiro do corrente ano) com o título em epígrafe, no qual procura apresentar (1) "palavras usadas pelos moçambicanos ou por pessoas que vivem em Moçambique quando falam português entre elas e que não são usadas por outros falantes do português noutros lugares" e (2) "palavras portuguesas que, por muito que se usem fora de Moçambique, são de origem moçambicana." Aqui.

A morte num local ermo

Parece ter desaparecido das manchetes da nossa imprensa o crime espectacular, aquele que, regularmente publicitado, era protagonizado pela armada equipa de meliantes que assalta um banco ou um estabelecimento comercial e fere ou mata um guarda privado. A tendência é, instintivamente, concluir que a situação criminal no país melhorou. O que resta, então? O crime das noites sem manchete, o assalto sem pista, a agressão sem rastos, a morte num local ermo.

Moçambique é maningue nice

Da autoria de Dinis Manuel Alves, o texto "Moçambique é maningue nice" foi divulgado em Julho de 1997, quase 13 anos se passaram. Talvez seja um retrato multilateral do país a partir de uma recepção dada no Hotel Polana e de uma das conclusões do IV Congresso da Frelimo (1983). Aqui.

Sobre rastilhos xenófobos (7)

Vamos lá a mais um pouco desta série (clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar), a propósito de um trabalho publicado no jornal "Público", da autoria de Sérgio Macuácua.
No Xiquelene confrontaram-se duas entidades: por um lado, o conjunto dos vendedores informais, sobrevivendo no dia-a-dia em confronto com a ordem do Estado representada pelos cobradores de impostos e pelos polícias; por outro, o comerciante estrangeiro, o "distante no próximo", como escreveu um dia Simmel.
Obrigados a abandonar o seu local de vida pela polícia para ali ser instalado um contentor-loja pertença de um comerciante nigeriano, os vendedores ampliaram as fronteiras concretas desse comerciante e viram inimigos em todos os comerciantes estrangeiros da área. Por isso assaltaram os seus estabelecimentos. A polícia, essa - na concepção dos vendedores - estava ao serviço da ordem injusta.
Adenda: confira as minha séries com os títulos Os efeitos da borboleta social na África Austral, O papão "nigeriano" que deixa vermes nas mulheres em Maputo, Eles e nós: representações sociais num bairro de Maputo e Notas sobre xenofobia, respectivamente aqui, aqui, aqui e aqui.
(continua)

Eufémico desvio

Escreve o "Notícias" de hoje que "pelo menos três milhões de meticais (cerca de cem mil dólares, CS) foram desviados dos cofres do Estado nos últimos três anos na província de Manica". Um género de fenómeno - sistemático mecanismo de acumulação através do Estado - frequente na nossa imprensa, protegido pelo eufémico desvio.

02 fevereiro 2010

Obama é socialista?

Eis uma pergunta feita por muita gente. Se quiser estudar o acervo de respostas pró e contra, acompanhadas de anúncios de camisetas, basta apenas escrever essa pergunta num motor de busca tipo google, mediante a qual irá encontrar (pelo menos no momento em que escrevo) 1.420 mil entradas. Aqui. Nota: imagem de 2008 reproduzida daqui.

Promiscuidade entre telejornalismo e poder político


A conferir este trabalho de 2007 aqui. Veja o currículo de Leonilda aqui. Clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.

Banalização da morte e da piedade

Notícias desse tipo percorrem os canais de informação quase todos os dias, pertencem ao mundo virtual. Certamente provocam, aqui e acolá, surpresa, sofrimento e denúncia.
Mas a multiplicação banalizada desses espaços de sofrimento amortecido e ritualizado põe em causa todo aquele mundo sensorial de piedade que se alimenta da realidade próxima. É como se a piedade estivesse a ou pudesse perder o real e diversificado palco da vida sofredora.
Por hipótese, se sofrimento surge, provavelmente tem, já, apenas, uma natureza estética, um tecido teorizável em permanência, lá onde o écran televisivo e o jornal virtual se tornam unicamente pretexto para o já visto no espectáculo.
Adenda: talvez um dia possamos criar uma linha de pesquisa virada para o estudo do sofrimento, da piedade e da denúncia em nosso país.

Principais


A conferir aqui.

"A luta pelas rendas"

"A luta pelas rendas: trabalho aplicado, ajuda ao desenvolvimento e mediadores em Moçambique" - eis um texto datado de 2004, escrito pelo antropólogo português Fernando Bessa Ribeiro, a conferir aqui.
Adenda às 9:40: "Sistema mundial, Manjacaze e fábricas de caju: uma etnografia das dinâmicas do capitalismo em Moçambique" - eis a tese de doutoramento do autor, consultável aqui.

