Juntamente com outro dos meus blogues, o diário de um amante das palavras, o diário de um sociólogo figura pela segunda vez entre os dez melhores blogues semanais do directório brasileiro Links&Sites.
Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
06 agosto 2007
"Diário de um sociólogo" de novo seleccionado
Juntamente com outro dos meus blogues, o diário de um amante das palavras, o diário de um sociólogo figura pela segunda vez entre os dez melhores blogues semanais do directório brasileiro Links&Sites.
Faife está alarmado
O Sr. Xigwai Faife (o primeiro nome é certamente inventado), criou um novo vírus, a que chamou VIDESMANOPRIC (Vírus de Destruição Massiva de nossos Princípios Culturais). O Sr. Faife está alarmado com a degradação dos valores morais no país. Está, mesmo, contra os "conceitos japoneses" (sic). Leia aqui a saborosa carta.
Jeque o adivinho, Dhlakama o messias


05 agosto 2007
Sofia Barbosa e Joana Melo
Sofia Barbosa e Joana Melo cantam "Povo que lavas no rio", um trabalho que Amália Rodrigues imortalizou. Um dueto excepcional. Até amanhã!
Lea Salonga
Sabem, nunca penso com a razão, mas com a emoção; nunca programa nada, deixo-me programar pelos sentidos. Amo o que sinto, sinto o que não penso pensando. E por isso amo o belo que sinto ser belo. Todos os dias faço amor com a vertigem do belo. Por exemplo: oiçam comigo Lea Salonga, neste clássico "não chores por mim Argentina". Já ouvi muitas versões da canção, já ouvi muitos intérpretes. Mas apenas em Lea encontrei esta extraordinária interligação entre tema, canção, voz e gestão corporal, gestão ática, simples, de uma beleza sem perímetro. Reparem nas mãos, no rosto, nos lábios, nos olhos, nas sobrancelhas. Vejam se concordam comigo, neste domingo, neste abraço que vos dou.
Assim sou assim me pau-pretam

04 agosto 2007
Isabelle Boulay
Depois de Mireille Mattieu (veja abaixo), é agora a vez de outra bela voz francesa, a de Isabelle Boulay. Parle-moi=fala comigo. Uma história de amor, ainda que triste. Mesmo assim, fala comigo...
Mireille Mathieu
Aqui tendes a bela voz francesa de Mireille Matthieu(não, não é a de Edith Piaf), no seu admirável "Non je ne regrette rien" (não, não lamento nada).
Darwinismo social
É sempre possível encontrar um fio condutor para fenómenos díspares (ou aparentemente díspares). Fenómenos díspares e, frequentemente, inocentes na sua naturalidade, na forma inócua como surgem e se difundem. Ou na forma como são afirmados, na inocência firme de um mero ponto de vista.Pelo calçado avalias o relevo social

