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15 janeiro 2010

Kudeka começou hoje a ser demolido

Memória sólida de muita gente na cidade de Tete, o Cine Esplanaoda Kudeca começou hoje a ser demolido para dar lugar a um hotel. Existem vários lamentos e protestos neste diário - incluindo uma carta minha para o edil da cidade -, datados de 2007. Aqui.
Adenda: conto receber ainda hoje fotos da demolição.

29 novembro 2008

As verdades - Azagaia


Sobre o rapper Azagaia (nome artístico de Edson da Luz), confira o portal da cotonete records aqui. O artista actua hoje na cidade de Tete, discoteca Kudeka, 21 horas, acompanhado da Dama do Bling. Que as águas do Zambeze e seus espíritos manhungwe vos protejam. Favor comerem pende!

02 junho 2007

Pedido

A propósito do cinema Kudeka na cidade de Tete, recebi de Nazim Ahmad, representante da rede Aga Khan, uma mensagem solicitando que aqui ficasse expresso que - vou citar literalmente -"a Fundação nunca teve a intenção como desconhece quem utilizou o nome da Fundação Aga Khan como compradora do dito Cinema abusivamente".

01 junho 2007

Representante da Aga Khan nega intenção de demolição do Kudeka

Via email chegou-me a seguinte mensagem, que reproduzo na íntegra:

Exmo. Sr. Presidente da delegação do governo Moçambicano na Comissão de Coordenação AKDN – Moçambique e Vice-Ministro das Finanças, Dr. Pedro Couto,

Tendo tomado conhecimento, por diversas vias, de que circulam rumores bem como um abaixo-assinado que pretende obstar à pretensa e suposta intenção da Fundação Aga Khan de demolir o cinema Kudeka, na cidade do Tete, para no seu lugar erguer um hotel, tomo a liberdade de manifestar a V. Excelência a nossa total surpresa e indignação pelo uso inapropriado do nome da Fundação Aga Khan para um fim do qual somos desconhecedores em absoluto.
Como bem sabe, nunca foi nem é nossa intenção proceder a qualquer diligência de demolição do cinema Kudeka, um edifício de reconhecido valor histórico, nem de construír um hotel na cidade do Tete, pelo que urge clarificar a situação junto das entidades competentes.
Tratar-se-á certamente de um enorme equívoco e mal-entendido, eventualmente à semelhança dos pretensos rumores que,. já no passado, e conforme se recordará V. Excelência, associaram indevidamente o bom nome da Fundação Aga Khan a iniciativas em Cabo Delgado das quais éramos completamente desconhedores e que se mostraram ser totalmente infundadas e incorrectas.
Desta forma, e tendo em conta as expressões que já estão a ter lugar por parte da sociedade civil em Tete (do qual o abaixo-assinado que partilho consigo é exemplificativo) venho solicitar a V. Excelência os seus bons ofícios para a tomada de diligências que considere adequadas para a urgente clarificação desta situação e reposição da veracidade dos factos, nomeadamente, junto do Conselho Municipal do Tete e de outros órgãos que considere relevantes.
Na expectiva de merecer o devido seguimento deste importante assunto por parte de V. Excelência,
Subscrevo-me com elevada consideração e amizade.
Cordialmente,
Nazim Ahmad Representative, Aga Khan Development Network
Mozambique Edifício Sua Alteza Aga Khan
Avenida 24 de Julho Maputo - Moçambique
Tel.: +258 21 409 007
Fax: +258 21 409 010
Mobile: +258 82 450 29 00
E-mail: nazim.ahmad@akdn.org
Website: www.akdn.org

Jornalista Arune Valy e o cinema Kudeka


Publico uma crónica do jornalista Arune Valy, da Rádio Moçambique, que acabei de receber:
"Murmurar dos Manyungwes
É triste ver, sentir, ouvir e ficar impávidos e serenos, quer dizer sem tossir e nem mugir.
É o que está a contecer com os manyngwes na cidade de Tete onde tudo se faz ante um olhar lacrimoso de quase todos.
Estive lá, mais uma vez, vi e ouvi coisas. Vi com gosto o arrumamento das vendedeiras de hortícolas no mercado à beirinha do Zambeze, vi o pavilhão polivalente do município, pela primeira vez na história daquela cidade, há um local coberto para jogos de salão, vi a construção de habitações a urbanizar o bairro M’pádwe, uma unidade residencial que estava virada ao estilo de vida rural.
Também, vi coisas esquizitas ante o murmurar silencioso dos manhungwes, meus pares como dizem os deputados.
Não é que, então, me constou que os accionistas maioritários do Kudeka, o maior e único cinema ao ar livre em Moçambique e quiçá da África Austral, com cadeiras da mais preciosa madeira de Tete, vai ser domolido para dar lugar a um hotel 5 estrelas? Ví os escombros irreconhecíveis do que foi o primeiro hotel da então vila de Tete, que depois albergou a tropa colonial do comando sector-F e mais tarde virou Direcção Provincial de Educação e Cultura. Isso, entre outras coisas feias, disseram os meus conterrâneos que está a acontecer e que com muita pena vêem e nada podem fazer para impedir e nem ninguém mexe uma palha.
Custa, se de facto isso for real, aceitar que o Cine-Esplanada Kudeka vai morrer.
No Kudeka, o tal que vai dar lugar a um hotel, cantou Zeca Afonso a sua “Grândola Vila Morena”, canção do 25 de Abril, ali actuou o grupo RM, passou lá a Miriam Makeba, o John Chibhadura, passaram os Kem Boys e um infinito número de espectáculos. Alí onde em publicidade o Sauzande Jeque disse que era “onde o calor não encontra morada”, para hoje se dizer que vai para o lixo?
A cidade de Tete tem muitos lugares para hotéis, por quê logo destruir uma grande história inaugurada na nossa independência nacional?
Outro caso tem a ver com as bombas de combustível, que vão sendo construídas como que “nas varandas” da poluição e não se está a pensar que estas coisas podem provocar os sempre lamentáveis incidentes.
Ante tudo isso e mais não sei o quê, os manhungwes só murmuram e nada fazem se não cochichar em surdina. Vamos lá meus amigos e conterrâneos fazer mais alguma coisa útil a nós!
Maio/07
Arune Valy"

