Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
A apresentar mensagens correspondentes à consulta carvão ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta carvão ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
28 janeiro 2012
10 outubro 2011
O carvão Jano
O carvão tem duas cabeças como o deus Jano. Um exemplo, extraído de uma mesma edição do "Notícias": o carvão permite aumentar as receitas internas, ainda que a contribuição do sector mineiro para o PIB esteja por agora abaixo dos 5%. Aqui. Ao mesmo tempo, a exploração de recursos naturais em Tete, especialmente do carvão, pode dar origem a "convulsões sociais". Aqui. Recorde neste diário aqui e aqui. E termine recordando o que disse um dia Samora Machel sobre o Capital internacional, aqui.06 junho 2012
Agora o doce cheiro da fluorite em Tete
É cada vez maior o apetite do Capital internacional pelo carvão de Tete e, agora também, pela fluorite. Vamos lá a uma imagem: se ao cheiro da canela se despovoou um certo reino, ao cheiro do carvão e da fluorite se povoa Tete com o Capital internacional.
Deixemos o carvão por agora - com muitas postagens neste diário, confira algumas aqui - e avancemos para a fluorite.
Um trabalho na internet dá conta de que a florite é um dos 14 minerais em défice de oferta. São muitas e vitais as utilizações da fluorite, confira aqui. Ora, a empresa estatal chinesa East China Mineral Exploration and Development Bureau - cujo portal mostra gostar de exibir uma impressionante lista de especialistas com mestrados e doutorados em muitas áreas de especialidade - decidiu que a fluorite dada como existente no Monte Muambe na província de Tete merece investimento.
Deixemos o carvão por agora - com muitas postagens neste diário, confira algumas aqui - e avancemos para a fluorite.
Um trabalho na internet dá conta de que a florite é um dos 14 minerais em défice de oferta. São muitas e vitais as utilizações da fluorite, confira aqui. Ora, a empresa estatal chinesa East China Mineral Exploration and Development Bureau - cujo portal mostra gostar de exibir uma impressionante lista de especialistas com mestrados e doutorados em muitas áreas de especialidade - decidiu que a fluorite dada como existente no Monte Muambe na província de Tete merece investimento.
Enquanto isso, a província de Tete, tornada já gigantesca meca do carvão, mereceu de um jornal local a seguinte manchete:
Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato.
07 dezembro 2010
Ao cheiro do carvão o Capital povoa Tete
É cada vez maior o apetite pelo carvão de Tete. E, então, se ao cheiro da canela se despovoou um certo reino, ao cheiro do carvão se povoa Tete com o Capital internacional. Por exemplo, surgiu a informação de que a empresa Rio Tinto deseja comprar acções da rival australiana Riversdale Mining, leia aqui e aqui. Para traduzir, aqui. Obrigado ao Ricardo, leitor em Paris, pelo envio da referência.
11 janeiro 2012
O protesto da Cateme na Tete do carvão Jano
"Os recursos naturais que abundam no subsolo de Tete, com destaque para o carvão mineral que é uma das maiores reservas do globo, estão já a mexer a estrutura social da província e ameaçam gerar convulsões no seio da população local, cujo número dispara a cada dia."
Centenas de famílias reassentadas no Bairro da Cateme, distrito de Moatize, província de Tete, protestam contra as condições de vida a que dizem estar sujeitas pela empresa brasileira Vale Moçambique. No "Notícias" aqui e no "Canal de Moçambique" aqui.
Centenas de famílias reassentadas no Bairro da Cateme, distrito de Moatize, província de Tete, protestam contra as condições de vida a que dizem estar sujeitas pela empresa brasileira Vale Moçambique. No "Notícias" aqui e no "Canal de Moçambique" aqui.
Adenda: recorde uma postagem minha intitulada "O carvão Jano", aqui.
Adenda 2 às 8:15: recorde um trabalho do brasileiro Beluce Belluci, aqui.
Adenda 3 às 8:19: recorde aqui.
Adenda 4 às 11:52: portal da "Rádio Moçambique", aqui.
