20 setembro 2016

A propósito do esfaqueamento na Josina Machel [2]

Número inaugural aqui. Passo de imediato ao primeiro ponto do sumário proposto, a saber: 1.Introdução. Um jovem esfaqueou outro em luta ocorrida num dos corredores da Escola Secundária Josina Machel, cidade de Maputo. Uma faca e um vídeo tornaram o fenómeno rapidamente viral, nas redes sociais físicas e digitais [recorde aqui]. Tratou-se de um episódio isolado? Iterativo? O estudante estava drogado? Foi um fenómeno de natureza patológica? Um acto de violência momentânea, produto de um conflito banal com a vítima? Um transtorno de personalidade, um distúrbio psíquico vigoroso, algo como um acto de agressividade da síndrome de Borderline, por exemplo? É um fenómeno que remete para o foro individual ou, pelo contrário, tem uma base social que importa descobrir? É sintoma de uma crise social? Sem uma investigação corremos o risco de cometer erros de vários tipos. Na ausência dessa investigação, restam as hipóteses. É o que aqui será feito, com recurso a quatro tipos analíticos.

19 setembro 2016

Jovem ferido num ataque da Renamo

Segundo a "Rádio Moçambique", um jovem ficou ferido quando homens armados da Renamo atacaram o posto administrativo de Munhamade, distrito de Lugela, província da Zambézia. Foi capturado um dos atacantes. Este é o quarto distrito atacado pela Renamo naquela província, depois dos distritos de Mopeia, Morrumbala e Mocuba. - noticiário das 16 horas.
Adenda às 19:39: o jovem tem 15 anos, segundo a citada rádio, no jornal da noite das 19:30.
Adenda 2 às 19:42: ainda segundo a "Rádio Moçambique", numa localidade do distrito de Tambara, província de Manica, homens armados da Renamo atacaram no fim-de-semana uma viatura do Instituto Nacional de Acção Social com cinco ocupantes, havendo um ferido ligeiro. Os atacantes roubaram o dinheiro que estava na viatura, destinado a pagamentos diversos.

G40 versus Quinta Coluna

O debate a favor e contra as acções governamentais e partidárias prossegue, ardente, agora com uma novidade, a saber: o jornalista Gustavo Mavie, havido como pertencente ao G40 de apoio ao Estado e ao Partido Frelimo, recorreu à expressão Quinta Coluna para designar os críticos. O seu mais recente texto está aqui.
Adenda: recorde neste diário uma série minha em cinco números intitulada Sobre os G40 e os estrangeiros de cada grupo, aqui.

A propósito do esfaqueamento na Josina Machel [1]

Um jovem esfaqueou outro em luta ocorrida num dos corredores da Escola Secundária Josina Machel, cidade de Maputo. Notícia e vídeo aqui. Fenómeno que está a provocar muita preocupação em vários extractos sociais do país em geral e de Maputo em particular. Permitam-me propor-vos o seguinte sumário para um conjunto de hipóteses em análise multivariada:
1. Introdução
2. Análise individualizada
3. Análise zonal
4. Análise nacional
5. Análise internacional
6. Conclusão
Adenda às 09:11: confira aqui.

No "Savana" 1184 de 16/09/2016, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

Sobre os G40 e os estrangeiros de cada grupo [5]

Quarto número aqui. Entro e finalizo o terceiro e último ponto do sumário proposto aqui, a saber: 3. G40 e lei de Certeau. O conflito é inerente à vida social. Nas palavras de Michel de Certeau, "toda a sociedade define-se pelo que exclui, toda a sociedade forma-se diferenciando-se. Formar um grupo, é criar estrangeiros. Uma estrutura bipolar, essencial a toda a sociedade, cria um "fora" para que exista um "entre nós"; fronteiras, para que possa existir um país interior; "outros", para que o "nós" possa tomar forma. Esta lei é também um princípio de eliminação e de intolerância. Ela conduz a dominar, em nome de uma verdade definida pelo grupo. [...] União e diferenciação crescem juntas." [tradução minha, CS] - Certeau, Michel de, L´Étranger ou l´union dans la différence. Paris: Desclée de Brower, 1991, pp. 14, 17. Esta lei de Certeau - oermitam-me a expressão - pode eventualmente ajudar-nos a compreender a diferença que...une os dois G40. Uma sociedade sem diferenças, sem contradições, sem variabilidade histórica e sem conflitos é uma sociedade impossível. O grande desafio numa democracia genuína consiste na partilha e na gestão de conflitos sem recurso à força que fere (física e/ou moralmente) e mata, mas, também, sem recurso à ingenuidade nefelibata.

