11 fevereiro 2009

Leiam Azagaia

O nosso rapper Azagaia - Edson da Luz de seu nome - escreveu uma coisa para a qual chamo a vossa atenção. E amanhã ele terá disponível a nova canção com o título Corre e avisa. Confiram aqui.

Nacala: se Chale não ganha investimentos podem não surgir...

Se Ossufo Chale não vencer os investimentos poderão não entrar - afirmou Aiuba Cuerreneia, ministro do Planeamento e Desenvolvimento no decorrer do lançamento de dois projectos governamentais em Nacala. Confira aqui.
Observação: aqui está uma posição que dá bem para pensar e debater.

Homens agredidos por mulheres

Segundo o "O País": "Dados estatísticos referentes ao ano de 2008, apontam que cerca de 14 281 casos de violência doméstica deram entrada nas esquadras da polícia, dos quais 9.224 tinham como vítimas mulheres, 2.721 crianças e cerca de 2.436 homens. A maior incidência recai sobre as agressões físicas, com um total de 4 176 casos, dos quais 636 foram homens que procuraram auxílio da polícia. Contudo, a proposta de lei contra a violência doméstica elaborada pelo Fórum Mulher – Coordenação para a Mulher no Desenvolvimento, em nenhum momento se refere à defesa do homem sobre aspectos ligados à violência doméstica, sendo que apenas faz refência aos actos contra a mulher e crianças. Importa reconhecer que a maioria das vítimas da violência doméstica no seio da sociedade moçambicana são as mulheres."

Ionge: populares acusam autoridades de prender a chuva no céu (6)

Mais um pouco desta série.

Escrevi no número anterior o seguinte : "Estamos perante crenças com morfologias diferentes, sem dúvida. E crenças que parecem não fazer sentido sob o prima das mentes severamente cartesianas. Porém, pode acontecer que exista uma mesma lógica à sua retaguarda, um mesmo fim condutor. E pode acontecer que as crenças façam sentido para quem as tem."
Onde pode ser encontrado esse fio condutor para fenómenos de crença com morfologias diferentes como o chupa-sangue, o comando mágico de leões, a cólera assassina ou a prisão deliberada da chuva no céu?
Creio que o "Notícias" de há dias tem a resposta, ao reportar a intranquilidade social surgida na Zambézia com a crença de que o Estado prendeu a chuva no céu, intranquilidade saldada em "três mortos, doze feridos, vinte e cinco casas queimadas, cento e três pessoas desalojadas, infra-estruturas sabotadas e doze cidadãos detidos."
Então, o fio condutor radica na crença de uma privação e expressa de forma inequívoca a percepção de que a riqueza se obtém à custa dos pobres.
(continua)

10 fevereiro 2009

Zimbabwe: só falta o rand

Chegado ao hotel aqui em São Paulo e entrado no The Herald do Zimbabwe, fiquei a saber que o Zimbabwe poderá adoptar o rand, moeda sul-africana, como sua moeda corrente. Se isso acontecer e independentemente dos méritos monetários da eventual adopção, teremos mais uma machadada na independência do Zimbabwe e a sua inevitável situação de satélite da economia sul-africana. Pena eu não estar agora em Maputo para entrevistar um economista.

De novo em São Paulo

Olá! Bem, depois do frio e do chuvoso de Braga, eis-me, uma vez mais, em São Paulo, 25 graus, clima ameno. São Paulo: uma vida intensa na palma dos sentidos.

08 fevereiro 2009

"My Pikkin" mata 84 crianças na Nigéria

Não há muito tempo foi o escândalo com o leite contaminado com melamina na China. Agora é a vez de um xarope dentário de fabrico local na Nigéria que já matou 84 crianças. O xarope chama-se My Pikkin. Confira aqui em francês. Se nao sabe francês, use o tradutor situado no lado direito desta diário. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência.

