25 junho 2010

Vuvuzela (4)


Mais num pouco desta série.
A colorida vuvuzela é, apenas, um símbolo apelativo e agregador, despojado das suas antigas funções castrenses e transformado em objecto de recreação?
Sem dúvida que é somente um simples e ruidoso objecto lúdico.
Mas, como que operando numa espécie de inconsciente colectivo, a corneta reactiva o apelo castrense, mas agora transferido para a violência controlada, festiva e catárquica dos grandes templos relvados como o Kings Park sul-africano, para as claques com os seus símbolos identitários e para as emoções nacionais de forte intensidade cinestésica.
A alma do guerreiro está domesticada e infantilizada nos rituais de estádio. O machado de guerra apenas vuvuzela.
(continua)
Notas: (1) imagem reproduzida daqui; (2) recorde a minha série com o título Futebol: violência ritualizada e religião profana, aqui.

EUA/MBS: o prisma dos comentários (8)

Esses comentários estão inseridos numa visão daltónica: de um lado estão os defensores do capuchinho vermelho ameaçado pelo eterno lobo mau; do outro os acusadores e cépticos quanto à capacidade interna de fazer face a certos tipos de crime.
Deixemos as fronteiras pessoais do problema e recordemos, uma vez mais, um texto do hoje procurador-geral da República, Augusto Paulino, com o título Criminalidade global e insegurança local - o caso de Moçambique, aqui.
(fim)

Por um pacto de inclusão

Do editorial do "Savana" com data de hoje e com o título em epígafe: "No amanhã que queremos, não cabem as visões estreitas, feitas apenas de slogans e cartões vermelhos de acesso directo à grande caverna de Ali Babá. Das siglas e emblemas que ditam exclusores e excluídos. A unidade nacional que alimenta marchas simbólicas e orçamentos faraónicos no reverso da mão estendida à solidariedade internacional, a unidade deve ser cultivada nas capacidades de todos e de cada um de nós que quer um país diferente, avançado, moderno. Para isso temos de fazer um pacto. Um exorcismo contra as velhas crenças que nos continuam a dividir e nos atrasam nas nossas ambições. O nosso pacto na diversidade é pelo desenvolvimento e pela prosperidade. Um pacto em que os moçambicanos sejam todos sujeitos e que acreditem de novo, como acreditaram em 1975, que este é um país de todos e para todos."

Ayaan Hirsi Ali


Conheça o pensamento da somaliana Ayaan Hirsi Ali, escritora, polemista, crítica do Islão e sobrevivente da mutilação genital infantil. Entrevista aqui. translation services. Obrigado ao Ricardo de Paris pelo envio da referência.

A beleza das mulheres moçambicanas



Fotos minhas, tiradas na cidade de Maputo no dia 12 do corrente mês. Se quiser ampliá-las, é só clicar sobre elas com o lado esquerdo do rato.

25 de Junho de 1975

24 junho 2010

Postagens na forja

Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: 25 de Junho; Editorial do "Savana"; A beleza das mulheres moçambicanas

* Séries: Vuvuzela (4); EUA/MBS: o prisma dos comentários (8); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (5); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (8); Santos de casa não fazem milagres? (11); Já nos descolonizámos? (9); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (9); Moçambique dentro de 30 anos (série) (5) (recordar aqui e aqui)

Moçambique analisado pelo "Financial Times"


Confira aqui. Free Translation. Obrigado ao Marcelo Mosse pelo envio do texto.

Editorial


Leia o editorial da edição de hoje, aqui.

Moçambique 2009/2010



Confira em português aqui. Se quiser ampliar a segunda imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Edição de hoje


A conferir aqui.

Vuvuzela (3)



Mais num pouco desta eventualmente semiológica série.
Em grande parte fabricada na China, a vuvuzela sul-africana do mundial de futebol, eventual descendente do tradicional chifre do kudu, não é propriamente um símbolo identitário, na medida em que são muitos os que a usam independentemente da origem nacional ou da claque ou dos motivos das diversões.
Creio ser necessário recordar que, historicamente, entre as suas diversas aplicações, a corneta tem uma função castrense, associada, por exemplo, às solenidades militares e às convocatórias para a guerra. Em Moçambique os chifres de kudu ou n'goma e palapala eram utilizados para, juntamente com os tambores, convocar os guerreiros para a guerra.
(continua)
Notas: (1) a primeira imagem é sobre a África do Sul, a segunda sobre o Brasil; (2) recorde a minha série com o título Futebol: violência ritualizada e religião profana, aqui.

