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14 abril 2011

Lenda de uma tragédia anunciada

De um editorial (muito belo, como que a chave do que se passa na Costa do Marfim) de Claude Imbert no Le Point.fr de hoje: "Costa do Marfim, filha querida da França, fez a sua felicidade em África. Torna-se hoje aí a sua maior dor. Não encontrareis a razão do desastre na queda final da casa Gbagbo. Último acto de uma tragédia anunciada! As suas duas molas estavam esticadas havia muito. Primeiro nesta relação tão estreita, tão "filial", da Costa do Marfim e da França, cujo romance se transforma numa tragédia. Por que maldição? Digamos que pela de Édipo! Porque tudo começa sob Houphouet-Boigny no "incesto" político da França e da Costa do Marfim, e tudo termina, sob Gbagbo, no parricídio. Quanto à outra mola do desastre, encontrá-la-eis na dissolução de uma nação herdada do padrão colonial, Babel dividida entre os seus povos por um Norte arenoso, pobre, muçulmano e um Sul verdejante, rico e cristão. Houphouët, Gbagbo, eis as duas figuras emblemáticas do drama! Houphouet - de Gaulle costa-marfinense - foi o grande mago de uma independência incubada no ventre de Paris, de uma "FrancÁfrica" donde ele inventou a natureza e o nome. Gbagbo, quarenta anos mais jovem, sonhava, ele, com uma independência se não hostil à França, pelo menos livre da sua tutela pós-colonial. A memória de Houphouet desvanece-se hoje em nostalgia. E Gbagbo, professor de história, vê a história deixar a sua biblioteca e lançá-lo aos pés de seu rival, um discípulo de Houphouet. Gbagbo, Édipo negro cegado e depois esmagado pelo seu destino!" (tradução minha). Continue a ler aqui. Para traduzir, aqui.

07 abril 2011

Costa do Marfim: a informação que falta

De um trabalho de Michel Collon com o título em epígrafe: "Quando vemos a televisão francesa, é possível entender o que está a acontecer na Costa do Marfim? "O exército francês protege os nossos compatriotas", dizem-nos. O costume. Mas o que é que não é dito? (...) "intervenção humanitária"? Como em todas as guerras, a questão não respondida é: que interesses estão em jogo? Vamos ver. Todos os sectores do país são dominadas por 240 filiais de empresas francesas: óleo (Total), electricidade (Bouygues), água (também Bouygues), obras públicas (de novo Bouygues, Vinci, Setao, Colas), transporte (Bolloré) recursos naturais (também Bolloré, Castel), telecomunicações (France Telecom) e banca (Générale, Lyonnais, BNP-Paribas). Esses grupos franceses têm 27% do capital social das empresas da Costa do Marfim. Portanto, a França é o principal provedor e cliente no país. A verdadeira missão do exército francês não será a de proteger os grandes benefícios dessas empresas?" Em espanhol, aqui.

24 abril 2011

Costa do Marfim: o inverno colonial

De um trabalho do jornalista Olivier Mukuna, com o título em epígrafe: "Após o anúncio dos resultados definitivos das eleições pelo Conselho Constitucional da Costa do Marfim, o relato mediático europeu exibiu o cinismo da "complexidade". "Alassane Uattara, o presidente reconhecido pela comunidade internacional", tinha sido impedido de exercer as suas funções "pelo actual presidente Laurent Gbagbo, que se apegou ao poder". O "bom" democrata do FMI contra o "malvado" tirano de Abidjan. Esta habitual satanização que justifica o imperialismo guerreiro, contradiz o discurso segundo o qual a Costa do Marfim é um país soberano e as suas instituições legítimas." (tradução minha, CS). Aqui. Para traduzir, aqui.

25 janeiro 2011

Reflexão sobre as crises na Costa do Marfim

Tenho, neste diário, procurado seguir a crise política na Costa do Marfim. Mas é importante aprofundar o tema, pelo que vos convido a ler um trabalho em português do colega nigeriano Prof Adebayo Olukoshi (na imagem) do CODESRIA, intitulado Identidade, Segurança e a Regeneração da Pertença Social na África Ocidental: Reflexões sobre as crises na Costa do Marfim, aqui.

26 janeiro 2011

"Efeito Costa do Marfim" no Gabão

Segundo o Yahoo News, um partido da oposição foi hoje abolido no Gabão depois que o seu líder se declarou presidente citando o exemplo da Costa do Marfim. Aqui. Para traduzir, aqui.
Comentário: se há um efeito Tunísia, há, também, ao que parece, um efeito Costa do Marfim. Tudo acontece muito rápido, em determinado momento haverá que analisar as várias ondas de fenómenos que estão a acontecer, retomando os governos-GUN do tipo Quénia e Zimbabwe.