Os corredores empresariais do Poder em Moçambique
A sempre actualizada Indian Ocean Newsletter (edição de 25/07/07) mostra quem caminha no mundo dos negócios em Moçambique, com figuras conhecidas de ex-governantes, governantes ou próximas de governantes. Vale a pena ler, especialmente quando nos damos a discutir democracia de forma platónica, docemente pura:Por outro lado, um grupo de oficiais moçambicanos na reserva criou em Abril uma companhia cujo objectivo é o teste técnico e a inspecção de automóveis, a Moçambique Laser Inspecção. Trata-se de uma joint venture com quatro accionistas, incluindo oficiais e civis trabalhando para o Ministério da Defesa. Há, assim, o tenente-coronel na reserva João Francisco Bias, presidente do Comité de Amizade Moçambique-Cuba; Sérgio Manuel Fernando, Justino Ernesto Tonela (conselheiro jurídico do Ministério da Defesa) e Joaquim Zacarias Mataruca, coronel na reserva e porta-voz do Ministério da Defesa.
03 agosto 2007
Ela Só Quer
Como estamos com a alma já no fim-de-semana, vamos lá "dançá" este leve e fresco forró do nordeste brasileiro com o grupo "O Karaiva"....
Ensino bilingue em Moçambique - um trabalho de Fátima Ribeiro (2) (continua)
"ENSINO BILINGUE EM MOÇAMBIQUE:PREOCUPAÇÕES QUE DEVIAM SER DE TODOS
Por Fátima Ribeiro
Não são necessários profundos estudos para se constatar o que há anos venho afirmando: em Moçambique, nos moldes em que está concebido e com os recursos que possuímos e podemos garantir e desenvolver, note-se bem, o modelo de ensino bilingue em aplicação não é sustentável, nem oferece a garantia de um mínimo de qualidade que justifique o tremendo esforço despendido e a despender, sobretudo em tempos de resposta ao HIV/SIDA e de honrar o compromisso de educação para todos.
São diversos os documentos que atestam o estado actual do sector da educação. Segundo o relatório do UNICEF A Pobreza na Infância em Moçambique: uma Análise da Situação e das Tendências, no período compreendido entre 1992 e 2005 triplicou o número de alunos no subsistema de ensino primário, tendo passado de aproximadamente 1,3 milhões para mais de 3,8 milhões, enquanto o número de alunos no secundário aumentou de cerca de 45.000 para 245.000.[4] Posteriormente, e apenas em 2006, conforme declarações prestadas recentemente pelo Ministro da Educação e Cultura[5], perto de um milhão de crianças entraram pela primeira vez na escola. Não obstante esta impressionante vaga de acesso, urge ainda acomodar no curto prazo, para além das que forem atingindo a idade escolar, o meio milhão de crianças que se encontram fora do sistema[6].
Baseando-se em vários documentos oficiais de referência, diz o relatório do UNICEF atrás citado que o rápido aumento nas matrículas não foi acompanhado por um maior investimento na qualidade de ensino ou por estratégias adaptadas aos aumentos massivos do número de estudantes, tendo os indicadores de eficiência interna e qualidade, como a percentagem de professores com formação e o rácio professor/alunos, por exemplo, sofrido agravamentos. Em 2005, no primeiro nível do ensino primário havia, em média, um professor para 74 alunos. O Plano Estratégico do Sector da Educação, 2005 (PEE II) reconhece que os professores estão deficientemente equipados para lidar com alguns dos desafios que o novo sistema coloca, tais como a realidade de um ensino ministrado a pessoas com diversas idades em turmas grandes e em turmas com diferentes classes, a falta de material didáctico, a disparidade de género e o HIV/SIDA. Por sua vez, o Inquérito sobre a Força de Trabalho (IFTRAB) de 2004/2005[7] revelou que 47% dos inquiridos se mostravam insatisfeitos com a sua escola local, e que era grande a diferença entre respondentes de áreas urbanas e rurais (28% e 61%[8], respectivamente). As principais causas de insatisfação apresentadas foram a falta de materiais (31%); as fracas condições das instalações escolares (29%); a falta de livros (17%); a falta de professores (6%) e o pagamento de subornos (1,5%). Um grande obstáculo à qualidade de ensino frequentemente citado foi a falta de livros, estimando-se que apenas 25% dos alunos possuíam todos os manuais necessários.[9]
Assim era a situação em 2005, visivelmente mais grave está em 2007. Por toda a parte, e até na capital, proliferam as escolas com turmas de uma centena de alunos, sem salas de aula, sem livros, sem professores suficientes ou com professores sem preparação. “Milhares de alunos das escolas primárias da cidade de Maputo continuarão, até ao final do presente ano, a assistir às aulas sentados no chão, devido à falta de carteiras nos estabelecimentos de ensino onde estudam, segundo as autoridades locais da Educação e Cultura. Desconhece-se a data em que o défice de carteiras será ultrapassado”, informa o jornal Notícias[10]. E se assim é presentemente, vigorando à escala nacional apenas o ensino monolingue, quando ao grande choque de acesso se juntarem os impactos da expansão do ensino bilingue, nos moldes em curso, a toda a área rural do país, isto é, daqui a escassa meia dúzia de anos, terá a Educação em Moçambique alguma dignidade outra para além do patriótico orgulho de termos introduzido as línguas moçambicanas no ensino?
[5] Jornal Notícias, 30.07.2007, p. 2.
[6] Ibidem
[7] Instituto Nacional de Estatística (INE), Inquérito Integrado à Força de Trabalho (IFTRAB) 2004/2005, 2006
[8] Note-se que é nas escolas rurais que o ensino bilingue vai ser implementado.
[9] UNICEF, op.cit. p. 163-164
[10] Notícias, 20.04.2007"
Ensino bilingue em Moçambique - um trabalho de Fátima Ribeiro (1)
Pedi há tempos à Prof.ª Fátima Ribeiro que escrevesse um texto sobre o ensino bilingue em Moçambique. Ela cumpriu e por isso o publico aqui em partes:PREOCUPAÇÕES QUE DEVIAM SER DE TODOS
Por Fátima Ribeiro
Ao intervir no programa Linha Directa da Rádio Moçambique de 28.07.2007, dedicado ao tema “Ensino Bilingue – Situação Actual e Perspectivas”, uma vez mais me senti, nessa matéria, uma voz falando num deserto que sei particular: cheio de gente que vê, mas onde quase ninguém ousa dizer. Ou melhor, onde em público só fala praticamente quem, por inerência de ocupação, tem a obrigação de se pronunciar em consonância com o que se está a propor e executar: os técnicos directamente envolvidos no processo.
Decidido está e, a bem ou a mal, o programa “experimental” de educação bilingue em Moçambique, iniciado em 2003 e abrangendo presentemente 15.000 alunos em 75 escolas de todas as províncias[1], tem de ser expandido, e o quanto antes, à escala nacional. Porque “a decisão é política, ponto final”, como se ouve dizer. Porque assim recomendam também as directrizes globais para o desenvolvimento[2]. Porque já muito dinheiro foi gasto e, aos doadores, seus governos e contribuintes, tem de ser justificado. Porque a máquina está em marcha acelerada e é impossível fazê-la parar. Enfim, porque politicamente incorrecto levantar as questões que coloco.
Da minha parte fica a satisfação de, baseando-me na minha experiência de três décadas de ensino em Moçambique (no campo e na cidade, na alfabetização, no ensino secundário e superior, na formação de professores, no ensino de português língua materna, língua segunda e língua estrangeira, no Estado e no sector privado, a crianças e adultos, a turmas de mais de cinquenta e a pequenos grupos) ter vindo a alertar quem de direito, desde a primeira hora[3] - os primórdios do projecto PEBIMO, em 1991/92 - para problemas que considero fundamentais. Em mim, dizia, fica o consolo de ter posto à consideração um outro modelo que me parecia de muito mais rápida introdução e expansão, mais fácil e menos onerosa implementação. Fica ainda a esperança e ansiedade de ter vida e saúde para apreciar os resultados do processo a curto, médio e mais longo prazos, e o desejo, sincero, acredite-se, de vir a constatar que estava enganada nas minhas percepções e convicções.
[1] Dados fornecidos por Rafael Sendela, Coordenador do Ensino Bilingue no Instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação (INDE). Cf. “Ensino Bilingue conta com 15 mil alunos”, jornal Notícias, 01.08.2007, primeira página.
[2] Cf. “Policies on the Use of Multiple Languages”, in PNUD, Human Development Report 2004, p. 60-63.
[3] Fátima Ribeiro, “Português, Língua Veicular: Algumas Reflexões sobre Modelos de Ensino (ou Carta Aberta por um Moçambique Estável e Sustentável)”, publicado no jornal Savana de 28.12.2001; “Ensino Bilingue: Uma Aposta Viável?”, in Savana 18.02.2005 e no fórum de discussão Ideias para Debate, de Machado da Graça (http://ideiasdebate.blogspot.com); “Uma Alternativa ao Ensino Bilingue Proposto pela Reforma Curricular”, in Savana 10.06.2005 e Ideias para Debate; e ainda “Relatório do Desenvolvimento Humano 2004 e Política de Línguas para o Ensino”, in Ideias para Debate, 05.06.05.
Lina Magaia reeditaria "operação produção"
Numa entrevista dada ao semanário "O País", edição de hoje, a ex-parlamentar da Frelimo, Lina Magaia, afirmou que faria uma nova "operação produção" na cidade de Maputo, caso lhe perguntassem como combater a criminalidade.Democracia 4/4
Baseado no orçamento feito para as eleições provinciais, o jornalista Lázaro Mabunda afirma no "O País" de hoje que os órgãos eleitorais precisam de:-15 viaturas do tipo 4/4 cabine dupla
-148 do tipo 4/4 cabine simples
- aluguer de 216 viaturas (p. 2).
E são, apenas, eleições para assembleias provinciais, não são eleições legislativas.
Mozambique é maningue nice

