O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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31 outubro 2015

De novo da cólera nosológica à cólera social

Se todos os anos surge a cólera nosológica, em quase todos os anos surge, também, a cólera social. [texto da imagem em epígrafe extraído do "Diário de Moçambique" digital de 27/10/2015; amplie-o clicando sobre ele com o lado esquerdo do rato]

Moçambique pede ajuda de emergência ao FMI

Segundo o BloombergBusiness, Moçambique solicitou ao Fundo Monetário Internacional uma ajuda de emergência de 286 milhões de dólares para facer face às consequências da perda de valor do metical em quase um terço. Aqui.
Adenda às 6:01: o FMI reviu em baixa o crescimento do país, aqui.
Adenda 2 às 6:04: a posição do Presidente da República, Eng.º Filipe Nyusi, em duas versões, aqui e aqui.
Adenda 3 às 6:25: leia o boletim económico do Standard Bank de Setembro, aqui.
Adenda 4 às 6:47: sobre a dívida pública moçambicana, confira aqui.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1138, de 30/10/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

30 outubro 2015

Atenção aos boatos

Vivemos em Moçambique um período de muita ansiedade e podemos vir a ter alguma turbulência social. Tomem atenção às fontes, a certos jornais, a certas páginas das redes sociais digitais, a certos blogues, ao diz-que-diz, aos boatos intencionalmente provocados. O que é um boato? Eis uma definição: "Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6) Fungulamaso, iué! [=Abre o olho, fica atento]

Amanhã neste diário

O que é intolerância religiosa?

Entreguei hoje à editora, às 08 horas locais, o 18.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais", da "Escolar Editora", intitulado "O que é intolerância religiosa?", com autoria de Fátima Viegas de Angola, Patrícia Jerónimo de Portugal e, do Brasil, Antonio Ozaí da Silva e Danny Zahreddine.

Xenofobia e shangaanfobia: história e estereótipos na África do Sul e em Moçambique [30]

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. " [Bertolt Brecht]
Trigésimo número da série. Entro no oitavo e último ponto do sumário proposto aqui, a saber: 8. O imperativo regional de um Estado social. A começar, algumas generalidades. O Estado social, eixo da social-democracia, foi uma resposta do Capital e das burguesias governantes às lutas dos trabalhadores. Aceitando implicitamente que a pobreza era um estado social e não natural, essa resposta assentou numa redistribuição social moderada, assente em três eixos: renda mínima, providências para a doença e a velhice e serviços sociais básicos permanentes. Esse conjunto de medidas visava assegurar a reprodução do modo capitalista de produção, reduzindo o questionamento e o conflito sociais.
Sugestão: leia um trabalho de Xolela Mangcu, no Rand Daily Mailaqui e uma intervenção de Graça Machel, aqui.

Fungulamaso com o salto do dólar!

De um texto no "O Globo": "O banco central dos EUA manteve os juros entre zero e 0,25% ao ano na reunião desta quarta-feira. Mas disse, em comunicado, que considera elevar a taxa no encontro de dezembro [...]. O mercado deu uma amostra do que vai acontecer quando os juros de fato subirem. Investidores vão tirar recursos de países emergentes e realocar nos EUA. Quem estiver com a economia desarrumada sofrerá mais." Aqui.
_____________
Nota: fungulamaso=está atento=abre o olho. Agradeço ao RC o envio da referência da notícia.
Adenda às 06:45: leia o que o Presidente da República disse ontem, aqui.

29 outubro 2015

Em queda liberdade de acesso à internet

A liberdade de acesso à internet no mundo caiu pelo quinto ano consecutivo - um relatório da Freedom House a conferir aqui.

Ponto de situação da coleção "Cadernos de Ciências Sociais"

1. Já estão formadas as equipas que vão trabalhar nos temas "O que é democracia?" e "O que é verdade?". Colegas do primeiro tema, todos do Brasil: Danielle Braz, Luis Felipe Miguel, Leonardo Paz e Sergio Lessa. Colegas do segundo tema: Alberto Ferreira de Moçambique e, do Brasil, Etinete Nascimento, Marcelo Donizete da Silva e Samira Moratti.
2. Recordo-vos a equipa do tema "O que é colonialismo?": Rosa Perez e Miguel Pombo de Portugal e Heloisa Gomes e Jorge Márcio de Andrade do Brasil.
3. Entreguei na semana passada à editora as correções finais dos números intitulados "O que é sociologia?" (autoria de Paulo de Carvalho de Angola, Vicente Paulino de Timor-Leste e Ricardo Arruda do Brasil) e "Qual o papel da imagem na história?" (autoria de João Spacca do Brasil, Rui Assubuji de Moçambique, Osvaldo Macedo de Sousa de Portugal e Lailson de Holanda Cavalcanti do Brasil).
4. Entrego amanhã, dia 30, à editora, às 08 horas locais, o 18º. número da coleção intitulado "O que é intolerância religiosa?", com autoria de Fátima Viegas de Angola, Patrícia Jerónimo de Portugal e, do Brasil, Antonio Ozaí da Silva e Danny Zahreddine.