27 abril 2011

Factos e actos do "direito de ingerência"

"Depois de intervir na Líbia, a França interveio na Costa do Marfim. Também se poderia dizer que antes de intervir na Líbia, a França interveio na Costa do Marfim, já que a ingerência e a intervenção militar da França são crónicas neste país desde a independência. Em 2004 as tropas francesas abriram fogo sobre a multidão em Abidjan, causando 90 mortos e 2.000 feridos. Ambas as intervenções militares, Líbia e Costa do Marfim, têm pontos em comum." Em francês no Quotidien d' Oran aqui, em espanhol aqui, para traduzir aqui.

06 dezembro 2010

Cientista chinesa opina sobre Costa do Marfim

Creio ser usual sustentar que os Chineses não emitem publicamente opiniões sobre certos temas políticos. Vou mostrar um exemplo contrário retirado do Global Times, a propósito da disputa eleitoral na Costa do Marfim, várias vezes aqui reportada. Especialista em Assuntos Africanos no Instituto de Estudos OesteAsiático&Africanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, He Wenping afirmou que "Com o apoio dos militares, Gbagbo não deixará o poder mesmo sob pressão internacional". E acrescentou a cientista: "A disputa eleitoral na Costa do Marfim prova de novo a dificuldade de implantar a democracia em África", com Gbagbo tomando o poder como um "facto consumado" tal como aconteceu em Madagáscar. Confira em inglês aqui. Para traduzir, aqui.

12 abril 2011

O que significa a detenção de Laurent Gbagbo?

O ex-presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo (imagem à esquerda), foi ontem detido em Abidjan por forças especiais francesas, após uma longa disputa presidencial com Alassane Ouattara. O que significa isso? Na minha hipótese, isso significa três coisas interligadas:
1. Crescente questionamento das regras e dos processos eleitorais em África. O Estado é um meio de acumulação de recursos de poder e riqueza que os concorrentes querem gerir, começando o percurso, não poucas vezes, pelas comissões nacionais de eleições. Dos votos às armas o caminho tem provado ser curto e dramático.
2. Crescente incapacidade revelada pela União Africana para monitorar e fazer-se respeitar nos conflitos locais e regionais. A União ou chega tarde ou, chegando cedo, fica a tecer e retecer, como Penélope, uma eterna peça de remendo do tipo soma não-zero.
3. Crescente ingerência de forças neocoloniais no continente africano, manifestando-se ora com armas (por exemplo, AFRICOM americana, Licorne francesa), ora com negócios (do Ocidente à China), em permamente jogo de faz, desfaz e refaz de alianças com elites locais. O economista e ex-funcionário do Fundo Monetário Internacional, Alassane Ouattara (imagem à direita), tido como vencedor das eleições presidenciais na Costa do Marfim, é, creio, o próximo peão dos interesses do Capital francês.
Adenda às 6:17: sugiro devermos ser cépticos em relação às "análises" que operam com daltonismos do género Gbagbo mau/Ouattara bom. Recorde aqui.
Adenda 2 às 12:08: confira aqui.

22 junho 2008

3/0

Reabrindo um pequeno alento para a qualificação do CAN de Luanda e Mundial de 2010 na África do Sul, a nossa selecção nacional de futebol ganhou esta tarde por 3/0 à selecção de Madagáscar, em jogo realizado no Estádio da Machava, cidade de Maputo, depois de, domingo passado, ter empatado por 1/1 em Antananarivo. À entrada do jogo, estávamos em último lugar no grupo VII, com um ponto, grupo liderado pela Costa do Marfim e pelo Botsuana, selecções que hoje jogaram entre si, mas cujo resultado ignoro ainda.
1. ª adenda às 17:01: o presidente da Federação Moçambicana de Futebol acaba de afirmar que, finalmente, os jogadores lhe ofereceram uma vitória pois ele muito tem feito pelo futebol moçambicano, que ganharam não pelos “mil dólares” de prémio individual mas porque são uma grande equipa e pensaram nele, presidente. Vaidoso senhor que disse ainda que se ganharmos em Maputo à Costa do Marfim obteremos a qualificação.
2. ª adenda às 17:04: o nosso dedicado locutor Fernando Dias fica tão emocionado a relatar que é menos importante ficarmos por vezes sem saber o que ele está a dizer em momentos de perigo ou de golo do que saber que a própria emoção se surpreende com a emoção do locutor.
3. ª adenda às 17:07: os nossos golos foram marcados por Tico-Tico, Dominguez e Parruque.
3ª adenda às 18:04: estamos agora em terceiro lugar. Confira aqui no site da FIFA. Obrigado ao Ricardo pelo envio da referência.

