20 janeiro 2017

Donald Trump

Um texto de John Carlin com data de hoje sobre o novo presidente americano, Donald Trump, em espanhol aqui e em inglês aqui.
Adenda às 06:19 de 21/01/2017: leia este artigo sobre o que ele disse na tomada de posse ontem, aqui.
Adenda 2 às 20.05: sobre uma marcha feminina em várias cidades americanas hoje, confira aqui.

Amanhã na íntegra neste diário

Um editorial

Sugiro leia um editorial do "Magazine Independente" digital intitulado "Por uma sociedade bem-educada", creio que escrito por Lourenço Jossias, aqui.

Negócios em Moçambique

Em epígrafe os cabeçalhos das três mais recentes notícias do mundo dos negócios em Moçambique segundo o Africa Intelligence, a conferir aqui. [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

19 janeiro 2017

FMI desmente

De um despacho da "Agência de Informação de Moçambique": "O Fundo Monetário Internacional (FMI) desmente categoricamente as declarações veiculadas por alguns órgãos de comunicação moçambicanos afirmando que o FMI teria acusado o governo de esconder a existência de mais 'dívidas ocultas'." Aqui.
Adenda às 07:34 de 20/01/2017: isto mostra bem o cuidado que é necessário ter no consumo de informação em jornais e redes sociais, especialmente em momentos de intranquilidade social.

A busca de bodes expiatórios no futebol [6]

Quinto número aqui. Finalmente, o quarto e último ponto do sumário, a saber: 4. Desvalorização do valor das equipas adversárias. No bojo da imputação aos árbitros dos problemas internos, habita um fenómeno mais amplo: a descredibilização dos valor das equipas adversárias. Na verdade, o mérito da estratégia e da táctica adversárias é completamente desvalorizado. 

Sobre o peso político na seleção das figuras do ano [4]

Terceiro número aqui. Figuras do ano são heróis e heroínas escolhidos em função de determinados critérios. Heróis e heroínas são seres que, com o tempo, unificámos psicológica e socialmente numa matriz comportamental única e virtuosa, da qual eliminámos os defeitos e, até, as qualidades humanas comezinhas. Mas mais: em quem, muitas vezes, hipervalorizámos um aspecto de conduta (que pode ser motivo de retrabalho permanente e de acréscimo) deixando outros na penumbra ou na completa penumbra. Estas as razões por que certos heróis podem ser iminentemente políticos ou completamente políticos. Os heróis criados por grupos dirigentes, estatais e/ou políticos, através dos seus produtores e conformadores de opinião,  podem não ser adoptados pelos cidadãos, podem não ter significado afectivo e comportamental para os cidadãos. E mais uma hipótese a testar: quando mais cheios de densidade política forem os períodos históricos, mais politizada é a produção dos seus heróis.

18 janeiro 2017

Letalmente diferente

Tenho para mim que, por regra, as pessoas que defendem o direito ao pensamento diferente o fazem de forma honesta e frontal. Porém, importa ter cuidado com a generalização incauta desse princípio, cada vez mais generalizado. Na verdade, assassinos, tiranos, fascistas, terroristas e outros discípulos do crime também pensam de forma diferente. Letalmente diferente.

Paz e guerra das trincheiras políticas em Moçambique [6]

Quinto número aqui. No numero anterior escrevi que a luta por recursos de poder constitui a coluna vertebral da luta partidária e que ela é invariavelmente travada entre os já estabelecidos na gestão dos recursos e os candidatos a essa gestão. É nesse sentido que a luta assume as características de uma guerra de trincheiras, trincheiras políticas, com avanços e recuos, ameaças e compassos de espera, endurecimentos e concessões, intenções visíveis e intenções invisíveis, cada lado procurando ocupar a terra de ninguém e destruir o arame farpado analítico do adversário. Comunicados e conferências de imprensa preenchem o campo dos obuses simbólicos.

17 janeiro 2017

O peso das inércias

Das mais variadas maneiras e nos mais variados contextos fazemos uso de termos cujo significado julgamos claro, compreensível e independente do questionamento. Mesmo ao nível ao discurso erudito é visível o peso do simplismo, das inércias acomodantes, do conforto do deixar andar analítico. Por exemplo, termos e expressões como violência, paz, ideologia, desenvolvimento, pobreza, relações políticas, sociedade civil, direitos humanos, economia, etc. 

Sociedade civil

É diário no país o recurso a expressões do género: "Estiveram presentes o ministro..., directores nacionais, partidos políticos, sociedade civil, dirigentes da empresa, professores, jornalistas..." Etc.
Adenda: como é enorme a imprecisão acrítica no consumo de expressões habitadas pela famosa "sociedade civil"!

16 janeiro 2017

O que é paz?

Salomé Marivoet de Portugal, Ivanaldo Santos do Brasil, Vicente Paulino de Timor-Leste e Narciso Mahumana de Moçambique são os quatro autores de mais um futuro livro da coleção internacional Cadernos de Ciências Sociais da Escolar Editora intitulado "O que é paz'".
Abaixo, os 21 livros da coleção já publicados.

No "Savana" 1201 de 13/01/2016, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.

15 janeiro 2017

A busca de bodes expiatórios no futebol [5]

Quarto número aqui. É agora a vez do terceiro ponto do sumário, a saber: 3. Impugnação da integridade dos árbitros. Os imprecadores sustentam que os árbitros visam contribuir para a derrota de certas equipas. Os erros que cometem não são meros erros, erros acidentais, erros normais, mas erros ostensivamente cometidos para prejudicar determinadas equipas. Desta maneira passa-se aos árbitros um atestado de venalidade e de má fé, com a mensagem subentendida de que são de alguma maneira reféns de certo tipo de ofertas e benesses especiais por parte dos adversários beneficiados.