Para Lisboa e para São Paulo

Parto hoje para Lisboa e amanhã para São Paulo. Desta bela cidade de Braga guardo muitas recordações, entre as quais o seu povo, a história de que está carregada, o X Congresso luso-afro-brasileiro, um jantar ontem com antigos estudantes meus de 1974/1975 no ex-liceu Pero de Anaia da Beira (actual Escola Secundária Samora Machel) e esta albergaria da qual sairei dentro de duas horas. Albergaria Bracara Augusta: um casamento belo, sóbrio e dialéctico entre a história modernizada e a modernidade historicizada, empregados elegantes e eficientes, um serviço de refeições exemplar. Nada nessa albergaria está a mais ou a menos, tem a traça suave do necessário, do ático e do encanto. Mesmo ao lado, num pedaço lindo de arquitectura barroca do século XVIII, há uma cafeteria-museu e uma livraria excelente.
Mais logo volto ao diário.

07 fevereiro 2009

Rosa, Simango e Comiche

Do "O País": "Recordar que Rosa da Silva foi um dos rostos mais visíveis que apoiou a candidatura de David Simango, nas eleições internas do partido, em oposição à continuidade de Eneas Comiche.
Adenda: recorde aqui posições de Eneas Comiche.

Massukos


Vamos minha gente, vamos para o Niassa com os nossos Massukos!

Brenda Fassie


Brenda, falecida em 2004, tantas vezes aqui postada, tantas vezes por mim recordada. Prestem atenção, verão Nelson Mandela e Graça Machel...

Rebecca Malope


Vamos lá sentir a vida com a sul-africana Rebecca...

Intranquilidade e linchamentos na Zambézia: "ricos" acusados de prender a chuva no céu

Segundo o "Notícias" de hoje: "Três mortos, doze feridos, vinte e cinco casas queimadas, cento e três pessoas desalojadas, infra-estruturas sabotadas e doze cidadãos detidos constitui o balanço preliminar da onda de linchamento e escaramuças que se registam desde há duas semanas em diferentes regiões da província da Zambézia resultantes de acusações de “prisão” da queda de chuvas. As principais vítimas desses linchamentos são negociantes, jovens empreendedores e proprietários das salinas ou outros cidadãos que gozam de uma estabilidade social nas comunidades onde residem, acusados de “amarrarem a chuva” para prejudicar os pobres."
Nota: aqui está um tema que tenho desenvolvido em livros e postagens. Logo que puder, prosseguirei a série com o título Ionge: populares acusam autoridades de prender a chuva no céu.

06 fevereiro 2009

Pesca no colapso segundo "Savana"

No "Savana" desta semana: "A indústria nacional de pesca atingiu o colapso, naquilo que pode representar a reedição da “tragédia” do sector do caju. As razões fundamentais são três: o camarão da aquacultura “inundou” o mercado mundial, alta de preços mundiais dos combustíveis e a “relutância” do Estado na concessão de “almofadas” para amortecer o caos que remete ao desespero total, mais de um milhão de pessoas que vivem, de forma indirecta, da pesca e de forma directa 140 mil pescadores."

A "hora do fecho" no "Savana"

Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual vos dou, desde já, dois aperitivos:

Abraço!

Estou a usar a rede da Universidade do Minho por algum tempo para libertar os comentários feitos por leitores do diário. Vou agora para um debate. Tentarei voltar mais tarde. Abraço!

Hoje: linchamentos em debate


Hoje, a partir das 16:30, numa das salas da Universidade do Minho em Braga e no contexto do X Congresso Luso-Afro-Brasileiro, José de Souza Martins, Jacqueline Sinhoretto, Sérgio Adorno (todos do Brasil), Paulo Granjo (Portugal) e eu (Moçambique) debateremos os linchamentos no Brasil e en África.

Cólera da cólera

Conselho: o Estado deverá ser muito prudente a lidar com esta questão. Entretanto, recorde aqui.

Reforma curricular na UEM: "Notícias" toma posição

O Editorial do "Notícias" de hoje é dedicado à reforma curricular na Universidade Eduardo Mondlane e à polémica que está a gerar. O jornal tomou posição: "Publicamente, muito pouco se sabe sobre o processo da reforma curricular. Não se sabe o suficiente para se formular um juízo de valor sobre o assunto. Sabe-se, mais ou menos, que a Universidade Eduardo Mondlane vai introduzir um novo currículo, que fica homogéneo com o da região da SADC e o Processo de Bolonha. Na base desse currículo, os estudantes são graduados em dois anos e tornam-se mestres dois anos depois. O reitor da UEM diz que isso é bom para o país e para os estudantes, mas em momento algum nos é dado a saber por que é que isso é bom para o país e para os estudantes. Não nos dizem se isso resulta, sobretudo, de uma conclusão estrutural sobre o modelo do Ensino Superior que, como país, queremos, ou é produto do seguidismo global, independente do contexto."
Adenda às 23:27: leia um trabalho alusivo no "Savana" desta semana, aqui.

