26 maio 2015

Boatos triunfam no facebook

Uma pesquisa levada a cabo pela Universidade do Nordeste de Boston, Estados Unidos, mostra que "as afirmações sem provas têm tanto impacto quanto as confirmadas e sugere que quem leva a sério teorias conspiratórias acredita mais em mentiras". Com o título em epígrafe, os dados da pesquisa encontram-se no El País, aqui. [agradeço ao RC o envio da referência, CS]

25 maio 2015

Fim da EMOCHIM

Através do chefe da sua delegação no diálogo com a Renamo, José Pacheco, o Estado anunciou hoje o fim da actividade no país da Equipa Militar de Observadores Internacionais da Cessação das Hostilidades Militares (EMOCHIM), acrescentando que para a continuidade do diálogo confiava no papel dos moçambicanos em geral e dos observadores nacionais em particular - estação televisiva STV no noticiário das 20 horas. Recorde aqui.

No "Savana" 1115 de 22/05/2015, p.19


Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Pensamento fast-food (6)

Sexto número da série. Mais do que sequências lógicas, parece estarmos interessados em sequências que façam sentido, em sequências socialmente úteis; mais do que sermos analistas estamos interessados em ser juízes. Na verdade, o que muitas vezes passa por análise é, unicamente, uma condenação veemente. São ideias que nos interessam realmente, não categorias; são coisas simples e imediatas da vida que nos atraem, não lucubrações que entendemos serem obscuras e desnecessárias. Isso é especialmente evidente na conversação diária, onde estar ou não de acordo é fundamental.

Pedalando: quadros de Gemuce (11)

Décimo primeiro número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe:  Sem título, Dimensões: 130x100, Técnica: Óleo s/tela
Ano: 2015
. 
Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

Por que África tem tantas línguas?

"Com mais de 2.000 línguas distintas, África tem um terço das línguas mundiais com menos de um sétimo da população do mundo" - um texto de Claire Felter no The Christian Science Monitor, acompanhado da imagem em epígrafe, procurando mostrar que a diversidade linguística tem a ver com a diversidade genética, aqui. [agradeço ao RC o envio da referência, CS]

Redes cibernéticas e tecnologias do anonimato

Versando sobre a sociedade de controle e com o título em epígrafe, um  trabalho de 2009 do sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, aqui.

24 maio 2015

Contravenção rodoviária

Talvez seja uma boa hipótese de pesquisa a de que 60/70% dos condutores na cidade de Maputo tem a contravenção rodoviária - em seus múltiplos aspectos - como regra e normalidade. Mesmo os condutores estrangeiros habituam-se, muitos deles, a fazer aqui o que nos seus países não podem fazer. Se a culpa é dos automobilistas, a culpa não é menos de quem, ao nível do Estado, permite que isso aconteça.

Ciências sociais "e" humanas

Muito interessante em certos círculos universitários a fidelidade à copulativa "e", como se as ciências pudessem ser sociais nuns casos e humanas noutros.

Bibiane analisa aparelho judiciário na administração da justiça em Moçambique

O jurista Anastácio Bibiane analisa o que chama nós de estrangulamento no aparelho judiciário da administração da justiça em Moçambique, aqui.

Pensamento fast-food (5)

Quinto número da série. Um capítulo maior da cognição diz respeito ao julgamento, à arrumação de coisas, fenómenos e pessoas em gavetas normativas. Uma parte significativa do que se produz como análise mais não é do que um conjunto de julgamentos. O juíz é a figura primeira, o analista raramente aparece. Mais importantes do que as categorias e a estrutura lógica do raciocínio, são as representações e as ideias, os julgamentos de valor. A espinha dorsal do pensamento do dia-a-dia é constituída pela classificação das coisas, dos fenómenos e das pessoas em entidades boas e más. Prestem atenção ao que passa por análise (mesmo se pretendendo ser erudita) em vários quadrantes escritos no concernente a fenómenos da nosso social e logo vereis que quase só reinam o vitupério, a condenação, o julgamento.

Risco

Há sempre um risco: a veneração pelos pregadores, pelos proponentes de receitas, de milagres a todo-o-terreno.

23 maio 2015

Compare-se

A propósito do quadragésimo aniversário da nossa polícia, compare-se um texto do "Notícias" aqui com um texto do "Debate" aqui.

Pensamento fast-food (4)

Quarto número da série. No nosso pensamento do dia-a-dia existem duas constantes:
1. Primado do julgamento sobre a análise: recurso à validação normativa mais do que à validação lógica;
2. Primado da posição disjuntiva: estar irredutivelmente a favor ou contra.
Vamos ver alguns aspectos dessas duas constantes.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1115, de 22/05/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

Pedalando: quadros de Gemuce (10)

Décimo número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe:  Título: A arca de Noé, Dimensões: 130x100, Técnica: Óleo s/tela, 2015. Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

22 maio 2015

Riscos políticos para as democracias africanas

Riscos políticos para as democracias africanas, um trabalho do Afrobarometer, com autoria de Michael Bratton and E. Gyimah-Boadi, aqui.