Recenseamento e dúvidas
Diz o "Notícias" de hoje que as coisas correm bem no Censo da População e Habitação. Mas o Gabinete Central de Recenseamento defende que as pessoas não se devem alhear do processo, dado tratar-se de um “exercício de cidadania” e que por isso devemos "ficar alegres de sermos contados para dizer que estamos aqui." Em Maputo persistem dúvidas sobre o processo "com alguns cidadãos a questionarem sobre benefícios imediatos do processo para as suas vidas e a manifestarem indisponibilidade para colaborarem."
Habitantes de Chalaua não querem o chefe do posto
Segundo o "Notícias" de hoje, habitantes do posto administrativo de Chalaua, no distrito de Moma, em Nampula, pediram a substituição imediata do chefe do posto, Alfredo Carmo Mussa, que é acusado de esquecer os problemas locais em favor de enriquecimento fácil, facilitando quer o tráfico de madeira explorada em Pebane, na vizinha província da Zambézia (e escoada através de Chalaua), quer a extracção e a comercialização de recursos minerais na região de Mavuco. Um dos queixosos disse: “A casa do chefe do posto mais se parece com um monstro, sobretudo no período da noite por falta de um candeeiro e isso retira o poder ao Estado, porque um simples camponês consegue garantir a iluminação da sua residência. Para onde vai o dinheiro que o Governo atribui para as despesas do seu representante aqui em Chalaua”.
02 agosto 2007
O risco dos falsos recenseadores
Telefonemas e msgs em telemóveis avisam de um roubo de material destinado ao Recensamento Geral da População e Habitação, no momento em que foram feitos apelos veementes para a participação massiva dos cidadãos, incluindo o do Presidente Guebuza.Num país, numa cidade como Maputo onde os cidadãos vivem diariamente preocupados (e cada vez mais) com a segurança, o surgimento em suas casas de pessoas pretendendo saber dados sobre o que fazem, onde vivem e como vivem é motivo sério de preocupação.
Peroni, la birra meravigliosa
Pobreza o diabo! Desenvencilhanço racional sim!

