08 agosto 2012

A alma das matérias-primas

Com grande publicidade, a imprensa vai reportando quanto o Capital internacional investe em Moçambique para explorar as nossas reservas de produtos minerais. Essa grande publicidade é acompanhada, de forma directa ou indirecta, pela indicação de que o país é rico e que ficará a ganhar com a exportação dos produtos minerais.
A esse ruído junta-se um outro, o dos sectores preocupados com os réditos a cobrar ao Capital em benefício do país.
Em ambos os ruídos a mentalidade continua a ser a do passado: actua a juzante de um processo internamente sem montante. Não é a nossa indústria que importa, mas a indústria dos outros. O que importa, em última análise, é taxar os lucros do Capital.
Agimos como recolectores: ajudamos a extrair, a cortar, a embalar e a exportar. As linhas férreas são uma parte dessa mentalidade extractora e não transformadora: escoam a riqueza do estrangeiro. Temos, afinal, a alma das matérias-primas.
Precisamos de uma burguesia forte, endógena, uma burguesia socialista transformadora que crie a indústria nacional, pague salários condignos aos trabalhadores e alimente sem cessar os sectores sociais.

Uma viagem a Tete (11)

Décimo primeiro número desta série sobre Tete, com registos fotográficos recolhidos em Moatize, a cerca de 20 quilómetros da capital. Aqui desfilarão os contrastes e a intensidade do microsocial. Na imagem, sob o rosto do embondeiro, restos do antigo passado ferroviário de Moatize. A última série do autor versou sobre Inhambane, aqui. A próxima série deverá ter Cabo Delgado e, em particular, Pemba, como referência. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Liga dos Estudantes Comunistas de Moçambique (53)

Quinquagésimo terceiro número da série, décima sétima e última questão:
Carlos Serra: Acreditais que um dia o mundo será socialista ou, se preferirdes, comunista?
Régio Conrado: (continuidade da resposta, CS) Internacionalmente, é um sistema em que os países mais desenvolvidos, mais ricos e mais fortes exploram, dominam, subjugam e oprimem pelas mais variadas formas os países mais atrasados, mais pobres e mais fracos, mantendo e criando no mundo zonas imensas de fome que afecta e mata milhões de seres humanos.
(continua)

O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (94)

Um pouco mais da série. Escrevi no número anterior que uma verdadeira contestação do Estado colonial devia seguir outros caminhos fazendo frente ao seu centro decisório e que chegara o momento de escrever um pouco sobre a luta de libertação, tema - acrescentei - pleno de arestas e de prismas. Existem muitos trabalhos sobre a luta. Tendo-os em conta, gostaria de propor duas maneiras de a encarar. Prossigo mais tarde.
(continua)

À busca do ouro (1)

Mineração artesanal em Fenda, região situada a poucos quilómetros do município de Manica, microsocial em fotos de Albertino Atanásio há dias tiradas e gentilmente disponibilizadas para este diário.
(continua)

Um jornal

07 agosto 2012

À busca do ouro

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem a Tete (11)
Séries pessoais: Análise da análise (3); Morte dos blogues moçambicanos? (10); A carne dos outros (13); A pobreza mora na cabeça? (11); Liga dos Estudantes Comunistas de Moçambique (53); Poder de persuasão dos SMS (15); A hipótese do duplo poder (15); A difícil fórmula da distribuição de consensos (13); Hábitos e fixismos (11); O casamento das famílias (18); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (13); Modos de navegação social (18); Ditos (47); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (94)

12 de Outubro

Confira o portal da gala aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Olá!

Uma das 693 fotos do "Diário de um fotógrafo", aqui

A pobreza mora na cabeça? (10)

Décimo número da série. Escrevi no número anterior que era necessário determinar melhor o peso da história através de um outro peso, o peso das relações sociais. Na verdade, se ficarmos apenas pelo peso da história, mais especificamente pelo peso psicológico da história, escapar-nos-á o fundamental. De que falo? Falo-vos nas relações sociais entre seres humanos. Mas existem relações sociais em si, relações entre pessoas em si, relações entre seres humanos em si? Permitam-me prosseguir mais tarde (imagem reproduzida daqui).
(continua)
Sugestão: recorde a minha série em sete números intitulada Onde moram os pobres?, aqui.

