09 fevereiro 2015

Nyusi e Dhlakama de novo reunidos

Segundo o portal da "Rádio Moçambique", citando o porta-voz da Renamo, o presidente da República, Eng.º Filipe Nyusi e o presidente daquele partido, Afonso Dhlakama, estão hoje, desde as 11.30, de novo reunidos num hotel da cidade de Maputo. Aqui. Recorde aqui.
Adenda às 16:19: estude a reacção deste jornal digital ao primeiro encontro, aqui.
Adenda 2 às 19:39: citado pela "Rádio Moçambique" no seu jornal das 19:30, Dhlakama afirmou que a Renamo deverá apresentar um anteprojecto-lei à Assembleia da República sobre a criação de uma região autónoma no país.

O Presidente está a ir bem

Depois de ter recebido na sexta-feira o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama (aqui), o Presidente da República, Eng.º Filipe Nyusi, recebe hoje o presidente do MDM, Eng. Daviz Simango. Aqui.
Observação: o Presidente Nyusi está a ir bem, francamente bem.

No "Savana" 1100 de 06/02/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

08 fevereiro 2015

Um questionário

Participável no lado direito deste diário, até 29 de Março, aqui. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Falta começar

Falta começar a analisar o conteúdo dos discursos dos novos governantes para se saber se e em que diferem dos anteriores. Quanto ao trabalho efectivamente feito, daqui a um ano já é possível avaliá-lo.

Renamo: desobediência civil como estratégia política (8)

Oitavo número da série. Permaneço no ponto 3 do sumário proposto aqui, a saber: 3. Níveis de operacionalização, entrando no subponto 3.3. Populismo. Depois de ter abordado brevemente a dhlakamização da Renamo e o cesarismo, chegou a altura de terminar este ponto com uma referência ao populismo. Escreveu Pierre-André Taguieff que o populismo não é nem uma ideologia política nem um tipo de regime. É um estilo político fundado sobre o recurso sistemático ao povo, havido como exterior a grupos e classes sociais. Fórmula vazia e ambígua, que pode servir tanto regimes antidemocráticos quanto a vontade de democratização. Oscila entre uma orientação autoritária e antidemocrática e uma orientação hiperdemocrática. (Taguieff, Pierre-André, L´Illusion populiste, Essais sur les démagogies de l´âge démocratique. Paris: Champs/Flammarion, 2007, passim.) Se não se importam, prossigo mais tarde.
Adenda 1: Do cesarismo de Dhlakama: "O líder do partido Renamo deixa claro que “não há guerra” mas não vai tolerar provocações. “Quero deixar claro aos comunistas da Frelimo se tentarem provocar a Renamo, tentarem disparar para a Renamo, juro pela alma da minha mãe que a resposta não será aqui no norte (...) agora é aquecer lá, nos prédios lá, lá em Maputo onde estão os chefes”. Aqui.
Adenda 2: segundo o "Verdade/Facebook", Dhlakama autoproclamou-se herói. Aqui.

Guerra subterceirizada por recursos minerais: um estudo de caso do Congo

Com o título em epígrafe, um trabalho de Carlos Eduardo Mendes de Melo: "As guerras convencionais com soldados, blindados, tanques, artilharia, helicópteros, caças, bombardeiros e informação militar tornaram-se anacrônicas e eleitoralmente caras demais para serem deflagradas e conduzidas. Para substituí-las, novas formas de criação de foco e difusão de conflitos foram criadas e outras foram amodernadas e adaptadas às tecnologias contemporâneas. É mais fácil, barato, e lucrativo armar criminosos no interior do Estado-Alvo do que criar pretextos para agredi-lo de forma convencional e depois pedir reparações financeiras – da qual ele será impossível pagar – que podem ser convertidas em direitos de exploração de seus recursos naturais e econômicos." Aqui. (a referência a este trabalho foi suscitada por esta referência da Anna Maria Gentili, aqui)