Em defesa do cinema Kudeka em Tete


Reproduzo um abaixo-assinado e, no fim, o email do contacto de Aissa Assak que os interessados poderão usar caso desejem inscrever-se:

ABAIXO-ASSINADO EM DEFESA
DO CINEMA KUDEKA

Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Fundação Aga Khan
Ao Excelentíssimo Senhor Presidente do Concelho Municipal de Tete
Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação e Cultura
Ao Excelentíssimo Senhor Ministro do Turismo

Os abaixo-assinados, naturais, amigos e simpatizantes de Tete e, principalmente, defensores do património cultural de Moçambique, tomaram conhecimento, com muita indignação, da intenção do grupo Aga Khan de demolir o cinema Kudeka, na cidade de Tete, para no seu lugar erguer um hotel.
Permitam-nos recordar aos exmos senhores que o cinema Kudeka é um edifício de dimensão e formato únicos em todo o País, e que o mesmo possui valor histórico não só para Tete mas também para Moçambique.
Tal como o nome diz, Kudeka significa bonito, belo!
Ao destruir um monumento deste porte não só estarão a eliminar parte da história e da tradição do país e, principalmente, da província de Tete, mas também a destruir parte dos valores culturais e tradicionais da população.
O cinema Kudeka não constitui apenas património arquitectónico da cidade, mas do povo.
Congratulamo-nos com a construção de um hotel da categoria do que se pretende implantar onde agora está o Kudeka, mas a cidade de Tete possui outros terrenos onde o grupo Aga Khan poderá erguer esse empreendimento.
Por isso vimos por meio desta pedir que:

POR FAVOR, NÃO DESTRUAM O CINEMA KUDEKA

Maputo, 29 de Maio de 2007

VALORIZEMOS O PATRIMÓNIO HISTÓRICO E CULTURAL DE MOÇAMBIQUE
____________________________________
Contacto: amissak@ispu.ac.mz

Carta para o Senhor Presidente do Conselho Municipal da cidade de Tete, César de Carvalho


Senhor Presidente
Bom dia! Machibece!
Permita-me escrever-lhe esta carta, estou certo de que alguém lha dará a conhecer.
Chegou ao meu conhecimento de que querem destruir o cinema Kudeka para, em seu lugar, se construir um hotel.
Esse cinema, Presidente, tem sido, faz décadas, um referencial fundamental dos citadinos de Tete, desta cidade cujo início como burgo data de 1530. Sabe disso melhor do que eu.
E agora, querem deskudeká-lo.
E ainda por cima kudeka significa belo!
Não, Presidente, devemos impedir isso.
Como muitos outros, caro conterrâneo edil, faço questão de conhecer bem a cidade onde nasci, faço questão de conhecer bem o sabor sem perímetro do melambe, da maçanica, do pende, do cabrito, faço questão de conhecer sem fronteiras o sabor da água do meu Zambeze.
Como muitos outros, faço questão de conhecer o cinema Kudeka, lá onde o povo vai ver cinema num écran gigante, ao ar livre, ali próximo do campo de futebol do Desportivo. O maior e único do país, construção de raiz, alberga 773 pessoas. O único que funciona na cidade.
Não, Presidente, não podemos apagar a memória histórica da nossa cidade. Absolutamente não.
Saiba que já corre na internet uma recolha de assinaturas para uma exposição que, certamente, chegará ao seu conhecimento.
No que me concerne, estou aqui nesta frente de luta.
Obrigado por me ler, nta tenda!
Os meus mais respeitosos cumprimentos.
Carlos Serra
Centro de Estudos Africanos
Universidade Eduardo Mondlane

31 maio 2007

Querem destruir o cinema Kudeka na cidade de Tete

Tenho indicações seguras de que querem destruir o cinema Kudeka (=bonito, belo) na cidade de Tete. Uma fundação quer erguer um hotel em seu lugar.
Faço questão de conhecer bem a cidade onde nasci, faço questão de conhecer bem o sabor sem perímetro do melambe, da maçanica, do pende, do cabrito, faço questão de conhecer sem fronteiras o sabor da água do meu Zambeze.
Faço questão de conhecer o cinema Kudeka, lá onde o povo ia e vai ver cinema num écran gigante, ao ar livre, ali próximo do campo de futebol do Desportivo. O maior e único do país, construção de raiz, alberga 773 pessoas.
Faço questão de iniciar aqui uma campanha contra a destruição. E a farei chegar a muitos sítios.
Prepare-se, edil César de Carvalho, para uma carta que aqui lhe escreverei nas próximas horas.