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28 janeiro 2008

E lá roubaram as redes mosquiteiras

Segundo o blogue do bosses, o jornal nortenho Faísca escreveu que, na província de Niassa, "quantidades significativas de rede mosquiteiras foram roubadas do Depósito Provincial da Saúde de forma estranha, atrasando a luta contra a Malária. O roubo segundo a polícia, na pessoa do seu porta-voz, Alfredo Fumo, aconteceu de forma muito estranha porque não houve arrombamento de nenhuma entrada. As redes mosquiteiras roubadas fazem parte do Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM) e eram distribuídas nos distritos para mulheres grávidas e crianças dos zero aos cinco anos."
Comentário irónico: aqui está um problema importante para a blogosfera. Importante por não ser importante e por não possuir dignidade epistemológica, dirão alguns a nível planetário. O que provoca um problema? Um problema provoca perguntas. Por exemplo: terão sido os mosquitos a roubar as redes? Gente da Saúde? Estranhos que se transformaram em seres voláteis e mágicos e entraram no armazém sem necessidade de arrombarem a porta? Quantos não irão morrer agora de malária com esse roubo? Agora outro género de perguntas, colocadas por aqueles que consideram os jornalistas (enfronhados que estão no senso comum - defendem) como seres incapazes de se alçarem às perguntas inteligentes: como poderemos de forma inteligente discutir o "roubo" de redes mosqueteiras? Não deveremos ver o presumido roubo das redes mosqueteiras como uma forma sensata de distribuir democraticamente a riqueza em meios onde isso é normal? Por que ver nisso a alma obscura da corrupção e do roubo? Que importância tem esse inexistente roubo mesquinho face a problemas bem mais magnos no país? De que maneira poderemos sabiamente discutir não tanto as redes, depois as redes mosquiteiras, depois os mosquitos, depois a malária, depois quem morre anonimamente de malária, depois o jornalismo descritivo, mas, antes, os problemas epistemológicos, em última análise os problemas realmente macro-económicos, tudo pensado com muita razão e sem emoção e por aí fora? Etc. Os grandes especialistas de perguntas - os óciólologos - costumam responder a problemas comezinhos como o apresentado com a a fórmula certeira e definitiva de mais uma pergunta. Enfastiados dirão: pobres artesãos do mal-visto estes, os que dão respostas a perguntas e, especialmente, às perguntas não inteligentes.

09 agosto 2014

Redes mosquiteiras no mercado paralelo

As redes mosquiteiras do Sistema Nacional de Saúde estão a ser desviadas para o mercado informal a nível da cidade de Nampula." Aqui.
Observação: já agora, anotar que este diário contém muitas postagens sobre o "desvio de aplicação" (para fazer uso de uma expressão frequente na nossa imprensa) de redes mosquiteiras, redes de pesca, luvas esterilizadas, preservativos, etc. Aqui. Recordo parte de uma delas: "[...] crianças fabricam bolas de futebol com ráfia e preservativos usados ou fazem balões, pescadores usam redes mosquiteiras na pesca, pessoas usam reflectores de estradas para assar castanhas e movimentar bicicletas ou  cabos eléctricos, cantoneiras e parafusos de linhas férreas para a indústria domiciliária de potes, panelas e frigideiras e/ou para venda." Aqui.

02 março 2009

05 fevereiro 2015

Redes mosquiteiras viram redes de pesca

Aqui (agradeço ao RC o envio da referência). Neste diário há várias postagens sobre o destino das redes mosquiteiras, confira aqui.

14 janeiro 2016

As mutações no uso das redes mosquiteiras

"[...] o uso indevido da rede mosquiteira, que muitas vezes é utilizada para a pesca, balizas para campo de futebol e sacos de venda de carvão, constituem um grande entrave aos esforços empreendidos pelo sector da saúde para a redução de casos de malária." Aqui.
Adenda: extracto de um texto postado em 2010 neste diário: "[...] crianças fabricam bolas de futebol com ráfia e preservativos usados ou fazem balões, pescadores usam redes mosquiteiras na pesca, pessoas usam reflectores de estradas para assar castanhas e movimentar bicicletas ou  cabos eléctricos, cantoneiras e parafusos de linhas férreas para a indústria domiciliária de potes, panelas e frigideiras e/ou para venda. [Há, enfim, todo um imenso mundo de fenómenos que urge estudar e relacionar, para além do perímetro vociferante e condenatório." Aqui.

