Cartoon de Zapiro no "Savana" de hoje, p. 6. Sobre Jacob Juma (vice-presidente do African National Congress da África do Sul, ex-vice-presidente do país e considerado potencial candidato à presidência sul-africana), leia aqui.
Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
11 maio 2007
Matsinhe e o "Savana"
Cartoon do "Savana de hoje" no seu suplemento "Sacana". Recordo as afirmações de Mariano Matsinhe: “Vamos fazer tudo que for necessário de modo a que a Frelimo não saia nunca do poder e que continue a servir melhor. Podem ser criados milhares de partidos e eles todos concorrerem em todas eleições, a Frelimo sempre continuará a mandar neste país. Aliás, queremos que daqui a algum tempo nem sequer no Parlamento entrem, ou seja, no futuro todos assentos devem ser ocupados pelos nossos deputados. Não sou a favor da extinção da oposição, mas ela deve continuar insignificante.”
A floresta e a madeira - o diagnóstico de um desequilíbrio (1998) (2) (continua)

Recordo que se trata de uma entrevista dada em 1998 ao MoçAmbiente pela engenheira florestal Lídia de Brito, da Universidade Eduardo Mondlane. Já nessa altura a cientista levantou alguns dos problemas que hoje são bem mais complexos.
Blogomoçambicanidade
Cresce o número de blogues no país, cresce o número de vozes que fazem do questionamento e da dúvida metódica a saudável maneira de patriotizar a nossa terra. Eis um exemplo bom, aqui.
A floresta e a madeira - o diagnóstico de um desequilíbrio (1998) (1)
O relatório de Catherine Mackenzie tem desencadeado um fascinante debate desde que o dei a conhecer bloguisticamente aqui. Um debate que tem atravessado blogues, jornais, rádio, televisão e fóruns nacionais. Um debate que tem suscitado paixões de todos os tipos, acusações de todos os tipos, leituras leigas e académicas de todos os tipos, recusas de todos os tipos. Creio, até, que se tornou por vezes mais importante o relatório em si e a recusa do seu conteúdo - lido ou não, bem lido ou mal lido -, do que a análise do que efectivamente se passa no terreno (um dia farei a sociologia táctil disso tudo). Contudo, muito antes de Catherine, já os jornalistas, esse sociólogos do dia-a-dia, reportavam situações que ela sistematizou, como este diário tem mostrado regularmente.Nesse contexto, achei útil divulgar aqui, numa série, uma entrevista dada em 1998 ao MoçAmbiente pela engenheira florestal Lídia de Brito, da Universidade Eduardo Mondlane. Já nessa altura a cientista levantou alguns dos problemas que hoje são bem mais complexos.
10 maio 2007
José Ramos-Horta: virtual vencedor das presidenciais timorenses
O primeiro-ministro e Nobel da paz José Ramos Horta é o virtual vencedor das presidenciais timorenses, tendo obtido 73 % dos votos em 90 % dos boletins já contados, segundo dados publicados hoje pela Comissão Nacional de Eleições de Timor-Leste.
Brasil à espera do papa: prefeitura de SP pediu a um médium para pôr o céu em condições

"O clima não será dos melhores para receber o papa Bento XVI. Os meteorologistas prevêem frio e pancadas de chuva. Para evitar o caos na cidade, a prefeitura de São Paulo decidiu usar um método pouco ortodoxo: vai usar o poder da médium Adelaide Scritori, presidente da Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC), para elevar a temperatura e “limpar” o céu. Isso mesmo."
E se a moda pega aqui?
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O meu obrigado à Yla que, do Brasil, me chamou a atenção para a notícia.
A racionalidade dos ladrões do desenvolvimento (4) (continua)
O investigador Bayano Valy escreveu o seguinte comentário numa entrada minha a propósito do roubo de água mineral. Sublinhei a vermelho as passagens que me interessam: "Há sensivelmente dois anos fazia uma tournée pela Tanzania na companhia de alguns jornalistas moçambicanos. Em Arusha deparei-me com vários técnicos da SADC, que lá estavam num seminário sobre o ambiente. Estavam a debater a monitoria da implementação da Convenção de Estocolmo sobre os Poluentes Orgânicos Persistentes (POP), que visa a eliminação segura e a diminuição da produção e da utilização destas substâncias nocivas para a saúde humana e para o ambiente. A medida deve ser feita de forma gradativa até 2025 e definitivamente até 2028. Ao todo são 12 os químicos - chamados por Dirty Dozen - visados pela Convenção de Estocolmo. O que é que isso tem a ver com o roubo do óleo nos transformadores? É que o óleo dos transformadores contém os bifenilos policlorados (PCB), que são visados pela convenção. Na Tanzania, por exemplo, sabe-se que as populações pobres utilizam o óleo para cozinhar e as mulheres usam-no para embranquecer a pele. O que a Convenção pretende é que os transformadores sejam substituídos por outros que não contenham o PCB. A SADC, sem excepções, assinou a Convenção de Estocolmo em Maio de 2001. O que posso especular é que as populações roubam o óleo para usarem-no na cozinha. Não vejo as nossas mulheres a utilizarem-no como produto de beleza."
A racionalidade dos ladrões do desenvolvimento (3) (continua)