02 abril 2009
Os Bismarcks não são moçambicanos
A propósito da multinacional brasileira Vale, o "O país" escreveu o seguinte: "A mina de Moatize deverá produzir, nos próximos 35 anos, 11 milhões de toneladas de carvão metalúrgico e energético que serão exportadas para os mercados do próprio Brasil, Ásia, Europa e Médio Oriente."E, assim, vamos ampliando a nossa alma exportadora, o nosso coração matéria-primal. Exportamos e exportaremos (melhor: fazem-nos exportar), em parcerias assentes, do nosso lado, em réditos fiscais, mordomias redentoras e modestos salários pagos aos trabalhadores. Não se vislumbra qualquer intenção de favorecer a burguesia nacional, de a estimular, de a levar à industrialização, de a proteger. Decididamente os Bismarcks não são moçambicanos. Parecemos ser definitivamente recolectores, recolhemos impostos e mordomias, construímos as estradas e as pontes para o que vamos exportar. A mentalidade produtora e transformadora, essa fica com os outros. Os nossos genes são feitos de circulação, não de produção industrial endógena. Mas para não perdermos muito a nossa auto-estima - deixem-me usar o guebuziano termo da moda -, cá temos o capitalismo comercial do ou-vai-ou-racha do chapa 100, do dumba nengue, do import-export de Xiquelene. E os camarões e as amêijoas e os carangueijos e os leões e os búfalos para turistas que podem pagar pacotes de cinco mil dólares deliciados com o exótico africano. E no que ao conforto toca, sentamo-nos nos sofás que importamos depois de termos desalmadamente exportado a nossa rica madeira. E se não podemos sentar-nos nos sofás, sentamo-nos no senta-abaixo bebendo cerveja produzida por capitalistas estrangeiros orgulhosos do selo "made in Mozambique".
Passamos horas em workshops (esquecemos até o termo seminários), criamos mestrados por atacado para formação em economia, convidamos excelsas cabeças pensantes para nos ensinarem como se fazem negócios, convidamos todos e sobretodos para virem investir no nosso país, estabelecemos parcerias inteligentes não importa com quem.
Mas algum dia se fez neste país um workshop a sério, prolongado, sobre como erguer e ajudar a manter a indústria moçambicana? Sobre como proteger a nossa burguesia? Sobre como financiar os nossos empresários, não os empresários com mentalidade chapa 100, mas os empresários que queiram investir na produção a sério? Sobre como assegurar facilidades bancárias e juros preferenciais? Sobre como travar o acesso dos produtos estrangeiros que fazem colapsar os nossos? Sobre como sermos um Estado forte ao serviço de uma indústria forte, genuinamente moçambicana?
Não: não fizemos, nem fazemos. Por quê? Porque estamos a juzante, porque somos matéria-primados, orgulhosos por exportamos o que os outros transformam para seu benefício. Não é a amêijoa saborosa? Não está o camarão produzido pela natureza? E não é carvão definitivamente carvão? E que importa se dentro de 35 anos apenas restar o choro final dos embondeiros da minha terra, se, entretanto, não tiverem dado cabo deles (consta-me que os abatem)?
28 fevereiro 2008
Um curandeiro para cada ministro - propõe J. Lacitela
Enquanto alguns andam por aí em terríveis golpes de rins para mostrar que, afinal, nada se passa no país (salvo pontos de vista enfeitiçados por mãos invisíveis), outros, como o Sr. J. Lacitela, acham que sim, que há coisas que se passam no país: "O tecido económico no geral está degradado. O que estamos a assistir é um Governo que diz “vamos tentar resolver este assunto do chapa antes que os pobres se apercebam do real problema”. É este pobre que vive do carvão vegetal que de 350,00MT até à última subida de combustível passa agora a pagar 400,00MT porque o outro transportador desconhecido de carvão teve de agravar o preço de transporte, como exemplo. Quem vai subsidiar a este transportador de modo o carvão voltar ao preço anterior? (...) Esta é a verdadeira imagem dos nossos governantes no conjunto. São lhes dado grandes gabinetes, mordomias inimagináveis, etc, etc, e não arranjam sequer um minuto cada um no seu gabinete, para pôr a mão na cabeça e se lembrar porquê está ali sentado. (...) Acho chegada altura de os nossos prezados deputados esquecerem de perder tempo discutindo igualdade de género, homossexualidades, etc, coisas que não fazem parte de nós, e aprovar uma resolução de contratação para cada ministro de um curandeiro. Assim talvez podem trabalhar!"31 janeiro 2011
09 setembro 2015
Malacha [=carvão]: um jornal de Moatize
09 setembro 2009
Três: a conta que Deus fez no carvão
Além dos Brasileiros e dos Indianos, agora também os Chineses estão interessados no carvão de Tete. Confira aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência.Adenda às 19:26: comentário de um leitor via email: "AR é accionista(5%) da mineradora australiana Riversdale Mining (Benga/Tete). A Baosteel, através da AR e da Riversdale Mining, conseguiu assim obter uma entrada para o precioso carvão tetense."
