O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2018 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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26 abril 2015

Eles e nós: construção social do Outro num bairro da cidade de Maputo (8)

Oitavo e penúltimo número da série.
Moçambicanos
E.: "(...) existem muitos estrangeiros, por exemplo temos aqui Burundeses, Somalianos, Zimbabweanos, Sul-Africanos, etc., todos negociantes. Eles para além de desenvolverem o negócio normal, também desenvolvem negócio sujo, são traficantes de drogas. Eu não posso apresentar uma prova palpável, mas toda a gente sabe que trazem drogas no nosso país; não são todos, mas alguns. (...) Eles não empregam Moçambicanos e trabalham entre eles, Moçambicanos servem como carregadores de sacos. (...) como é que eles conseguiram dinheiro que investiram no negócio se são refugiados? (...) Burundeses são grandes feiticeiros em negócios e até utilizam gatos nos balcões deles de venda."
Entrevistador: Tá bom, agora que nomes ou expressões eles usam quando se referem aos Moçambicanos?
Resposta de E.: Eles normalmente chamam-nos Moçambicanos ou amigos, não diferenciam se manhambane, machangane ou xingondo, costumam dizer amigo, amigo…
Entrevistador: E nós, Moçambicanos? Que nomes ou expressões usamos?
Resposta de E: Nós lhes chamamos Burundeses, Nigerianos, nunca conhecemos os nomes deles, eles falam na língua deles, não percebemos nada do que dizem, o segredo deles é esse, não dizem os nomes, têm medo, você vai ali ter com eles nunca te dizem o nome, apenas conhecemos aquele que regista a barraca, o resto não sabemos, são Burundeses, chamamos assim."

1 Comments:

Blogger nachingweya said...

A pior das fobias é aquela que a nossa própria casa, nação e, portanto, Mãe nos incute através da exclusão, do desemprego e das guerras civis sem razão de ser. Quando " voluntariamente", pagando passagem morrem quase mil pessoas no Mediterrâneo em demanda de um pouco de oxigênio para viver, o problema não está na União Européia, está, talvez, na inexistência da União Africana. O problema talvez não seja a pobreza mas a falência do projecto de independência dos territórios africanos.
PS: Se os navios negreiros do século XXI ,por insegurança, se afundam com milhares de almas que pagaram a sua passagem, imagine-se de quantos africanos não se alimentou a fauna marinha do Atlântico no tempo da escravatura onde os meus iguais eram mera mercadoria e as regras de navegação marítima se resumiam ao compasso.

26/4/15 8:43 da tarde  

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