07 fevereiro 2015

Nyusi e Dhlakama estão reunidos à porta fechada

O Presidente da República Filipe Nyusi e o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, estão reunidos em Maputo à porta fechada num hotel da cidade. O Presidente Nyusi está acompanhado pelo conselheiro António Gaspar e o Sr. Dhlakama está acompanhado por Fernando Mazanga e Ivone Soares - "Rádio Moçambique" no jornal das 12:30.
Adenda às 12:42: recorde neste diário aqui.
Adenda 2 às 14:31: "Os 89 deputados da Renamo irão tomar os seus assentos na Assembleia da República (AR). Esta informação foi avançada ontem por Afonso Dhlakama, líder da Renamo, no final do encontro que manteve com o Presidente da República, Filipe Nyusi." Aqui.
Adenda 3 às 14:35: talvez nos próximos dois/três dias venhamos a connhecer as pedras fortes do(s) acordos (s) alcançado (s).
Adenda 4 às 14:51: a propósito do encontro, leia o comentário de Joseph Hanlon no Mozambique 277 com data de hoje, aqui.
Adenda 5 às 14:56: "Mecenato é importante tanto para Frelimo como para a Renamo, particularmente empregos para apoiantes leais. Para além disso, a Frelimo tem desenvolvido uma estrutura de gestão descentralizada, na qual funcionários nomeados têm autonomia para agir dentro de directrizes claras. O poder é realizado pela Comissão Política e a liderança passou pacificamente de Chissano a Guebuza e a Nyusi. Por contraste, a Renamo está construída em torno de seu líder, Afonso Dhlakama, que retém detalhado poder pessoal. [...] [tradução minha, CS] - no citado Mozambique 277.
Adenda 6 às 17:36: leia esta descrição do encontro aqui.
Adenda 7 às 17:40: outra descrição aqui, de onde foi extraída, com a devida vénia, a foto logo abaixo (Dhlakama à esquerda, Nyusi à direita):

Dois lançamentos

Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1100, de 06/02/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

06 fevereiro 2015

Amanhã neste diário

Renamo: desobediência civil como estratégia política (7)

Sétimo número da série. Permaneço no ponto 3 do sumário proposto aqui, a saber: 3. Níveis de operacionalização, igualmente no subponto 3.2. Cesarismo. O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, é um líder vincadamente cesarista, a vários níveis. Por exemplo, gosta muito de falar de si próprio. Esta paixão por si próprio, quase narcísica, tem duas modalidades: a da primeira pessoa do singular "(eu sou o mais forte" ou "eu não irei permitir") e a da terceira pessoa do singular ("O Dhlakama vai ganhar" ou "O Dhlakama não vai permitir"). Decididamente, Friedrich Nietzsche estava enganado quando um dia escreveu que "falar muito sobre si próprio pode também ser um meio de se ocultar." Mas, mais importante, é o permanente recurso de Dhlakama à ameaça castrense, directa ou indirecta, regra geral rude. Mesmo quando afirma "Não vamos regressar mais à guerra", deixa claro algo como "Mas se eles nos provocarem vão ver o que acontece". Há na Wikipédia uma boa definição do cesarismo, a saber: "Cesarismo (de Júlio César) é um conceito utilizado por diversos autores para definir um sistema de governo centrado na autoridade suprema de um chefe militar e na crença em sua capacidade pessoal, à qual são atribuídos traços heróicos. Este líder, surgido em momentos de inflexão política, se apresenta como a alternativa para regenerar a sociedade ou conjurar hipotéticos perigos internos e externos. Por isso, este tipo de governo costuma apresentar elementos de culto da personalidade." Aqui. Se não se importam, prossigo mais tarde.
Adenda 1: Do cesarismo de Dhlakama: "O líder do partido Renamo deixa claro que “não há guerra” mas não vai tolerar provocações. “Quero deixar claro aos comunistas da Frelimo se tentarem provocar a Renamo, tentarem disparar para a Renamo, juro pela alma da minha mãe que a resposta não será aqui no norte (...) agora é aquecer lá, nos prédios lá, lá em Maputo onde estão os chefes”. Aqui.
Adenda 2: segundo o "Verdade/Facebook", Dhlakama autoproclamou-se herói. Aqui.