Índice Global da Fome 2015

Confira o Índice Global da Fome 2015 com três textos a baixar aqui.

Atomização psicológica

O problema central na atomização psicológica consiste em analisar os problemas dos indivíduos em si e não os problemas sociais que geram determinados tipos de indivíduos. 

Gradear em Maputo

"Gradear significa desconfiar e proteger. Maputo contém elevadas doses de desigualdades sociais e quando mais bem-estar se possui mais a concepção “gradeal” é forte. Moradias e condomínios – enclaves fortificados em grande desenvolvimento - estão cada vez mais protegidas por muros altos, cercas electrificadas, portões especiais de acesso, segurança electrónica, interfonia, guarda privada, etc." Aqui.

Tiroteio ontem na Morrumbala segundo o DZ

Segundo o "Diário da Zambézia" digital, ontem houve tiroteio na Localidade de Sabe, Distrito de Morrumbala, Província da Zambézia, confira aqui.
Adenda às 07:08: como podereis verificar a pouco e pouco, o que se terá passado em Morrumbala dará campo para, em certos jornais, em certos blogues do copia-cola-mexerica e em certas páginas das redes sociais, surgirem versões cheias de desmesura e dramatismo, de bons e de maus, de puros e de impuros, de santos e de vilões.

28 outubro 2015

Samorismo

"Mais do que uma pessoa, Samora foi um processo colectivo; mais do que ele, foi a história conflitual de uma parte do país; mais do que fracasso ou vitória, o samorismo foi e continua a ser uma maneira de problematizar um futuro diferente." Aqui.

Pergunta

Suponhamos que na Ilha Incógnita habitam um mercador de escravos e um escravo. A pergunta: possuem ambos a mesma concepção de história? Aqui.

27 outubro 2015

Texto integral

Inicialmente divulgado como série neste diário em 28 números [aqui], o texto integral em epígrafe foi publicado pelo semanário "Savana" nas centrais da edição de 23/10/2015 [aqui]. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Duas posições

Quando analisamos um fenómeno, duas posições coabitam em nós: uma, consiste em analisá-lo clinicamente sem juízos de valor, estabelecendo um  juízo de facto; outra, consiste em situá-lo num juízo de valor, favorável ou desfavorável. Dizer algo como "Esta faca está afiada" não é a mesma coisa que dizer "Esta faca é bonita".

Desmond Tutu, o homem que faz rir Deus

Com o título em epígrafe, um texto de Xavier Aldekoa a conferir em espanhol aqui.

26 outubro 2015

Mulheres de Mavissanga: 70 quilómetros para ter água

De um texto de André Catueira, da agência "Lusa", com a foto em epígrafe: "A maioria das mulheres de Mavissanga, província de Manica, centro de Moçambique, precisa de pedalar até 70 quilómetros, ida e volta, para encontrar água potável, uma viagem que demora em média nove horas e que tem custado vários divórcios." Aqui.

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [28]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Vigésimo oitavo número da série. Sempre com hipóteses, prossigo o sétimo e último ponto sugerido no sumário aqui, a saber: 6. Modo de produção e de reprodução do social. Aí, finalmente, em toda a sua complexidade, habita a luta entre concepções de dominação e de direcção política. Nesse sentido, vale certamente a pena recordar Eduardo Mondlane, em toda a sua permanente modernidade.
Na verdade, foi ele quem, melhor do que ninguém, enunciou no país os termos da troca política, da justiça social e, afinal, da democracia real: os cidadãos só participam num projecto político se o Estado for um parceiro redistribuidor. É por essa via que se adquire legitimidade, é por aí que verdadeiramente toma corpo a direcção política. Na verdade, a Frelimo enfrentou nos anos 64/66, os dois primeiros da luta armada, o seguinte problema, narrado por Mondlane:
O vazio deixado pela destruição da situação colonial pôs um problema prático que nunca tinha sido considerado pelos chefes: o desaparecimento duma série de serviços inerentes à dominação portuguesa, especialmente serviços comerciais, enquanto o povo continuava a existir e a necessitar deles. A incapacidade da administração colonial deixava também muitas necessidades insatisfeitas, que continuavam a ser fortemente sentidas pelas populações. Assim, desde as primeiras vitórias de guerra, recaíam sobre a FRELIMO muitas e variadas responsabilidades administrativas. Uma população de 800 000 habitantes tinha de ser servida. Primeiro e acima de tudo, havia que satisfazer as suas necessidades materiais, assegurar abastecimentos alimentares, e outros artigos, como vestuário, sabão e fósforos; serviços de saúde e educação, sistemas administrativos e judiciais. [Durante algum tempo, o problema foi agudo. Não estávamos preparados para o trabalho que tínhamos pela frente, e faltava-nos experiência na maioria dos campos em que necessitávamos dela. Nalgumas áreas, as carências eram muito sérias; e onde os camponeses não compreendiam as razões, retiravam o seu apoio à luta e, nalguns casos, partiam mesmo definitivamente.” [Mondlane, Eduardo, Lutar por Moçambique. Lisboa: Sá da Costa, 1977, 3a ed., p.185]

No "Savana" 1137 de 23/10/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

25 outubro 2015

Proposta de orçamento 2016

Proposta de orçamento para 2016 analisada por dois investigadores neste boletim aqui.