Dos mortos sem paz e ponto de agenda [6]

Quinto número aqui.  Nos números anteriores procurei mostrar que somos, afinal, um país produtor e sofredor de guerras, um país de mortos sem conta e sem paz. Falta, nesta série, abordar uma questão muito delicada: constam os mortos contemporâneos (de 1975/76 a esta parte) e a responsabilização social, da agenda de trabalho conducente à paz? 

18 setembro 2016

A propósito do esfaqueamento na Josina Machel

"Diesel Sujo, Como os Vendedores Inundam África com Combustíveis Tóxicos"

Com o título em epígrafe, um relatório de 164 páginas da organização Public Eye, com data deste mês, a conferir aqui. Síntese em português aqui.

Prato tradicional pronto a servir

Não são poucos aqueles que têm um imenso jeito para quadricular o país sempre da mesma maneira, dividindo-o em etnias, em grupos linguísticos, gramáticas culturais, hábitos, costumes, etc. Se decidirem embalar isso com um relatório ou um seminário, o prato tradicional está pronto a servir. O pronto a servir discursivo é clássico: na região xis temos a etnia tal, o grupo linguístico tal, o casamento é matrilocal e por aí fora. Tudo com a precisão de um relógio e a solidez robusta das crenças. É como se o país fosse um frigorífico onde cada prateleira guarda uma tradição definitiva, imutável. De vez em quando retira-se o produto para se provar um pouco, para se lhe acrescentar um detalhe, após o que o recolocamos lá onde deve estar, na imobilidade protegida contra os assaltos deletérios da história e da mudança.

17 setembro 2016

Próximos cinco livros de uma coleção mundial

Portal da editora aqui. [Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato]. Abaixo, os 16 livros já editados desde 2013, disponíveis em Maputo:

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1184, de 16/09/2016, disponível na íntegra aqui:

16 setembro 2016

Feiticismo da aparência

Todos os dias o comum de nós faz uso de palavras e expressões totalizadoras do género "os homens", "as mulheres", "o ser humano", "a sociedade civil", "a natureza humana". Aceitamos e praticamos, não poucas vezes de forma inconsciente, o feiticismo da aparência, despojando os seres sociais da sua determinação social, dos seus grupos, das suas classes, dos seus antagonismos.

Que diferenças devemos realmente respeitar?

Há pessoas que gostam de colocar o acento não nas clivagens sociais verticais (que dizem terem passado de moda), mas nas diferenças horizontais. Tenha-se em conta o apego ao multiculturalismo, às especificidades nacionais, culturais, filosóficas e, até, raciais. Fazer porte público de respeito pelas diferenças confere respeitabilidade progressista. Se estiverem atentos à internet, encontrarão milhares de mensagens de respeito pelas diferenças. Mas as coisas são, afinal, bem mais complicadas do que pensamos. Por exemplo, como escreveu há muitos anos Simone de Beauvoir, ao esquema "simplista" de Marx, que opunha exploradores a explorados, "se substitui um desenho tão complexo que os opressores entre si diferem tanto quanto diferem dos oprimidos, a tal ponto que esta última distinção perde a sua importância". Mas se quisermos optar pelas diferenças gerais (respeitemos as diferenças!, pedem os defensores da horizontalidade), seremos ainda confrontados com problemas graves. Por exemplo, não são diferentes os criminosos e as vítimas? Não são diferentes os torcionários e as vítimas? Então, que diferenças devemos realmente respeitar? Por outras palavras, para adaptar as palavras de George Orwell: todos somos diferentes, mas há diferentes mais diferentes do que outros.