Novo Código Penal de Moçambique

Conheça o novo Código Penal de Moçambique, aqui.

05 fevereiro 2015

De novo o boato da água contaminada

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6)
Em Janeiro, na cidade de Tete e na sequência da tragédia de Chitima, surgiu o boato de que a água estava envenenada num dos furos do vale de Nhartanda. Pessoas quiseram linchar os supostos autores do envenenamento. Aqui e aqui.
Ontem, nas cidades da Beira e do Dondo, correu o boato de que a água consumida naquelas cidades estava contaminada. Aqui.
Adenda às 07:01: talvez não fosse desinteressante investigar a eventual relação entre alguma intranquilidade política (e seus vários ramais) vivida no país e a eclosão de boatos como o descrito acima.

Política e Capital não têm "tribo" (3)

"A categorização dos povos africanos em “tribos” remonta ao período da colonização e ainda hoje pode ser lida nas páginas dos jornais, pois os conflitos africanos chegam às salas de redação do mundo todo com manchetes prontas, geralmente provenientes das agências de notícias norte-americanas ou européias.” Aqui.
Terceiro número da série. Prossigo com as hipóteses. Tal como em outros tempos se procurava ex­plicar os efeitos do vinho pelo espírito-do-vinho, o fogo pelo flogisto e os efeitos do ópio pelas suas virtudes dormitivas, também no caso dos países africanos se procura explicar o comportamento político pelo "espírito étnico". Veja-se, por exemplo, o caso das eleições moçambicanas. De cinco em cinco anos procura-se que o espírito etno-regional explique os resultados eleitorais. Pega-se nas cartas étnicas coloniais, sobrepõem-se-lhes em papel vegetal os resultados eleitorais, adicionam-se-lhes meia dúzia de "reflexões teóricas" e de "trabalho de campo" e pronto, o prato étnico está pronto a servir. Lá onde os resultados não encaixam, faz-se literalmente apelo aos acidentes de percurso. Entretanto, temos um novo presidente. E o espírito étnico já está no ar. Assim, um analista terá dito o seguinte sobre Filipe Nyusi: "[...] Nyusi representa também interesses dos makondes, da etnia dele, dos antigos combatentes, que têm também agendas próprias e interesses muito próprios que em condições normais não são compatíveis com os interesses de Guebuza." Aqui. Se não se importam, prossigo mais tarde.

Segundo a ADECRU

Redes mosquiteiras viram redes de pesca

Aqui (agradeço ao RC o envio da referência). Neste diário há várias postagens sobre o destino das redes mosquiteiras, confira aqui.

04 fevereiro 2015

Renamo: desobediência civil como estratégia política (6)

Sexto número da série. Permaneço no ponto 3 do sumário proposto aqui, a saber: 3. Níveis de operacionalização, agora no subponto 3.2. Cesarismo. Os partidos políticos da oposição são, em princípio, mais propensos ao cesarismo. Por quê? Por que isso está na sua natureza? Não, porque, por hipótese, não estão a gerir o Estado. Um partido que controle o Estado tem, em princípio, mais possibilidade de distribuir, descentralizar e disfarçar o cesarismo central por múltiplas pequenas unidades na cadeia de comando, (1) amortecendo os protestos e os choques através da distribuição e rotação de recursos de poder e prestígio e/ou (2) punindo diferenciadamente os protestos através da rede de aparelhos de segurança. A hipótese aqui proposta deve ainda tomar em conta a eventual experiência militar na vida dos partidos. No caso vertente, concernente à desobediência civil, o cesarismo de Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, impera de forma absoluta e mediática. Se não se importam, prossigo mais tarde.
Adenda às 07:04: eis uma das facetas cesaristas de Dhlakama: "O líder do partido Renamo deixa claro que “não há guerra” mas não vai tolerar provocações. “Quero deixar claro aos comunistas da Frelimo se tentarem provocar a Renamo, tentarem disparar para a Renamo, juro pela alma da minha mãe que a resposta não será aqui no norte (...) agora é aquecer lá, nos prédios lá, lá em Maputo onde estão os chefes”. Aqui.
Adenda 2 às 11:35: segundo o "Verdade/Facebook", Dhlakama autoproclamou-se herói. Aqui.

