As chuvas e as inundações continuam a surgir em certa imprensa, de forma sistemática, imperativa, como obra natural incontornável. Lendo as narrativas, fortemente antropomorfizadas, fica-nos a sensação de que a água tem vontade própria: "chuvas matam", "fúria das águas", "violência destruidora das águas", etc. Raramente está em causa saber se a tragédia e os estragos não poderiam ter sido minimizados atempadamente. O natural mediatizado eclipsa o social analítico. Ciclicamente assim procedemos, tornando imunes à acção preventiva humana os deuses coléricos das águas.
Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
1 comentário:
Sem dúvida, quando houver novas chuvas e novas inundações a cena vai repetir-se.
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