"Pelo menos sete em cada 100 clientes da Electricidade de Moçambique (EDM), na cidade de Maputo, estão a consumir energia eléctrica ilegal, com recurso a ligações clandestinas. Este é o resultado preliminar de uma campanha de combate a este esquema de consumo clandestino de energia, levada a cabo pela instituição no sentido de reduzir os efeitos negativos resultantes destas operações."
A racionalidade dos ladrões do desenvolvimento (2) (continua)

"Cerca de 900 metros de cabos eléctricos que transportam energia para a iluminação pública na Estrada Nacional Número 4 (EN4), próximo da Portagem de Maputo, foram roubados por desconhecidos, deixando uma boa parte às escuras. Neste momento a TRAC, a concessionária da via, está à procura de mecanismos para a reposição dos respectivos condutores, de modo a resolver o problema o mais rápido possível."
A racionalidade dos ladrões do desenvolvimento (1)


"Cinquenta e quatro mil milhões de meticais da nova família constitui o valor dos prejuízos causados à empresa Electricidade de Moçambique (EDM) nos últimos três anos em resultado dos roubos de material eléctrico protagonizados por indivíduos não identificados nos diversos pontos do país. Entre os materiais mais preferidos destacam-se cabos eléctricos, cantoneiras, espias e fio de terra".
"A nível da Área de Distribuição de Tete, onde igualmente ocorrem casos de roubo de cabos, o respectivo director, Alberto Banze, explica que a situação é particularmente grave no distrito de Moatize onde segundo ele, os meliantes até roubam transformadores para deles retirarem o miolo para fins que não especificou."
"Milhares de consumidores de energia eléctrica, na cidade de Maputo, estão a ser privados daquele recurso, nas últimas duas semanas, como consequência do roubo de óleo mineral dos postos de transformações."
Não há crise