05 fevereiro 2009

Caderno de notas de Braga (1)

1. Felizmente há uma pausa nesta chuva chuvadeira que não me deixa saborear em paz esta bela cidade que se chama Braga. Toca o sino da velha e bela igreja, a história atraca a esta gente moderna e apressada que vejo passar.
2. Conheço muito mal Portugal. Mas uma viagem de carro Lisboa/Braga levou-me a conhecer terras e sabores. E penso então nas minhas três identidades, para dizer as coisas com o tempero do escritor congolês Henri Lopès*: primeiro sou eu, a minha identidade psicológica, fisicamente destacável; depois sou moçambicano, nasci num país - Moçambique - onde já tinham nascido minha mãe e minha avó materna; em terceiro lugar sou cidadão do mundo, sou usuário de várias pátrias, sei, por dados que obtive, que me corre sangue árabe e judeu, mas sou ainda francês, russo, português, tanzaniano, sou todos. Por isso sou culturalmente mestiço. Por isso sou as três identidades ao mesmo tempo.
2. Com alguma frequência deixo de assistir às sessões do congresso luso-afro-brasileiro para procurar ver as coisas de fora, olhar a gestualidade de quem fala, de quem enuncia um saber, mirar a silenciosa e atenta assistência. Dou então por mim a converter todos aqueles muitos espaços (salas e anfiteatros) em territórios sagrados, em espaços de oficiantes. Lá fora, nos muitos lá foras do mundo, estão os profanos. E lá me pergunto: para que servem as ciências sociais? Que transformações reais introduziram em séculos de regência e oratória?
*Lopès, Henri, Mes trois identités, in Kandé, Sylvie, Discours sur le métissage, identités métisses, En quête d´Ariel. Paris: L´Harmattan, 1999, p. 138.

Viajar na vida, vidar na viagem

Continue a seguir o blogue Viajar na vida, vidar na viagem. Viaje connosco.

Gestão da cidade

Como cidadão, sofro com a desolação causada pelas chuvas na cidade de Maputo. Como cidadão, tendo a considerar isso como um fadário natural, tendo a naturalizar chuva e consequências.
Como pesquisador, procuro desnaturalizar o quadro e interrogar-me sobre por que são frágeis as estruturas urbanas e péri-urbanas de defesa, por que aluem coisas, por que caem coisas, por que abrem fendas as coisas, por que ficam as casas alagadas, por que ficam as ruas intransitáveis, por que tido isso tão rapida e facilmente.
Porque, afinal, não foi um rio que transbordou e galgou as margens.
O fundamental não é a chuva. O fundamental é a gestão da cidade.

Recordando o 5 de Fevereiro de 2008


Faz hoje um ano que, manhã cedo, neste diário surgiu uma postagem com o título "Revolta popular em Maputo", sucessivamente actualizada. O diário foi quase a única fonte de referência e análise do fenómeno em Moçambique. Sobre ele existem, aqui, dezenas de postagens.

Chuvando sempre

Chuvando sempre (isso, chuvando e não chovendo), não há sol, 8 graus, vou pequeno-almoçar e depois autocarrar em direcção à Universidade do do Minho.
Pedido: alguém me pode dizer algo sobre a chuva em Maputo? Obrigado.

