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23 dezembro 2009

Ainda sobre a Procana



Há dias, o semanário "Magazine Independente" mostrou de que maneira o povo do distrito de Massingir na província de Gaza era explorado pela Procana, uma empresa cuja actividade - produção de etanol e de açúcar refinado em 30 mil hectares - foi agora suspensa pelo governo moçambicano. Por trás da Procana, estava a Camec. Falar em Camec é falar em Phil Edmonds, ex-jogador de cricket que decidiu também investir em clínicas que, abertas em África, se destinam às classes médias africanas, aos expatriados, às ONGs, aos diplomatas e aos turistas. Como poderia o pobre povo de Massingir entrar numa clínica de Edmonds?
Nota: clique com o lado esquerdo do rato sobre as imagens para as ampliar.
Adenda às 21:09: uma clínica deverá entrar em funcionamento em Maputo no próximo ano. Conferir aqui.

Procana: eu tinha advertido!

O governo revogou a licença atribuída à Procana para produzir etanol e açúcar refinado em 30 mil hectares situados no distrito de Massingir, província de Gaza. Não me surpreende tal medida, apenas peca por ter sido tardia. Há dois anos, por duas vezes, aqui alertei para o risco de acordos com empresas tendo à retaguarda a COMEC (lembre aqui e aqui). Há dias, o semanário "Magazine Independente" mostrou, em grande reportagem, a forma como a Procana estava a desgraçar os camponeses de Massingir.

24 dezembro 2009

Dossier "Savana"

Segue-se um dossier contendo trabalhos com os seguintes títulos:
* Governo rescinde contrato com a Procana
* Estado desonra Siba-Siba
* MP pede pena máxima para os réus
* Foragidos escondem-se em Moçambique
* Editorial: Procana: foi possível agir a tempo
* A talhe de foice: os patrioteiros
* Economicando: Estado capturado?
* Espinhos da micaia: a mulher mais poderosa de Portugal é angolana
* Tribuna do editor: Dhlakama e o "governo de transição"
A conferir aqui.

15 dezembro 2009

Atenção a essa gente!


Cabeçalho de uma reportagem do "Magazine Independente" desta semana, ocupando as páginas centrais (16-17). Recorde o que reportei sobre a Procana em Dezembro de 2007, aqui.
Adenda: vamos a ver se consigo obter a reportagem para a postar aqui.

17 dezembro 2007

Atenção, Estado moçambicano!

A Procana poderá ser a segunda maior fábrica de bio-etanol do mundo se começar a operar a partir do próximo ano em Massingir, província de Gaza. Um dos parceiros do projecto é a Central Mining Exploration Company (CAMEC), de origem britânica. O presidente Guebuza encorajou os investidores (o segundo é o Biolimpopo, moçambicano) a tudo fazerem para que o projecto se torne realidade.
Já aqui coloquei reservas sobre os investidores estrangeiros do projecto. Recorde aqui.
Agora, o conceituado Business Report sul-africano divulgou um trabalho no qual se mostram problemas com a CAMEC no Congo. Leiam-no (obrigado ao Ricardo de Paris pelo alerta).
Enquanto isso, a ONU diz que a produção de etanol é uma ameaça para a biodiversidade na Amazónia.

09 dezembro 2007

Etanol: atenção aos flibusteiros!

Há tempos, o "O Paísonlione" apresentou um trabalho do jornalista Boaventura Mucipo sobre a luz verde dada para o maior projecto de etanol em África, a ser executado na província de Gaza. O jornalista escreveu então o seguinte: "O Governo e a PROCANA assinaram, esta semana, o contrato de investimento e de concessão do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra para a execução de um projecto de produção de etanol, em Massingir, Gaza, no valor de 510 milhões de dólares americanos." E acrescentou Mucipo: "Trata-se de um investimento que congrega três accionistas, dois dos quais estrangeiros e um nacional. No acto de assinatura do contrato, fez-se presente apenas um dos dois investidores estrangeiros: Central African Mining & Exploration Company (CAMEC), que entra no negócio com uma quota de 50%. Entretanto, o outro investidor estrangeiro não foi tornado público."
O trabalho de Mucipo refere uma figura obscura no processo, a de Billy Rautenbach.
Mas convinha - este é um recado especial para o ministro da Agricultura, Erasmo Muhate -, também, estudar a trajectória de Phil Edmonds, chairman da CAMEC. Uma busca pela google pode trazer-nos algumas surpresas sobre este antigo jogador de cricket. Nada custa tentar (obrigado ao Ricardo de Paris pelo alerta e pela sugestão do termo "flibusteiro").

24 dezembro 2009

No "Savana" desta semana

O semanário "Savana" desta semana tem vários trabalhos merecedores de leitura. Por exempItálicolo, sobre os créditos mal parados do Banco Austral e sobre a rescisão do contrato com a Procana. Além disso, estão as crónicas de Machado da Graça ("Os patrioteiros", a propósito de pessoas que protestam com um documento que os G19 terão enviado ao nosso Governo); de João Mosca ("Estado caputurado?", tendo Moçambique como eixo de reflexão) e de Fernando Gonçalves ("Dhlakama e o "governo de transição", relacionando a exigência de Dhlakama de tal governo e a pressão de certos países ocidentais sobre o nosso Governo para que sejam melhorados alguns aspectos da governação).
Conto poder disponibilizar esses trabalhos se e quando os receber. Sem deixar de lado, claro, a habitual e sempre muito lida "Hora do fecho".

07 junho 2010

Traumas

O presidente da República, Armando Guebuza, inaugurou na cidade de Maputo no dia 4 o Trauma Center Hospital and Well Woman Clinic, uma unidade sanitária privada de luxo, especializada no tratamento de traumas. Segundo AllAfrica, quem está à cabeça do empreendimento é o ex-jogador de cricket Phil Edmonds, que esteve também à cabeça da CAMEC, uma empresa que prometeu desenvolver uma plantação de açúcar em 30 mil hectares na província de Gaza num projecto chamado PROCANA este ano cancelado pelo nosso governo. Confira aqui, aqui, aqui e aqui.Free Translation
Comentário: para usar uma expressão penosamente banal, a vida está cheia de traumas.