14 janeiro 2017

Umbelúzi e as propostas de Muiambo

De um  artigo de Salomão Muiambo: "O comunicado da AdeM torna-se assustador quando a dado passo remete a melhoria da situação à ocorrência de chuvas a montante, particularmente na vizinha Suazilândia. Acredito que a situação é deveras crítica, mas internamente temos que começar a pensar no abastecimento de água às cidades de Maputo e Matola e a vila de Boane sem a total dependência dos países à montante. [Temos que começar a pensar como explorar os potenciais caudais dos rios Maputo e Incomáti e, porque não, de fontes subterrâneas, orgulho da maior parte dos bairros em expansão das cidades de Maputo e Matola. São, de facto, as minhas percepções." Aqui.

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1201, de 13/01/2017, disponível na íntegra aqui.

Múltiplos campos

O poder simbólico age em múltiplos campos. Esses múltiplos campos são filtrados por determinados tipos de discursos, por falas autorizadas. São - completamente - campos de relações políticas, de relações de poder.

13 janeiro 2017

Situação no Umbelúzi

Leia um despacho da "Agência de Informação de Moçambique" fazendo o ponto de situação sobre o nível de água no Umbelúzi - rio que abastece Maputo, Matola e Boane -, aqui.

Negócios em Moçambique

Em epígrafe os cabeçalhos das seis mais recentes notícias do mundo dos negócios em Moçambique segundo o Africa Intelligence, a conferir aqui. [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

Amanhã na íntegra neste diário

A busca de bodes expiatórios no futebol [4]

Terceiro número aqui. Entro no segundo ponto do sumário, a saber: 2. Ocultação e transferência dos problemas internos. Quando se avolumam os problemas internos das equipas e se sucedem as derrotas e os empates ou quando, subitamente, num jogo ou em dois jogos, se perde o campeonato após uma marcha vitoriosa, presidentes de clubes e treinadores descem a terreiro vociferando contra a história e projectando nos árbitros a razão de ser dos fracassos. Os árbitros são supostos favorecer uma determinada equipa em detrimento de outras equipas através da marcação de faltas e de penáltis. Com esses processo de transferência de culpas os problemas internos e as respectivas responsabilidades são ocultados. O feiticeiro é sempre externo neste tipo de imputação.

O problema central

O problema central não está nas declarações formalmente democráticas, mas nos actos informais e antidemocráticos do dia-a-dia que colocam grades nas opiniões, suspeitam de mãos externas em todo o lado e atribuem intenções políticas perigosas mesmo aos pirilampos e às suas lanternas biológicas.

12 janeiro 2017

Sobre a beleza feminina

A beleza feminina é um produto masculino, é uma gramática masculina que contém as regras pelas quais se regem as mulheres no uso que fazem do seu corpo em função do uso que os homens querem que elas façam do seu corpo. A retranscrição social da biologia feminina: eis a questão. A beleza feminina - produção eminentemente masculina - é socialmente aprofundada e inscrita nos valores socialmente aceites por um segundo atributo: o da feminilidade. A produção da mulher enquanto ser feminino, enquanto evacuada da força ("frágil, "fina", "elegante", etc.), da masculinidade "bruta", é uma obra masculina aceite, reproduzida e protegida pelas mulheres. Dizer que "ela é muito feminina" quer dizer que "ela" é muito mais do que uma mulher bela: ela é androcêntricamente, irremediavelmente construída como "feminina".

11 janeiro 2017

A busca de bodes expiatórios no futebol [3]

Segundo número aqui. Passo de imediato ao ponto 1 do sumário proposto no número anterior, a saber: 1. A concepção do árbitro-deus. Sem excepção, aqueles que protestam contra a actuação dos árbitros partem do princípio de que estes não podem nunca enganar-se. Nenhum deus se engana. Mais: se os árbitros se enganam mas prejudicando os adversários, então é suposto que não se enganam. Esta é a mentalidade básica de certos dirigentes e treinadores em Moçambique, Portugal e Espanha [apenas escolhi estes países, claro que outros poderiam ser tidos em conta dado que o polvo tem muitos tentáculos].

Sobre o peso político na seleção das figuras do ano [4]

Terceiro número aqui. Escrevi no número anterior que peso político significa que em muitos casos as pessoas escolhidas como figuras do ano ocupam cargos governamentais ou de gestão municipal. Isso de facto aconteceu. Estar no poder, pequeno ou grande, não importa o nível hierárquico, foi decisivo [assim tem sido quase todos os anos]. Muito raramente ganharam visibilidade figuras sem peso político, figuras respeitadas a outros níveis e por outros públicos.

Saiba sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, com data de hoje, aqui. [atenção: no cabeçalho do boletim o ano é 2017]

10 janeiro 2017

Metical valoriza-se devagarinho

O metical, que chegou a atingir os 80 meticais no câmbio com o dólar, já está na casa dos 60.

O risco

A concepção de que existem pensamentos ab initio, próprios de certos grupos, de certas etnias, de certas comunidades, de certos povos, continua, hoje ainda, viva. Porém, não existem pensamentos puros à partida, não existem pensamentos em si, não existem pensamentos mais ou menos pobres geneticamente estabelecidos. Os nossos pensamentos, os pensamentos sociais, os pensamentos colectivamente produzidos, estruturados e reproduzidos, não são diferentes porque à partida uns são mais inteligentes ou capazes do que outros, mas são diferentes porque são diferentes as condições sociais nas quais vivemos. Daí o risco de procurarmos nas diferenças culturais em si - no respeito ou no ódio por um Outro apenas culturalmente encarado - o coração das desigualdades sociais.

09 janeiro 2017

Atenção

No "Savana" 1200 de 06/01/2016, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.