Uma viagem a Tete (10)

Décimo número desta série sobre Tete, com registos fotográficos recolhidos em Moatize, a cerca de 20 quilómetros da capital. Aqui desfilarão os contrastes e a intensidade do microsocial. A última série do autor versou sobre Inhambane, aqui. A próxima série deverá ter Cabo Delgado e, em particular, Pemba, como referência. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Reitor Quilambo

Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Orlando Quilambo, falando sobre a "Gala 50 anos de Ensino Superior em Moçambique":
Pergunta: A gala vai de alguma maneira dar à luz uma espécie de “prémios Nobel” de vários tipos. Acredita que será possível termos galas periódicas?
Resposta: Acho que seria bom que esta iniciativa continuasse, mesmo que reduzíssemos as categorias, por outras palavras, com mais tempo, mais dados disponíveis sobre os actores do ensino superior, poder-se-ia caminhar para termos “prémios Nobel” tendo em conta a nossa realidade. Aliás, com consultas a agências filantrópicas, quem sabe poderíamos ter uma possibilidade de patrocínio garantido, para as categorias que forem instituídas.

06 agosto 2012

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem a Tete (10)
Séries pessoais: Análise da análise (3); Morte dos blogues moçambicanos? (10); A carne dos outros (13); A pobreza mora na cabeça? (10); Liga dos Estudantes Comunistas de Moçambique (53); Poder de persuasão dos SMS (15); A hipótese do duplo poder (15); A difícil fórmula da distribuição de consensos (13); Hábitos e fixismos (11); O casamento das famílias (18); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (13); Modos de navegação social (18); Ditos (47); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (94)

693ª foto (Olhos)

"Diário de um fotógrafo", aqui

Ayrton Cassamo

A propósito da "Gala 50 anos de Ensino Superior em Moçambique", a realizar-se no dia 12 de Outubro, confira uma entrevista com Ayrton Cassamo, presidente da Associação dos Estudantes Universitários da Universidade Eduardo Mondlane. Aqui.
Nota: começaram as inscrições para os prémios da gala.

Morte dos blogues moçambicanos? (9)

Nono número da série. Admitamos, então, que importa negar a questão tal como inicialmente a apresentei (morte dos blogues moçambicanos devido às redes sociais). Em lugar de procurarmos as razões da morte dos blogues moçambicanos fora, procuremo-las, antes, dentro. Uma rede social não mata os blogues, prolonga-os ou pode prolongá-los. Mas deixem-me propor os seguintes pontos para abordagem futura, todos rigorosamente baseados em hipóteses: (1) Nacionalidade; (2) Anonimato; (3) Androcentrismo; (4) Tipologia; (5) Período áureo; (6) Razões da morte. Prossigo mais tarde. Imagem reproduzida daqui.
(continua)

Uma viagem a Tete (9)

Nono número desta série sobre Tete, com registos fotográficos recolhidos em Moatize, a cerca de 20 quilómetros da capital. Aqui desfilarão os contrastes e a intensidade do microsocial. A última série do autor versou sobre Inhambane, aqui. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

A carne dos outros (12)

Décimo segundo número da série, com tema referido aqui, passando agora ao ponto quinto do sumário sugerido aqui: 5. Casos da Matola e da Beira. Prestem atenção ao que se segue, no que parece ser um fenómeno de natureza distinta do ocorrido em Muhôa:
Extracto de uma notícia inserta em 2010 no "Diário de Notícias" e no "Notícias", respectivamente aqui e aquiSe não se importam, prossigo mais tarde.
(continua)
* Entretanto, recorde a minha série em 14 números intitulada Ionge: populares acusam autoridades de prender a chuva no céu, aqui. Para um excelente livro em francês que estabelece uma relação entre a percepções populares, feitiçaria, política e enriquecimento, consulte Geschere, Peter, Sorcellerie et politique, la viande des autres en Afrique. Paris: Karthala, 1995.