Faz muito que não me aventurava a isso, a passar com o meu velho carro pelos bairros, pelo Alto-Maé, pela Malhangalene, pelo 25 de Junho, descendo depois para a baixa, para a 25 de Setembro e para as pequenas ruas perpendiculares, percorrendo finalmente a marginal e vendo os efeitos crescentemente corrosivos da erosão.Passei em sítios onde me pareceu terem caído bombas atómicas, eram verdadeiramente estradas-crateras.
Um bocado por todo o lado fiquei com a sensação nítida, táctil, de que os deuses se esqueceram da cidade ou de que a destinaram ao inferno.
Esgotos rebentados, carcaças de casas e de carros, lixo por todo o lado, dumba-nenguização de tudo e de todos, escolas habitadas pela incúria, chapas que chapam não importa o quê nem onde. Para usar uma imagem digestiva apenas a propósito dos buracos: em outras cidades do planeta um buraco numa estrada é suficiente para fazer cair um governo: aqui, 100 buracos ampliam a longevidade do governo.
E assim normalizamos o anormal, damos-lhe o cunho das coisas naturais da vida. Não há crise, como diz o nosso povo. Povo que se tem queixado ao presidente da República de muitas mazelas existentes na cidade e na vida. Veja aqui. Mesmo os antigos combatentes da libertação nacional se queixam.
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Ao procurar na net fotografias de buracos na cidade de Maputo, dei, já não sei por quê, com o blogue de uma brasileira, um blogue com uma única entrada colocada a 14 de Abril. Leiam o que essa visitante escreveu sobre Maputo (que compara com um subúrbio de Salvador), mas também sobre a sua ida a Nampula, aqui. Pode dar um bom debate.
09 maio 2007
Sete milhões de dólares para travar contrabando de madeira no Centro/Norte
A propósito da mentalidade madeiral de 66% (3) (fim)
A mentalidade madeiral é a do recolector: cortamos, recolhemos, exportamos. E se não atingimos os 100% ficamos infelizes e queixamo-nos, até, ao presidente da República.Somos estrangeiros à mentalidade do produtor. Amamos ser apanhadores de amêijoas. Amêijoa não exige fábrica, apenas exige cuidado com o meio que permite a sua sobrevivência.
A esse propósito vou recordar coisas que já escrevi aqui há tempos.
Ficamos felizes por exportarmos madeira, por cobrar impostos. Ficamos felizes por recebermos depois a nossa madeira sob forma de mobílias. Amamos sentar-nos em cima de nós-próprios.
Quem diz madeira, diz muitas coisas coisas, diz camarão, tabaco, caju, banana e por aí fora.
A nossa mentalidade tornou-se definitivamente exportadora e cobradora. Estamos a juzante de um processo sem montante: não é a nossa indústria que importa, mas a alimentação das indústrias dos outros.
Passamos horas em workshops (esquecemos até o termo seminários), criamos mestrados por atacado para formação em economia, convidamos excelsas cabeças pensantes para nos ensinarem como se fazem negócios, convidamos todos e sobretodos para virem investir no nosso país, estabelecemos parcerias "inteligentes" não importa com quem.
Mas algum dia se fez neste país um workshop a sério, prolongado, sobre como erguer e ajudar a manter a indústria moçambicana? Sobre como proteger a nossa burguesia? Sobre como financiar os nossos empresários, não os empresários com mentalidade chapa 100, mas os empresários que queiram investir (e que estão a investir) na produção a sério? Sobre como assegurar facilidades bancárias e juros preferenciais? Sobre como travar o acesso dos produtos estrangeiros que fazem colapsar os nossos? Sobre como fabricarmos a nossa mobília com cortes de madeira que assegurem a biodiversidade? Sobre como fazer com que os nossos alunos se sentem em carteiras e não no chão? Sobre como sermos um Estado forte ao serviço de uma indústria forte?
Não: não fizemos, nem fazemos. Por quê? Porque estamos a juzante, porque somos matéria-primados, orgulhosos por exportamos o que os outros transformam para seu benefício. Não é a amêijoa saborosa?
Há dias, um empresário em Inhambane queixou-se de que iria fechar duas fábricas de óleo alimentar porque não podia concorrer com o óleo da Malásia, chegado bem mais barato. Ouvido um director estatal, este disse que não era função do Estado controlar preços. Pois claro!
O que fazemos, fizemos ou poderemos nós fazer para evitar a síndrome da dependência, do arruinamento de tudo o que, de produtivo, é nosso e poderia ser nosso? Nada. Amamos apenas o primário e o terciário em nossas parcerias ditas inteligentes. O que restava da nossa indústria da eras colonial e revolucionária foi transformado num monte de armazéns enquanto milhares de trabalhadores ficaram desempregados.
Falta-nos a pedalada ganhadora da Lurdes Mutola. Para quê comer o nosso bolo se o bolo estrangeiro chega rápido e barato? Por quê proteger os nossos frangos, os da UGT, se os frangos brasileiros chegam rápido e barato?
Embarcamos orgulhosamente no "made in Mozambique" com os pulmões respirando, porém, o oxigénio do export matéria-primal.
Amamos o turismo, os turistas, expomos praias, acampamentos na selva, camarões e leões. E o que mais?
O que escrevo é inviável? Acham mesmo que sim?É inviável questionar as regras do jogo? É inviável defendermos um país forte, industrializado, lutador, com uma burguesia forte, com um Estado protegendo a sua indústria? É inviável pensarmos que temos centenas de engenheiros agrónomos capazes de pôr a nossa agricultura a funcionar em pleno sem necessidade de técnicas chinesas, americanas, russas ou galáxicas?
De que nação falamos quando dizemos que o seu estado é bom? De que desenvolvimento falamos? De que combate à pobreza "absoluta" (espantoso vocábulo este!) falamos? Servirão as futuras estradas, a futura energia eléctrica para termos o nosso povo mais rico e feliz ou para fazermos com que a nossa matéria-prima saia mais rapidamente para benefício estrangeiro? Já nos interrogámos sobre isso? Já procurámos sair um pouco fora dos carris de quem nos pensa em lugar de nos levarem a pensar por nós-próprios? Estamos dispostos a pensar que a crítica faz bem melhor ao nosso povo e ao nosso país do que o seguidismo acéfalo, think-tanks?
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Feliz fiquei hoje quando soube, através da Rádio Moçambique, de um camponês em Alto-Molócuè que pratica a aguacultura, que cria peixes em tanques, que tem já dez tanques, que vende o peixe que dessa maneira cria.
Roubo de óleo mineral priva milhares de energia eléctrica na cidade de Maputo