15 setembro 2016

Os três reitoráveis da UEM hoje seleccionados

Eis os três reitoráveis hoje seleccionados pelo Conselho Universitário da Universidade Eduardo Mondlane de entre cinco candidatos iniciais e cujos nomes, perfis e número de votos obtidos serão enviados ao Presidente da República para que este possa escolher o futuro Reitor [os dados biográficos que se seguem são da minha inteira responsabilidade]:
  • Orlando António Quilambo, doutorado, biólogo, professor associado, especializado em biomonitorização, actual Reitor, presidente da Academia de Ciências de Moçambique e vice-presidente da Associação das Universidades Africanas [16 votos]
  • Louis Augusto Mutomene Pelembe, doutorado, engenheiro químico, professor associado, especializado em tecnologia alimentar [dois votos]
  • Bettencourt Preto Sebastião Capece, doutorado, veterinário, professor associado, especializado em farmacologia, director científico da UEM [um voto].
Parabéns aos três e, em especial, ao Prof. Orlando Quilambo, bem mais votado do que os outros.

Um prémio

Prolongam-se até ao dia 01 de Novembro as inscrições para o Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais, confira o regulamento aqui.
Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Renamo mata e fere num carro que transportava defunto

No portal do "Notícias" digital de hoje: "Na última terça-feira duas pessoas encontraram a morte e outras três ficaram gravemente feridas, na sequência de um ataque à queima-roupa levado a cabo por homens armados da Renamo na zona de Fudza, distrito de Marínguè, em Sofala, contra uma viatura que transportava uma urna da cidade da Beira para Nicoadala, na Zambézia. [...] a mesma viatura, de marca Mitsubishi Canter, que também sofreu avultados danos, circulava fora de qualquer coluna e sem escolta das Forças de Defesa e Segurança (FDS), num troço de 100 km, entre Nhamapaza e Caia." Aqui.

Uma guerra que enriquece

Altos dirigentes têm enriquecido com a guerra no Sul do Sudão segundo um relatório da organização The Sentry deste mês, a conferir aqui.

14 setembro 2016

Saiba sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, com data de hoje, aqui.

Um texto

Um texto da autoria de Armindo Chavana Jr intitulado 'Os "ques" que ouvimos sobre auditoria forense', a conferir aqui.

Sobre o fenómeno da obediência [2]

Número inaugural aqui. O resultado da experiência foi surpreendente : sem hesitação, 65% dos "professores" chegaram a administrar ao "estudante", sob ordens do cientista (representando a “autoridade” na experiência), os "choques" mais potentes, dolorosos (de 450 volts), claramente perigosos e mesmo mortais. E todos os "professores" administraram pelo menos 300 volts. Em muitos casos, "professores" houve que se preocuparam com o bem-estar do "estudante" e chegaram a perguntar ao cientista quem se responsabilizaria pelos danos que pudessem ocorrer. Quando o cientista os tranquilizou, assegurando-lhes que assumiria a responsabilidade desses danos e encorajando-os a prosseguir, todos os "professores" persistiram na aplicação dos choques com as voltagens mais elevadas, mesmo se confrontados com os gritos de dor e as súplicas do “estudante” para que os suspendessem. Esse tipo de experiência foi realizado em outros países, com o mesmo tipo de resultados. [Milgram, Stanley, Soumission à l´autorité, un point de vue expérimental. Paris: Calmann-Lévy, 1974]

13 setembro 2016

Prémio José Craveirinha 2016 para Fátima Mendonça

O júri do Prémio José Craveirinha 2016 atribuiu a distinção a Fátima Mendonça, Professora reformada da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane "pelo inquestionável contributo ao desenvolvimento da literatura moçambicana através da formação de profissionais, docentes, críticos e prestigiados estudiosos e ensaístas da actualidade."