Liga dos Estudantes Comunistas de Moçambique (52)

Quinquagésimo segundo número da série, décima sétima e última questão:
Carlos Serra: Acreditais que um dia o mundo será socialista ou, se preferirdes, comunista?
Régio Conrado: (continuidade da resposta, CS) Mas o capitalismo manteve e mantém as suas características essenciais, como sistema de exploração, opressão e agressão, marcado por injustiças, desigualdades e flagelos sociais. O capitalismo é um sistema em que há classes que exploram e classes que são exploradas, classes que dominam e outras que são dominadas, classes que governam em seu proveito e outras que para seu mal são governadas, classes que constituem uma minoria da população que concentra a riqueza e usufrui em excesso e classes que constituem a maioria esmagadora da população que vive com graves carências e que, em vastíssimos sectores, vive numa zona social sombria de pobreza e miséria. 
(continua)

A difícil fórmula da distribuição de consensos (12)

Décimo segundo número da série, baseada neste trabalho de "O País" aqui. Prossigo no primeiro ponto do sumário que vos propus aqui.
1. História da ciência, cientistas sociais e algumas ambições. A pouco e pouco formaram-se dois campos extremos: num estavam a matemática (não empírica) e as ciências naturais experimentais, oriundas do estudo da mecânica celeste (física, química e biologia); no outro extremo, ficavam as humanidades (ou artes e letras), com a filosofia, seguida das literaturas, da pintura, da escultura e da musicologia; entre ambos os campos, quedava-se o estudo das realidades sociais, com a história a perfilar-se no campo ideográfico e com as “ciências sociais” (nomotéticas), havidas como próximas das ciências da natureza (sociologia, economia, ciência política).
(continua)

05 agosto 2012

Começaram as inscrições

Começaram as inscrições, confira aqui.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem a Tete (9)
Séries pessoais: Análise da análise (3); Morte dos blogues moçambicanos? (9); A carne dos outros (12); A pobreza mora na cabeça? (10); Liga dos Estudantes Comunistas de Moçambique (52); Poder de persuasão dos SMS (15); A hipótese do duplo poder (15); A difícil fórmula da distribuição de consensos (12); Hábitos e fixismos (11); O casamento das famílias (18); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (13); Modos de navegação social (18); Ditos (47); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (94)

692

Uma das 692 fotos do "Diário de um fotógrafo", aqui

Poder de persuasão dos SMS (14)

Décimo quarto número da série, baseada neste tema aqui. Prossigo no quinto ponto do sumário proposto aqui. 5. Dois tipos multiplicadores de aceitação do conteúdo do sms. Escrevi no número anterior que estamos abertos a acreditar não importa em quê desde que duas condições estejam reunidas: (1) acúmulo de fenómenos julgados inquietantes do passado (o efeito retroactivo referido aqui) e (2) confiança no uso colectivo dos modernos meios de comunicação. No tocante à primeira condição, se o fenómeno A foi precedido (1) de fenómenos socialmente perturbadores ainda que diferentes e/ou (2) de sinais de natureza idêntica, teremos tendência a considerá-lo como natural e lógico. Prossigo mais tarde. Imagem reproduzida daqui.
(continua)

Uma viagem a Tete (8)

Oitavo número desta série sobre Tete, com registos fotográficos recolhidos em Moatize, a cerca de 20 quilómetros da capital. Aqui desfilarão os contrastes e a intensidade do microsocial. A última série do autor versou sobre Inhambane, aqui. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Análise da análise (2)

Prossigo esta curta série. Confrontados com um determinado problema, a nossa tarefa consiste em decompô-lo, em estudar cada uma das partes e produzir no fim uma visão de conjunto do seu funcionamento e, eventualmente, da (s) sua (s) causas. Uma análise digamos que clínica - arredando o manto de suposições e de lugares-comuns que, frequentemente, escondem a real natureza do fenómeno - pressupõe o que chamarei princípio de Descartes. Prossigo mais tarde.
(continua)

Hábitos e fixismos (10)

Décimo número da série. Escrevi no número anterior que a sobrevalorização moralizadora e aprovadora de um certo tipo de passado, designadamente o passado dos comportamentos e dos costumes, é um outro campo da mentalidade essencialista. O que pretendo dizer? Pretendo dizer que parece ser nosso hábito defender que os comportamentos e os costumes do nosso passado eram bons, ao contrário dos actuais, que consideramos maus. Se não se importam, prossigo mais tarde.
(continua)

A globalização da vigilância

Uma análise

Uma análise de SocioProf, a propósito de um trabalho de David Brooks: (...) assassinatos por negros são guerras de gueto, assassinatos por latinos têm a ver com cartéis de droga, mas mortes por brancos são actos individuais de doença mental (...)." Aqui.