04 fevereiro 2014

Redes mosquiteiras para a pesca

Há mais casos registados de malária no distrito do Búzi, província de Sofala, comparativamente a 2013, mas as pessoas usam as redes mosquiteiras para a pesca - confira aqui.
Adenda: recorde neste diário aqui, aqui, aqui e aqui.
Adenda 2 às 16:24: confira, também, vários postagens sobre outras modalidades de "desvio de aplicação", aqui.

19 agosto 2010

Do óbvio ao desvio

Múltiplas coisas são desviadas das aplicações previstas no país e encaminhadas para outras. Temos as nossas antenas cognitivas convencionais preparadas para entender o óbvio e por isso quando em lugar do óbvio surge o desvio, a subversão, ficamos nervosos, desorientados, condenamos e atacamos com veemência.
Reparem: crianças fabricam bolas de futebol com ráfia e preservativos usados ou fazem balões, pescadores usam redes mosquiteiras na pesca, pessoas usam reflectores de estradas para assar castanhas e movimentar bicicletas ou  cabos eléctricos, cantoneiras e parafusos de linhas férreas para a indústria domiciliária de potes, panelas e frigideiras e/ou para venda.
Há, enfim, todo um imenso mundo de fenómenos que urge estudar e relacionar, para além do perímetro vociferante e condenatório.

20 abril 2010

Os balões


O Fernando Raposo escreveu no Portal de Sena sobre as crianças que transformam preservativos em balões por terras de Marromeu, aqui. Recorde postagens minhas sobre o uso dado a redes mosquiteiras, luvas esterilizadas e preservativos aqui, aqui e aqui.

27 agosto 2016

Renamo atacou hoje em Murrupula/Nampula

Homens armados da Renamo atacaram cerca das 5 horas da manhã de hoje o posto administrativo de Nihessiue [espero ter registado bem o nome, CS], distrito de Murrupula, província de Nampula, tendo causado estragos no posto policial, no posto de saúde e na residência do chefe de posto, para quem foram disparadas duas balas, mas sem o ferirem. No posto de saúde, os homens da milícia da Renamo roubaram medicamentos e redes mosquiteiras e queimaram parte da residência do chefe do posto. - "Rádio Moçambique", jornal da noite das 19:30.
Adenda às 19:56: os milicianos da Renamo não visam unidades militares, mas especialmente postos policiais e de saúde em postos administrativos, para além de emboscadas a veículos civis das colunas motorizadas - eis o que parece possível de concluir dos ataques que se multiplicam e se diversificam em termos provinciais.
Adenda 2 às 05:48 de 29/08/2016: confira o relato no portal da "Rádio Moçambique" aqui.

30 julho 2016

Segundo RM: Renamo atacou hoje Mopeia

Homens armados da Renamo atacaram na madrugada de hoje a sede distrital de Mopeia, província da Zambézia, com incidência nos postos policial e de saúde. Mataram um preso, queimaram duas viaturas e roubaram artigos [incluindo cortinados e redes mosquiteiras] e medicamentos diversos. - "Rádio Moçambique", noticiário das 19 horas.
Adenda às 18:25: confira um despacho da "Agência de Informação de Moçambique", que salienta que os comandos policiais e as unidades sanitárias têm sido os alvos preferenciais da Renamo nos últimos tempos. Aqui.
Adenda 2 às 20:14: desta vez a "Lusa" não referiu que o ataque esteve a cargo de "supostos homens armados da Renamo" [recorde aqui], mas de "Um grupo de 20 homens armados da Renamo", aqui.

09 junho 2009

Preservativos são balões de encantar

No Portal de Sena, Baptista João tem um texto de sentida queixa moral pelo facto de a criança da imagem estar a divertir-se numa rua da vila de Marromeu com preservativos que transformou en balões de encantar. Confira aqui.
Adenda: recorde postagens minhas sobre a metamorfose sofrida pelas redes mosquiteiras aqui e pelas luvas esterilizadas e pelos preservativos aqui.

04 agosto 2016

Segundo director provincial de Saúde da Zambézia

Confira no portal da "Rádio Moçambique", aqui.
Adenda às 17:46: "[...] os assaltantes trajados a verde em número de 20 homens que também eram acompanhados por mulheres, iam gritando “Renamo oye...vamos governar...” vandalizaram o hospital distrital, levaram medicamentos, lençóis, redes mosquiteiras e outros bens diversos."- "Diário da Zambézia" sobre o ataque a Mopeia,  no Facebook, aqui.