"A crítica crítica (crítica, crítica, crítica)"

De Emir Sader, com o título em epígrafe: "O intelectual olha para a teoria e a encontra magnífica (de fato, várias delas o são). Olha para a realidade e a encontra muito menos coerente e atraente. Fica enfim com a teoria, dando as costas para a realidade. Essa é a postura espontânea dos intelectuais, cuja prática está vinculada a atividades acadêmicas, desvinculadas da prática política." Aqui.

03 fevereiro 2015

No Dia dos Heróis Moçambicanos

Assinala-se hoje no país o Dia dos Heróis Moçambicanos. A 3 de Fevereiro de 1969, Eduardo Mondlane foi assassinado. Permitam recordá-lo como segue: "Porque as condições de vida em Moçambique, o tipo de inimigo que nós temos, não admite qualquer outra alternativa. É impossível criar-se um Moçambique capitalista, seria ridículo lutar para destruir a estrutura económica do inimigo e reconstruí-la a favor do inimigo. Seria ridículo, já o dissemos várias vezes. Ora nós não vamos fazer isso. Nós vamos criar um sistema económico socialista e há agora uma riqueza de experiências de vários países socialistas que nós vamos estudar e aprofundar." - Eduardo Mondlane entrevistado por Aquino de Bragança, logo a seguir ao II Congresso em 1968 da Frente de Libertação de Moçambique - Bragança, Aquino de e Wallerstein, Immanuel, Quem é o inimigo (II). Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1978, pp. 200-201.
Adenda: Eduardo Mondlane foi, provavelmente, o primeiro Moçambicano a doutorar-se, com tese defendida em 1960, confira neste diário aqui.
Adenda 2 às 08:47: confira aqui.

Renamo: desobediência civil como estratégia política (5)

Quinto número da série. Entro no ponto 3 do sumário proposto aqui, a saber: 3. Níveis de operacionalização, subponto 3.1. Dhlakamização da Renamo. Desde Setembro do ano passado que o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, ocupa por inteiro o espaço político público do seu partido. Porta-voz e secretário-geral, por exemplo, foram literalmente eclipsados por aquele que afirma ser general de quatro estrelas. Mediaticamente, a Renamo aparece reduzida a Dhlakama e à oratória combativa dos seus comícios. A campanha de desobediência civil tem nele o porta-estandarte. Se não se importam, prossigo mais tarde.

Política e Capital não têm "tribo" (2)

“[...] importa mostrar que África mexe, mexe e não pára de mexer em permanência; no fundo é isso, não existe um sentido no qual as coisas vão, mas tudo mexe e remexe; e se mexe é porque continuará a mexer. Se existe uma mensagem, é essa: tudo continuará a mexer.” Elikia Mbokolo, aqui.
Segundo número desta curta série. A imputação étnica impregna uma parte significativa do tecido analítico do país. Na verdade, a etnia aparece como entidade absolutamente explicativa, como uma chave-mestra funcional. Tal como o íman atrai o ferro, a etnia atrai o Africano e, portanto também, o Moçambicano. O surgimento de um novo presidente no país tem dado origem ao império da tese étnica. Se não se importam, prossigo mais tarde.

02 fevereiro 2015

Política e poder em Moçambique

No "Savana" 1099 de 30/01/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Renamo: desobediência civil como estratégia política (4)

