Aqui. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
30 julho 2011
Dossier (5) (Edição de 22/07/2011)
Pesadelo Mourinho
Anúncios fixos nas estradas da cidade de Maputo, anúncios nas televisões, tudo por conta da publicidade bancária do Millennium Bim, é uma verdadeira indigestão diária à conta de José Mourinho. Com ar melodramático, barba por fazer, olhar cenicamente duro e mafioso, o treinador do Real Madrid surge a dizer que paixão é o seu modo de vida.29 julho 2011
Do editorial do "Savana" de 29/07/2011
"(...) depois do Ministro da Saúde, Alexandre Manguele, ter vindo a público admitir que o SNS estava a sofrer de uma intensa hemorragia de pessoal médico devido às más condições de trabalho e de remuneração, eis que surge a revelação de que todo o sector da saúde em Moçambique poderá entrar em colapso caso não seja feita uma injecção financeira de emergência na ordem dos 25 milhões de dólares para a aquisição de medicamentos essenciais que se encontram numa situação de ruptura. (...) A crise que agora atinge o seu apogeu no sector da saúde é resultado da combinação de políticas populistas que vinham sendo implementadas na área desde 2005, por um lado, e por outro, de uma atitude geral do governo que resulta na não atribuição de recursos adequados para a saúde, em conformidade com compromissos internacionais assumidos pelo governo de Moçambique. (...) Este é um quadro que entra em contraste marcante com o discurso oficial de combate à pobreza, particularmente quando analizado à luz de despesas supérfluas que o Estado tem estado a fazer, tantas que não cabem neste espaço."
Postagens na forja
* Genéricos: Dossier "Savana" (5) (Edição de 22/07/2011); "À hora do fecho" no "Savana" (Edição de 29/07/2011)
* Séries pessoais: Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (3); Uns pensam melhor do que outros? (5); Por que brilha o capitalismo? (5); Mudar sem mudar (12); Sobre ritos de iniciação feminina à maturidade em Moçambique (20); Segregação urbana em Maputo (10); Ditos (11); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (30); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)
* Séries pessoais: Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (3); Uns pensam melhor do que outros? (5); Por que brilha o capitalismo? (5); Mudar sem mudar (12); Sobre ritos de iniciação feminina à maturidade em Moçambique (20); Segregação urbana em Maputo (10); Ditos (11); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (30); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)
Capa do "Savana" de 29/07/2011
Logo que oportuno inicio aqui a publicação do habitual Dossier Savana, edição de 29/07/2011. Amanhã deverei inserir, destacado, o não menos habitual "À hora do fecho" do jornal. E prosseguirei o dossier de 22/07/2011. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
Sobre causas
De um excelente editorial do "Notícias" digital de hoje: "O número de greves no país baixou nos últimos anos de uma média de doze para apenas dois episódios por mês, feito que é atribuído à boa prestação dos mecanismos de arbitragem, mediação e conciliação. (...) parece-nos razoável admitir que esta maneira de colocar este problema e as conclusões a que se chega é bastante reducionista. A questão que seria de levantar é saber em que medida é que a redução do número de greves resulta da solução dos problemas que geralmente lhes dão origem." Aqui.
Observação: a ausência de visibilidade de conflitos no prisma estatístico não só não significa que eles não existam, como pode ser o indicador da gestação de conflitos a outros níveis. Mas o mais importante a considerar reside na crença politizada de que os trabalhadores moçambicanos aceitam as condições de exploração desenfreada a que muitas vezes estão sujeitos ("povo pacífico" é um dos eufemismos). Não seria desinteressante estudar as causas dessa crença.
Observação: a ausência de visibilidade de conflitos no prisma estatístico não só não significa que eles não existam, como pode ser o indicador da gestação de conflitos a outros níveis. Mas o mais importante a considerar reside na crença politizada de que os trabalhadores moçambicanos aceitam as condições de exploração desenfreada a que muitas vezes estão sujeitos ("povo pacífico" é um dos eufemismos). Não seria desinteressante estudar as causas dessa crença.
Independência social
"Eduardo Mondlane e Samora Machel, pais fundadores do nosso país, colocaram de frente o seguinte problema: não basta obter a independência nacional, é preciso também obter a independência social." Aqui.
Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (2)
Um pouco mais desta nova série.As posições públicas de Dhlakama em particular e de porta-vozes da Renamo em geral dão quase sempre origem, em certos sectores, a um coro indignado e apreensivo de protestos face ao que parece assemelhar-se ao toque de um clarim ameaçador, forte de simbolismo castrense. Talvez se possa até dizer que Dhlakama aparece num certo imaginário popular como uma espécie de AK-47 recorrente.
Tenho para mim que, num país como o nosso, com tão triste e pesada memória da guerra, há forte razão para se temer o efeito retroactivo do fisiculturismo oratório.
Mas esse não é agora o tema central nesta série na qual vou tentar sair de certos clichés e explorar algumas hipóteses de pesquisa usando o provocador título em epígrafe. Sobre Clausewitz, confira aqui.
(continua)
Ideias
O problema não está na discussão de ideias, o problema está quando na discussão se exige a etnia das ideias, a raça das ideias, o sexo das ideias.
Índice de percepções sobre corrupção 2010
Moeletsi Mbeki
O académico e empresário sul-africano Moeletsi Mbeki criticou severamente a direcção do ANC. Confira o que ele disse e qual a resposta do ANC, em inglês aqui e em português aqui. Sobre o seu livro Arquitectos da pobreza, aqui. Sobre postagens neste diário que a ele se referem, aqui.
Dossier (4) (Edição de 22/07/2011)
28 julho 2011
Sismo discursivo de Dhlakama
A estação televisiva STV acabou de apresentar uma reportagem sobre a chegada ontem a Quelimane do presidente da Renamo, Afonso Dhlakama. Com muita gente esperando-o numa zona onde se registou um corte de energia (recorde aqui), Dhlakama afirmou que estava à cabeça de uma "revolução popular" (sic) destinada a afastar a Frelimo do poder até Dezembro e a criar um governo de transição que despartidarizasse o Estado. Acrescentou que se a Frelimo enviasse forças para deter a revolução, ele daria ordens para "limpar" (sic). E terminou dizendo: "Não sou um belicista, sou um democrata".
Observação do cidadão que sou: um sismo discursivo deploravelmente castrense e despropositado.
Observação do estudante do social que procuro ser: sugiro siga a minha série intitulada Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana, aqui. E procure ler amanhã, aqui, a edição do Diário da Zambézia.
Observação do cidadão que sou: um sismo discursivo deploravelmente castrense e despropositado.
Observação do estudante do social que procuro ser: sugiro siga a minha série intitulada Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana, aqui. E procure ler amanhã, aqui, a edição do Diário da Zambézia.
Carta aberta ao Presidente da República de Moçambique
Doze organizações escreveram uma carta aberta ao Presidente Armando Guebuza. Extractos: "O Senhor Presidente recebeu recentemente um prémio ambiental concedido pela organização internacional WWF (Fundo Mundial Para a Conservação da Natureza) (...) Constitui, sem margem para dúvidas, um motivo de orgulho para todos os cidadãos moçambicanos e um incentivo para que muitas outras iniciativas sejam levadas a cabo (....) Porém, sem demérito dos bons exemplos que conduziram à atribuição do referido prémio, continuamos a assistir em Moçambique a cada vez mais casos de delapidação criminosa dos nossos recursos naturais, com destaque para a exploração e exportação ilegal de recursos florestais e faunísticos, minerais e hídricos." Na íntegra aqui.
Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (1)
Faz muito que porta-vozes da Renamo afirmam que o partido irá fazer manifestações nacionais em protesto contra os resultados eleitorais de 2009. Entretanto, há dias, o seu presidente, Afonso Dhlakama - em digressão pelas províncias nortenhas -, foi citado na imprensa a dizer que tinha "homens fortes" e armas, incluindo mísseis. Agora, Fernando Mazanga, porta-voz, foi citado a anunciar que o partido irá aquartelar os seus militares havidos como desmobilizados do exército e os ex-guerrilheiros (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).(continua)
Carta aberta ao Presidente da República
Doze organizações escreveram uma carta aberta ao Presidente da República a propósito de dois acontecimentos: o prémio que lhe foi atribuído pelo Fundo Mundial para a Conservação da Natureza e a delapidação dos nossos recursos naturais.
Aguarde que eu a divulgue.
Aguarde que eu a divulgue.
Racionalidades diferentes
"Não há pessoas mais racionais do que outras, há apenas pessoas com racionalidades diferentes." Aqui.Ditos (11)
Em lugar de ataque directo ao adversário, criam-se campos opostos de adversários, criam-se mesmo, ajudando-os, grupos e pessoas títeres, grupos e pessoas cavalos de tróia, levando-os a baterem-se entre si e a esquecerem o real adversário, aquele que os manipula. Essa é uma técnica sem história, tão antiga e permanente é, trabalhada a vários níveis, aí compreendida a imprensa.
(continua)
Massacre da Noruega/espelho cristão da al-Qaida
"Imaginem se Anders Behring Breivik fosse um imigrante muçulmano, o pálido, loiro, 100% norueguês de olhos azuis, ultra direitista louco por armas, fundamentalista cristão, responsável pelo atentado à bomba em Oslo e pelos meticulosos assassinatos selectivos da ilha de Utoya que mataram 93 pessoas." - introdução (tradução minha, CS) de um trabalho de Pepe Escobar com o título e o subtítulo em epígrafe, aqui. Para traduzir, aqui.
Adenda às 7:13: versão em português aqui.
Adenda às 7:13: versão em português aqui.
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