Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
11 fevereiro 2009
Leiam Azagaia
Nacala: se Chale não ganha investimentos podem não surgir...

Observação: aqui está uma posição que dá bem para pensar e debater.
Homens agredidos por mulheres

Ionge: populares acusam autoridades de prender a chuva no céu (6)

Escrevi no número anterior o seguinte : "Estamos perante crenças com morfologias diferentes, sem dúvida. E crenças que parecem não fazer sentido sob o prima das mentes severamente cartesianas. Porém, pode acontecer que exista uma mesma lógica à sua retaguarda, um mesmo fim condutor. E pode acontecer que as crenças façam sentido para quem as tem."
Onde pode ser encontrado esse fio condutor para fenómenos de crença com morfologias diferentes como o chupa-sangue, o comando mágico de leões, a cólera assassina ou a prisão deliberada da chuva no céu?
Creio que o "Notícias" de há dias tem a resposta, ao reportar a intranquilidade social surgida na Zambézia com a crença de que o Estado prendeu a chuva no céu, intranquilidade saldada em "três mortos, doze feridos, vinte e cinco casas queimadas, cento e três pessoas desalojadas, infra-estruturas sabotadas e doze cidadãos detidos."
Eis a resposta do jornal: "As principais vítimas desses linchamentos são negociantes, jovens empreendedores e proprietários das salinas ou outros cidadãos que gozam de uma estabilidade social nas comunidades onde residem, acusados de “amarrarem a chuva” para prejudicar os pobres."
Então, o fio condutor radica na crença de uma privação e expressa de forma inequívoca a percepção de que a riqueza se obtém à custa dos pobres.
(continua)
10 fevereiro 2009
Zimbabwe: só falta o rand

08 fevereiro 2009
"My Pikkin" mata 84 crianças na Nigéria

Para Lisboa e para São Paulo

Mais logo volto ao diário.
07 fevereiro 2009
Rosa, Simango e Comiche

Adenda: recorde aqui posições de Eneas Comiche.
Brenda Fassie
Brenda, falecida em 2004, tantas vezes aqui postada, tantas vezes por mim recordada. Prestem atenção, verão Nelson Mandela e Graça Machel...
Intranquilidade e linchamentos na Zambézia: "ricos" acusados de prender a chuva no céu

Nota: aqui está um tema que tenho desenvolvido em livros e postagens. Logo que puder, prosseguirei a série com o título Ionge: populares acusam autoridades de prender a chuva no céu.
06 fevereiro 2009
Pesca no colapso segundo "Savana"

A "hora do fecho" no "Savana"

Hoje: linchamentos em debate
Cólera da cólera

Conselho: o Estado deverá ser muito prudente a lidar com esta questão. Entretanto, recorde aqui.
Reforma curricular na UEM: "Notícias" toma posição

Adenda às 23:27: leia um trabalho alusivo no "Savana" desta semana, aqui.
05 fevereiro 2009
Caderno de notas de Braga (1)

2. Conheço muito mal Portugal. Mas uma viagem de carro Lisboa/Braga levou-me a conhecer terras e sabores. E penso então nas minhas três identidades, para dizer as coisas com o tempero do escritor congolês Henri Lopès*: primeiro sou eu, a minha identidade psicológica, fisicamente destacável; depois sou moçambicano, nasci num país - Moçambique - onde já tinham nascido minha mãe e minha avó materna; em terceiro lugar sou cidadão do mundo, sou usuário de várias pátrias, sei, por dados que obtive, que me corre sangue árabe e judeu, mas sou ainda francês, russo, português, tanzaniano, sou todos. Por isso sou culturalmente mestiço. Por isso sou as três identidades ao mesmo tempo.
2. Com alguma frequência deixo de assistir às sessões do congresso luso-afro-brasileiro para procurar ver as coisas de fora, olhar a gestualidade de quem fala, de quem enuncia um saber, mirar a silenciosa e atenta assistência. Dou então por mim a converter todos aqueles muitos espaços (salas e anfiteatros) em territórios sagrados, em espaços de oficiantes. Lá fora, nos muitos lá foras do mundo, estão os profanos. E lá me pergunto: para que servem as ciências sociais? Que transformações reais introduziram em séculos de regência e oratória?
*Lopès, Henri, Mes trois identités, in Kandé, Sylvie, Discours sur le métissage, identités métisses, En quête d´Ariel. Paris: L´Harmattan, 1999, p. 138.
Viajar na vida, vidar na viagem

Gestão da cidade

Como pesquisador, procuro desnaturalizar o quadro e interrogar-me sobre por que são frágeis as estruturas urbanas e péri-urbanas de defesa, por que aluem coisas, por que caem coisas, por que abrem fendas as coisas, por que ficam as casas alagadas, por que ficam as ruas intransitáveis, por que tido isso tão rapida e facilmente.
Porque, afinal, não foi um rio que transbordou e galgou as margens.
O fundamental não é a chuva. O fundamental é a gestão da cidade.
Recordando o 5 de Fevereiro de 2008
Faz hoje um ano que, manhã cedo, neste diário surgiu uma postagem com o título "Revolta popular em Maputo", sucessivamente actualizada. O diário foi quase a única fonte de referência e análise do fenómeno em Moçambique. Sobre ele existem, aqui, dezenas de postagens.
Chuvando sempre
04 fevereiro 2009
Esta chuva que nos chuva

Nota: finalmente consegui abrir o email. Ufffff! Perdoem-me!
Luso-Afro-Brasileiro começa hoje
Começa hoje em Braga (8 graus, chove sem parar) o X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane estamos aqui dois, a Teresa Cruz e Silva e eu. Manter-vos-ei informados. Abraço.
Nota: continuo sem acesso aoi meu email (o zebra da UEM) e por isso não posso editar os comentários que eventualmente tenham sido feitos ou responder a quem me tenha escrito. Deve ser xicuembo...Perdoem-me.
03 fevereiro 2009
Olá!

Perdoem-me...
Só agora vos posso escrever. Explico por quê: primeiro, porque desde anteontem à tarde que não consegui editar nenhuma postagem no meu computador; segundo, porque no local onde estou neste momento em Lisboa não consigo rede para o meu laptop e por isso decidir fazer uso do computador de um amigo para vos deixar esta curta mensagem. Só amanhã conto ter a situação regularizada...
01 fevereiro 2009
"Descrever" Madagáscar...

Sérgio Vieira e o Zimbabwe

Observação: o ano passado escrevi aqui o seguinte: "Creio que Sérgio tem sido o único homem da Frelimo a criticar, publicamente, quer a violência do regime de Mugabe no Zimbabwe quer a farsa da segunda volta da eleição presidencial de 27 de Junho." Recorde a sua posição a 20 de Julho de 2008, depois de Edson Macuácua ter surgido a dizer que "Na primeira oportunidade congratulámos a ZANU-FP [pela vitória de Robert Mugabe na segunda volta das eleições presidenciais zimbabuenas]".
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