04 fevereiro 2009

Esta chuva que nos chuva

Bela cidade é esta, Braga. Mas chata é a chuva que por aqui reina faz vários dias. Décimo Congresso Luso-Afro-Brasileiro, hoje, mesa com o tema "Política, Conflitos e Violência", anfiteatro lotado, Manuel Villaverde Cabral de Portugal, Roberto Kant de Lima do Brasil e eu de Moçambique. Fiquei feliz em ver presente o nosso embaixador em Portugal, Miguel Mkaima. Bebemos um café, ele falou-me do mestrado que faz, ambos recordámos o nosso país. Novas redes de amigos criadas, novas possibilidade de intervenções em outros fóruns, pontes para o mundo. Encontrei duas compatriotas que estão em Portugal há muitos anos e que se doutoram, uma delas foi minha aluna em 1974. Acabo de chegar ao hotel, esta chuva chuva-nos sem parar. Descanso agora um pouco, preparo intervenções em mais duas mesas para as próximas sessões. O hotel é belo, tudo é acolhedor, amo Braga. Pena não poder ir a um curandeiro de Homoíne com uma galinha para ele parar esta chuva. Abraço-vos.
Nota: finalmente consegui abrir o email. Ufffff! Perdoem-me!

Luso-Afro-Brasileiro começa hoje


Começa hoje em Braga (8 graus, chove sem parar) o X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane estamos aqui dois, a Teresa Cruz e Silva e eu. Manter-vos-ei informados. Abraço.
Nota: continuo sem acesso aoi meu email (o zebra da UEM) e por isso não posso editar os comentários que eventualmente tenham sido feitos ou responder a quem me tenha escrito. Deve ser xicuembo...Perdoem-me.

03 fevereiro 2009

Olá!

Olá! Só agora me sinto instalado, aqui em Portugal, num hotel. Não consigo ter acesso ao serviço de emails da Universidade Eduardo Mondlane e por isso não posso editar os comentários que eventualmente terão sido feitos aqui. Por outro lado, tenho ainda de preparar uma coisa para um congresso que amanhã começa. Deixem-me tentar retomar o diálogo amanhã, pode ser? Teria gostado de escrever sobre o recurso aos curandeiros lá em Nacala, a propósito da segunda volta para as as eleições autárquicas. Talvez amanhã o faça. Abraço, vou descansar um pouco.

Perdoem-me...

Só agora vos posso escrever. Explico por quê: primeiro, porque desde anteontem à tarde que não consegui editar nenhuma postagem no meu computador; segundo, porque no local onde estou neste momento em Lisboa não consigo rede para o meu laptop e por isso decidir fazer uso do computador de um amigo para vos deixar esta curta mensagem. Só amanhã conto ter a situação regularizada...

01 fevereiro 2009

"Descrever" Madagáscar...

Há graves problemas políticos em Madagáscar - aqui perto de nós, ao largo da nossa costa -, como já reportei neste diário. Mas eis como o jornalista Barry Bearak, do New York Times, situa exoticamente o problema: "(...) esta exótica ilha, terra de 300 espécies de rãs, de 75 espécies de camaleões e de 36 espécies de lémures, tem também duas espécies de políticos lutando por dirigir o país." Confira o texto completo aqui.

Sérgio Vieira e o Zimbabwe

Da habitual crónica aos domingos no semanário "Domingo" de Sérgio Vieira: "(...) dum país em que duas forças se afrontam, uma delas indiscutivelmente com a maioria do voto, o MDC e outra que recusa tirar todas as consequências da sua derrota eleitoral nas legislativas. Provavelmente, Morgan Tsvangirai cometeu um erro ao retirar-se da eleição presidencial, por considerar que as suas detenções e espancamentos, assim como de colegas, inviabilizaram o processo, que se queria livre, justo e sem intimidações. A retirada agravou o impasse porque, face ao vazio de poder, o Presidente Mugabe fez-se eleger." - Vieira considera que apenas a persuasão externa (e não a força ou a ameaça militar) pode ajudar a resolver as dificuldades do Zimbabwe (p. 5).
Observação: o ano passado escrevi aqui o seguinte: "Creio que Sérgio tem sido o único homem da Frelimo a criticar, publicamente, quer a violência do regime de Mugabe no Zimbabwe quer a farsa da segunda volta da eleição presidencial de 27 de Junho." Recorde a sua posição a 20 de Julho de 2008, depois de Edson Macuácua ter surgido a dizer que "Na primeira oportunidade congratulámos a ZANU-FP [pela vitória de Robert Mugabe na segunda volta das eleições presidenciais zimbabuenas]".