Recursos na Ciência Política em geral

Com o título em epígrafe, um portal com várias secções, aqui. [este blogue figura na secção dos blogues]

Pensamento fast-food (3)

Terceiro número da série. O pensamento do dia-a-dia (o pensamento de todos nós) opera ao nível de três formas de representação social:
1. Formalismo espontâneo - emprego selectivo de estereótipos, de clichés, de julgamentos à maneira de todo-o-mundo, de ditos costumeiros, do tipo não vale a pena, a gente é assim mesmo, os Africanos acreditam nos espíritos, Os Makondes são guerreiros, o povo de Nampula é matrilinear;
2. Dualismo causal - indiferenciação da causa e do efeito na base de proximidade espaço-temporal ou de co-ocurrência. Em situações de desemprego, a presença de estrangeiros equivale à causa: os Burundeses roubam-nos os empregos (regra: causas satisfatórias são mais importantes do que razões lógicas);
3. Primado da conclusão - a conclusão existe à partida, aqui intervém o juiz e não o analista. Exemplos: Os xingondos são atrasados, os jornalistas só escrevem mentiras, etc. Não há, aqui, um pensamento de descoberta mas de afirmação e de julgamento.

Pedalando: quadros de Gemuce (9)


Nono número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe:  Sem Título, Dimensões: 130x100 Cm, Técnica: Carvão s/tela, Ano: 2015. Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

Resamorizar Samora

Confinado às estátuas, aos discursos laudatórios anuais, à perda das nervuras do que em vida realmente foi, Samora Machel é dessamorizado, amputado da sua luta por um social diferente do que chamou "ordem antiga". Urge, então, resamorizar Samora, regressar colectivamente ao seu combate por uma sociedade diferente, a uma sociedade com relações sociais de outro tipo, a uma sociedade norteada pela solidariedade, pela justiça social e pela confiança num futuro em construção colectiva permanente. Precisamos inventar o futuro.

21 maio 2015

Era mesmo necessário?

A versão digital do "Diário de Moçambique", editado na cidade da Beira, divulgou a imagem em epígrafe. Nessa imagem, vê-se o governador de Tete ao lado de uma criança numa carteira escolar. Ao fundo, vê-se um soldado armado [o círculo vermelho é da minha autoria, CS]. Era mesmo necessário ao governador ter semelhante protecção num recinto de aulas, ainda que improvisado [parece estar a céu aberto, CS], perto de crianças? O Presidente da República e o Ministro de Educação e Desenvolvimento Humano têm sido fotografados em salas de aulas, mas nunca acompanhados de soldados armados.

Dívida pública de Moçambique

Segundo a versão digital de "O País", citando o Fundo Monetário Internacional, a dívida pública de Moçambique subiu para mais de 60% do Produto Interno Bruto. Aqui.

Novo questionário

Com o tema em epígrafe, um novo questionário encontra-se no lado direito deste diário, válido até 21 de Agosto do corrente ano. Um outro, já encerrado, manter-se-á logo abaixo do novo por mais alguns dias. Obrigado pela participação.
Adenda às 13:54: resultados do questionário, já encerrado, sobre poder e federalismo [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]:

Da floresta de Samora ao mundo subterrâneo do Rio de Janeiro

Leia o que foi escrito sobre a "floresta de Samora Machel" e o mundo subterrâneo do Rio de Janeiro, extractos de um livro da autoria de Osvaldo Maneschy, Madalena Sapucaia e Paulo Becker. Aqui.

O que Samora disse em 1976

Samora Machel em 1976, na oitava sessão do Comité Central da Frelimo: "(...) O ambicioso exigirá que em cada lugar de responsabilidade apareça sempre o elemento de tal e tal tribo, de tal ou tal região ou raça. (...) os vícios do racismo, os preconceitos, não desapareceram, as relações sociais continuam a ser determinadas pela pigmentação da pele. Não há ainda uma sociedade moçambicana; há várias sociedades paralelas de brancos, assimilados, mestiços, indianos, chineses, etc., que têm reduzidíssimos contactos entre si." Aqui.

Xenofobia e shangaanfobia: história e estereótipos na África do Sul e em Moçambique (13)

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. " [Bertolt Brecht]
Décimo terceiro número da série. Entro no quinto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 5. Moçambique 2006, 2007 e 2010 e no subponto 5.1. Síndrome da rarefação (dignidade, sobrevivência, pão e chapas). Entre 2006 e 2010 viveram-se alguns momentos difíceis, em particular nas cidades de Maputo e Matola, com  picos de revolta popular em 2008 (lembre aqui e aqui) e 2010 (aqui e aqui).

Pensamento fast-food (2)

Segundo número da série. Cada um de nós está confrontado com múltiplas situações diárias. Podemos definir quatro tipos de reacções:
1. Sendo a informação dispersa e muito difícil reunir todos os elementos de um problema ou de um objecto (mesmo que os hábitos nos habitem), é privilegiado o aspecto A;
2. Um mesmo problema ou um mesmo objecto é encarado de forma diferente por vários indivíduos de acordo com histórias pessoais, grupais, etc.;
3. Em cada situação somos levados à inferência por generalização com fórmulas feitas;
4. A validação normativa ultrapassa de longe a validação lógica ou analítica.

Pedalando: quadros de Gemuce (8)

Oitavo número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe:  Título: Imprevisto, Dimensões: 130x100 Cm, Técnica: Carvão s/tela
Ano: 2015
. 
Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.