Negócios em Moçambique

Cabeçalhos das seis mais recentes notícias do mundo de negócios em Moçambique a conferir aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Chupa-sangue em Nampula [11]

Décimo primeiro número da série. Ora, o chupa-sanguismo mais não foi nem é, em meu entender, do que uma reactualização politizada da crença atrás exposta. Os funcionários governamentais, os forasteiros, etc., eram vistos como akwiri que extraíam, directa ou indirectamente, o bem-estar das comunidades. O sangue (= vida) é a tradução desse bem-estar: a sua punção (= a rarefacção dos bens de consu­mo), é a tradução do mal-estar. A única diferença nesta reac­tualização é que, permitam-me a expressão, o potencial linchatório não é regra geral descarregado sobre aqueles que são consi­derados como os verdadeiros responsáveis da espoliação. Ele é como que desviado para os focos habituais e locais de okwiri (mulheres idosas, forasteiros, etc.).
[História e anatomia da crença no chupa-sangue com base num texto divulgado em 1997 no meu livro Combates pela mentalidade sociológica. Maputo: Universidade Eduardo Mondlane, Livraria Universitária, pp. 68-71.]

Lá no Niassa


Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Sobre a televisão

Um livro do falecido sociólogo francês Pierre Bourdieu, a conferir aqui.

24 outubro 2015

Chupa-sangue em Nampula [10]

Décimo número da série. De um ângulo singularmente mar­xia­no e actual, o padre Brentari, já falecido, escreveu o seguinte a propósito do meio propiciador da olowa (acção, endemoninhação ) do mukwiri:
«Para quem vive nas povoações é fácil descobrir a gran­de criação do mal: fome, sede, falta total de possi­bili­dades e meios para o desenvolvimento humano e social; doenças, medos, vinganças, desuniões, opressões em toda a escala da criação: campo, animais, famílias...»
[História e anatomia da crença no chupa-sangue com base num texto divulgado em 1997 no meu livro Combates pela mentalidade sociológica. Maputo: Universidade Eduardo Mondlane, Livraria Universitária, pp. 68-71.]
Adenda: no semanário "Savana" com data de ontem [amplie a imagem abaixo clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]:

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [27]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Vigésimo sétimo número da série. Sempre com hipóteses, prossigo o sétimo e último ponto sugerido no sumário aqui, a saber: 6. Modo de produção e de reprodução do social. Aí residem, nessa polaridade, nessa antinomia, os grandes desafios da Frelimo e do Eng.º Nyusi num triplo movimento: o peso social do passado, as múltiplas aspirações populares a uma vida decente e o desenho ansioso do futuro.
Aí habita o risco das acções-aspirina. Nas palavras de Paulo Freire, são aquelas acções “cujo pressuposto fundamental é a ilusão de que é possível transformar o coração dos homens e das mulheres deixando intactas as estruturas sociais dentro das quais o coração não pode ter "saúde".

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1137, de 23/10/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

23 outubro 2015

Amanhã neste diário

Chupa-sangue em Nampula [9]

Nono número da série. Mas para compreender os que na Zambézia, por exemplo, acreditavam (e certamente ainda acreditam) no chupa-sangue, é fundamental situar a crença nas representações colectivas populares.
Na verdade, quando surge uma crise social faz-se fé em que ela é provocada por aqueles que se distinguem do comum das pessoas, pelos ricos ou pelos forasteiros, por todos aqueles que, de alguma maneira, expressam a diferença, a inovação ou o desacordo. Estas são as categorias de pessoas potencial­mente portadoras de okwiri, cada uma delas é suposta ser um mukwiri (na terminologia cristã, ±= demónio ou seu portador), cada uma delas é suposta ser capaz de utilizar ratos, jibóias e outros animais para, à noite, por exemplo, roubar os celeiros dos outros.
[História e anatomia da crença no chupa-sangue com base num texto divulgado em 1997 no meu livro Combates pela mentalidade sociológica. Maputo: Universidade Eduardo Mondlane, Livraria Universitária, pp. 68-71.]
Adenda: no "Wamphula Fax" [editado em Nampula] de hoje [amplie as imagens abaixo clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato]: