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28 novembro 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (25)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
O vencedor é sempre amigo da paz (Carl von Clausewitz)
O término da sérieno sétimo número do sumário, a saber: Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana.
A imagem que Dhlakama e alguns dos seus mais próximos e intervenientes colaboradores têm transmitido é a da ameaça de retorno à guerra ou, nas mais recentes formulações, de desencadeamento de manifestações que - sustentam - irão desalojar a Frelimo do poder, eventualmente algo como a "Primavera Moçambicana", inspirada nas manifestações do mundo árabe. A mensagem castrense é permanente, estamos perante exercícios sistemáticos de violência verbal destinados a preparar a submissão real do adversário. Na concepção de von Clausewitz, a política ostenta vários rostos, esse é apenas um deles. Temos, assim, Clausewitz à moçambicana.
Sobre Clausewitz, confira aqui.
(fim)

08 novembro 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (24)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
O vencedor é sempre amigo da paz (Carl von Clausewitz)
Um pouco mais da série, com mais algumas hipóteses.
Ainda no sétimo número do sumário, a saber: Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana.
Então, Afonso Dhlakama afirma-se como a vertente guerreira retroalimentada da luta política moçambicana, como o formulador implícito de uma teoria que poderia ter a seguinte formulação: "Se não se consegue hegemonia política imediata no terreno das urnas, escolhe-se um outro terreno de combate. Este terreno de combate tem dois níveis: o nível da ameaça e o nível da concretização. Por vezes basta o nível de ameaça para desencadear o processo da hegemonia."
Termino no próximo número. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)

16 outubro 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (23)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
O vencedor é sempre amigo da paz (Carl von Clausewitz)
Um pouco mais da série, com mais algumas hipóteses.
Ainda no sétimo número do sumário, a saber: Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana.
Na postagem anterior escrevi que o discurso dhlakamiano é fortemente castrense, marcado pela ameaça de violência armada. Sistematicamente, as posições do presidente da Renamo surgem no discurso público do país como anti-políticas. Mas essas posições são iminentemente políticas ao contestarem a hegemonia eleitoral do seu adversário. A luta pela hegemonia política tem dois níveis extremos: o eleitoral (mais avançado e recente) e o guerreiro (mais retrógado e antigo).
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)

03 outubro 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (22)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
O vencedor é sempre amigo da paz (Carl von Clausewitz)
Um pouco mais da série, com mais algumas hipóteses.
Ainda no sétimo número do sumário, a saber: Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana.
Na postagem anterior mostrei-vos que o presidente da Renamo possui uma guarda privada armada e que essa guarda impediu crentes de duas congregações religiosas de lhe apresentaram uma mensagem de paz há tempos na cidade de Nampula. Como regularmente é reportado na imprensa, o discurso dhlakamiano é fortemente castrense, marcado pela ameaça de violência armada. As posições do presidente da Renamo surgem como anti-políticas.
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)

20 setembro 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (21)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
Um pouco mais da série, com mais algumas hipóteses.
Entro, agora, no sétimo número do sumário, a saber: Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana.
Segundo o Wampula fax, centenas de crentes convocados pelo Conselho Cristão e pelo Conselho Islâmico de Moçambique tentaram no sábado, sem êxito, transmitir uma "mensagem de paz" ao presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, na Rua das Flores, cidade de Nampula. Agentes da segurança de Dhlakama, uniformizados e armados uns, à civil outros, inviabilizaram o propósito, barrando as entradas da rua. Aqui.
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)

30 julho 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (3)

Um pouco mais da série.
Vou escrever um pouco sobre os seguintes sete pontos:
1. Duas maneiras de encarar fenómenos e pessoas: visão em si e visão de campo
2. Dhlakama e Renamo: a leitura tradicional na visão em si
3. Dhlakama e Renamo: visão de campo
4. O conflito enquanto campo estruturante da política
5. O campo como disputa de recursos políticos de poder
6. O conflito enquanto campo de socialização política
7. Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana
Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)

08 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (9)

Um pouco mais da série, com mais algumas hipóteses.
Entro no quarto número do sumário, a saber: o conflito enquanto campo estruturante da política.
Por aquilo que surge ruidosamente e em abundância na imprensa, o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, parece ter dito três coisas: (1) irá conduzir até Dezembro uma revolução nacional pacífica destinada a afastar a Frelimo da direcção do Estado, (2) possui um exército bem armado que poderá responder à eventual resposta da Frelimo e (3) irá aguartelar os seus antigos guerrilheiros.
Se aceitarmos que é isso que efectivamente foi dito ou tem sido dito, estamos perante a colocação no mercado nacional de ideias políticas de artefactos retóricos destinados a provocar rapidamente pelo menos cinco tipos de reacções: (1) temor (incluindo o do Capital), reactivando a memória dos efeitos da guerra terminada em 1992, (2) admiração pela exibição musculada de força capaz de supostamente dar resposta a desagravos populares, (3) descredibilização dos actos eleitorais, (4) imposição de uma plataforma destinada a forçar a Frelimo a um processo negocial para partilha da gestão estatal e (5) restabelecimento da coesão entre os membros do seu partido.
A política é a continuidade da guerra por outros meios (permitam-me inverter dessa forma uma frase famosa de Clausewitz): essa parece ser a coluna vertebral do que Dhlakama parece estar a dizer em sua luta de oratória castrense.
Mas há mais coisas a considerar neste conflito de barricadas oratóricas que, ao mesmo tempo, desune e une, afasta e aproxima (aguardem a continuidade da série), incluindo a reacção oficial do Gabinete de Mobilização e Propaganda da Frelimo.
Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)
Nota: pode acontecer que eu modifique algo no texto.

01 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (5)

Avançando na série.
Primeiro ponto do sumário, a saber: duas maneiras de encarar fenómenos e pessoas: visão em si e visão de campo.
Passo agora à visão de campo. Em lugar de procurarmos nos fenómenos e nas pessoas as propriedades essenciais do que lhes sucede, esforçamo-nos por estudá-los no interior de um sistema ou de um campo de forças, de uma cadeia de múltiplas influências. A visão de campo consiste, então, em analisar fenómenos e pessoas não como expressão de propriedades ou de essências individuais ou sui generis, mas como expressão da complexidade relacional e reactiva na qual se encontram inseridos. Assim, para usar agora um exemplo da física de Galileu, os corpos caem não porque sejam pesados, mas por causa da força de gravidade. É numa relação que um fenómeno ou uma pessoa são entendíveis.
Prossigo mais tarde com o segundo ponto do sumário proposto.
Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)

09 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (10)

Um pouco mais da série, sempre trabalhando com hipóteses.
Permaneço no quarto número do sumário, a saber: o conflito enquanto campo estruturante da política.
O comum de nós analisa a política enquanto exercício moral, enquanto repositório casuístico. No nosso alfobre de argumentos entram estruturas predicativas do género: isto não pode ser assim, tem de haver cultura de Estado, etc. O ideal para não poucos de nós seria uma plataforma de ideias e de práticas iguais, muito certinhas, muito didácticas, muito disciplinadas.
Porém, a realidade é diferente. O conflito é o campo estruturante da vida e, naturalmente, da política.
Num dos seus livros, George Simmel deu-nos a conhecer duas histórias: (1) uma terrível guerra ocorrida durante décadas entre dois partidos irlandeses, que se bateram por todo o país por causa de uma disputa surgida na identificação da cor de uma vaca; (2) perigosas revoltas surgidas na Índia devido à rivalidade de dois partidos que ignoravam tudo um do outro salvo que um era o partido da mão direita e o outro, o partido da mão esquerda (Le conflict. Paris: Circé, 1992, p. 41).
Ora, no nosso país o problema não tem a ver com a modéstia da cor de uma vaca ou com as mãos, mas, de forma bem mais complexa, com a história e com o controlo do Estado.
Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)
Nota: pode acontecer que eu modifique algo no texto.

02 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (6)

Um pouco mais da série.
Passo ao segundo ponto do sumário, a saber: Dhlakama e Renamo: a leitura tradicional na visão em si.
Na visão em si, tornada clássica em certos quadrantes, Dhlakama e Renamo surgem como a coagulação primordial do Mal, como entidades diabólicas que encontram nelas próprias as origens e as manifestações invariáveis da maldade. Não importa o que façam ou digam, não importa a época histórica, se há 20 ou 30 anos atrás, agora ou amanhã, tudo neles é suposto provir do Mal absoluto.
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)

02 setembro 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (18)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
Um pouco mais da série, com mais algumas hipóteses.
Continuo no sexto número do sumário, a saber: o conflito enquanto campo de socialização política, tendo em conta, ainda, a primeira das três preposições sugeridas, a saber: quanto mais intenso for o conflito político, mais intensa é a busca de coesão interna nos partidos.
Escrevi no número anterior que um partido que controla o Estado tem uma evidente superioridade sobre os adversários, consistindo esta na possibilidade de poder distribuir e redistribuir recursos de poder (por exemplo, postos governamentais).
Mas não só. Quanto mais sólido e maior for o partido (controlando regularmente as malhas da extensão), mais pode tolerar na periferia (secções mais fracas e distantes do centro decisional) os elementos hesitantes ou propensos aos compromissos com adversários.
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)
Nota: pode acontecer que eu modifique algo no texto.

18 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (13)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
Um pouco mais da série, sempre trabalhando com hipóteses.
Inicio, agora, o sexto número do sumário, a saber: o conflito enquanto campo de socialização política.
Vou permitir-me subdividir esse ponto nos seguintes subpontos:
1. O conflito enquanto normalidade social
2. O conflito político enquanto campo de coesão e de ultrapassagem de contradições internas
3. O conflito político enquanto unidade de contrários
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)
Nota: pode acontecer que eu modifique algo no texto.

13 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (11)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
Um pouco mais da série, sempre trabalhando com hipóteses.
Termino o quarto número do sumário, a saber: o conflito enquanto campo estruturante da política.
Uma ligação que vem pelo menos desde 1976 dá às posições da Frelimo e da Renamo aquele lastro conflitual que se observa permanentemente, com nitidez e ruído, na Assembleia da República. Mas, também, nas entrevistas de Dhlakama e nas reacções de membros séniores da Frelimo. É uma luta cerrada, um campo de produção anatematizante dos dois lados, um campo de reactualização de estereótipos e clichés. Recorde aqui.
Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)
Nota: pode acontecer que eu modifique algo no texto.

12 setembro 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (20)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
Um pouco mais da série, com mais algumas hipóteses.
Continuo no sexto número do sumário, a saber: o conflito enquanto campo de socialização política, ainda na terceira das preposições sugeridas anteriormente, a saber: partidos sem adversários de relevo tendem à morte.
Um partido é tão mais robusto quanto mais tiver de lutar contra adversários de relevo. Luta em que sentido? Luta pela gestão ou pela manutenção de gestão do Estado, especialmente nos países onde a promiscuidade entre partido vencedor e Estado é íntima e permanente. Quanto mais robusto, mais fechado aos estranhos, aos adversários. A intensidade da luta mede-se (1) pela derrota das contradições internas; (2) pela quantidade de epítetos, de estereótipos, de ameaças e de clichés produzidos e (3) pela recusa sistemática de compromissos. Parece ser uma regra a de que os partidos precisam de lutar para sobreviverem politicamente. E lutando, temos o paradoxo de vermos adversários tornados aliados.
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)

05 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (7)

Um pouco mais da série.
Passo ao terceiro ponto do sumário, a saber: Dhlakama e Renamo: visão de campo.
Em lugar de vermos o problema pelo prisma dos fenómenos auto-gerando-se, tentemos vê-los pelo prisma de um campo de forças interagindo.
Contrários ao sistema político criado com a independência nacional, Moçambicanos e estrangeiros receberam da Rodésia do Sul e da África do Sul variado apoio para se constituírem como força armada e desencadearem uma prolongada luta guerrilheira. Numa guerra que durou muitos anos e cujo saldo foi e é doloroso, eles foram ao mesmo tempo oponentes internos e instrumentos de forças externas. Hoje, não há indicações de que quer Dhlakama quer o bloco hegemónico da Renamo tenham podido expulsar completamente o aguilhão da guerrilha.
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)

07 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (8)

Um pouco mais da série, com mais algumas hipóteses.
Então, Dhlakama e o bloco hegemónico da Renamo são hoje, ao mesmo tempo, (1) o cordão umbilical da guerrilha ao nível da oratória, (2) a memória dos acordos de paz de 1992 que entendem não estar a ser cumpridos e (3) a dificuldade em aceitar resultados eleitorais que não sejam os da sua vitória.
São como que o fac-símile daquele herói de um filme de Charlie Chaplin que, apanhado por uma tempestade de neve quando dormia na sua cabana, vê esta de repente na borda de um precipício. Ao acordar, quer sair. Mas se avança para o lado do precipício, a cabana tomba; se recua e pretende sair, a tempestade aguarda-o. O herói de Chaplin não pode nem habitar a cabana nem deixá-la.
Dhlakama e Renamo não podem nem viver nem sair da memória do passado. Mas eles não são, politicamente, um fenómeno anormal. Em suas múltiplas facetas, o conflito é o campo estruturante da política. A oratória castrense de Dhlakama e do grupo hegemónico da Renamo é um artefacto de luta.
Prossigo mais tarde com o quarto número do sumário, a saber: o conflito enquanto campo estruturante da política. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)

31 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (17)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
Um pouco mais da série, com mais algumas hipóteses.
Prossigo no sexto número do sumário, a saber: o conflito enquanto campo de socialização política, tendo em conta a primeira das três preposições indicadas no número anterior, a saber: quanto mais intenso for o conflito político, mais intensa é a busca de coesão interna nos partidos.
Um partido que controla o Estado tem uma evidente superioridade sobre os adversários. O elemento fundamental dessa superioridade reside na possibilidade de poder distribuir e redistribuir recursos de poder (por exemplo, postos governamentais). Por outras palavras, o partido no poder pode assegurar redes clientelistas a todo o momento. Cada membro, cada beneficiado é um potencial ampliador dessas redes através da família, dos amigos, dos vizinhos, dos subordinados, etc.
Mas não só.
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)
Nota: pode acontecer que eu modifique algo no texto.
Adenda às 8:36: na versão digital do "Canal de Moçambique" de hoje e sob o embrulho de um discurso extremamente castrense, belicoso - como se de um Marte moçambicano -, o Sr. Dhlakama aparece claramente a exigir partilha imediata de recursos de poder, independentemente de eleições. Aqui.

16 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (12)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
Um pouco mais da série, sempre trabalhando com hipóteses.
Termino o quinto número do sumário, a saber: o campo como disputa de recursos políticos de poder.
Esse é um ponto raramente aflorado. Politicamente sensível, é sempre mais útil ignorá-lo e remeter o adversário para a incoerência, para a desorientação e para a paranoia castrense.
O que está em jogo desde há muitos anos no país é, para dizer uma banalidade, a disputa cerrada por recursos políticos de poder. O coração dos recursos políticos de poder reside no Estado, na sua gestão, no seu monopólio. O controlo do Estado permite o acesso a uma vasta e diversificada gama de bens, benefícios e redes de lealdade.
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)
Nota: pode acontecer que eu modifique algo no texto.

29 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (16)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
Um pouco mais da série, sempre trabalhando com hipóteses num terreno temático pleno de intensos investimentos morais, pessoais e colectivos.
Prossigo no sexto número do sumário, a saber: o conflito enquanto campo de socialização política, tendo em conta a primeira das três preposições indicadas no número anterior, a saber: quanto mais intenso for o conflito político, mais intensa é a busca de coesão interna nos partidos.
Uma ideia eventualmente perturbadora: um partido que aspire a manter o monopólio do Estado fica satisfeito - tenha disso consciência ou não - quando tem de fazer frente a um adversário ou a vários adversários de vulto. Quanto mais decisiva for a luta a esse nível, mais esforços fará para assegurar e robustecer a coesão interna, tapando brechas, projectando sistematicamente no (s) adversário (s) as causas dos males sociais e eliminando quaisquer propostas que este (s) faça (m) para participar no ou para melhorar o funcionamento do Estado. O procedimento do (s) adversário (s) não será, na essência, diferente. Porém, há diferenças que importa ter em conta.
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)
Nota: pode acontecer que eu modifique algo no texto.

24 agosto 2011

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (15)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
Um pouco mais da série, sempre trabalhando com hipóteses num terreno temático cheio de intensos investimentos morais, pessoais e colectivos.
Prossigo no sexto número do sumário, a saber: o conflito enquanto campo de socialização política, agora no subponto 2: 2. O conflito político enquanto campo de coesão e de ultrapassagem de contradições internas.
Vou considerar três preposições:
Primeira: quanto mais intenso for o conflito político, mais intensa é a busca de coesão interna nos partidos;
Segunda: partidos maioritários e condutores de Estados possuem maior capacidade para tolerar nas suas periferias os militantes propensos às mediações e aos compromissos;
Terceira: partidos sem adversários de relevo tendem à morte.
Prossigo mais tarde. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)
Nota: pode acontecer que eu modifique algo no texto.