27 junho 2010
"Desenvolvimento"

A empresa mineira australiana Riversdale tem agora um acordo com uma empresa chinesa para o "desenvolvimento" do projecto do carvão do Vale do Zambeze. Desenvolvimento é uma palavra linda, um tonificante eufemismo para disfarçar os interesses capitalistas em jogo no Vale. O que a empresa está a fazer é desenvolver sem parar os seus negócios e ampliar os seus lucros, agora com parceria chinesa. Recorde aqui, aqui, aqui.Nota: daqui a 30/50 anos, o carvão terá eventualmente acabado e nós ficaremos com a gloriosa tarefa de escrever sobre o desenvolvido esgotamento carvoeiro e de outras coisas mais. Acresce que os Bismarcks não são moçambicanos.
31 janeiro 2012
Estado social e placentas da vida
Semanas atrás, centenas de famílias reassentadas em Cateme, distrito de Moatize, província de Tete, protestaram com vigor contra a maneira como estavam a ser tratadas há muito tempo, contra as suas péssimas condições de vida (aí compreendida a falta de água), depois que, por imperativo do Capital mineiro da "Vale Moçambique", foram afastadas das suas anteriores terras.
Se na "Utopia" quinhentista de Thomas Morus eram os carneiros que devoravam os homens na febre da indústria lanífera inglesa, no nosso país há indícios de que o carvão mineral possa vir a devorar camponeses e artesãos. E quem diz carvão mineral pode dizer outros minerais.
Os problemas ocorridos em Cateme pode um dia ser replicados, por exemplo, no Niassa, caso o Estado abdique do papel de Estado Social em favor do papel exclusivo de Estado ao serviço do Capital internacional, caso o Estado não monitore, previna e, no pior dos casos, corrija atempadamente situações como a de Cateme.
Tirar pessoas dos locais onde vivem é bem mais do que uma operação técnica alicerçada em casas construídas à pressa, tirar pessoas dos locais onde vivem é privá-las da memória, dos antepassados, dos cemitérios familiares e comunais, é despojá-las - rigorosamente - das placentas da vida.
Adenda às 11:55 de 02/01/2012: confira no "Diário de Moçambique" aqui.
Se na "Utopia" quinhentista de Thomas Morus eram os carneiros que devoravam os homens na febre da indústria lanífera inglesa, no nosso país há indícios de que o carvão mineral possa vir a devorar camponeses e artesãos. E quem diz carvão mineral pode dizer outros minerais.
Os problemas ocorridos em Cateme pode um dia ser replicados, por exemplo, no Niassa, caso o Estado abdique do papel de Estado Social em favor do papel exclusivo de Estado ao serviço do Capital internacional, caso o Estado não monitore, previna e, no pior dos casos, corrija atempadamente situações como a de Cateme.
Tirar pessoas dos locais onde vivem é bem mais do que uma operação técnica alicerçada em casas construídas à pressa, tirar pessoas dos locais onde vivem é privá-las da memória, dos antepassados, dos cemitérios familiares e comunais, é despojá-las - rigorosamente - das placentas da vida.
Adenda às 11:55 de 02/01/2012: confira no "Diário de Moçambique" aqui.
21 janeiro 2011
24 agosto 2010
20 julho 2010
Natureza
Segundo o "Notícias", realiza-se hoje em Maputo uma conferência internacional sobre o carvão moçambicano. "Posicionar Moçambique no mercado global do carvão", sustenta o jornal. Cada vez mais amamos exibir a nossa natureza para exploração. Na realidade, somos uma natureza que rende.
Adenda às 5:58: sobre uma componente desta tenaz mentalidade rendeira a propósito das areias pesadas do Chibuto, leia um comentário de Thomas Selemane aqui.
Adenda às 5:58: sobre uma componente desta tenaz mentalidade rendeira a propósito das areias pesadas do Chibuto, leia um comentário de Thomas Selemane aqui.