Os mais baixos salários da SADC pagam-se em Moçambique

Assassinatos em Mocímboa da Praia: "não se trata de uma acção genuinamente moçambicana" - diz governador de Cabo Delgado

01 agosto 2007
Só faltava esta: o treinador é olheiro
Segundo o semanário "Magazine Independente" na sua edição de hoje (última página), o espanhol Alberto Blanco, treinador da selecção nacional de basquetebol sénior feminino, nunca treinou qualquer equipa em Espanha, sendo apenas olheiro da equipa de Unicaja. Segundo o semanário, a informação foi prestada pela Federação Espanhola de Basquetebol, contactada telefonicamente pelo número 0034913832050.A teoria do governador Mathe sobre morte e extracção de órgãos genitais em Mocímboa da Praia
Volto à notícia da morte de seis mulheres no distrito de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado. Segundo a Rádio Moçambique, a essas mulheres foram extraídos os órgãos sexuais.Erotismo bloguista em Moçambique (6) (continua)
Achei bem colocar aqui a opinião de Cássia, uma brasileira leitora deste diário, antes de prosseguir a teorização que procuro efectuar. Ela respondeu à seguinte pergunta, por mim feita na sequência do debate nesta série: Oiça, Cássia, deixe-me tentar meter-me no seu argumento e fazer-lhe esta pergunta: acha que caminhamos para uma espécie de era à George Orwell (no pior dos sentidos, o de "1984") e de Aldous Huxley (no melhor dos sentidos, recorde-se de "O melhor dos mundos" e de "Regresso ao melhor dos mundos") em que o erotismo à distância, de net, poderá surgir como uma espécie de pílula substituta da realidade, uma aspirina ou algo assim? Algo de tão mais forte quão mais forte se tornar a distância em relação à realidade ou a sua recusa? Nesse mundo artificial e perfeito (a exemplo do que ocorreu nos modelos concebidos por Huxley e Orwell - lembre seu comentário), as pessoas que se sentem inadequadas no mundo real encontram satisfação plena a ponto de muitas delas desistirem dos relacionamentos reais. O modelo começa a falhar, na medida em que projetamos nossas expectativas reais - pois não há possibilidade de alienação total - e passamos a desejar a presença, o toque, da pessoa idealizada. Caso o encontro aconteça, o engano se confirma, a decepção acontece e o sofrimento nada a deixa a desejar a qualquer relacionamento do mundo real que termine em desilusão. Quanto à pergunta do post que me fez, sim, todos os seres humanos têm necessidade, em menor ou maior grau, de fantasias, de evasão, de fuga da realidade. Das superstições às religiões, do cinema à literatura, dos sonhos que temos acordados às fantasias sexuais desde sempre convivemos com realidades artificiais. O momento é das relações virtuais através da Internet, mas outros mecanismos de superação já estão nesse momento em gestação para substituir a Internet.