Quarto número da série. Termino o ponto 2 do sumário proposto aqui, a saber: 2. Objectivos estratégicos. Quais são os objectivos estratégicos da Renamo em geral e do seu presidente, Afonso Dhlakama, em particular, na campanha de desobediência civil em curso? Os objectivos estratégicos são, por hipótese, seis:
1. Substituir a imagem do protesto político bélico pela imagem do protesto político pacífico - ainda que com grande violência verbal - através de comícios e marchas contra os resultados eleitorais de 15 de Outubro;
2. Produzir ventos e ondas de força e altura crescente na adesão popular, dificultando cada vez mais a legitimidade e a legalidade estatais;
3. Conduzir o Estado à exacerbação policial e militar e à ocorrência de erros graves ao nível dos direitos humanos, criticáveis a nível nacional e internacional;
4. Provocar um estado político de excepção, propício às decisões políticas extremas;
5. Com grande visibilidade mediática, levar as diplomacias e o grande Capital internacional a pressionar o Estado de forma a fazer da Renamo parte integrante da governação e dos proventos oriundos dos recursos naturais;
6. Em caso de fracasso no objectivo 5, criar as condições para uma solução federalista, vincadamente regional, ideia subjacente ao que Afonso Dhlakama e a Renamo chamam "República autónoma do Centro e Norte de Moçambique".
Se não se importam, prossigo mais tarde.
Adenda: através do "@Verdade/Faceook", estude um extracto do discurso de Afonso Dhlakama num comício realizado no sábado na cidade de Nampula, aqui.
Adenda 2 às 16:01: estude também este texto aqui.

Lançamento dia 24/17 horas/Centro Cultural Franco-Moçambicano/Cidade de Maputo

Lançamento dia 24 de Fevereiro, 17 horas, Centro Cultural Franco-Moçambicano, cidade de Maputo. Mais pormenores futuramente. Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato.

01 fevereiro 2015

Política e Capital não têm "tribo" (1)

“É uma maneira absurda de pensar que os costumes, as línguas, as tradições podem ser conservados, como se guarda o vinho numa garrafa, quando, de facto, se trata de processos.” Elikia Mbokolo, aqui.
A etnia (tribo, na linguagem mais rude) é um dos mais populares saca-rolhas sociais dos media, das redes sociais digitais e dos blogues do copia/cola/mexerica. A concepção é sempre esta: lá onde habita um Africano, habita também uma etnia, a vida africana é essencialmente vida étnica, nenhum Africano escapa ao teleguiamento étnico. Esta não é apenas uma tese estrangeira, pois muitos são os Africanos que a defendem.

Renamo: desobediência civil como estratégia política (3)

Terceiro número da série. Propus no número anterior uma definição de desobediência civil retirada da Wikipédia. Parece-me últil juntar a essa definição estoutra de John Rawls: “um ato ilegal público, não violento, de consciência, mas de caráter político, realizado com o fim de provocar uma mudança na legislação ou na política governamental” (Uma teoria da justiça.  São Paulo: Martins Fontes, 2002, 2.ª ed.ª, p. 364). Passo, agora, ao ponto 2 do sumário, a saber: 2. Objectivos estratégicos. Quais são os objectivos estratégicos da Renamo em geral e do seu presidente, Afonso Dhlakama, em particular, na campanha de desobediência civil em curso? Se não se importam, prossigo mais tarde.

O jeito perverso do poliglota

Acontece, muitas vezes, que quanto mais viajados e mais permeados pelo mundo e pelo bem-estar somos, mais tendência temos para defender a aldeia que já não habitamos (se é que algum dia a habitámos mesmo) e para tentarmos convencer os outros de que existem tradições rígidas, com fronteiras nítidas, impermeáveis às mediações. É o jeito perverso do poliglota viajado que tenta convencer os camponeses da sua aldeia natal (que já esqueceu ou que nunca habitou) de que não devem desaprender a língua local e que devem manter uma postura campesina íntegra e imaculada.

O método do barão

Invariavelmente a pobreza aparece como um problema tecnicamente abordável e tratável. Essa pobreza é suposta ser vencida com coisas, com programas, independentemente das relações sociais nas quais tem curso. A crença reenvia para o portentoso método do Barão de Münchhausen no livro de Rudolf Raspe - um dia, num dos seus passeios a cavalo, caiu num pântano. Afundando-se cada vez mais e não havendo ninguém para o socorrer, o barão teve a genial ideia de se puxar a si mesmo pelos cabelos, até conseguir sair do lodaçal, juntamente com o cavalo.