"Milhares de consumidores de energia eléctrica, na cidade de Maputo, estão a ser privados daquele recurso, nas últimas duas semanas, como consequência do roubo de óleo mineral dos postos de transformações."
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Aqui está um fenómeno que se generalizou nas capitais do nosso país, em particular na cidade de Maputo, com as cantoneiras e, agora, com o óleo mineral. Regra geral a voz do senso-comum tem atribuído os roubos a uma selvageria nata. O problema, porém, deverá consistir em compreender a racionalidade desse tipo de actos, por mais que isso nos custe. Eventualmente poderei vir a colocar algumas hipóteses neste diário.
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Aqui está um fenómeno que se generalizou nas capitais do nosso país, em particular na cidade de Maputo, com as cantoneiras e, agora, com o óleo mineral. Regra geral a voz do senso-comum tem atribuído os roubos a uma selvageria nata. O problema, porém, deverá consistir em compreender a racionalidade desse tipo de actos, por mais que isso nos custe. Eventualmente poderei vir a colocar algumas hipóteses neste diário.
Reis, o iluminado

Presidente de um pequeno partido sem expressão no país, Carlos Reis, pensa em todos nós e por isso quer que os soldados patrulhem as ruas para combater a criminalidade, dada a ineficiência da polícia.
O despobrezado destino dos sete milhões

"O distrito de Machaze, em Manica, é o que mais desvios cometeu na execução dos sete milhões de meticais atribuídos em 2006 no âmbito do orçamento de investimento em iniciativas locais", segundo o "Notícias" de hoje. Porém, o governador da província, Raimundo Diomba, "assegurou que “ninguém será punido” em resultado de tais desvios de aplicação, considerando que o dinheiro foi entregue aos distritos antes de estes receberem explicações claras sobre a finalidade do fundo. Aliás, de acordo com aquele responsável, isso explica o facto de os desvios terem sido cometidos praticamente em todos os distritos do país."
Recorde, entretanto, aqui.
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Aqui fica, então, de forma clara, a informação de que os sete milhões destinados a combater a pobreza distrital foram entregues "sem explicações claras sobre a finalidade do fundo". E como não havia explicações claras, também não há responsáveis pelo desvio de aplicação (para fazer uso deste tão belo eufemismo).
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Aqui fica, então, de forma clara, a informação de que os sete milhões destinados a combater a pobreza distrital foram entregues "sem explicações claras sobre a finalidade do fundo". E como não havia explicações claras, também não há responsáveis pelo desvio de aplicação (para fazer uso deste tão belo eufemismo).
08 maio 2007
Pão mais caro?

Preço do pão poderá aumentar. Entretanto, o salário dos trabalhadores continua por reajustar desde Maio de 2006.
Feizal - provável novo presidente da FMF

No sábado já deveremos saber quem será o novo presidente da Federação Moçambicana de Futebol, sucedendo a Mário Coluna. As indicações apontam para a vitória de Feizal Sidat, que conta agora com o apoio da Organização da Juventude Moçambicana (ala juvenil da Frelimo) na cidade.
Diário de um sociólogo

Juntamente com o portal do nosso governo, este diário figura como elo externo da BBC para África, em português e para o noticiário de Moçambique. Firewall bloqueia portais moçambicanos
Hoje fiz algumas experiências com um portal que encontrei na net depois de ter lido coisas que não sabia. Por exemplo, testei os quatro portais constantes das imagens em epígrafe no portal encontrado: todos bloqueados por um firewall, como reparais. Testei montes de outros, mesmo de poesia, mesmo fotoblogs. Nada resultou. Façam vocês o teste com outros portais, incluindo o vosso. E, já agora, gostava de ouvir comentários, até porque nada entendo de informática. Acresce que verifiquei haver dezenas de entradas na net, se não mesmo centenas, abordando o fenómeno. Enfim, regra geral sempre chego atrasado ao conhecimento de certas coisas.
Sobre os abatidos na Costa do Sol: Polícia vai colaborar com a PGR