MF


No "Mediafax" de hoje, aqui.

Edição de hoje


Versão em português aqui; em inglês aqui.

Os olhos


Foto minha, tirada algures na cidade de Maputo no dia 12. Se quiser ampliá-la, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

23 junho 2010

Postagens na forja

Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Diversos

* Séries: Vuvuzela (3); EUA/MBS: o prisma dos comentários (8); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (5); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (8); Santos de casa não fazem milagres? (11); Já nos descolonizámos? (9); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (9); Moçambique dentro de 30 anos (série) (5) (recordar aqui e aqui)

Hoje tem vovô?


Mais logo (20:30 locais), Gana e Alemanha disputam um jogo vital. O Gana é, agora, a grande afro-esperança. Sobre o "vovô" do título - doce ironia -, confira aqui.

A grande questão

Estava, como muitos outros, num restaurante, assistindo ao jogo Algéria/Estados Unidos, há pouco terminado. A poucos minutos do fim da partida, os Americanos marcaram um golo. Imediatamente, vários Africanos perto de mim (falando dois português, quatro inglês e três francês) levantaram-se e aplaudiram vivamente o golo, um deles pulou três vezes. Isso, no preciso momento em que o canal televisivo captado no restaurante mostrava Americanos comemorando o golo no estádio e cartazes com a frase, bem à Obama, "Yes, we can!" (Sim, podemos!).
Observação: jamais saberei por que razão ali, ao meu lado, o apoio foi dado aos Americanos e não aos africanos da Argélia.

WF


No "Wamphula Fax" de hoje, aqui.

DZ


No "Diário da Zambézia" de hoje, aqui.

MF


A conferir no "Mediafax" de hoje, aqui. Recorde aqui.

Vuvuzela (2)

Prossigo esta nova série.
A vuvuzela é um instrumento de sopro, uma corneta de som vigoroso e, ao que se sustenta, perigosa para a saúde.
A corneta - negócio rentável - não é exclusiva da África do Sul, mas pelo menos uma igreja evangélica sul-africana afirma ter sido sua inventora.
Milhares de pessoas ansiosas, frenéticas, vuvuzelam sem parar. A vuvuzela é, na aparência, apenas um instrumento de apoio, colectivamente aceite e accionado.
Mas, provavelmente, é bem mais do que isso.
(continua)
Adenda: recorde a minha série com o título Futebol: violência ritualizada e religião profana, aqui.

Lanho


Na cidade da Beira são muitos os vendedores de lanho, transportado em tchovas. Uma catana, um golpe no jovem coco e logo tendes a deliciosa água e a tenra parte fibrosa. Foto tirada e gentilmente enviada pelo Arune Vali, jornalista da Rádio Moçambique.

Maputo: AMOR pede o nosso contributo



A Associação Moçambicana de Reciclagem (AMOR) pede o apoio dos citadinos de Maputo, aqui. Clique sobre as imagens com o lado esquerdo do rato para as ampliar.

22 junho 2010

Vuvuzela (1)

Ela aí está, firme, colectiva, barulhenta, no extraordinário espectáculo motriz que é o mundial de futebol na África do Sul, a vuvuzela. Mas o que é a vuvuzela, para além de ser o que se quer que ela seja e parece ser?
Aguarde a continuidade desta nova série.
(continua)

Postagens na forja

Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Associação Moçambicana de Reciclagem; diversos

* Séries: EUA/MBS: o prisma dos comentários (8); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (5); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (8); Santos de casa não fazem milagres? (11); Já nos descolonizámos? (9); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (9); Moçambique dentro de 30 anos (série) (5) (recordar aqui e aqui)

Edição de hoje

Aqui

Tema de postagem a entrar proximamente

Se os tubarões fossem homens

De Bertolt Brecht: "Se os tubarões fossem homens também haveria arte entre eles, naturalmente. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores magníficas, e as suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos a nadarem com entusiasmo rumo às gargantas dos tubarões. E a música seria tão bela que, sob os seus acordes, todos os peixinhos, como orquestra afinada, a sonhar, embalados nos pensamentos mais sublimes, precipitar-se-iam nas goelas dos tubarões." Aqui.

Farai Maguwu continua detido

O activista dos direitos humanos Farai Maguwu (na imagem) continua detido no Zimbabwe, depois de ter denunciado alegados abusos no sector diamantífero de Marange. Confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. translation services