04 novembro 2010
06 junho 2016
Mais dois ataques da Renamo
Adenda às 19:01: a Renamo atacou hoje em Sofala um comboio da Vale que transportava carvão mineral para a cidade da Beira - manchete da "Rádio Moçambique" no noticiário das 19 horas, notícia a desenvolver pela estação às 19:30.Adenda 2 às 19:34: o maquinista ficou com ferimentos graves, atingido por estilhaços de vidros partidos pelas balas, encontrando-se a receber cuidados médicos no hospital de Cheringoma. O comboio transportava carvão mineral de Moatize na província de Tete para a cidade de Beira na província de Sofala e foi atacado cerca das 09 horas na zona de Cheringoma - "Rádio Moçambique", jornal da noite das 19:30.
Adenda 3 às 04:13: segundo o "Notícias" digital de hoje, o comboio circulava no sentido inverso do referido acima, Beira/Moatize, com 42 vagões vazios. Aqui.
13 março 2012
Governo decide sobre proposta de navegação
Com o título em epígrafe, um comunicado de imprensa da organização Justiça Ambiental: "O governo moçambicano rejeitou o “Estudo de Impacto Ambiental” (EIA), da proposta de
transporte do carvão pelo Rio Zambeze, das companhias mineiras “Riversdale/Rio Tinto” de
acordo com a notícia do Jornal Savana de 01 de Março corrente. Segundo declarações do Ministro
dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula contactado via telefone pela agência Reuters,
reproduzidas pela Macauhub (Agência Noticiosa), edição de 02 de Março de 2012, “precisou que
o impacto ambiental da proposta é muito negativo e, não havendo soluções para mitigar esse efeito,
não é possível utilizar o transporte fluvial para transportar até à costa o carvão mineral extraído na
província de Tete”. Aqui.
13 maio 2012
Nos tempos
Um enorme anúncio colocado em zona nobre do Bairro da Polana, cidade de Maputo, dá conta de que as LAM têm dois voos diários para Tete. Há dias soube que as South African Airways têm um voo diário para lá. Mas não só: até as Kenya Airways têm um voo para lá, mas ignoro a periodicidade.
Frenético movimento aéreo este, em direcção aos lucros tropicais, à quente capital dos minérios, ao poderoso reino do carvão, antiga província do Império do Mwenemutapwa, lá onde passa o majestoso Zambeze, dito Cuama nos documentos mais antigos.
E é pensando nesse frenético movimento, sobretudo em direcção ao cheiro do carvão, que me recordo de, nos tempos (saborosa expressão de uma das veredas do português moçambicano), bem recuados tempos, bem lentos, antropológicos tempos, coloniais tempos, a Tete urbana parar sempre que chegava um avião da ex-DETA, antecessora das LAM (não me lembro de quanto em quanto tempo). Era um espectáculo, era uma novidade sempre renovada que diluía o tédio e amaciava o calor dos - não poucas vezes - 42/46 graus Celsius à sombra. Ou quando, uma vez por ano, via Zambeze, chegava a canhoneira vinda do Chinde, resfolegando ante o pasmo dos jacarés esquecidos da pressa e trazendo o espantoso diferente dos cocos índicos.
Frenético movimento aéreo este, em direcção aos lucros tropicais, à quente capital dos minérios, ao poderoso reino do carvão, antiga província do Império do Mwenemutapwa, lá onde passa o majestoso Zambeze, dito Cuama nos documentos mais antigos.
E é pensando nesse frenético movimento, sobretudo em direcção ao cheiro do carvão, que me recordo de, nos tempos (saborosa expressão de uma das veredas do português moçambicano), bem recuados tempos, bem lentos, antropológicos tempos, coloniais tempos, a Tete urbana parar sempre que chegava um avião da ex-DETA, antecessora das LAM (não me lembro de quanto em quanto tempo). Era um espectáculo, era uma novidade sempre renovada que diluía o tédio e amaciava o calor dos - não poucas vezes - 42/46 graus Celsius à sombra. Ou quando, uma vez por ano, via Zambeze, chegava a canhoneira vinda do Chinde, resfolegando ante o pasmo dos jacarés esquecidos da pressa e trazendo o espantoso diferente dos cocos índicos.
01 dezembro 2008
Carvão acumula-se em Maputo?
De acordo com um porta-voz da companhia de navegação Grindrod, a terminal de carvão de Maputo está cheia devido à dificuldade de comércio financeiro. Confira aqui no Business Report. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, por me ter enviado a referência. Foto reproduzida daqui.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