O vice-ministro do Interior, José Mandra, afirmou hoje em Gaza que a polícia vai colaborar com a Procuradoria-Geral da República a propósito dos cidadãos abatidos no Bairro da Costa do Sol (Rádio Moçambique, noticiário das 12.30 de hoje).
Criminalidade espectacular em Maputo
Após o assassinato há dias de um cidadão paquistanês em plena via pública, foi agora a vez de um polícia francês reformado, no domingo. Enquanto isso, em comunicado distribuído à imprensa, os bispos católicos manifestaram a sua preocupação com a criminalidade e com a violência.
PGR emite mandato de captura contra polícias
Recorde-se que em comunicado de imprensa e após um inquérito, o Comando-Geral da Polícia afirmou que, afinal, não executou os três indivíduos baleados há dias no Bairro da Costa do Sol.
Aforismos

Mais uma colecção dos habituais e perversos aforismos do diário:
1. A tua opinião mais não é do que a opinião dos outros disfarçada com a tua assinatura.
2. A vaidade é uma humildade farta de anonimato.
3. A blogosfera é um mundo de vozes hostis à vida pública real.
4. As declarações de neutralidade são emoções anestesiadas.
5. Os cientistas chegam onde os poetas terminam: às dúvidas.
07 maio 2007
Tique e as bichas da revolução
Tempos da revolução, as dificuldades de abastecimento, as bichas por todo o lado, os novos verbos (bichar, desenrascar, emanssipar com dois "s", carambolar, mafiar, etc.) e o nosso cartoonista Sérgio Tique para nos dar um sorriso a propósito da bicha na Avenida Karl Marx em Maputo.
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Tique, Sérgio, Otheya 2. Maputo: ed. do autor,
1998, p. 2o; para os leitores brasileiros: não confundir o significado local de bicha com o que tem no Brasil.
Risco e oportunidade para corrupção


O Centro de Integridade Pública vai efectuar um estudo sobre transparência, áreas de risco e oportunidades para a corrupção em seis autarquias do país. Confira aqui.
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Cartoons reproduzidos daqui e daqui.
Frelimo abandonou os trabalhadores? (2) (fim)

No IXº Congresso da Frelimo, realizado o ano passado em Quelimane, estiveram presentes 1326 delegados, dos 1.345 previstos, tendo faltado 19 por motivos considerados justificados. Num efectivo com 470 delegados pertencentes aos aparelhos do Estado e 276 ao aparelho partidário, apenas estiveram representados 9 operários e 9o camponeses. Mas os empresários eram 29 e os "proprietários" (assim se auto-descreveram) 19.
Naturalmente que não é a presença de um número significativo de trabalhadores num partido que o dota de uma postura defensora dos trabalhadores. Igualmente não é a sua ausência ou o seu número insignificante que o torna menos pró-trabalhadores.
De qualquer das formas, são bem significativos os números apresentados mais acima. E estão em perfeita consonância com a situação dos trabalhadores desde 1987 e com o comando exercido pelo neo-liberalismo.
Com efeito, num país onde os trabalhadores vão perdendo os seus empregos desde 1987 (9.000 só em 2006, segundo a OTM- CS), onde o salário mínimo nacional não é reajustado desde Maio de 2006 e onde o Estado, o maior empregador do País, tem todo o interesse em atrair o investimento estrangeiro oferecendo-lhe o atractivo de salários que não cubram a reprodução dos trabalhadores, num país assim não espanta que a Frelimo - gestora do Estado e cujos membros séniores possuem poderosos interesses empresariais um bocado por todo o lado -, tivesse abandonado, faz dois anos, o encontro anual que tinha com os trabalhadores em cada 1.º de Maio, mesmo se, desta vez, uma delegação sua tivesse desfilado.
Os sindicatos estão reféns de intermináveis encontros de "parceiros sociais" onde apenas ganham mais alguns magros meticais que nunca permitem a aquisição de um cabaz mensal decente. O apelo à unidade nacional substituiu completamente o apelo à luta pela melhoria da situação laboral. Longe estão os tempos em que se criticava o colonialismo por pagar salários de miséria. A famosa canção da era revolucionária "não vamos esquecer o tempo que passou" faz, agora, parte da memória abandonada.
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