Sobre o fenómeno da obediência [1]

Entre 1950 e 1963 o psicosociólogo Stanley Milgram fez 18 experiências, laboratorialmente controladas, com o objectivo de estudar obediência e a desobediência à autoridade. O cenário foi montado na Universidade de Yale, Estados Unidos, com um falso estimulador de choques eléctricos e um painel graduado para "choques" entre 15 e 450 volts. Foram recrutados voluntários entre trabalhadores manuais, professores de liceu, vendedores, engenheiros, etc., a quem foi atribuído o papel de “professores” e a quem foi dito que se tratava de experiências puramente científicas com o objectivo de se estudar os efeitos da punição na memória e na aprendizagem. Depois, os "professores" foram convidados por um cientista a aplicar "choques eléctricos" de intensidade crescente, de acordo com a escala acima referida, a um indivíduo (amarrado a uma cadeira com eléctrodos, em sala adjacente), designado por "estudante" (um voluntário cujo papel de simulador os "professores" ignoravam), choques que deveriam ser administrados sempre que o "estudante" errava uma resposta a um questionário previamente determinado e aceite. O "estudante" exibia desconforto e dor a cada aumento da potência dos “choques eléctricos” infligidos.

12 setembro 2016

Segundo "O País": 600 barracas na base da Renamo em Morrumbala

No "O País" digital, sobre a base da Renamo em Morrumbala ocupada pelas forças governamentais: "O quartel de Morrumbala consistia em pelo menos 600 barracas contabilizadas num perímetro de um quilómetro. [Segundo as autoridades policiais são barracas que eram residências das milícias da Renamo." Aqui. Recorde aqui.
Adenda às 10:34: um texto da "Folha de Maputo", aqui.

No "Savana" 1183 de 09/09/2016, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

11 setembro 2016

Renamo interdita circulação rodoviária no Niassa

Segundo a "Agência de Informação de Moçambique", citando a "Rádio Moçambique": "Cerca de trinta homens armados da Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, interditaram hoje a circulação de viaturas no troço Cuamba Marrupa, província nortenha de Niassa, sem provocar quaisquer danos humanos e materiais." Aqui.

Sobre os G40 e os estrangeiros de cada grupo [4]

Terceiro número aqui. Finalizo o segundo ponto do sumário proposto aqui, a saber: 2. Os dois G40 do país. Na verdade, há dois G40, o próG40 e o contraG40, cada grupo com os seus intelectuais orgânicos, os seus "funcionários da superestrutura", como diria Gramsci. Nenhum pode viver sem o outro, sem o seu contrário. Na verdade, cada grupo só tem sentido e vida se confrontado com o outro. O conflito entre ambos - forma de socialização, diria Georg Simmel - não é um acidente, um contra-senso histórico, mas parte integrante da vida política. No nosso país, o próG40 defende as ideias e as acções do partido no poder e do Estado. Pelo contrário, o contraG40 ataca as ideias e as acções do partido no poder e do Estado. Cada grupo considera que a verdade está no seu lado e a falsidade, no lado contrário. Porém, em lugar de sintoma de descalabro, de anomia social, o conflito entre os dois G40 é uma fonte de vida, de democracia e de progresso social, desde que levada a cabo sem fins letais [com ideias e não com armas físicas] e independentemente dos partidos políticos em jogo e do número, formal e informal, dos seus membros da linha da frente.

10 setembro 2016

FDS ocupam base da Renamo em Morrumbala

De um despacho da "Agência de Informação de Moçambique": "As Forças de Defesa e Segurança (FDS) desencadearam uma ofensiva na madrugada hoje que se saldou na invasão e ocupação do quartel-general da Renamo, maior partido da oposição, no distrito de Morrumbala, na província central da Zambézia". Aqui.
Adenda às 04:13 de 11/09/2016: leia no portal da "Rádio Moçambique", aqui.
Adenda 2 às 10:10 de 12/09/2016: leia no "O País", aqui.