Sobre rastilhos xenófobos (6)

Mais um pouco desta série.
Permitam-me recordar-vos três acontecimentos, a saber:
Em Agosto de 2006, residentes dos bairro T3 na Matola chamaram curandeiros para descobrirem os assassinos que supostamente aterrorizavam o bairro, face à crença na ineficiência da polícia. Aos curandeiros foi dado um prazo de 15 dias para encontrarem uma solução e revelaram a identidade dos criminosos. O dedo acusador foi apontado aos estrangeiros do Zimbabwe e dos Grandes Lagos, capazes, segundo os residentes de T3, de se transformarem em gatos, ratos e cobras para violarem mulheres na calada da noite e matarem cidadãos com o fito de lhes extraírem o sangue para operações mágicas.
Em Março de 2007 foram reportados casos de ataques xenófobos a cidadãos burundeses e congoloses e seus bens em Nampula.
Em Outubro de ano, correu em Morrumbene, província de Inhambane, o boato de que chineses estavam a sequestrar crianças do ensino primário.
(continua)

No DZ


A propósito do estado das estradas na cidade de Quelimane devido às chuvas, "Diário da Zambézia", aqui.

01 fevereiro 2010

BPPM


Já podeis conferir o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (45), de 1 de Fevereiro de 2010, com o tema "Detalhes do novo governo", na íntegra aqui.

Saiba do Niassa

Saiba um pouco do Niassa com o jornal "Faísca", por exemplo sobre estradas, aqui. Obrigado a quem mo enviou.

Reformar o capitalismo?


Não é uma questão de substituir o capitalismo, mas de sabermos que tipo de capitalismo queremos. Temos de encontrar uma alternativa humana ao mercado, temos de regular o capitalismo - resumo do que afirmou na Suíça o presidente francês, Nicolas Sarkozy, por ocasião do Fórum de Davos, terminado domingo. Leia aqui e aqui.
Comentário e proposta de leitura: o que, na realidade, Sarkozy propôs? O que propôs foi uma reforma capitalista do capitalismo. E, já agora, a propósito da crise capitalista e da construção de alternativas, leia uma entrevista com o geógrafo britânico David Harvey, aqui.
Adenda às 16:15: reacende o interesse pelo O Capital de Karl Marx, escrito há mais de 140 anos. Aqui.

Como está Quelimane



Chove na província da Zambézia desde quinta-feira. As duas fotos em epígrafe foram tiradas esta manhã em Quelimane e enviadas pelo António Zefanias, a quem muito agradeço. Podeis ver como está a Avenida Eduardo Mondlane (da EDM até à Sagrada Família), concretamente na zona da Ex-Agricom.

Principais


A conferir aqui.

Árvores, verde e sombra a sumir


Acho que em cada dia se pode sentir, de forma implacável, o desaparecimento das zonas verdes das belas barreiras da cidade de Maputo. Árvores, verde e sombra a sumir para dar lugar a prédios e a moradias. Por outro lado, quem tiver algum cuidado visual, poderá verificar os numerosos indícios de erosão dessas barreiras, a areia a ser arrastada. Foto por mim tirada esta manhã.

LIDEMO


De David Ker, linguista vivendo em Tete desde 1999, recebi hoje a informação de que se promove em Maputo o lançamento de um CD e do portal da LIDEMO.NET, conferível aqui. De acordo com David, o CD "tem informação de Alfabetização, Desenvolvimento, Escrituras, e Linguística em muitas línguas". Espero poder dar mais pormenores brevemente. Muito obrigado, David Ker.

Sobre rastilhos xenófobos (5)

Mais num pouco da série.
Se as condições sociais existentes tornam difícil a vida de muitas pessoas enquanto algumas ostentam bem-estar, um pequeno acontecimento pode constituir um rastilho para dar origem ao que se passou há dias no Xiquelene, quando vendedores moçambicanos assaltaram as cantinas dos estrangeiros depois que - reportou o jornalista Sérgio Macuácua - a polícia "dispersou um grupo de vendedores informais e ambulantes, alegadamente por estarem a ocupar um espaço reservado à colocação de um contentor-loja de um cidadão de nacionalidade nigeriana".
O estrangeiro torna-se rapidamente o bode expiatório de todos os males sentidos pelas pessoas, pessoas que se interrogam sobre a origem do poder e do dinheiro dos estrangeiros, tal como procurei mostrar na série com o título Eles e nós: representações sociais num bairro de Maputo, a conferir aqui.
No próximo número recordarei acontecimentos passados em 2006 e 2007. Finalmente: clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.
Adenda: confira igualmente as minha série com os títulos Os efeitos da borboleta social na África Austral, O papão "nigeriano" que deixa vermes nas mulheres em Maputo e Notas sobre xenofobia, respectivamente aqui, aqui e aqui.
(continua)

Memória samoriana


Sublinhada a vermelho por mim, está uma expressão dos tempos samorianos, uma espécie de memória samoriana...Confira o texto no "Diário da Zambézia" de hoje, aqui (reparam que escapou um m na palavra incompetência).
Adenda: o falecido José Negrão escreveu um texto, com data de 2001, intitulado "Samora e desenvolvimento". Na parte final, com o entretítulo "A inquietação de Samora", Negrão escreveu sobre a "Ofensiva político-organizacional" contra "os tecnocratas do socialismo e os teóricos do marxismo congelado", aqui.