31 março 2008

Manifestações populares no Senegal e na Costa do Marfim devido à carestia de vida

Manifestações populares devido ao preço dos alimentos no Senegal e na Costa do Marfim (aqui, os protestos abrangem os preços do óleo e do sabão). A imagem é de Dakar, capital do Senegal. Obrigado ao Egídio Vaz por me ter chamado a atenção para a situação no Senegal.
Recordo que manifestações do mesmo tipo realizaram-se recentemente nos Camarões, no Burkina Faso e no nosso país.
Prevejo que o fenómeno se vai generalizar no nosso continente.

25 abril 2011

Que papel vai jogar Coulibaly?

Segundo o Informateur.net, o chefe do "comando invisível" que controla as comunas de Anyama e Abobo na Costa do Marfim, Ibrahim Coulibaly (em primeiro plano na imagem acima), deverá ter sido recebido hoje por Alassane Dramane Ouattara, em Abidjan. Em francês aqui, para traduzir aqui.
Nota: vamos a ver que papel vai desempenhar este ex-sargento e senhor de guerra no xadrez político da Costa do Marfim, depois que auxiliou Outtara a desalojar Laurent Gbagbo. O GuiGuinBali noticiou há dias que havia combates entre o novo exército costa-marfinense e a façcão de Coulibaly.
Adenda às 16:29: milícias pró-Gbagbo continuam a bater-se em Yopougon, aqui.

05 dezembro 2010

Costa do Marfim: dois presidentes?

A situação continua tensa na Costa do Marfim, onde Laurent Gbagbo se recusa a aceitar que tenha perdido as eleições presidenciais, tendo já tomado posse. O candidato que aparentemente venceu, Alassane Ouattara, não ficou atrás no gesto e também já prestou juramento. Enquanto isso, Thabo Mbeki, ex-presidente sul-africano, foi enviado ao país em missão de urgência da União Africana. Confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Adenda às 10:05: a rádio-televisão estatal costa-marfinense dá Gbago como vencedor. Em francês, aqui. Se quiser consultar jornais online do país, vá aqui.

11 junho 2011

Costa do Marfim e violência

As Nações Unidas denunciaram a violência cometida por forças do actual presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, contra comunidades consideradas partidárias do ex-presidente Laurent Gbagbo. Em português aqui, em espanhol aqui (para traduzir, aqui).

18 julho 2011

Os cinco presidentes africanos mais activos no Facebook e no Twitter

A redacção da SlateAfrique seleccionou os cinco presidentes africanos que considerou serem os mais activos nas redes sociais, designadamente no Facebook e no Twitter, a saber: Alassane Dramane Ouattara da Costa do Marfim, Paul Kagamé do Ruanda, Jacob Zuma da África do Sul, Laurent Gbagbo ex-presidente da Costa do Marfim e Goodluck Jonathan da Nigéria. Nota: devido à instabilidade política, não foram tidos em conta países como Tunísia, Egipto e Líbia. Em francês, aqui. Para traduzir, aqui.

11 abril 2011

Gbagbo detido pelos Franceses?

Segundo a Globo: "Tropas especiais francesas detiveram o presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, e o entregaram a líderes da oposição, disse um auxiliar de Gbagbo na França."
Adenda às 15:57: confira também a versão digital do El País, aqui. Para traduzir, aqui.
Adenda 2 às 16:05: sobre os interesses franceses na Costa do Marfim, recorde neste diário aqui.
Adenda 3 às 16:15: CNN, aqui.
Adenda 4 às 16:16: recorde O escuro coração das trevas, aqui.
Adenda 5 às 16:30: no Times Live sul-africano, aqui.
Adenda 6 às 16:43: GuinGuinBali, aqui.

11 março 2011

Costa do Marfim sem jornais hoje

Segundo o Afrol News, não havia hoje jornais à venda na Costa do Marfim, depois que soldados pró-Gbagbo invadiram o único distribuidor de jornais do país. Aqui. Para traduzir, aqui.

06 janeiro 2011

Mbuyi Kabunda Badi sobre a Costa do Marfim

O Prof Mbuyi Kabunda Badi, que recentemente esteve em Maputo a convite do Centro de Estudos Africanos para participar num seminário (recorde a minha série em 20 números sobre uma entrevista que me concedeu, aqui), disserta, em espanhol, sobre os problemas políticos da Costa do Marfim, lá onde existem dois presidentes (notícia com data de hoje aqui):

25 abril 2011

Costa do Marfim: o bom, o mau e o feio

"Os protagonistas do último episódio da crise política na Costa do Marfim, Laurent Gbagbo e Dramane Alassane Ouattara, são dois velhos conhecidos que trocaram de papéis ao longo das últimas três décadas. Ambos têm disputado o legado político de Félix Houphouët-Boigny (presidente entre 1960 e 1993) numa série de eleições sempre controversas e com o impacto da guerra civil 2002-2006." Aqui. Para traduzir, aqui.